terça-feira, 30 de setembro de 2008

Desmatamento na Amazônia dobra em 1 mês

Mauro Zanatta, de Brasília
30/09/2008
Fonte: Valoronline

O índice do desmatamento na Amazônia, que vinha com tendência de queda, voltou a subir, dobrou em um mês e atingiu, em agosto, 756 quilômetros quadrados, uma área equivalente à soma dos municípios de Curitiba e Belo Horizonte. No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, o país já perdeu 8.673 km² de florestas - ou quase seis vezes o tamanho do município de São Paulo.


Alarmado com a situação crítica, o governo federal anunciou ontem um novo pacote de ações de combate ao desmatamento da região. Ao divulgar uma lista com os cem maiores desmatadores da Amazônia, alvos de ações civis públicas na Justiça, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, prometeu criar um "batalhão de elite" armado para "detonar" os vilões da floresta.


Também anunciou a revisão de todos os planos de manejo aprovados pelos governos de Mato Grosso, Pará e Rondônia sob a égide da "ecopicaretagem", além da desocupação de áreas federais "piratas" e a criação de um novo colegiado ministerial ao estilo do Copom, dedicada à política monetária, para "interferir" nas políticas contra o desmatamento da Amazônia. "É um dado muito ruim. É mais do que o dobro de julho e o triplo de agosto de 2007", resumiu Minc ao comentar a devastação da Amazônia no mês passado.


Como culpados pelo aumento da devastação, Minc apontou a permissividade gerada pelas eleições municipais, a expansão da atividade pecuária no Estado do Pará, a expectativa de regularização fundiária em terras públicas da região, a pressão da grilagem e a redução do efetivo de fiscalização em agosto. "Foi péssimo, porque tínhamos conseguido uma redução brutal. Nossa função, agora, é correr atrás do prejuízo".


A lista dos cem "campeões do desmatamento" da Amazônia aponta os assentamentos da reforma agrária como os principais vilões da agressão à floresta. As áreas federais, administradas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), contabilizam multas de R$ 265,6 milhões pela degradação de 229,2 mil hectares na região. No acumulado deste ano, os assentamentos foram responsáveis pela derrubada de 374 km² da floresta nos 36 municípios campeões da devastação na Amazônia - área quase duas vezes maior do que a cidade do Recife. Mesmo assim, Minc reconheceu a complicação com os assentamentos, mas minimizou o papel desses dados.


"Houve muito [desmatamento] em terras indígenas, parques e assentamentos. Mas em terras privadas houve muitíssimo", afirmou. Em oito meses, foram derrubados 172 km² de florestas em terras indígenas, 8 km² em parques nacionais e 89 km² em florestas e reservas federais.


"É uma vergonha absoluta, não tinha que ter nada nessas áreas", disse Minc. "Mas em áreas privadas, foram derrubados três vezes e meia a mais", ponderou. Na verdade, os 1.388 km² derrubados em propriedades rurais até agosto foram três vezes superiores aos demais vetores da devastação. "Como muitos correram para legalizar situação por causa da resolução do Banco Central [que vedou crédito a desmatadores], então pode ter aí desmatamento legal também", afirmou o ministro.


A lista divulgada pelo governo federal também tem empresas que ainda questionam na esfera administrativa e na Justiça a aplicação de multas pelo Ibama. Uma delas é a Agropecuária Jarinã, com sede em Peixoto de Azevedo (MT). Dono de 29,9 mil hectares, o empresário paulista Ubirajara Rodolpho Amorim contesta os autos de infração sob o argumento de ter feito um acordo de preservação de metade da fazenda com a secretaria estadual de Meio Ambiente.


"Uma lei anterior nos garante o direito de explorar metade da área. Por isso, não aceitamos a imposição de 80% de preservação", diz o advogado da empresa, Houseman Aguliari. "O nosso caso é comum a quase todos os outros multados pelo Ibama no Estado de Mato Grosso."
Mesmo com a contestação administrativa e judicial das multas ambientais, Minc promete "ir para cima" dos proprietários listados na relação de maiores desmatadores. "Eles têm que plantar árvore o resto da vida para pagar pelos crimes ambientais", declarou. "O agronegócio não pode ser criminalizado, mas tem que entrar na linha ambiental."


Entre as ações anunciadas pelo Ministério do Meio Ambiente, está a criação de uma força federal de combate a crimes ambientais. O objetivo é não depender da Polícia Militar estadual para as operações. "Vamos operar em caráter de combate, ir para cima", afirmou o ministro.


Serão contratados, via concurso autorizado por medida provisória, 3 mil agentes ambientais. Os servidores farão parte do Comando de Operações Ambientais, mas apenas 200 deles devem compor a "tropa de elite" com porte de arma, treinamento militar e poder de polícia para combater o desmatamento na região. "Já temos 1,5 mil, mas só 15 têm hoje porte de arma e treinamento para isso", diz o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Flávio Montiel.


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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Colheita de cana avança no Centro-Sul do país

De São Paulo

26/09/2008

Fonte: Valoronline



A colheita de cana-de-açúcar segue em ritmo acelerado na região Centro-Sul do país, que responde por 85% da produção nacional. Até a primeira quinzena de setembro, os volumes processados na safra 2008/09 atingiram 316,393 milhões de toneladas, aumento de 8,43% sobre igual período do ciclo passado, segundo a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).


A produção de açúcar, no mesmo período, atingiu 16,939 milhões de tonelada, com recuo de 4,07%. Já a oferta de álcool totalizou 15,094 bilhões de litros, aumento de 15,13%. Do total produzido, 10,080 bilhões são do tipo hidratado e 5,013 bilhões são do tipo anidro (misturado à gasolina). As usinas estão priorizando a industrialização do combustível, uma vez que a demanda no país e no mercado internacional está firme. O mix de produção da cana, até o momento, está em 40,7% para o açúcar e 59,3% para o álcool. Na safra passada, estava em 45,12% para o açúcar e 54,88% para o álcool.


Na primeira quinzena de setembro, a moagem da matéria-prima totalizou 33,991 milhões de toneladas na região, 6,77% maior que na mesma quinzena da safra anterior, a 2007/08. Apesar do avanço da colheita, a Unica ressaltou que o ritmo na primeira quinzena deste mês caiu por conta das recentes chuvas sobre os canaviais.


