Juliano Basile, de Brasília
18/12/2008
Fonte: Valoronline
Apesar de um aumento geral nos índices de desmatamento na Amazônia, houve um recuo nos municípios considerados de atuação prioritária pelo governo. Ao todo, o desmatamento aumentou 4% na Amazônia, mas, nestes municípios houve redução de 7%.
A conclusão é de estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e aponta para a possibilidade de reduções efetivas nos índices de desmatamento.
As áreas prioritárias de combate ao desmatamento foram definidas pelo governo no Decreto nº 6.321, de 21 de dezembro de 2007. A partir dessa definição, o Ministério Público fez uma lista de municípios e passou a intensificar as ações de controle. Agora, o Ipam verificou que essa atuação cirúrgica está dando resultados numa região em que o crescimento do desmatamento é cada vez maior.
Na Amazônia como um todo aumentou 4% o desmatamento. Mas, nos "locais de controle", houve redução e esses eram pontos críticos, onde a regra era o aumento na devastação ambiental.
Além de fixar os locais prioritários de combate ao desmatamento, o decreto determinou o recadastramento dos imóveis rurais. Essa foi uma importante medida de controle, afirmou o advogado André Lima, um dos autores do estudo do Ipam, pois implicou um aumento da regularização da área. Segundo ele, os proprietários de terras possuem um incentivo para o recadastramento, já que esse é um pré-requisito para a obtenção de crédito agrícola. Outra medida importante foi a de tornar os compradores de produtos agropecuários co-responsáveis nos casos em que os negócios são firmados com donos de imóveis embargados.
Lima, adverte, porém, que o decreto "é apenas parte dos instrumentos necessários à manutenção da queda consistente do desmatamento na região". "O grande desafio para os órgãos públicos, privados e sociedade como um todo é o amplo investimento do desenvolvimento e implantação de alternativas econômicas capazes de atribuir valor efetivo à floresta em pé", disse o advogado.
Desde que o Brasil assinou a Convenção do Clima, há 16 anos, foram desmatados na Amazônia aproximadamente 279,8 mil km2 - o equivalente à emissão de 4,2 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera. Isso representa duas vezes o compromisso de redução de emissões de gases firmado pelos países que assinaram a Convenção durante o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto, entre este ano e 2012.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Paralisia de UE e EUA põe emergentes à frente dos debates climáticos
Daniela Chiaretti, de Poznan, na Polônia
12/12/2008
Fonte: Valoronline
A conferência do clima de Poznan chega ao último dia marcada pela liderança de países em desenvolvimento e pela apatia da União Européia, que era protagonista no processo, mas que na Polônia se manteve na retaguarda. A exceção entre os mais ricos e industrializados foi o Reino Unido e a Noruega.
Ontem, Ed Miliband, ministro de Energia e Mudança Climática do Reino Unido, anunciou que vai contribuir com 100 milhões de libras para ajudar no combate ao desmatamento no mundo. O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim, propôs uma modalidade nova para ajudar a levantar recursos para as nações mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas e que poderia significar US$ 15 a US$ 25 bilhões anuais. O mecanismo tem a ver com o leilão de uma parte (2%) dos créditos de carbono em carteira nos países industrializados.
O problema é que são ações isoladas. A paralisia da UE tem a ver com a crise econômica, com o aguardar dos passos do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e com a definição hoje da estratégia energética energética e ambiental do bloco. "As decisões que estão sendo tomadas pelos líderes europeus em Bruxelas são de grande impacto para o mundo inteiro", disse na abertura da reunião ministerial o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon.
A principal frustração é que não houve avanços na discussão de metas de redução de gases-estufa para o pós-2012, quando termina o segundo período do Protocolo de Kyoto. "O que precisamos, hoje, é de liderança, a liderança de vocês", prosseguiu Ki-Moon, citando a UE e os EUA. Elencou depois os esforços que vem sendo feito por China, Índia e Brasil, "que está construindo uma das economias mais verdes do mundo".
Os países em desenvolvimento exibiram em Poznan seus planos nacionais de redução de emissões, introdução de renováveis na matriz energética ou, como fez o Brasil, planos para reduzir o desmatamento. "Os países mais ricos devem cumprir suas obrigações financeiras, nos termos de Bali, para apoiar mudanças tecnológicas, redução do desmatamento e substituição de fontes sujas de energia nos países em desenvolvimento", cobrou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele anunciou a idéia da formação de uma Aliança Tecnológica de Inovações Antiaquecimento, uma espécie de centro de transferência de tecnologia mundial com recursos para pagar quem criar inovações tecnológicas contra a mudança climática.
A idéia parece mirabolante, mas há outras mais estruturadas nas sugestões de transferência de tecnologia feitas pelos países do G-77 mais a China. Uma delas é a criação de um centro regional de tecnologia, que seria de domínio público. Há sugestões de como lidar com a propriedade intelectual para facilitar o acesso de países carentes de tecnologias limpas e soluções inovadoras. Uma idéia é seguir o dispositivo que flexibiliza patentes em caso de crise na área de saúde.
"A transferência de tecnologia é um tema central neste debate e há várias convergências neste ponto", diz o chefe dos negociadores brasileiros Luiz Alberto Figueiredo Machado. "Mas, como se vai lidar com isso, ainda não está resolvido".
Para Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção da ONU de Mudanças Climáticas, Poznan "alcançou seu objetivo". "Esta é uma conferência de trabalho, não de momentos espetaculares." Ainda ontem havia pendências importantes. A execução do Fundo de Adaptação seguia sem consenso, assim como a revisão do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
O documento final de Poznan, reunindo todas as propostas existentes até agora, deve sair hoje ou amanhã. Ele será a base do acordo de Copenhague, mais enxuto, que deve surgir até junho de 2009.
12/12/2008
Fonte: Valoronline
A conferência do clima de Poznan chega ao último dia marcada pela liderança de países em desenvolvimento e pela apatia da União Européia, que era protagonista no processo, mas que na Polônia se manteve na retaguarda. A exceção entre os mais ricos e industrializados foi o Reino Unido e a Noruega.
Ontem, Ed Miliband, ministro de Energia e Mudança Climática do Reino Unido, anunciou que vai contribuir com 100 milhões de libras para ajudar no combate ao desmatamento no mundo. O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim, propôs uma modalidade nova para ajudar a levantar recursos para as nações mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas e que poderia significar US$ 15 a US$ 25 bilhões anuais. O mecanismo tem a ver com o leilão de uma parte (2%) dos créditos de carbono em carteira nos países industrializados.
O problema é que são ações isoladas. A paralisia da UE tem a ver com a crise econômica, com o aguardar dos passos do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e com a definição hoje da estratégia energética energética e ambiental do bloco. "As decisões que estão sendo tomadas pelos líderes europeus em Bruxelas são de grande impacto para o mundo inteiro", disse na abertura da reunião ministerial o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon.
A principal frustração é que não houve avanços na discussão de metas de redução de gases-estufa para o pós-2012, quando termina o segundo período do Protocolo de Kyoto. "O que precisamos, hoje, é de liderança, a liderança de vocês", prosseguiu Ki-Moon, citando a UE e os EUA. Elencou depois os esforços que vem sendo feito por China, Índia e Brasil, "que está construindo uma das economias mais verdes do mundo".
Os países em desenvolvimento exibiram em Poznan seus planos nacionais de redução de emissões, introdução de renováveis na matriz energética ou, como fez o Brasil, planos para reduzir o desmatamento. "Os países mais ricos devem cumprir suas obrigações financeiras, nos termos de Bali, para apoiar mudanças tecnológicas, redução do desmatamento e substituição de fontes sujas de energia nos países em desenvolvimento", cobrou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele anunciou a idéia da formação de uma Aliança Tecnológica de Inovações Antiaquecimento, uma espécie de centro de transferência de tecnologia mundial com recursos para pagar quem criar inovações tecnológicas contra a mudança climática.
A idéia parece mirabolante, mas há outras mais estruturadas nas sugestões de transferência de tecnologia feitas pelos países do G-77 mais a China. Uma delas é a criação de um centro regional de tecnologia, que seria de domínio público. Há sugestões de como lidar com a propriedade intelectual para facilitar o acesso de países carentes de tecnologias limpas e soluções inovadoras. Uma idéia é seguir o dispositivo que flexibiliza patentes em caso de crise na área de saúde.
"A transferência de tecnologia é um tema central neste debate e há várias convergências neste ponto", diz o chefe dos negociadores brasileiros Luiz Alberto Figueiredo Machado. "Mas, como se vai lidar com isso, ainda não está resolvido".
Para Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção da ONU de Mudanças Climáticas, Poznan "alcançou seu objetivo". "Esta é uma conferência de trabalho, não de momentos espetaculares." Ainda ontem havia pendências importantes. A execução do Fundo de Adaptação seguia sem consenso, assim como a revisão do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
O documento final de Poznan, reunindo todas as propostas existentes até agora, deve sair hoje ou amanhã. Ele será a base do acordo de Copenhague, mais enxuto, que deve surgir até junho de 2009.