Até o dia 15 de setembro, das 32 novas unidades previstas para iniciarem o processamento da cana nessa atual safra, 21 usinas já estavam em operação. Pelo menos quatro dessas 32 novas unidades deverão adiar o início da moagem de cana para 2009, na expectativa de condições de preços mais favoráveis para o setor sucroalcooleiro.

Plano do governo para proteção do ambiente só tem metas voluntárias

Mauro Zanatta, de Brasília
26/09/2008
Fonte: Valoronline


Ancorada em medidas de caráter voluntário, e sem metas obrigatórias para a redução das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, a primeira versão do Plano Nacional de Mudança Climática, anunciada pelo governo federal, inclui ações de estímulo à eficiência energética, produção de energias renováveis, fortalecimento dos biocombustíveis, recuperação de pastagens degradadas, controle de queimadas e reflorestamento.


O documento, que permanecerá sob consulta pública por 30 dias, estabelece metas setoriais voluntárias para siderurgia, extração de petróleo, co-geração industrial, resíduos sólidos, energia eólica e produção de etanol. Sem fixar datas, estabelece a meta de eliminar o desmatamento ilegal da floresta amazônica.


O Ministério do Meio Ambiente defende o plano como um programa que balizará a gestão das ações do governo no tema. "Não se trata de reduzir 'X' toneladas de CO2 ou não, mas de ter uma meta de redução e de como faremos para chegar a isso. Seria inócuo, porque o Protocolo de Kyoto tem meta e ninguém cumpre", diz a secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, Suzana Kahn Ribeiro. "Há metas, como na co-geração, siderurgia limpa, recomposição florestal, mas o plano se ocupa mais de grandes objetivos e de dar uma direção para onde caminhar."


Para Suzana, o "mais importante" no plano é dar um tratamento adequado a questões urgentes como a redução das emissões, as medidas de mitigação em diversos setores, o destino de resíduos sólidos urbanos e o reaproveitamento do lixo nas grandes cidades. "O grande ganho será o programa de gestão desse plano", afirma.


O plano também inclui várias ações do governo já em andamento, como os programas de conservação de energia elétrica (Procel) e de substituição de geladeiras emissoras do gás CFC. "Esses programas estavam em outros ministérios e vieram para cá. Existiam, mas não eram feitos, como o leilão de energia eólica, a questão da energia solar", afirma Suzana.


Em alguns casos, o plano sugere alguns prazos como metas. Sem entrar em detalhes, o texto estima, por exemplo, que a Petrobras evitará a emissão de mais de 20 milhões de toneladas de CO2 até 2012. Em outra frente, o governo espera obter da indústria siderúrgica nacional a substituição do carvão mineral pelo carvão vegetal de madeira reflorestada. Tudo de forma voluntária. Aliás, o plano estima dobrar a área de florestas plantadas de 5,5 milhões para 11 milhões de hectares até 2015. Até lá, o país estaria plantando mais do que desmatando em áreas de floresta, segundo o plano.


O governo espera, ainda, fomentar a produção de 2 milhões de hectares de espécies nativas, além da recuperação econômica e ambiental de 100 milhões de hectares de pastagens degradadas. O plano cita um exemplo carioca, iniciado pelo ministro Carlos Minc, para ilustrar o caso de compensação ambiental: na área do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), cerca de 3,6 milhões de árvores deverão ser plantadas em cinco anos.


Mesmo com o arrazoado de objetivos, não há previsão de custo total para a implantação das medidas previstas no plano. O texto preliminar prevê o detalhamento dos instrumentos econômicos na segunda versão do documento, que deve ser apresentado durante a próxima Conferência do Clima da ONU, em dezembro, na Polônia. Mas o governo espera a participação de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do recém-criado Fundo Amazônia, além de investimentos da iniciativa privada. Até lá, o governo diz que receberá contribuições de diversos setores para aperfeiçoar o plano nos próximos 30 dias.


O plano é resultado do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima, uma instância de caráter permanente, formada por 16 ministérios e pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, liderados pela Casa Civil. O documento também recebeu contribuição da Conferência Nacional do Meio Ambiente.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Leilão para emissões não aumentará preço da energia, diz WWF

24/09/2008
Fonte: Ambiente Brasil


O leilão das concessões às empresas para a emissão de dióxido de carbono (CO2) não representará uma alta dos preços da energia como teme a indústria, segundo um estudo elaborado pela associação ecológica Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês).


Os autores do relatório chegaram à conclusão de que o que encarece os preços é o sistema de comércio de emissões em si, e não a maneira como as concessões são oferecidas ou vendidas.


Como exemplo, citam o caso da Alemanha, onde os produtores de energia já estão cobrando do consumidor tanto os custos do combustível quanto o valor das permissões de emissão de CO2, que no entanto são concedidas gratuitamente em sua maioria.


A organização denuncia que as empresas de energia elétrica obtiveram "lucros maciços" com o sistema de concessão gratuita aplicado na primeira fase do comércio de emissões poluentes (entre 2005 e 2007) e com o atual, que continuará sendo aplicado até 2012.


A WWF calcula que no caso alemão os lucros para as companhias elétricas poderão alcançar os 34 bilhões de euros até 2012.


Segundo a organização, embora a normativa ajude alguns aumentos de preços relativos ao leilão de permissões, estes serão "significativamente menores" que os previstos pela indústria e alguns Governos."A concessão gratuita ou o leilão acabarão sendo mais uma questão de canalizar o dinheiro em direção aos cofres das companhias energéticas e às políticas de mudança climática", afirmou Sanjeev Kumar, coordenador do sistema de comércio de emissões para a WWF.


O sistema de leilão foi proposto pela Comissão Européia no começo do ano com a idéia de que entre em vigor em 2013, quando as instalações industriais terão que começar a comprar permissões de emissão de gases poluentes concedidas atualmente de forma gratuita pelos Governos. A WWF explica que a decisão de mudar para este sistema se deve às "experiências desastrosas" das concessões gratuitas de permissões para emissão de CO2.