Produção de biocombustíveis deve crescer menos em 2009
Assis Moreira, de Genebra
12/12/2008
Fonte: Valoronline
O ritmo de crescimento da produção global de biocombustíveis (etanol e biodiesel) terá uma forte desaceleração em 2009, de acordo com projeções da Agência Internacional de Energia (AIE), que reúne os países industrializados.
Entre 2007 e 2008, o aumento da produção de biocombustível foi de 77,9%, passando do equivalente a 204 mil barris diários de petróleo para 363 mil. Para 2009, a produção está projetada em 335 mil barris por dia, uma retração de 7,7% na comparação com este ano.
A AIE vem destacando que a oferta de etanol e biodiesel é crítica para complementar a produção de petróleo. Os biocombustíveis em meados do ano representavam 50% do combustível extra chegando no mercado mundial de fontes fora do cartel da Opep.
Ocorre que, com a crise financeira, parte da capacidade adicional para etanol e biodiesel tem dificuldades para ser concretizada. Além disso, há problemas de matéria-prima disponível, e persistem as preocupações com eventuais altas do preço dos alimentos.
A Iata, entidade que reúne 240 empresas aéreas internacionais, tem um projeto que estimula a utilização nos aviões de combustível alternativo. O objetivo é chegar a 20% do total até 2017.
Etanol está fora de questão, por problemas técnicos. Mas o pinhão manso é uma das fontes, inclusive já utilizada em testes. O problema é a pouca garantia de produção suficiente.
A AIE diz que, de toda maneira, em 2009 a produção global de biocombustíveis e a produção de petróleo de Brasil, Azerbaijão, "Australásia" e China compensarão a baixa no resto do mundo, especialmente do Mar do Norte, do México e da Rússia.
12/12/2008
Fonte: Valoronline
O ritmo de crescimento da produção global de biocombustíveis (etanol e biodiesel) terá uma forte desaceleração em 2009, de acordo com projeções da Agência Internacional de Energia (AIE), que reúne os países industrializados.
Entre 2007 e 2008, o aumento da produção de biocombustível foi de 77,9%, passando do equivalente a 204 mil barris diários de petróleo para 363 mil. Para 2009, a produção está projetada em 335 mil barris por dia, uma retração de 7,7% na comparação com este ano.
A AIE vem destacando que a oferta de etanol e biodiesel é crítica para complementar a produção de petróleo. Os biocombustíveis em meados do ano representavam 50% do combustível extra chegando no mercado mundial de fontes fora do cartel da Opep.
Ocorre que, com a crise financeira, parte da capacidade adicional para etanol e biodiesel tem dificuldades para ser concretizada. Além disso, há problemas de matéria-prima disponível, e persistem as preocupações com eventuais altas do preço dos alimentos.
A Iata, entidade que reúne 240 empresas aéreas internacionais, tem um projeto que estimula a utilização nos aviões de combustível alternativo. O objetivo é chegar a 20% do total até 2017.
Etanol está fora de questão, por problemas técnicos. Mas o pinhão manso é uma das fontes, inclusive já utilizada em testes. O problema é a pouca garantia de produção suficiente.
A AIE diz que, de toda maneira, em 2009 a produção global de biocombustíveis e a produção de petróleo de Brasil, Azerbaijão, "Australásia" e China compensarão a baixa no resto do mundo, especialmente do Mar do Norte, do México e da Rússia.
CTNBio aprova milho transgênico de 2ª geração
De São Paulo
12/12/2008
Fonte: Valoronline
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na quinta-feira a liberação comercial da primeira variedade de milho transgênico de segunda geração - com dois genes alterados. A variedade geneticamente modificada é resistente à lagarta do cartucho, uma das principais pragas do milho, e tolerante ao glufosinato de amônio. Desenvolvida pela DuPont do Brasil - Divisão Pioneer Sementes e Dow AgroSciences, ela aguardava a liberação desde dezembro de 2006.
Foi o oitavo pedido de liberação comercial autorizado pela CTNBio neste ano, e a terceira aprovação de semente de milho transgênico concedida no ano.
"A diferença em relação às variedades aprovadas anteriormente é a capacidade de resistência ao inseto e ao herbicida em uma única planta", afirmou ontem Walter Colli, presidente da CTNBio. É o que, no jargão técnico, chama-se "evento piramidado".
Na última reunião do ano, a comissão ainda aprovou outros 15 solicitações de liberação planejada no ambiente (pesquisa). Com isso, o órgão fecha o ano com 122 pedidos de pesquisas aprovados, superando as 83 autorizações concedidas em 2007. Entre um ano e outro, as liberações comerciais também subiram de três para oito, informou o órgão.
Segundo Colli, a guinada nas aprovações para pesquisa e comercialização neste ano pode ser explicada pela renovação do corpo técnico que compõe a CTNBio. São 27 integrantes - 12 indicados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia -, cujos cargos expiram a cada dois anos. "Houve uma forte renovação em dezembro de 2007 e a nova comissão teve mais fluidez", diz Colli. "Ao ano de 2007 havia sido o do resquício, do que sobrou da briga de 2006", acrescenta, referindo-ao ao período turbulento de embates entre defensores e opositores dos alimentos transgênicos no país. O embate resultou em nenhuma liberação comercial em 2006.
O tempo médio de análise dos pedidos também diminuiu. Colli destaca que o prazo de análise que foi de nove anos - como ocorreu com um pedido que deu entrada em 1998 e só foi aprovado em 2008 - foi reduzido para dois anos, como ocorreu com a solicitação aprovada ontem, protocolada em dezembro de 2006.
Para 2009, ele prevê debates acalorados com o possível protocolo de variedades de cana, eucalipto e microorganismos transgênicos. Por serem pesquisas inéditas, não há literatura disponível para comparação, como no caso da soja, do milho e do algodão.
"Como é que faz a liberação planejada de um microorganismo modificado usado para biorremediação? Nem eu sei a resposta", disse. "Vai ser uma inundação de pedidos e muita discussão".
Entre esses microorganismos pesquisados há, por exemplo, bactérias que retiram metais pesados da água, útil no caso de vazamentos de navios. E também leveduras que produzem o diesel. "Estamos inovando e elevando o Brasil para o primeiro mundo nas pesquisas", diz Collin. (BB)
12/12/2008
Fonte: Valoronline
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na quinta-feira a liberação comercial da primeira variedade de milho transgênico de segunda geração - com dois genes alterados. A variedade geneticamente modificada é resistente à lagarta do cartucho, uma das principais pragas do milho, e tolerante ao glufosinato de amônio. Desenvolvida pela DuPont do Brasil - Divisão Pioneer Sementes e Dow AgroSciences, ela aguardava a liberação desde dezembro de 2006.
Foi o oitavo pedido de liberação comercial autorizado pela CTNBio neste ano, e a terceira aprovação de semente de milho transgênico concedida no ano.
"A diferença em relação às variedades aprovadas anteriormente é a capacidade de resistência ao inseto e ao herbicida em uma única planta", afirmou ontem Walter Colli, presidente da CTNBio. É o que, no jargão técnico, chama-se "evento piramidado".
Na última reunião do ano, a comissão ainda aprovou outros 15 solicitações de liberação planejada no ambiente (pesquisa). Com isso, o órgão fecha o ano com 122 pedidos de pesquisas aprovados, superando as 83 autorizações concedidas em 2007. Entre um ano e outro, as liberações comerciais também subiram de três para oito, informou o órgão.
Segundo Colli, a guinada nas aprovações para pesquisa e comercialização neste ano pode ser explicada pela renovação do corpo técnico que compõe a CTNBio. São 27 integrantes - 12 indicados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia -, cujos cargos expiram a cada dois anos. "Houve uma forte renovação em dezembro de 2007 e a nova comissão teve mais fluidez", diz Colli. "Ao ano de 2007 havia sido o do resquício, do que sobrou da briga de 2006", acrescenta, referindo-ao ao período turbulento de embates entre defensores e opositores dos alimentos transgênicos no país. O embate resultou em nenhuma liberação comercial em 2006.
O tempo médio de análise dos pedidos também diminuiu. Colli destaca que o prazo de análise que foi de nove anos - como ocorreu com um pedido que deu entrada em 1998 e só foi aprovado em 2008 - foi reduzido para dois anos, como ocorreu com a solicitação aprovada ontem, protocolada em dezembro de 2006.
Para 2009, ele prevê debates acalorados com o possível protocolo de variedades de cana, eucalipto e microorganismos transgênicos. Por serem pesquisas inéditas, não há literatura disponível para comparação, como no caso da soja, do milho e do algodão.
"Como é que faz a liberação planejada de um microorganismo modificado usado para biorremediação? Nem eu sei a resposta", disse. "Vai ser uma inundação de pedidos e muita discussão".
Entre esses microorganismos pesquisados há, por exemplo, bactérias que retiram metais pesados da água, útil no caso de vazamentos de navios. E também leveduras que produzem o diesel. "Estamos inovando e elevando o Brasil para o primeiro mundo nas pesquisas", diz Collin. (BB)
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Usina de lixo só sai do papel se gerar energia
De Paris e Bordeaux
11/12/2008
Fonte: Valonline
A França produz 850 milhões de toneladas de lixo por ano. O que pode parecer um problema - como o de dar fim a toda essa quantidade de resíduos - surge como uma nova alternativa de produção de energia. A partir da incineração dos dejetos, o país tem ensinado ao mundo que até o que vai para a lixeira pode ter reuso garantido.