(Fonte: Estadão Online)

Aquecimento faz Ártico liberar metano, dizem cientistas

24/09/2008
Fonte: Ambiente Brasil


Cientistas que viajam a bordo de um navio russo dizem ter provas de que milhões de toneladas de metano, um gás do efeito estufa vinte vezes mais potente que o dióxido de carbono, está escapando para a atmosfera a partir das profundezas do Oceano Ártico.


Depósitos de metano aprisionado nas profundezas emergem sob a forma de grandes bolhas, fenômeno que coincide com o aquecimento da região e o desaparecimento das capas de gelo que cobriam as águas da região, diz informe divulgado pelo jornal britânico The Independent. Os depósitos de metano são importantes porque cientistas acreditam que, no passado, uma liberação semelhante teria sido responsável por uma elevação rápida das temperaturas, mudanças climáticas abruptas e extinções em massa, diz o jornal.


Cientistas que percorreram toda a costa norte da Rússia descobriram grandes concentrações de metano em várias regiões que cobrem milhares de quilômetros quadrados da plataforma continental siberiana.


Recentemente foram avistadas bolhas na superfície do mar, produzidas por "chaminés de metano".


Os especialistas acreditam que isso se deve ao derretimento das camadas de solo congelado que impediam o metano de escapar dos depósitos submarinos. Há o temor de que a liberação maciça desse metano venha a acelerar o aquecimento global e gerar um círculo vicioso, no qual as temperaturas maiores aumentariam o derretimento do solo, liberando mais metano, que aceleraria o aquecimento.


A quantia de metano depositada sob o Ártico pode superar o carbono armazenado nas reservas mundiais de carvão.


O pesquisador Örjan Gustafsson, da Universidade de Estocolmo, um dos chefes da equipe científica do navio Jacob Smirnitskyi, disse ter descoberto o primeiro campo em que a liberação de metano é tão intensa que o gás não tinha tempo de dissolver-se na água do mar, emergindo em grandes bolhas.

(Fonte: Estadão Online)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

São Paulo participa de Dia Mundial Sem Carro

22 / 09 / 2008
Fonte: Ambiente Brasil


São Paulo é uma das 32 cidades brasileiras que participam na segunda-feira (22) do Dia Mundial Sem Carro, evento idealizado há dez anos na França, que se espalhou pelo mundo nos anos seguintes.


Neste ano, 1776 cidades aderiram.Comparada ao ano passado, porém, quando 61 cidades brasileiras participaram, a adesão neste ano foi quase 50% menor.


A redução tem um motivo, segundo a ONG Rua Viva, organizadora do evento no Brasil: a coincidência com o período de campanha eleitoral no país.


"Muitas prefeituras não participaram com medo de que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) interprete como evento ligado a campanha e dê multa", disse a coordenadora da Rua Viva, Débora Possa.


O objetivo dos organizadores é que as pessoas deixem o carro em casa e usem o transporte público por um dia, para refletir sobre os prejuízos que o excesso de automóveis traz ao meio ambiente e alternativas para a mobilidade urbana.


Segundo a coordenadora, convites foram enviados às prefeituras das 200 cidades mais populosas do país - "as que mais sofrem com o problema (do excesso de carros)", disse.

(Fonte: Ricardo Sangiovanni/ Folha Online)

EXCLUSIVO: Nesta terça-feira, a Terra esgota sua capacidade anual de produzir bens e absorver resíduos

Mônica Pinto / AmbienteBrasil
22 / 09 / 2008
Fonte: AmbienteBrasil

Nesta terça-feira, 23 de setembro de 2008, a humanidade terá consumido toda a área de terra disponível para produzir seus bens de consumo e absorver seus resíduos para este ano, com a tecnologia atualmente disponível. Os cálculos foram feitos pela Global Footprint Network (Rede Global da Pegada Ecológica), organização não-governamental que realiza pesquisas científicas sobre o tema.

“A Pegada Ecológica é uma metodologia científica utilizada para calcular com bastante precisão qual é a capacidade do planeta Terra de regenerar seus recursos naturais anualmente, absorver os resíduos gerados por toda a atividade industrial e não industrial e, finalmente, cruzar estes dados com informações sobre o consumo de recursos naturais pela espécie humana”, disse a AmbienteBrasil Alexander Van Parys Piergili, consultor em sustentabilidade empresarial da EcosSistemas e parceiro no Brasil da Global Footprint Network.


Ele explica que é possível consumir mais do que o planeta produz por que a Terra possui uma “poupança” de recursos naturais que permite essa discrepância por um determinado período de tempo. “Quanto mais gastamos a poupança da Terra, menor sua capacidade de regeneração ou, como em um investimento bancário, menores são os retornos financeiros”, adverte.


“No caso da Terra, o retorno do investimento é a capacidade do planeta de regenerar os recursos naturais fundamentais para todas as espécies que o habitam”, diz Alexander. “Diferente de um investimento bancário, a escolha de como aplicamos este capital tem conseqüências vitais, ao menos para a humanidade”.


Segundo ele, a boa notícia é que com os recursos científicos, tecnológicos e informações disponíveis hoje, cada tripulante da nave espacial Terra tem em mãos instrumentos de navegação que fornecem dados importantes sobre o desempenho da nave, e permitem a tomada de decisões baseadas em informações consistentes, de modo a manter seu bom funcionamento.


A WWF Brasil mantém o site www.pegadaecologica.org.br, por intermédio do qual o leitor pode conhecer o “tamanho estimado de sua Pegada Ecológica”. Via de regra, observa-se uma relação diretamente proporcional entre consumo excessivo de bens industrializados e pegadas grandes.


“É importante notar que tanto a quantidade como a qualidade do que consumimos se refletem diretamente sobre o tamanho de nossa Pegada Ecológica. Assim, não basta reduzir o consumo, mas talvez mais importante, consumir as coisas certas”, diz o consultor Alexander.


A WWF Brasil também expõe, no respectivo site, práticas que ajudam a diminuir a Pegada Ecológica de cada um, pela adoção de estilos de vida mais equilibrados e amigáveis com o meio ambiente, o que é fundamental para a Terra.


“Há muitas coisas que você pode fazer no seu dia-a-dia, basta ter disposição e prestar atenção no caminho. O planeta e a vida agradecem”, exorta a entidade. Confira.