Com mais de cem incineradores de detritos urbanos caseiros, os franceses fazem aproveitamento energético a partir do lixo há 20 anos e, desde os anos 1990, qualquer usina incineradora só sai do papel se produzir energia. Com a mudança, do total de unidades transformadoras em funcionamento, 80% já apresentam exploração de energia e até 15% da força produzida vai para a rede de distribuição doméstica.
"80% da energia que sai da nossa usina é vendida para distribuidoras regionais e 20% são usados internamente", garante Sandrine Catteau, responsável pela área de relações externas do Centro de Valorização de Dejetos de Esiane, que pertence à gigante francesa Suez Environnement, dona de uma faturamento de 12 bilhões euros e operações em 12 países.
O centro, resultado de um investimento de 90 milhões de euros, usa o lixo de 420 mil habitantes de 263 comunidades francesas para produzir energia elétrica por meio da incineração. Localizado em Villers-Saint-Paul, a 62 km da capital francesa, ficou famoso pelo modelo de recuperação do lixo urbano, principalmente pelas inovações no transporte dos dejetos das residências para a usina.
Aberta em 2004, a unidade opera com 22 mil toneladas de dejetos por ano e produz o equivalente energético a 44 mil barris de petróleo anuais. "Depois de serem coletados pelos caminhões nas ruas, os resíduos chegam à usina de trem, o que elimina 220 veículos nas estradas", explica o diretor do centro, Denis Laverre.
Segundo o executivo, 98% dos detritos, a maioria plástico e papelão coletados em residências e hospitais, são valorizados. O forno da empresa funciona 24 horas e tem capacidade para queimar 10 toneladas de material por hora. A produção energética anual pode chegar a 39,2 mil megawatts/ano, o suficiente para abastecer 21,2 mil residências.
Segundo Jean-Claude Oppeneau, ex-diretor do Ministério do Meio Ambiente francês e consultor da L´Agence de l´Environnement et de Maitrise de l'Energie-Ademe (Agência do Meio Ambiente e da Matriz Energética), empresa pública de pesquisa sobre o desenvolvimento sustentável, ligada ao Ministério da Ecologia, o país tem 123 incineradores de lixo urbano caseiro e 16 unidades para eliminar dejetos industriais tóxicos. "A incineração só é permitida se gerar energia", garante.
O aproveitamento energético a partir do lixo existe na França há 20 anos e, desde os anos 1990, qualquer incinerador só pode ser construído se tiver esse fim.
Apesar da utilização do lixo como fonte de energia, a França também quer reduzir a produção de dejetos em até 5% por ano. Segundo Oppeneau, um cidadão francês produz 360 kg de lixo, anualmente. "Vamos investir em programas de educação para reduzir a compra de produtos embalados e aumentar a reciclagem dos invólucros", garante.
Em 2004, o país conseguiu recuperar 24% das embalagens jogadas no lixo. A idéia é aumentar a taxa de reciclagem para 35%, em 2012, e 40% em 2015. Com isso, deve diminuir a quantidade de resíduos que segue para os aterros em 15% até 2012. Hoje, 50% do material acumulado nos depósitos sanitários vem da agropecuária, 40% do setor da construção civil e 10% são restos industriais não tóxicos.
Na região de Bordeaux, famosa pela produção de vinhos, o Grupo Péna também trabalha com métodos de reutilização do lixo. A empresa recicla lodos urbanos, resíduos industriais e domésticos e obtém uma nova matéria-prima usada na agricultura como fertilizante, principalmente em culturas como milho, trigo e girassol.
A técnica adotada pela empresa é a compostagem, processo biológico em que microrganismos transformam madeira, folhas e papelão em um material semelhante ao solo, chamado de composto, que pode ser utilizado como adubo.
A companhia descobriu que o material, que tem a propriedade de reter a água no solo, está reduzindo o uso do líquido nas plantações da região em até 30%. Já o aumento da produção nas propriedades foi de até 2%. "É possível ver o resultado depois de três anos de utilização do produto", garante Marc Péna, presidente da empresa, que abriu uma filial em Curitiba (PR) para fechar negócios no Brasil. O composto para a agricultura foi o primeiro do gênero a ser aprovado pelo Ministério da Agricultura francês, em 2004.
Segundo o gerente de projetos da companhia, Philippe Lorthios, para produzir 800 toneladas mensais do composto, é preciso reciclar até 1,6 mil toneladas de lixo por mês. O período de fermentação, que utiliza fornos com temperaturas de até 75° C, dura uma semana. Este ano, já foram vendidas 12 mil toneladas do composto, principalmente para 200 agricultores e cooperativas da região de Bordeaux. Até o campo de golfe da cidade usa o material para adubar os gramados de competição. A tonelada do produto custa de 15 euros a 20 euros. (J.S.)
11/12/2008
Fonte: Valonline
A França produz 850 milhões de toneladas de lixo por ano. O que pode parecer um problema - como o de dar fim a toda essa quantidade de resíduos - surge como uma nova alternativa de produção de energia. A partir da incineração dos dejetos, o país tem ensinado ao mundo que até o que vai para a lixeira pode ter reuso garantido.
Com mais de cem incineradores de detritos urbanos caseiros, os franceses fazem aproveitamento energético a partir do lixo há 20 anos e, desde os anos 1990, qualquer usina incineradora só sai do papel se produzir energia. Com a mudança, do total de unidades transformadoras em funcionamento, 80% já apresentam exploração de energia e até 15% da força produzida vai para a rede de distribuição doméstica.
"80% da energia que sai da nossa usina é vendida para distribuidoras regionais e 20% são usados internamente", garante Sandrine Catteau, responsável pela área de relações externas do Centro de Valorização de Dejetos de Esiane, que pertence à gigante francesa Suez Environnement, dona de uma faturamento de 12 bilhões euros e operações em 12 países.
O centro, resultado de um investimento de 90 milhões de euros, usa o lixo de 420 mil habitantes de 263 comunidades francesas para produzir energia elétrica por meio da incineração. Localizado em Villers-Saint-Paul, a 62 km da capital francesa, ficou famoso pelo modelo de recuperação do lixo urbano, principalmente pelas inovações no transporte dos dejetos das residências para a usina.
Aberta em 2004, a unidade opera com 22 mil toneladas de dejetos por ano e produz o equivalente energético a 44 mil barris de petróleo anuais. "Depois de serem coletados pelos caminhões nas ruas, os resíduos chegam à usina de trem, o que elimina 220 veículos nas estradas", explica o diretor do centro, Denis Laverre.
Segundo o executivo, 98% dos detritos, a maioria plástico e papelão coletados em residências e hospitais, são valorizados. O forno da empresa funciona 24 horas e tem capacidade para queimar 10 toneladas de material por hora. A produção energética anual pode chegar a 39,2 mil megawatts/ano, o suficiente para abastecer 21,2 mil residências.
Segundo Jean-Claude Oppeneau, ex-diretor do Ministério do Meio Ambiente francês e consultor da L´Agence de l´Environnement et de Maitrise de l'Energie-Ademe (Agência do Meio Ambiente e da Matriz Energética), empresa pública de pesquisa sobre o desenvolvimento sustentável, ligada ao Ministério da Ecologia, o país tem 123 incineradores de lixo urbano caseiro e 16 unidades para eliminar dejetos industriais tóxicos. "A incineração só é permitida se gerar energia", garante.
O aproveitamento energético a partir do lixo existe na França há 20 anos e, desde os anos 1990, qualquer incinerador só pode ser construído se tiver esse fim.
Apesar da utilização do lixo como fonte de energia, a França também quer reduzir a produção de dejetos em até 5% por ano. Segundo Oppeneau, um cidadão francês produz 360 kg de lixo, anualmente. "Vamos investir em programas de educação para reduzir a compra de produtos embalados e aumentar a reciclagem dos invólucros", garante.
Em 2004, o país conseguiu recuperar 24% das embalagens jogadas no lixo. A idéia é aumentar a taxa de reciclagem para 35%, em 2012, e 40% em 2015. Com isso, deve diminuir a quantidade de resíduos que segue para os aterros em 15% até 2012. Hoje, 50% do material acumulado nos depósitos sanitários vem da agropecuária, 40% do setor da construção civil e 10% são restos industriais não tóxicos.
Na região de Bordeaux, famosa pela produção de vinhos, o Grupo Péna também trabalha com métodos de reutilização do lixo. A empresa recicla lodos urbanos, resíduos industriais e domésticos e obtém uma nova matéria-prima usada na agricultura como fertilizante, principalmente em culturas como milho, trigo e girassol.
A técnica adotada pela empresa é a compostagem, processo biológico em que microrganismos transformam madeira, folhas e papelão em um material semelhante ao solo, chamado de composto, que pode ser utilizado como adubo.
A companhia descobriu que o material, que tem a propriedade de reter a água no solo, está reduzindo o uso do líquido nas plantações da região em até 30%. Já o aumento da produção nas propriedades foi de até 2%. "É possível ver o resultado depois de três anos de utilização do produto", garante Marc Péna, presidente da empresa, que abriu uma filial em Curitiba (PR) para fechar negócios no Brasil. O composto para a agricultura foi o primeiro do gênero a ser aprovado pelo Ministério da Agricultura francês, em 2004.
Segundo o gerente de projetos da companhia, Philippe Lorthios, para produzir 800 toneladas mensais do composto, é preciso reciclar até 1,6 mil toneladas de lixo por mês. O período de fermentação, que utiliza fornos com temperaturas de até 75° C, dura uma semana. Este ano, já foram vendidas 12 mil toneladas do composto, principalmente para 200 agricultores e cooperativas da região de Bordeaux. Até o campo de golfe da cidade usa o material para adubar os gramados de competição. A tonelada do produto custa de 15 euros a 20 euros. (J.S.)
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Reunião climática da ONU expõe divergências entre ricos e pobres
Daniela Chiaretti, de Poznan
11/12/2008
Fonte: Valoronline
A parte ministerial da conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que ocorre na Polônia, começa em clima de embate entre ricos e pobres. Os países industrializados, que deveriam ter acertado as novas metas de redução de emissões de gases-estufa para depois de 2012, estão longe de chegar a uma decisão. Outro impasse gira em torno ao acesso ao Fundo de Adaptação, o dinheiro necessário para que os mais pobres, e que são os que mais sofrem o impacto do aquecimento global, possam se ajustar ao fenômeno.
O bloco dos países em desenvolvimento, reunidos no G-77 mais a China, quer que as novas metas de emissão para os países ricos sigam a recomendação do IPCC, o braço científico da ONU, e sejam algo entre 25% a 40% em 2020, sobre os níveis de 1990. Assim, acredita-se, a temperatura do planeta não subiria mais que 2°C no século.
Mas as nações industrializadas, que sequer conseguem cumprir o corte de 5% das emissões, meta que vigora agora pelo Protocolo de Kyoto, não se acertam com os novos números. A União Européia anuncia cortes de 20% em 2020, e é a proposta mais arrojada. O Canadá assinou Kyoto, mas é o único país a dizer claramente que não cumprirá as metas; suas emissões, ao invés de caírem, cresceram 14%. A maioria aguarda o que fará o nova governo de Barack Obama. Ele diz que pretende chegar a 2020 com os níveis de emissão de 1990. É um avanço para os EUA, mas está muito aquém do necessário.
"As nações ricas não estão estabelecendo novas metas [para si] e cobram ações dos países em desenvolvimento", diz a ambientalista Tasneem Essop, da WWW-África do Sul. Ela diz que muito tem sido feito por estes países, que estão contribuindo para a solução do problema. A China, por exemplo, quase alcançou a meta de ter 10% de energias renováveis na sua matriz em 2010 e pode chegar a 20%. O plano nacional de mudanças climáticas da Índia prevê a retirada de 10 mil MW gerados em velhas termoelétricas a carvão em 2017.
"A idéia que as nações em desenvolvimento não estão contribuindo para a solução do problema não poderia estar mais longe da verdade", disse Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção de Mudanças Climáticas. "O que eles dizem é que para ir adiante têm que ter financiamento, tecnologia e capacitação, e isso têm que vir dos [países] industrializados."
Dificilmente esta pendência terá solução em Poznan. "Hoje, com a crise financeira, é difícil (...) pedir dinheiro para mudanças climáticas", reconhece Boer.
Sobre a outra aresta que os ministros terão de aparar, o acesso ao Fundo de Adaptação, ele está otimismo. "O copo está 4/5 cheio."
Adaptação é um termo amplo que define ações necessárias para os países enfrentarem as mudanças climáticas. Podem ser diques e barragens na Holanda ou abrigos em Bangladesh. O fundo foi acertado na conferência passada, em Bali, em 2007. Ele é financiado com 2% dos recursos provenientes dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, os MDL, um sistema pelo qual os países ricos, com obrigações de reduzir emissões, investem em projetos de tecnologia limpa em países em desenvolvimento, e ganham créditos para emitir carbono por isso.
Só que o fundo é muito tímido, tem hoje algo próximo a US$ 70 milhões e deveria, segundo algumas estimativas, ser de US$ 70 bilhões anuais para dar conta do recado. Quem administra o dinheiro é o GEF, um braço do Banco Mundial, que os países em desenvolvimento consideram burocrático e pouco ágil. É este um dos pontos polêmicos. A demanda dos pobres é ter acesso mais fácil ao dinheiro.
O financiamento e a transferência de tecnologia é ponto fundamental que praticamente não avançou no processo, diz Luiz Alberto Figueiredo Machado, o chefe dos negociadores brasileiros. Este assunto, certamente, só será definido em 2009, em Copenhague.
Outra pendência esconde uma forte briga de interesses sobre uma tecnologia que ainda engatinha e que interessa muito aos países produtores de petróleo e carvão - a chamada CCS (na sigla em inglês), Captura e Seqüestro de Carbono. A Arábia Saudita quer que os CCS se beneficiem dos créditos de carbono. O Brasil e outros países se opõem, pois temem que toda a verba desse crédito migre para países de matriz energética suja.
A jornalista viajou a Poznan com bolsa da Climate Change Media Partnership
Notícias Relacionadas
- Brasil deve receber verba do Bird para adaptação
11/12/2008
Fonte: Valoronline
A parte ministerial da conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que ocorre na Polônia, começa em clima de embate entre ricos e pobres. Os países industrializados, que deveriam ter acertado as novas metas de redução de emissões de gases-estufa para depois de 2012, estão longe de chegar a uma decisão. Outro impasse gira em torno ao acesso ao Fundo de Adaptação, o dinheiro necessário para que os mais pobres, e que são os que mais sofrem o impacto do aquecimento global, possam se ajustar ao fenômeno.
O bloco dos países em desenvolvimento, reunidos no G-77 mais a China, quer que as novas metas de emissão para os países ricos sigam a recomendação do IPCC, o braço científico da ONU, e sejam algo entre 25% a 40% em 2020, sobre os níveis de 1990. Assim, acredita-se, a temperatura do planeta não subiria mais que 2°C no século.
Mas as nações industrializadas, que sequer conseguem cumprir o corte de 5% das emissões, meta que vigora agora pelo Protocolo de Kyoto, não se acertam com os novos números. A União Européia anuncia cortes de 20% em 2020, e é a proposta mais arrojada. O Canadá assinou Kyoto, mas é o único país a dizer claramente que não cumprirá as metas; suas emissões, ao invés de caírem, cresceram 14%. A maioria aguarda o que fará o nova governo de Barack Obama. Ele diz que pretende chegar a 2020 com os níveis de emissão de 1990. É um avanço para os EUA, mas está muito aquém do necessário.
"As nações ricas não estão estabelecendo novas metas [para si] e cobram ações dos países em desenvolvimento", diz a ambientalista Tasneem Essop, da WWW-África do Sul. Ela diz que muito tem sido feito por estes países, que estão contribuindo para a solução do problema. A China, por exemplo, quase alcançou a meta de ter 10% de energias renováveis na sua matriz em 2010 e pode chegar a 20%. O plano nacional de mudanças climáticas da Índia prevê a retirada de 10 mil MW gerados em velhas termoelétricas a carvão em 2017.
"A idéia que as nações em desenvolvimento não estão contribuindo para a solução do problema não poderia estar mais longe da verdade", disse Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção de Mudanças Climáticas. "O que eles dizem é que para ir adiante têm que ter financiamento, tecnologia e capacitação, e isso têm que vir dos [países] industrializados."
Dificilmente esta pendência terá solução em Poznan. "Hoje, com a crise financeira, é difícil (...) pedir dinheiro para mudanças climáticas", reconhece Boer.
Sobre a outra aresta que os ministros terão de aparar, o acesso ao Fundo de Adaptação, ele está otimismo. "O copo está 4/5 cheio."
Adaptação é um termo amplo que define ações necessárias para os países enfrentarem as mudanças climáticas. Podem ser diques e barragens na Holanda ou abrigos em Bangladesh. O fundo foi acertado na conferência passada, em Bali, em 2007. Ele é financiado com 2% dos recursos provenientes dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, os MDL, um sistema pelo qual os países ricos, com obrigações de reduzir emissões, investem em projetos de tecnologia limpa em países em desenvolvimento, e ganham créditos para emitir carbono por isso.
Só que o fundo é muito tímido, tem hoje algo próximo a US$ 70 milhões e deveria, segundo algumas estimativas, ser de US$ 70 bilhões anuais para dar conta do recado. Quem administra o dinheiro é o GEF, um braço do Banco Mundial, que os países em desenvolvimento consideram burocrático e pouco ágil. É este um dos pontos polêmicos. A demanda dos pobres é ter acesso mais fácil ao dinheiro.
O financiamento e a transferência de tecnologia é ponto fundamental que praticamente não avançou no processo, diz Luiz Alberto Figueiredo Machado, o chefe dos negociadores brasileiros. Este assunto, certamente, só será definido em 2009, em Copenhague.