Alimentação
Evite alto consumo diário de proteínas (carne animal), de produtos industrializados e de fast food. Assim, além de uma dieta mais saudável, você irá evitar a produção de muitas embalagens, que logo viram lixo. HábitosTodos os nossos hábitos de moradia, alimentação, consumo, locomoção têm relação direta com a utilização dos recursos naturais, assim como nossas opções de lazer.


Consumo
O excesso de hábitos consumistas é um dos fatores que mais contribui para o esgotamento das reservas naturais do planeta. Evite substituir aparelhos de alta tecnologia sem necessidade e reduza o consumo de descartáveis.


Moradia
Procure identificar vazamentos em sua casa ou no seu bairro, evite o uso da mangueira para limpar calçadas ou lavar o carro e junte roupas para lavar e passar.


Transporte
O aquecimento global é causado, em grande parte, pelos gases da combustão dos motores dos automóveis. Por isso, um transporte sustentável tem de levar o máximo de carga gastando o mínimo de combustível.


Para saber mais sobre o assunto, clique aqui.

Aquecimento global gera mais preocupação do que atitudes, diz pesquisa

EDUARDO GERAQUEda Folha de S.Paulo
18/09/2008 - 14h05
Fonte: Folhaonline


Que a mudança climática é importante, isso nenhum entrevistado discorda. Porém, segundo pesquisa feita sobre o tema pelo Iser (Instituto de Estudos da Religião), do Rio de Janeiro, ninguém está muito interessado em transformar a preocupação com esse tema em ações concretas. Para as pessoas ouvidas no levantamento, o ônus da ação é quase uma exclusividade do governo federal.


"No caso dos congressistas fica bem claro a situação. Se o assunto não estiver na boca do povo, se o executivo não tomar a iniciativa, não são eles que vão puxar o tema", afirma a cientista social Samyra Crespo, organizadora da pesquisa qualitativa, que contou com financiamento da Embaixada Britânica no Brasil.


O trabalho ouviu 210 lideranças das áreas da mídia, do Congresso Nacional, das ONGs e da iniciativa privada.


No caso dos políticos brasileiros (foram ouvidos 30 no total, divididos em quatro do Senado, seis de Assembléias Legislativas e 20 da Câmara dos Deputados), fica evidente a posição constatada pelo trabalho.


Do total da amostra, 16 disseram que cabe ao governo federal tomar a dianteira para a mitigação das mudanças climáticas. Apenas dois disseram que isso é papel do próprio Congresso Nacional. Além de sete omissões, receberam votos nessa pergunta as universidades (2), os empresários (2) e os proprietários de terra (1).


A tabulação das respostas dadas pelos políticos brasileiros também mostra um certo desconhecimento da classe com o tema das mudanças climáticas.


Ao responderem a pergunta "Como considera o seu grau de conhecimento sobre as mudanças climáticas", apenas um disse que é bastante abrangente. Outros nove responderam "bom, mas incompleto", 18 disseram explorando e aprendendo mais e um admitiu que conhece pouco do tema.


Dos 21 que responderam sobre quando eles ouviram falar pela primeira vez da questão climática, 18 disseram a partir dos anos 1990. Os outros três já conheciam a questão antes.
Segundo Crespo, a iniciativa privada, mostra a pesquisa, também aguarda um posicionamento do governo federal para agir com mais ímpeto.


"Os empresários querem, na verdade, saber mesmo quanto tempo eles terão para começarem a reduzir suas emissões [de gases que contribuem para o efeito estufa]", afirma Crespo.
E isso, segundo ela, depende de uma sinalização que só pode ser feita por uma política nacional de mudanças climáticas.


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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Minc anuncia primeira fábrica brasileira para neutralizar CFC de geladeiras

19 / 09 / 2008
Fonte: www.ambientebrasil.com.br

O governo alemão doará 5 milhões de euros ao Brasil para a compra de equipamentos de desmonte de geladeiras e neutralização do gás CFC (clorofluorcarbono). O acordo, intermediado pelos ministérios do Meio Ambiente dos dois países, foi anunciado nesta quinta-feira (18) pelo ministro Carlos Minc, em entrevista coletiva, acompanhado do ministro e encarregado de negócios da Embaixada da Alemanha Hermann-Josef Sausen e do chefe do Departamento da Cooperação Técnica e Financeira, Michael Grewe.

O anúncio marca a semana de comemorações do Dia Internacional de Proteção da Camada de Ozônio, 16 de setembro. Com esses equipamentos será possível a retirada de mais de 90% dos gases CFCs contidos nas geladeiras antigas (com mais de 10 anos de uso) alvo dos programas de troca patrocinados pelo governo federal para as classes de baixa renda.

A tecnologia, ainda inexistente no Brasil, permitirá a desmontagem das geladeiras, além da retirada a vácuo do CFC presente na espuma e de outros componentes perigosos como óleo e mercúrio. Atualmente, no Brasil, recolhe-se o CFC apenas do circuito de refrigeração e o gás contido na espuma acaba sendo lançado na atmosfera. O acordo com a Alemanha, que será executado pela GTZ (Agência de Cooperação Técnica Alemã), prevê que os equipamentos adquiridos serão doados a uma empresa a ser escolhida por edital, com o compromisso de praticar preços reduzidos na operação."A primeira fábrica vai para edital até novembro. No primeiro semestre de 2009 já deve estar instalada", afirmou o ministro Carlos Minc.Uma geladeira fabricada até o ano de 2000 contém cerca de 100g de CFC-12 no circuito de refrigeração e cerca de 400g de CFC-11 na espuma de isolamento. As geladeiras novas já são fabricadas sem a utilização desses gases.Os equipamentos que serão adquiridos com a doação alemã têm autonomia para desmontar cerca de 300 a 350 mil geladeiras por ano.

Segundo Minc, há espaço para três fábricas semelhantes no Brasil."Nós precisaríamos de mais duas para atender a demanda. Estamos criando o mercado da despoluição e com essa iniciativa os empresários brasileiros poderão investir para despoluir em vez de poluir. Mercado há", garantiu o ministro.Para estimular ainda mais o setor, o ministro afirmou que está sendo discutida, no âmbito dos governos federal e estaduais, uma política de redução de IPI e ICMS para incentivar os comerciantes a coletar os equipamentos e destinar para neutralização do CFC.