Outra pendência esconde uma forte briga de interesses sobre uma tecnologia que ainda engatinha e que interessa muito aos países produtores de petróleo e carvão - a chamada CCS (na sigla em inglês), Captura e Seqüestro de Carbono. A Arábia Saudita quer que os CCS se beneficiem dos créditos de carbono. O Brasil e outros países se opõem, pois temem que toda a verba desse crédito migre para países de matriz energética suja.
A jornalista viajou a Poznan com bolsa da Climate Change Media Partnership
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SP autoriza reajuste de 47% no preço do gás
Josette Goulart, de São Paulo
11/12/2008
Fonte: Valoronline
A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou ontem a deliberação que autoriza um reajuste de 47% no preço do gás natural para as grandes indústrias consumidoras da Gás Brasiliano, concessionária que atua no noroeste do Estado, segundo cálculos feito pela Associação Brasileira de Consumidores de Energia (Abrace). Para os consumidores residenciais, o reajuste médio autorizado é em torno de 35%. Já para o segmento industrial de pequeno porte, o reajuste pode variar de 37% a 49%, dependendo da classe de consumo definido pelo volume em metros cúbicos por mês.
O forte reajuste veio na esteira da alta do dólar que tem afetado as distribuidoras de gás. E mesmo com a queda brusca das cotações do petróleo no mercado internacional, as distribuidoras vão demorar para terem esses custos refletidos nesse novo patamar em função de uma distorção da fórmula aplicada pela Petrobras.
Esses motivos levaram inclusive a Comgás a pedir um reajuste extraordinário de energia que ainda está em análise na Arsesp. O reajuste anual da Comgás foi feito em maio, quando o dólar estava cotado a R$ 1,75 e a alta da cotação da moeda americana tem feito o caixa da empresa ser fortemente atingido. Além da distorção dos preços repassados pela Petrobras.
Essa distorção, em que cai o preço do petróleo, mas sobe o preço do gás natural, acontece por causa da fórmula que está sendo aplicada pela Petrobras. Além de ter uma parcela fixa, em média em torno de US$ 2,5 por milhão de BTU, existe uma parcela variável que leva em consideração uma cesta de óleos, indexada a uma média trimestral do preço do petróleo. Em novembro foi feito um reajuste que leva em consideração o preço do petróleo no mercado internacional dos meses de julho, agosto e setembro. Ou seja, no período em que a cotação do petróleo chegou a atingir US$ 146 o barril. Ontem, a commodity estava valendo por volta de US$ 45.
11/12/2008
Fonte: Valoronline
A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou ontem a deliberação que autoriza um reajuste de 47% no preço do gás natural para as grandes indústrias consumidoras da Gás Brasiliano, concessionária que atua no noroeste do Estado, segundo cálculos feito pela Associação Brasileira de Consumidores de Energia (Abrace). Para os consumidores residenciais, o reajuste médio autorizado é em torno de 35%. Já para o segmento industrial de pequeno porte, o reajuste pode variar de 37% a 49%, dependendo da classe de consumo definido pelo volume em metros cúbicos por mês.
O forte reajuste veio na esteira da alta do dólar que tem afetado as distribuidoras de gás. E mesmo com a queda brusca das cotações do petróleo no mercado internacional, as distribuidoras vão demorar para terem esses custos refletidos nesse novo patamar em função de uma distorção da fórmula aplicada pela Petrobras.
Esses motivos levaram inclusive a Comgás a pedir um reajuste extraordinário de energia que ainda está em análise na Arsesp. O reajuste anual da Comgás foi feito em maio, quando o dólar estava cotado a R$ 1,75 e a alta da cotação da moeda americana tem feito o caixa da empresa ser fortemente atingido. Além da distorção dos preços repassados pela Petrobras.
Essa distorção, em que cai o preço do petróleo, mas sobe o preço do gás natural, acontece por causa da fórmula que está sendo aplicada pela Petrobras. Além de ter uma parcela fixa, em média em torno de US$ 2,5 por milhão de BTU, existe uma parcela variável que leva em consideração uma cesta de óleos, indexada a uma média trimestral do preço do petróleo. Em novembro foi feito um reajuste que leva em consideração o preço do petróleo no mercado internacional dos meses de julho, agosto e setembro. Ou seja, no período em que a cotação do petróleo chegou a atingir US$ 146 o barril. Ontem, a commodity estava valendo por volta de US$ 45.
Desaquecimento e chuvas derrubam preço da energia
Josette Goulart, de São Paulo
11/12/2008
Fonte: Valoronline
Inverteu-se completamente o cenário de oferta e demanda elétrica no país. Há três meses, havia risco de falta de energia em 2009, por causa do crescimento vigoroso do PIB e da possível redução do nível dos reservatórios das hidrelétricas. O déficit estimado para o próximo ano era de 500 MW. Com as chuvas de outubro e novembro e a perspectiva de desaquecimento da economia, o quadro mudou. A fila de compradores de energia no mercado livre se transformou em fila de vendedores. As indústrias consumidoras tentam reduzir os contratos que firmaram para 2009 porque sabem que vão usar menos energia.
Em conseqüência dessa nova realidade, houve uma rápida redução no preço da energia no mercado livre: 15% em dois meses, para R$ 120 o MWh, em comparação ao valor médio de R$ 200 em 2008.
Indústrias do setor automobilístico, metalúrgico e siderúrgico, que haviam contratado energia no mercado livre, iniciaram o movimento de venda do insumo. Alguns clientes da comercializadora da CPFL Energia, uma das maiores do país, já reduziram os contratos em até 40%, segundo o vice-presidente da empresa, Paulo Cezar Coelho Tavares. Entre os clientes do setor de mineração e automotivo da Enertrade, a redução dos contratos ficou entre 15% e 20%.
Esse movimento tem sido observado atentamente pela Tractebel, que decidiu interromper a negociação de um déficit de 300 MW que tinha com as distribuidoras. O presidente da empresa, Manoel Zaroni, explica que, com a queda do consumo, ela mesma poderá gerar essa energia.
O presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Ricardo Lima, estima que, antes da crise, as empresas tinham a expectativa de que precisariam contratar até 2.000 MW no mercado livre em 2009. Agora, essa necessidade caiu a zero.
Apesar disso, o diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, prevê contas de luz mais caras em 2009, efeito da alta do dólar no preço da energia de Itaipu, que abastece 31 das 64 distribuidoras do país.
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- Mercado livre de energia já reflete perspectiva de queda da economia
- Fundo vai garantir obras do setor de energia
11/12/2008
Fonte: Valoronline
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Em conseqüência dessa nova realidade, houve uma rápida redução no preço da energia no mercado livre: 15% em dois meses, para R$ 120 o MWh, em comparação ao valor médio de R$ 200 em 2008.
Indústrias do setor automobilístico, metalúrgico e siderúrgico, que haviam contratado energia no mercado livre, iniciaram o movimento de venda do insumo. Alguns clientes da comercializadora da CPFL Energia, uma das maiores do país, já reduziram os contratos em até 40%, segundo o vice-presidente da empresa, Paulo Cezar Coelho Tavares. Entre os clientes do setor de mineração e automotivo da Enertrade, a redução dos contratos ficou entre 15% e 20%.
Esse movimento tem sido observado atentamente pela Tractebel, que decidiu interromper a negociação de um déficit de 300 MW que tinha com as distribuidoras. O presidente da empresa, Manoel Zaroni, explica que, com a queda do consumo, ela mesma poderá gerar essa energia.
O presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Ricardo Lima, estima que, antes da crise, as empresas tinham a expectativa de que precisariam contratar até 2.000 MW no mercado livre em 2009. Agora, essa necessidade caiu a zero.
Apesar disso, o diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, prevê contas de luz mais caras em 2009, efeito da alta do dólar no preço da energia de Itaipu, que abastece 31 das 64 distribuidoras do país.
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Moagem de cana em ritmo acelerado
Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
11/12/2008
Fonte: Valoronline
ritmo acelerado, segundo último levantamento da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). Até o dia 1º de dezembro, as usinas processaram 468,6 milhões de toneladas da matéria-prima, aumento de 12,3% sobre igual período do ano passado.
Até o final de novembro, 43 usinas tinham encerrado a safra, ante 99 unidades no mesmo período de 2007. Segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica, a moagem desta safra será mais longa, com uma parte das usinas estendendo a colheita até janeiro.
Até o final de novembro, 43 usinas tinham encerrado a safra, ante 99 unidades no mesmo período de 2007. Segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica, a moagem desta safra será mais longa, com uma parte das usinas estendendo a colheita até janeiro.

A produção de açúcar até o dia 1º de dezembro totalizou 25,365 milhões de toneladas, recuo de 1% sobre igual período da safra anterior. A oferta de álcool atingiu 23,081 bilhões de litros, aumento de 18,14% em relação ao mesmo período do ano passado.
A Unica estima que o mix de produção de cana deverá ficar em 40% para o açúcar e 60% para o álcool até o fim da safra. No mercado, contudo, há estimativas de que a proporção de cana para o álcool será um pouco menor, uma vez que o açúcar voltou a remunerar mais que o combustível.
De janeiro a abril, as exportações de álcool no Centro-Sul do Brasil somaram 3,68 bilhões de litros. Em toda safra 2007/08, os embarques foram 3,5 bilhões de litros. A expectativa é de que as usinas da região embarquem 4,2 bilhões de litros em 2008/09.
No acumulado da safra até novembro, o mercado interno consumiu 13,67 bilhões de litros de álcool. Até o fim da safra, os volumes negociados deverão atingir 20 bilhões de litros. Para a Unica, esses volumes serão suficientes para atender toda a demanda interna e a mistura de 25% do álcool anidro na gasolina.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Uso de florestas para corte de emissões divide países
De Poznan
08/12/2008
Fonte: Valoronline
O assunto mais comentado da conferência do clima em Poznan atende por uma sigla REDD. A Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação é tema constante tanto nas negociações oficiais como nos eventos paralelos. Como proteger as florestas é a vertente que mais avançou nos últimos meses no debate internacional sobre mudanças climáticas.
A idéia dos países ricos e mais emissores é que é mais fácil e mais barato evitar o desmatamento nas nações com florestas do que mudar o padrão energético, de transporte e consumo em seu próprio território. O desmatamento responde por 15% a 20% das emissões globais de gases-estufa.
Esse argumento incomoda os países florestais. "Não podemos deixar que os que não conseguem cortar suas emissões em casa façam um acordo barato", diz a indiana Sunita Narain, diretora do Centro para Ciência e Ambiente de Nova Déli. "As florestas não podem ser uma opção barata", reforça. É a mesma opinião brasileira.
Segundo Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe dos negociadores do Brasil, as florestas não podem ser negociadas dentro do mercado de créditos de carbono. Ou seja, descobrir quanto se deixou de lançar de gases-estufa na atmosfera ao evitar o desmatamento não deveria ser transformado em créditos de carbono.
Há várias razões para isso, acredita. O preço do carbono pode despencar, considerando-se o incrível estoque que existe nas florestas e inviabilizar o chamado MDL, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, pelo qual países que têm que reduzir suas emissões pelo Protocolo de Kyoto podem investir em projetos de tecnologias limpas em países em desenvolvimento.
Outro motivo é que não há como garantir, no longo prazo, que aquela floresta, com a qual alguma nação rica obteve crédito (e, com isso, licença para emitir), continue de pé no futuro. Corre-se então o risco de uma dupla emissão.
O Fundo Amazônia, lançado pelo Brasil, é uma tentativa de materializar o REDD dentro da Convenção do Clima, mas fora do Protocolo de Kyoto. Ou seja: os países ricos podem doar dinheiro para que o Brasil evite o desmatamento, mas não contabilizam créditos de carbono com isso. Eles evitam o agravamento do aquecimento global ajudando na proteção das florestas, mas continuam tendo que reduzir as emissões de suas fábricas e carros em casa. A idéia brasileira é não permitir que a proteção das florestas seja uma licença para que os países ricos possam emitir.
Se no Brasil a discussão de REDD passa por reduzir o desmatamento, na Índia, onde não há desmate, a idéia é que o novo acordo ajude na conservação das florestas. Em outros países, como Indonésia ou Gana, o interesse é recuperar áreas degradadas, o segundo D da sigla.
Como estabelecer uma metodologia que conte qual o estoque de carbono de uma floresta é um dos assuntos em pauta nas discussões técnicas oficiais da conferência. Outro é quanto isso pode custar. Estudo lançado em Poznam pelo Cifor (Center for International Forestry Research) diz que os custos podem variar de US$ 7 bilhões a US$ 28 bilhões por ano para reduzir o desmatamento pela metade. Mesmo estimativas mais elevadas são mais baratas que o custo de reduzir emissões em países ricos.
REDD é a vedete dos eventos paralelos. O Banco Mundial está adiantado no processo e apresentou em Poznan projetos-piloto de REDD em nove países. (DC)
08/12/2008
Fonte: Valoronline
O assunto mais comentado da conferência do clima em Poznan atende por uma sigla REDD. A Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação é tema constante tanto nas negociações oficiais como nos eventos paralelos. Como proteger as florestas é a vertente que mais avançou nos últimos meses no debate internacional sobre mudanças climáticas.
A idéia dos países ricos e mais emissores é que é mais fácil e mais barato evitar o desmatamento nas nações com florestas do que mudar o padrão energético, de transporte e consumo em seu próprio território. O desmatamento responde por 15% a 20% das emissões globais de gases-estufa.
Esse argumento incomoda os países florestais. "Não podemos deixar que os que não conseguem cortar suas emissões em casa façam um acordo barato", diz a indiana Sunita Narain, diretora do Centro para Ciência e Ambiente de Nova Déli. "As florestas não podem ser uma opção barata", reforça. É a mesma opinião brasileira.
Segundo Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe dos negociadores do Brasil, as florestas não podem ser negociadas dentro do mercado de créditos de carbono. Ou seja, descobrir quanto se deixou de lançar de gases-estufa na atmosfera ao evitar o desmatamento não deveria ser transformado em créditos de carbono.
Há várias razões para isso, acredita. O preço do carbono pode despencar, considerando-se o incrível estoque que existe nas florestas e inviabilizar o chamado MDL, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, pelo qual países que têm que reduzir suas emissões pelo Protocolo de Kyoto podem investir em projetos de tecnologias limpas em países em desenvolvimento.
Outro motivo é que não há como garantir, no longo prazo, que aquela floresta, com a qual alguma nação rica obteve crédito (e, com isso, licença para emitir), continue de pé no futuro. Corre-se então o risco de uma dupla emissão.
O Fundo Amazônia, lançado pelo Brasil, é uma tentativa de materializar o REDD dentro da Convenção do Clima, mas fora do Protocolo de Kyoto. Ou seja: os países ricos podem doar dinheiro para que o Brasil evite o desmatamento, mas não contabilizam créditos de carbono com isso. Eles evitam o agravamento do aquecimento global ajudando na proteção das florestas, mas continuam tendo que reduzir as emissões de suas fábricas e carros em casa. A idéia brasileira é não permitir que a proteção das florestas seja uma licença para que os países ricos possam emitir.
Se no Brasil a discussão de REDD passa por reduzir o desmatamento, na Índia, onde não há desmate, a idéia é que o novo acordo ajude na conservação das florestas. Em outros países, como Indonésia ou Gana, o interesse é recuperar áreas degradadas, o segundo D da sigla.
Como estabelecer uma metodologia que conte qual o estoque de carbono de uma floresta é um dos assuntos em pauta nas discussões técnicas oficiais da conferência. Outro é quanto isso pode custar. Estudo lançado em Poznam pelo Cifor (Center for International Forestry Research) diz que os custos podem variar de US$ 7 bilhões a US$ 28 bilhões por ano para reduzir o desmatamento pela metade. Mesmo estimativas mais elevadas são mais baratas que o custo de reduzir emissões em países ricos.
REDD é a vedete dos eventos paralelos. O Banco Mundial está adiantado no processo e apresentou em Poznan projetos-piloto de REDD em nove países. (DC)
Reunião da ONU sobre clima chega à fase ministerial
De Poznan
08/12/2008
Fonte: Valoronline
A 14ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontece em Poznan, na Polônia, entra na sua semana decisiva, quando chegam os ministros dos 190 países presentes para uma reunião de alto nível na quinta e sexta-feira, os últimos dias do encontro. Mas nenhum acordo importante deve ser assinado. O principal documento que sairá de Poznan já existe, foi feito por um brasileiro e tem o resumo de todas as propostas que foram sugeridas pelos países ao longo deste ano.
Luiz Alberto Figueiredo Machado é o chefe dos negociadores brasileiros e presidente da rodada de negociação do processo de longo prazo até o fim da CoP-14, o nome da conferência. É dele o documento de 84 páginas que condensa as centenas de propostas feitas pelos países e que serve de base às discussões. Este pode ser o documento mais importante da reunião, que indicará o rumo do processo.
Ontem, a maioria dos negociadores já presentes foi pega de surpresa e teve um feriado forçado, o que ilustra a Babel caótica que domina o debate da mudança climática. De um lado, em eventos paralelos, ONGs e cientistas pressionam por decisões urgentes e esforços muito maiores dos países. Repetem que é preciso fazer algo e rápido. Mas, dentro das salas oficiais, negociadores passam horas falando no jargão dos diplomatas, uma língua onde metas e compromissos de redução de emissões não significam a mesma coisa.
Nos eventos que ocorrem paralelamente à reunião oficial (uma agenda intensa de palestras promovidas por ONGs, institutos de pesquisa, agências da ONU, entidades empresariais etc) já se fala que é preciso um esforço global maior de corte de emissões a níveis que não permitam um aquecimento superior a 1,5°C na temperatura da Terra na metade do século, e que os cenários ruins apresentados pelo IPCC, o braço científico da ONU, em 2007, estão subestimados.
No espaço das negociações oficiais, várias reuniões ocorrem ao mesmo tempo, sob diversos assuntos, em discursos cifrados para quem não é iniciado. O senso comum espera que saia algo de concreto desta megaconferência, que começou dia 1º de dezembro e vai até o dia 12, mas isto é muito improvável.