Essa isenção cobriria os custos associados ao recolhimento.Somando-se à proteção da Camada de Ozônio, o recolhimento destes gases traz, adicionalmente, um benefício para o regime climático, dado o alto potencial de aquecimento global dos CFCs. A quantidade contida em uma geladeira equivale, para o aquecimento global, a cerca de três toneladas de CO2, o principal gás de efeito estufa.Troca de Geladeiras - O Brasil se adiantou às metas do Protocolo de Montreal e desde janeiro de 2007 proíbe a fabricação e importação de CFCs, com exceção de uma pequena quantidade para uso médico que será também evitada até 2010.

As reduções voluntárias brasileiras totalizam 360 milhões de toneladas de CO2 equivalente. "Em dez anos conseguimos evitar mais da metade do que o Proálcool conseguiu em 30 anos", disse Minc.Três fatores contribuíram para o sucesso do programa brasileiro de eliminação de CFCs. O primeiro está relacionado aos recursos financeiros geridos pelo Pnud que somaram cerca de US$ 80 milhões e beneficiaram mais de 200 projetos para conversão das indústrias usuárias de CFCs.

Outro ponto é a legislação brasileira com importante referência à resolução 267/2000 do Conama que restringiu os prazos para eliminação de CFCs pelo setor produtivo. O terceiro fator foi a cooperação entre governo e setor privado, que garantiu a antecipação de metas.Desde 2006 empresas distribuidoras de energia elétrica executam programas de doação de geladeiras novas para famílias de baixa renda em troca das antigas, visando eficiência energética. Uma geladeira nova, com selo A do Procel, gasta até 23,9 kwh/mês. Já uma com mais de 10 anos de funcionamento gasta, em média, mais de 55 kwh/mês.

Diversas distribuidoras já se engajaram em projetos similares, resultando na troca de cerca de 30 mil geladeiras em 2007, com previsão de 50 mil em 2008. Os bons resultados motivaram o governo federal a estudar a ampliação das trocas, visando 11 milhões de geladeiras.

Sob a coordenação do ministério de Minas e Energia e participação dos ministérios do Meio Ambiente; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; do Desenvolvimento Social, está em estudo um programa com a meta de trocar 1 milhão de geladeiras por ano.

(Fonte: Daniela Mendes/ MMA)

Coca-Cola começa engarrafar com PET reciclado no ano que vem

Lílian Cunha, de São Paulo
19/09/2008
Fonte: Valoronline


A Coca-Cola Brasil pretende reciclar 60% das garrafas PET que utiliza já no primeiro semestre do ano que vem, por meio da construção de uma unidade de reciclagem. A empresa está apenas esperando a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de sua homologação para usar esse tipo de tecnologia. "É um investimento razoável. Mas como aconteceu com o alumínio, no início o processo é caro. Depois, ganha escala e será, no futuro, como as latinhas hoje, totalmente recicladas", diz o vice-presidente de comunicação e sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, Marco Simões.


O local para a fábrica ainda não foi definido, mas o investimento, segundo José Mauro de Moraes, diretor de meio ambiente da Coca-Cola, deve ser de R$ 35 milhões para uma unidade que processaria, anualmente, 25 mil toneladas de garrafas usadas e produziria 20 mil novas unidades. A empresa, explica Simões, usará o sistema chamado de "bottle to bottle" ou BTB ou (garrafa a garrafa), liberado pela Anvisa em 18 de março deste ano. Por essa tecnologia, o PET passa por um processo de limpeza, moagem e derretimento. Após ser derretido, ele é misturado ao PET virgem, também na forma líquida, e daí são produzidas as novas garrafas.


Hoje, conforme Simões, a Coca-Cola mantém projetos de recolhimento de garrafas. Esses projetos de reutilização do PET e também a nova fábrica para reciclagem fazem parte do programa de sustentabilidade "Viva Positivamente", para o qual a companhia inicia uma campanha publicitária a partir do próximo domingo. O "Viva Positivamente" está dentro do orçamento de investimentos de R$ 1,5 bilhão para 2008 anunciado pela empresa no início do ano.


"Estamos mantendo esse cronograma de investimento até dezembro", diz o vice-presidente, se referindo a possíveis reflexos da crise financeira agravada esta semana pela falência do banco americano Lehman Brothers. Para o ano que vem, entretanto, a companhia não revela o quanto investirá. "Não vamos colocar o pé no freio. Mas não sei exatamente qual será nosso ritmo de crescimento", afirmou Simões.


A Coca-Cola terá, em outubro, o mexicano Xiemar Zarazúa no lugar de Brian Smith, há seis anos como presidente no Brasil. Smith irá assumir a Coca-Cola México, maior mercado da empresa no mundo, fora dos EUA. Zarazúa, que há dois anos preside a unidade América Central e Caribe, tem formação diferente da de Smith, segundo Simões. "O Brian tem uma grande experiência internacional. Foi importante para a virada que a empresa deu nesses anos, com o lançamento de novos produtos e aquisições. Já o Zarazúa é mais forte na questão operacional. Será importante para sustentar tudo o que a Coca-Brasil expandiu nesses anos."

Governo vai proibir a expansão da cana no Amazonas e no Pará

Fernando Lopes e Mauro Zanatta, de São Paulo
19/09/2008
Fonte: Valoronline


O governo decidiu que não vai mais liberar licenças para o plantio de cana-de-açúcar no Amazonas e no Pará. Nos dois Estados, as licenças ambientais para a construção de novas usinas sucroalcooleiras, ou mesmo para a ampliação das unidades já existentes, também não serão mais concedidas. Plantações já existentes e usinas em operação serão mantidas, desde que continuem como estão.


Anunciada ao Valor pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, a decisão será um dos pilares do novo zoneamento agrícola da cana, que está em fase de atualização e deveria ter sido publicado no fim de julho. Ferramenta tradicional que também serve de guia para outras culturas - e para operações de seguro rural -, o zoneamento orienta os agricultores com informações sobre clima e solo, entre outros aspectos técnicos. No caso da cana, a preocupação ambiental concentra as atenções sobretudo pela forte pressão internacional.