Os ministros talvez acertem alguns detalhes e sinalizem a continuidade do processo. Desde o início, sabe-se que a CoP-14, a sigla para o encontro dos países que assinaram a convenção de mudança climática da ONU, é uma "CoP do meio". Está na metade do caminho entre a reunião de Bali, no ano passado, e a de Copenhague, no ano que vem - este sim o encontro de onde se espera que saia um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas.
Uma das hipóteses é que ali se firme o Protocolo de Copenhague, uma espécie de Protocolo de Kyoto atualizado, muito mais rígido nos cortes de emissões de gases-estufa pelos países ricos e com bem mais contribuição dos países em desenvolvimento. Mas o novo acordo, uma espécie de Protocolo de Kyoto+, tem que ter um novo nome. Kyoto provoca rejeição no Congresso americano.
No processo de negociação em Poznan, os países em desenvolvimento têm apresentado muitas propostas. A Índia, por exemplo, sugeriu uma rede mundial de centros de tecnologia limpa com contribuições de todos os interessados - uma postura diferente do país que costuma cobrar a conta sempre das nações mais ricas e mais poluidoras.
O Brasil, em outro ponto do debate, defende que os países em desenvolvimento "implementem ações" que reduzam as emissões de gases-estufa, apoiadas financeira e tecnologicamente pelas nações desenvolvidas e que ajudem os emergentes a sair da curva ascendente de mais e mais emissões. "O cenário 'business as usual' não é possível", diz Machado. "O esforço tem que ser equitativo e tem que se agir já, não esperar 2012", continua.
As tensões da semana continuaram sendo as reclamações dos países do G-77 mais a China de que as nações desenvolvidas não estão avançando na discussão de novas metas de corte de emissões para o segundo período do Protocolo de Kyoto, depois de 2012. E que os países ricos têm escamoteado o debate tentando jogar a bola de maiores contribuições para os países em desenvolvimento. A União Européia tem uma proposta de corte mais avançada, que reduziria as emissões em 20% em 2020. Mas os países em desenvolvimento dizem que é pouco e que os cortes devem ser de pelo menos 45%. Há quem fale em 80%.
Não houve ainda avanços importantes no principal ponto do novo acordo - o financiamento e a transferência de tecnologia dos ricos para os demais. O Brasil e o G-77 querem que o fluxo de financiamento seja muito ampliado. "Tem que haver uma nova solidariedade internacional, tanto para a mitigação dos gases do efeito-estufa como para a adaptação aos impactos", continua. "E isso passa pela transferência de tecnologia, pelo financiamento e pela capacitação."
08/12/2008
Fonte: Valoronline
A 14ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontece em Poznan, na Polônia, entra na sua semana decisiva, quando chegam os ministros dos 190 países presentes para uma reunião de alto nível na quinta e sexta-feira, os últimos dias do encontro. Mas nenhum acordo importante deve ser assinado. O principal documento que sairá de Poznan já existe, foi feito por um brasileiro e tem o resumo de todas as propostas que foram sugeridas pelos países ao longo deste ano.
Luiz Alberto Figueiredo Machado é o chefe dos negociadores brasileiros e presidente da rodada de negociação do processo de longo prazo até o fim da CoP-14, o nome da conferência. É dele o documento de 84 páginas que condensa as centenas de propostas feitas pelos países e que serve de base às discussões. Este pode ser o documento mais importante da reunião, que indicará o rumo do processo.
Ontem, a maioria dos negociadores já presentes foi pega de surpresa e teve um feriado forçado, o que ilustra a Babel caótica que domina o debate da mudança climática. De um lado, em eventos paralelos, ONGs e cientistas pressionam por decisões urgentes e esforços muito maiores dos países. Repetem que é preciso fazer algo e rápido. Mas, dentro das salas oficiais, negociadores passam horas falando no jargão dos diplomatas, uma língua onde metas e compromissos de redução de emissões não significam a mesma coisa.
Nos eventos que ocorrem paralelamente à reunião oficial (uma agenda intensa de palestras promovidas por ONGs, institutos de pesquisa, agências da ONU, entidades empresariais etc) já se fala que é preciso um esforço global maior de corte de emissões a níveis que não permitam um aquecimento superior a 1,5°C na temperatura da Terra na metade do século, e que os cenários ruins apresentados pelo IPCC, o braço científico da ONU, em 2007, estão subestimados.
No espaço das negociações oficiais, várias reuniões ocorrem ao mesmo tempo, sob diversos assuntos, em discursos cifrados para quem não é iniciado. O senso comum espera que saia algo de concreto desta megaconferência, que começou dia 1º de dezembro e vai até o dia 12, mas isto é muito improvável.
Os ministros talvez acertem alguns detalhes e sinalizem a continuidade do processo. Desde o início, sabe-se que a CoP-14, a sigla para o encontro dos países que assinaram a convenção de mudança climática da ONU, é uma "CoP do meio". Está na metade do caminho entre a reunião de Bali, no ano passado, e a de Copenhague, no ano que vem - este sim o encontro de onde se espera que saia um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas.
Uma das hipóteses é que ali se firme o Protocolo de Copenhague, uma espécie de Protocolo de Kyoto atualizado, muito mais rígido nos cortes de emissões de gases-estufa pelos países ricos e com bem mais contribuição dos países em desenvolvimento. Mas o novo acordo, uma espécie de Protocolo de Kyoto+, tem que ter um novo nome. Kyoto provoca rejeição no Congresso americano.
No processo de negociação em Poznan, os países em desenvolvimento têm apresentado muitas propostas. A Índia, por exemplo, sugeriu uma rede mundial de centros de tecnologia limpa com contribuições de todos os interessados - uma postura diferente do país que costuma cobrar a conta sempre das nações mais ricas e mais poluidoras.
O Brasil, em outro ponto do debate, defende que os países em desenvolvimento "implementem ações" que reduzam as emissões de gases-estufa, apoiadas financeira e tecnologicamente pelas nações desenvolvidas e que ajudem os emergentes a sair da curva ascendente de mais e mais emissões. "O cenário 'business as usual' não é possível", diz Machado. "O esforço tem que ser equitativo e tem que se agir já, não esperar 2012", continua.
As tensões da semana continuaram sendo as reclamações dos países do G-77 mais a China de que as nações desenvolvidas não estão avançando na discussão de novas metas de corte de emissões para o segundo período do Protocolo de Kyoto, depois de 2012. E que os países ricos têm escamoteado o debate tentando jogar a bola de maiores contribuições para os países em desenvolvimento. A União Européia tem uma proposta de corte mais avançada, que reduziria as emissões em 20% em 2020. Mas os países em desenvolvimento dizem que é pouco e que os cortes devem ser de pelo menos 45%. Há quem fale em 80%.
Não houve ainda avanços importantes no principal ponto do novo acordo - o financiamento e a transferência de tecnologia dos ricos para os demais. O Brasil e o G-77 querem que o fluxo de financiamento seja muito ampliado. "Tem que haver uma nova solidariedade internacional, tanto para a mitigação dos gases do efeito-estufa como para a adaptação aos impactos", continua. "E isso passa pela transferência de tecnologia, pelo financiamento e pela capacitação."
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Adaptação a mudança climática gera impasse
Daniela Chiaretti, de Poznan
05/12/2008
Fonte: Valoronline
Há uma crise de confiança em Poznan, a cidade polonesa que abriga a megaconferência da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas até 12 de dezembro. O heterogêneo bloco dos países menos desenvolvidos e mais afetados pelo impacto do aquecimento da Terra quer ver o que os ricos e industrializados se comprometem a fazer antes de dizer como podem contribuir para reduzir o problema. O nó de sempre - quem paga a conta e como - nestas negociações internacionais continua empacando a decisão. Até agora, por exemplo, não se sabe quanto vai custar para que os países possam se adaptar ao impacto da mudança do clima - desde a construção de abrigos para refugiados de enchentes a melhores sistemas de meteorologia.
O que ficou acertado nas edições passadas deste evento foi um fundo de adaptação com um percentual sobre o valor dos projetos de tecnologia limpa ligados ao mercado de créditos de carbono (os chamados MDL). Os 2% seriam cerca de US$ 5 bilhões e, segundo países mais vulneráveis e ONGs, não dão nem para o começo deste drama. ONGs como a Oxfam falam em US$ 50 bilhões ao ano. Outro número que circula em Poznan é de US$ 85 bilhões anuais.
No primeiro dia da conferência na Polônia, Ian Fry, da pequena Tuvalu e representando a Aliança dos Pequenos Países-Ilhas (AOSIS, em inglês) foi contundente. "Como uma demonstração de boa fé dos países do Anexo 1 precisamos começar a ver números sendo colocados sobre a mesa", disse, em plenário, referindo-se aos países ricos e industrializados, que têm responsabilidade histórica sobre o aquecimento e têm de reduzir emissões de gases-estufa pelo Protocolo de Kyoto. "Precisamos atualizar nossa compreensão sobre o que diz a Ciência, simplificar as regras e estabelecer metas de redução de emissão de gases-estufa para os países ricos", disse. "Nós, as ilhas de alta vulnerabilidade à mudança climática precisamos da garantia das grandes nações industrializadas para termos futuro."