No Amazonas, há uma usina em operação e pequena área plantada com cana, cuja produção está estimada pela Conab em 370 mil toneladas em 2008. No Pará, que abriga um número maior de usinas, o plantio deve render 804,2 mil toneladas este ano. Em todo o país, para todos os fins, a produção de cana-de-açúcar deve somar 710,3 milhões de toneladas. "O zoneamento está pronto, mas existe conflito e ele não é com o [Carlos] Minc [ministro do Meio Ambiente], com quem temos acordo praticamente fechado. O problema é que os governadores do Norte perguntam: Por que ficaremos fora do programa do etanol?", diz Stephanes.


O ministro conta que no Acre, por exemplo, questionam-no sobre a necessidade local de comprar álcool em São Paulo, enquanto em Roraima a intenção é utilizar campos degradados para aproveitar a onda da agroenergia. Ambos não têm usinas em operação - no Acre há uma unidade desativada - e o plantio não aparece nas estatísticas da Conab. "Mas no Amazonas e no Pará, conceitualmente, por razões políticas, não vamos plantar mais e as usinas que já existem não serão ampliadas".


Stephanes afirma que já há acordo com o ministro Minc para incentivar o plantio de espécies exóticas em áreas degradadas da Amazônia. Segundo ele, o governo planeja, por exemplo, criar um programa para oferecer financiamentos ao cultivo de palma - cujo óleo é o mais consumido do mundo -nessas áreas. A idéia é destinar até 1,5 milhão de hectares degradadas para este fim. Também é urgente para a preservação das florestas, conforme Stephanes, a regularização fundiária na Amazônia, que tem de sair em, no máximo, dois ou três anos. "Temos que manter a Amazônia como está".


Dessa forma, Stephanes não considera uma derrota da Agricultura para o Meio Ambiente a proibição da expansão dos canaviais no Amazonas e no Pará ou as restrições que serão impostas em outras regiões do bioma amazônico, especialmente por causa das alternativas em estudo.


As limitações para o plantio de cana em Estados do Norte chegam ao mesmo tempo em que os técnicos do ministério quebram a cabeça para garantir a expansão da área plantada de grãos, considerada fundamental para o aumento da produção e do peso do Brasil no mercado global de alimentos, que apesar da atual crise financeira nos mercados mundiais tende a apresentar demanda crescente nos próximos anos. "É preciso ampliar a área de produção, principalmente em áreas de pastagens degradadas ou de pouco rendimento", afirma.


Stephanes lembra que, conforme estudo da Embrapa, 67% do território nacional já está "congelado" por reservas e áreas de proteção ambiental. Com outros bolsões aprovados ou em estudos, sobram menos de 20%. Ele é contra as reservas "recortadas", pelo potencial de conflitos que embutem [vide reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima], e defende uma urgente revisão do Código Florestal do país - sempre reforçando que a agricultura não precisa, para crescer, derrubar uma árvore sequer do bioma amazônico.


Ainda nesse contexto, Reinhold Stephanes voltou a criticar duramente a portaria do Ministério do Meio Ambiente que "criminalizou" a questão ambiental em Mato Grosso. A diretriz incluiu municípios da chamada Amazônia Legal (divisão política, não ambiental, como o bioma amazônico) na lista de áreas embargadas de explorações florestais.

Entre custos e benefícios cabem prioridades sempre discutíveis

Por Bettina Barros, de São Paulo
18/09/2008
Fonte: Valoronline



Líderes de 77 países em desenvolvimento reunidos em Acra, capital de Gana, apresentaram a fatura aos colegas ricos por sua responsabilidade no aquecimento do planeta: Estados Unidos, Europa e outras nações industrializadas deveriam pagar até 1% de seu PIB para financiar mecanismos de redução de gases de efeito estufa na Ásia, América Latina e África.


O encontro foi promovido pelas Nações Unidas como parte de uma série de reuniões, na tentativa de esquadrinhar um futuro para o Protocolo de Kyoto, cuja primeira fase de compromisso expira em 2012. Se estivesse presente, o cientista político e economista dinamarquês Bjorn Lomborg certamente balançaria a cabeça, desanimado.


Tomando-se como base os dados de 2007, 1% do PIB dos EUA representaria US$ 138 bilhões. Nos 27 países que compõem a União Européia, US$ 168 bilhões. No Japão, US$ 44 bilhões. E tudo isso, unicamente para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás-estufa.


A tese de Lomborg é simples: canalizar bilhões de dólares apenas para o combate do aquecimento global é erro grave por que o custo político e econômico é alto e os benefícios reais modestos. Em "Cool it - Muita Calma nessa Hora!", Lomborg dá continuidade à argumentação de "O Ambientalista Cético", livro lançado em 1998 que projetou seu nome na cena internacional. "Afirmações passionais fazem com que nos concentremos em soluções erradas", diz Lomborg - cujos raciocínios também não escapam a críticas de outros analistas de questões ambientais, que vêem manobras retóricas e fundamentação estatística algo tendenciosa em várias de suas alegações.


Contudo, é preciso dizer, as idéias deste professor-adjunto da Faculdade de Administração de Copenhague, eleito uma das cem personalidades mais influentes pela revista "Time", não se confundem com as daqueles que, simplesmente, negam a gravidade da elevação das temperaturas e a participação do homem nesse processo. Seu ceticismo é de outra ordem.


Sua maior crítica recai justamente sobre o acordo internacional de Kyoto, costurado a duras penas para combater a mudança climática. Ao longo de 200 páginas, Lomborg explica por que acredita ser perda de tempo e dinheiro apostar na redução de gases quando o planeta sofre com questões mais graves. "Precisamos lembrar que nosso objetivo final não é o aquecimento global em si, mas melhorar a qualidade de vida e o ambiente", afirma.


Circulam em torno dessa proposta ampla os debates promovidos pelo Copenhagen Consensus Center, criado por iniciativa de Lomborg para discutir o que devam ser, na opinião de economistas e outros especialistas, as prioridades globais para aplicação de recursos, de modo a se promover o máximo de benefícios à humanidade. A consulta também foi feita a 80 universitários destacados - potenciais líderes -, 70% deles de países em desenvolvimento. As questões mais relevantes, na visão dos dois grupos, apresentadas em seminário recente, foram as mesmas: o combate à desnutrição e às doenças apareceu no topo da lista, seguido por saneamento, fornecimento de água e migração. O clima ficou em último lugar.


Calculou-se, então, o valor em dólares de diferentes soluções para os problemas observados. Evitar o vírus HIV revelou-se o melhor investimento que as sociedades podem fazer: cada dólar gasto em preservativos e informações resultaria em cerca de US$ 40 em benefícios (menos mortos, menos doentes, menos caos social). "Por R$ 27 milhões podemos salvar 28 milhões de vidas nos próximos anos", afirma Lomborg. Para a desnutrição, que acomete quase 4 milhões de indivíduos por ano, o investimento de US$ 12 bilhões reduziria a mortalidade pela metade. Aportes de US$ 13 bilhões também reduziriam à metade a incidência de malária no mundo.
No extremo oposto, o consenso de economistas situa o Protocolo de Kyoto como uma oportunidade ruim de empregar o dinheiro. É o que Lomborg chama de "colapso de proporções".

"Para cada dólar gasto, produziríamos menos que o equivalente a US$ 1 em benefícios sociais para o mundo. Temos de nos perguntar o que desejamos fazer primeiro."


Lomborg afirma que mesmo que os Estados Unidos aderissem ao tratado internacional (o que não há perspectiva de acontecer, pelo menos nos moldes atuais de Kyoto), a desaceleração das emissões de CO2 seria extremamente pequena ao fim de um século. Se todos honrassem compromissos, diz ele, o aumento de 2,6° C da temperatura terrestre previsto pela ONU seria adiado só em cinco anos, de 2100 para 2105.


Em vez disso, Lomborg propõe investimentos em pesquisa e desenvolvimento, que tornariam as sociedades mais preparadas para se defender no futuro. "Deveríamos nos comprometer a gastar 0,05% do PIB com pesquisa e desenvolvimento de tecnologias energéticas de não-emissão de carbono e passar ao largo de um Kyoto 2, que imporia padrões ainda mais rígidos a custo alto com benefícios modestos e compromissos políticos frágeis", dispara. "Essa abordagem custaria cerca de US$ 25 bilhões anuais". Fica aberta a polêmica.


"Cool It - Muita Calma nesta Hora!" - Bjorn Lomborg. Trad. de Regina Lyra.
Editora Campus/Elsevier. R$ 59,90

Tupi tem grande potencial de gás

Agência Brasil, do Rio
18/09/2008
Fonte: Valoronline


As reservas estimadas de gás natural para o Campo de Tupi, na área do pré-sal da Bacia de Santos, estão entre 176 bilhões e 256 bilhões de metros cúbicos - o equivalente a mais da metade das reservas atuais da Petrobras no país, que somam 330 bilhões de metros cúbicos. O Brasil importa atualmente cerca de 60 milhões de metros cúbicos, sendo 30 milhões da Bolívia.


Os números foram apresentados pelo gerente-executivo de Exploração e Produção do Pré-sal da companhia, José Formigli, em palestra na Rio Oil & Gas, feira de serviços e tecnologias de petróleo e gás. Estas reservas, que já tornariam o país auto-suficiente na produção de gás, não consideram o potencial do megacampo de gás de Júpiter, também no pré-sal.


As reservas de gás natural do Campo de Júpiter foram anunciadas em janeiro pela Petrobras como uma grande jazida de gás natural e condensado (óleo levíssimo), que fica a 290 quilômetros da costa do Rio de Janeiro. Como Tupi tem reservas estimadas entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris, as reservas de gás variam entre 1,1 bilhão e 1,6 bilhão de barris de gás equivalente.
Segundo Formigli, a quantidade de gás em Tupi equivale a 20% do potencial da jazida.


O elevado potencial para a produção de gás no pré-sal já levou a estatal a desenvolver estudos sobre a melhor forma de explorar e viabilizar a comercialização deste gás, inclusive com foco voltado também para o mercado externo.

Caminhão menos poluente só em 2010

Guilherme Manechini, de São Paulo
18/09/2008
Fonte: Valoronline


Marisa Cauduro/Valor
Schneider, presidente da Anfavea, defende que antecipar o prazo de desenvolvimento dos novos veículos pode ser prejudicial ao próprio consumidor
Mesmo com a determinação da Justiça Federal de São Paulo obrigando a Petrobras e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) a disponibilizarem o diesel com menor teor de enxofre em todo o país a partir de janeiro, não existirão veículos aptos a utilizarem o combustível até o fim de 2010. A constatação foi feita ontem pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, e sinaliza que a indústria automobilística não pretende alterar o prazo previsto de 36 meses para desenvolver e iniciar a produção dos novos motores no país.

"Não é possível fazer um desenvolvimento eficiente sem prazos. A conseqüência pode ser negativa ao próprio consumidor", declarou Schneider. Segundo ele, as montadoras estão cumprindo integralmente a legislação, e o fato de não estarem preparadas para fabricarem os veículos no ano que vem ocorre por conta do atraso da ANP na especificação do diesel. Por lei, os fabricantes tem até três anos para se adaptarem as novas especificações, que foram divulgadas em outubro de 2007.

Alinhado com a visão da Anfavea, Antonio Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus, acrescentou que não foi possível desenvolver os motores porque só depois de receber o combustível é que são iniciadas as fases de aquisições de peças e montagem dos protótipos com as novas configurações. Além disso, o executivo informou que a montadora ainda não recebeu os 35 mil litros do diesel S-50, com 50 partes por milhão (ppm) de enxofre, encomendados para o início dos testes.

Ontem, o juiz José Carlos Motta, da 19ª Vara Cível de São Paulo, acrescentou à sua decisão, divulgada na terça-feira, "que o diesel S-50 deverá ser fornecido pela Petrobras com preço suficientemente próximo ao do S-500 e do S-2000 convencionais, devendo a ANP regulamentar a distribuição com a observância desse aspecto". Na prática, o juiz Motta quer evitar que o novo combustível seja inviabilizado por causa de um preço maior.

Na terça-feira, o juiz havia determinado, em liminar, que a Petrobras passe a fornecer o diesel S-50 a partir de 1º de janeiro em pelo menos uma bomba em cada ponto de comercialização. A decisão do juiz visa o abastecimento dos veículos licenciados em 2009. No caso da ANP, a determinação é para que o órgão regulamente a distribuição do diesel no prazo de 90 dias para garantir o fornecimento desse combustível em todo o território nacional no prazo estipulado.
Sergio Fontes, representante da área de abastecimento da Petrobras, informou que se depender apenas da estatal o combustível estará disponível a partir de janeiro, mesmo que seja importado.
"A quantidade é relativamente pequena", disse o executivo, demonstrando claramente que, na visão da Petrobras, as regras da resolução Conama 315 não tratam dos volumes de diesel utilizados na frota total, e sim no combustível dos veículos novos. Já a ANP informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que vai recorrer da liminar.

Até o fim de agosto, as conversas em torno da diminuição do teor de enxofre caminhavam para o adiamento do prazo de 2009 para 2012. Mas depois da pressão da opinião pública as conversas entre governo federal e indústria mudaram de tom.

Nos bastidores, os representantes dos setores envolvidos nas negociações demonstram surpresa com a postura do Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que depois de fechar um acordo com a ANP, Petrobras e Anfavea mudou o discurso e adotou a postura de que os atrasos terão de ser resolvidos na Justiça. O acordo previa que a etapa do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos VI, que limita o enxofre no diesel S-50, fosse adiada por quatro anos e em 2012 seria adotada a etapa seguinte, prevista inicialmente para 2016 e com um diesel com 10 partículas de enxofre por milhão.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Estudo liga violência de furacões a aquecimento de oceanos

04/09/2008 - 07h39
Fonte: FolhaOnline


RICHARD BLACK
da BBC

As tempestades tropicais mais violentas estão aumentando de número e intensidade na medida em que os oceanos se tornam mais quentes, confirmaram cientistas americanos.


O aumento de 1ºC da temperatura da superfície oceânica aumentaria a ocorrência de tempestades violentas em cerca de um terço, calculam os pesquisadores.


Em estudo publicado na revista "Nature", foram analisados dados obtidos por satélite nos últimos 25 anos (de 1981 a 2006).


"Nós estamos vendo um sinal, e ele está nos dizendo que o efeito mais forte (do aumento das temperaturas nos oceanos) é sobre as tempestades mais violentas", afirmou James Elsner, da Universidade Estadual da Flórida, em Tallahassee, em entrevista à BBC News.


Elsner acredita que a ligação entre aquecimento global e tormentas pode se tornar mais clara se for analisada a velocidade dos ventos.


Segundo Elsner, essa tendência não é vista em tormentas com ventos de velocidade considerada moderada, de 40 metros por segundo, mas sim quando eles atingem os 50 ou 60 metros por segundo.


Um furacão com ventos de 40 metros por segundo é considerado categoria 1, de acordo com a escala Saffir-Simpson, usada com freqüência.


Aos 60 metros por segundo, passa a categoria 4, a força com que o furacão Gustav atingiu recentemente Cuba, antes de baixar para categoria 1 na costa americana.


Diferença nos oceanos


Boa parte dos trabalhos científicos sobre a possível ligação entre mudança climática e furacões se concentra no Atlântico Norte porque há registros históricos relativamente bons nos Estados Unidos.


A nova análise, usando informações obtidas por satélite por programas americanos, europeus e japoneses mostram tendências diferentes nos trópicos.


O aumento das fortes tempestades é demonstrado mais notadamente no Atlântico Norte e no Oceano Índico, mas está ausente no Pacífico Sul.


"Nós estamos observando diferentes oceanos, e alguns já estão bem aquecidos", disse Elsner, ressalvando que a variação de temperatura no Pacífico Sul foi pequena.


Os autores do estudo afirmam que seus cálculos não levaram em conta o impacto de fenômenos climáticos como El Niño, e destacaram que seu trabalho mantém alguns fatores de incerteza.

Leste amazônico esquentará até 7ºC, diz estudo do Inpe

15/09/2008 - 11h05
Fonte: JOÃO CARLOS MAGALHÃES

da Agência Folha, em Belém


Estudo coordenado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e financiado pela Cia. Vale do Rio Doce indica que o Maranhão e o Pará devem se tornar mais quentes e mais secos que boa parte do resto do Brasil até 2100.


O estudo utilizou como base os modelos do IPCC, sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, ligado à ONU (Organização das Nações Unidas). Seus dados foram aperfeiçoados com modelos regionais.


O aumento da temperatura na região é considerado "muito elevado" por Gilvan Sampaio, pesquisador do Inpe que ajudou a coordenar o trabalho. Segundo ele, em todo o século 20 o maior aumento observado no país foi de 0,8ºC.


No Pará, por exemplo, o calor pode subir até 6,5C nos próximos 80 anos, segundo um modelo mais pessimista. Esse modelo leva em conta um cenário com alta emissão de gases causadores do efeito estufa.


Mas, mesmo em uma previsão "otimista", de baixa emissão, algumas regiões do Estado (especialmente o norte) devem ficar ao menos 4,5ºC mais quentes. No Maranhão, a elevação será ainda maior e poderá alcançar 7ºC.


Em relação à chuva, sua média diária deve ser menor (até 4 milímetros a menos por dia) e, quando cair, será concentrada em alguns dias, o que pode aumentar o risco de enchentes. O modelo prevê que a Amazônia Oriental possa ficar de 5% a 10% mais seca já a partir de 2011.
Algumas localidades da área, que tem hoje os maiores índices pluviométricos do país, poderão ficar até um mês sem nem sequer uma gota d'água.


Os efeitos serão sentidos tanto pela fauna quanto pela agricultura, diz o estudo, que não se aprofunda nas conseqüências do aquecimento. Elas serão tratadas em outros dois relatórios, que serão lançados no fim de 2009.


Eles farão previsões e diagnósticos sobre como a mudança no clima nos dois Estados --onde a mineradora possui boa parte de seus investimentos-- afetará a biodiversidade, a produção econômica e o potencial de geração de energia. A mineradora afirmou que investiu R$ 1,5 milhão nos relatórios.