Como o primeiro período de Kyoto acaba em 2012, os países industrializados deveriam estar discutindo cortes que virão depois disso - e algo novo deveria sair da conferência na Polônia. Mas eles estão adiando a tarefa, dizem países em desenvolvimento. Em parte para para ver o que Barack Obama fará. Em parte porque querem ver as movimentações de emergentes como China e Índia. E em parte por conta da crise financeira.
"Para os países-ilha, dois graus a mais na temperatura pode definir um cenário difícil demais para sobreviver", disse o cientista Bill Hare, do instituto alemão para mudanças climáticas de Potsdam, o PIK, uma das mais famosas instituições científicas que pesquisa o tema. Segundo ele, o quadro é bem pior do que se imaginava. Um aumento de 2 graus seria suficiente para elevar em até 4 metros o nível médio dos mares do planeta. E é esta meta - reduzir as emissões dos gases-estufa a níveis que não provoquem um aumento de temperatura de 2 graus em 2100 que os negociadores internacionais não parecem estar levando em conta.
Segundo a ONG GermanWatch, Bangladesh, Coréia do Norte e Nicarágua foram os países que mais sofreram impactos da mudança climática em 2007, considerando eventos como tufões e tempestades. Ao todo, 15.240 pessoas morreram em 2007 pelas mudanças do clima, diz a ONG.
"Temos que preparar a adaptação às mudanças climáticas", diz Maarten van AQalst, diretor associado da Cruz Vermelha. "Isso significa não só erguer abrigo para que as pessoas em Bangladesh possam se proteger das tempestades, como melhorar os sistemas de aviso e prevenção."
A jornalista viajou com bolsa da Climate Change Media Partnership
05/12/2008
Fonte: Valoronline
Há uma crise de confiança em Poznan, a cidade polonesa que abriga a megaconferência da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas até 12 de dezembro. O heterogêneo bloco dos países menos desenvolvidos e mais afetados pelo impacto do aquecimento da Terra quer ver o que os ricos e industrializados se comprometem a fazer antes de dizer como podem contribuir para reduzir o problema. O nó de sempre - quem paga a conta e como - nestas negociações internacionais continua empacando a decisão. Até agora, por exemplo, não se sabe quanto vai custar para que os países possam se adaptar ao impacto da mudança do clima - desde a construção de abrigos para refugiados de enchentes a melhores sistemas de meteorologia.
O que ficou acertado nas edições passadas deste evento foi um fundo de adaptação com um percentual sobre o valor dos projetos de tecnologia limpa ligados ao mercado de créditos de carbono (os chamados MDL). Os 2% seriam cerca de US$ 5 bilhões e, segundo países mais vulneráveis e ONGs, não dão nem para o começo deste drama. ONGs como a Oxfam falam em US$ 50 bilhões ao ano. Outro número que circula em Poznan é de US$ 85 bilhões anuais.
No primeiro dia da conferência na Polônia, Ian Fry, da pequena Tuvalu e representando a Aliança dos Pequenos Países-Ilhas (AOSIS, em inglês) foi contundente. "Como uma demonstração de boa fé dos países do Anexo 1 precisamos começar a ver números sendo colocados sobre a mesa", disse, em plenário, referindo-se aos países ricos e industrializados, que têm responsabilidade histórica sobre o aquecimento e têm de reduzir emissões de gases-estufa pelo Protocolo de Kyoto. "Precisamos atualizar nossa compreensão sobre o que diz a Ciência, simplificar as regras e estabelecer metas de redução de emissão de gases-estufa para os países ricos", disse. "Nós, as ilhas de alta vulnerabilidade à mudança climática precisamos da garantia das grandes nações industrializadas para termos futuro."
Como o primeiro período de Kyoto acaba em 2012, os países industrializados deveriam estar discutindo cortes que virão depois disso - e algo novo deveria sair da conferência na Polônia. Mas eles estão adiando a tarefa, dizem países em desenvolvimento. Em parte para para ver o que Barack Obama fará. Em parte porque querem ver as movimentações de emergentes como China e Índia. E em parte por conta da crise financeira.
"Para os países-ilha, dois graus a mais na temperatura pode definir um cenário difícil demais para sobreviver", disse o cientista Bill Hare, do instituto alemão para mudanças climáticas de Potsdam, o PIK, uma das mais famosas instituições científicas que pesquisa o tema. Segundo ele, o quadro é bem pior do que se imaginava. Um aumento de 2 graus seria suficiente para elevar em até 4 metros o nível médio dos mares do planeta. E é esta meta - reduzir as emissões dos gases-estufa a níveis que não provoquem um aumento de temperatura de 2 graus em 2100 que os negociadores internacionais não parecem estar levando em conta.
Segundo a ONG GermanWatch, Bangladesh, Coréia do Norte e Nicarágua foram os países que mais sofreram impactos da mudança climática em 2007, considerando eventos como tufões e tempestades. Ao todo, 15.240 pessoas morreram em 2007 pelas mudanças do clima, diz a ONG.
"Temos que preparar a adaptação às mudanças climáticas", diz Maarten van AQalst, diretor associado da Cruz Vermelha. "Isso significa não só erguer abrigo para que as pessoas em Bangladesh possam se proteger das tempestades, como melhorar os sistemas de aviso e prevenção."
A jornalista viajou com bolsa da Climate Change Media Partnership
UE destrava caminho para biocombustíveis
Assis Moreira, de Genebra
05/12/2008
Fonte: Valoronline
A União Européia encerrou na quinta-feira a batalha interna que travava sobre o futuro dos biocombustíveis - etanol e biodiesel - em seus planos de maior utilização de energias renováveis. A conclusão do impasse, menos restritiva à agroenergia, foi comemorada pelo Brasil e deverá ajudar na criação do mercado global para o etanol.
A briga envolvia a meta obrigatória proposta pela Comissão Européia de uso de 10% de energia renovável nos transportes até 2020 para combater o aquecimento global. Grande parte disso deve vir de etanol e biodiesel, criando um amplo mercado que deve ser atendido por exportadores como o Brasil.
Mantida a meta, vem a exigência de critérios de sustentabilidade para etanol e biodiesel, que pode se transformar em uma "armadilha ecológica". Dai a importância do acordo, já que os critérios propostos pelo Parlamento Europeu eram tão restritivos que a produção de etanol só seria possível no deserto, pelos cálculos brasileiros.
Parlamentares queriam reduzir a parte de biocombustíveis e atribuir uma fatia maior da meta para a promoção de energia eólica e solar, entre outras. Mas na quinta-feira, enfim, as três grandes instituições do bloco - Comissão Européia (braço executivo da UE), Conselho (que reúne os governos), e Parlamento - chegaram a outro compromisso.
"Pelas informações de que dispomos, os resultados foram muito satisfatórios para os interesses do Brasil e de outros países em desenvolvimento", afirmou o embaixador brasileiro junto à UE, Ricardo Neiva Tavares. Já o deputado Claude Turmes, negociador pelo Parlamento Europeu, disse que o percentual de 10% para os biocombustíveis foi "seriamente minado", e que o "futuro dos carros será elétrico na Europa".
Na verdade, o Parlamento chegou a propor acabar com a meta para uso de biocombustíveis, e depois tentou limitá-la a 6%. A novidade no acordo de quinta-feira é que nada disso prosperou. Foi mantida a meta de 10% de energia renovável, sem meta determinada para etanol. Ainda assim, a primeira grande ameaça contra o produto foi superada.
Energia renovável usada em trens será levada em conta, mas isso representa menos de 1%. E o espaço para etanol e biodiesel só será reduzido se as montadoras de fato conseguirem produzir um carro elétrico competitivo, o que na situação atual parece distante.
Ambientalistas tinham aberto uma guerra contra o etanol e o biodiesel também por causa do impacto sobre o uso da terra, apontando os produtos como culpados pela explosão do preço de alimentos e desmatamento de florestas.
Mas as emendas do Parlamento para restringir o uso da terra na produção do etanol no cerrado brasileiro, por exemplo, também foram excluídas do texto final. Está valendo a restrição original da Comissão Européia, de não produção de etanol nas áreas úmidas e florestais, para que ele seja considerado sustentável.
Só que aí também houve mudanças comemoradas pelo Brasil. A proposta do Parlamento sobre definição de floresta para produção sustentável de etanol era de área com 10% de cobertura de árvores. Em área com mais de 10%, a produção deveria ser proibida.
Esse conceito foi rejeitado. Prevaleceu a definição da Comissão Européia, que considera floresta tudo que tem pelo menos 30% de árvores com mais de cinco metros. Essa restrição não é considerada muito preocupante para o Brasil, porque vegetação com densidade maior não passaria em outro critério.
Para serem enquadrados nas exigências de sustentabilidade e combate ao aquecimento, os biocombustíveis têm de garantir um mínimo de redução de efeito de gases estufa. Assim, a exigência estabelecida é que o álcool tem de reduzir as emissões em 35% ou mais quando comparado à gasolina, passando para 50% em 2017. As fábricas novas que entrarem em operação a partir de 2018 terão de reduzir as emissões em 60%.
Para o etanol brasileiro, é algo tranqüilo, pois no mínimo o produto reduz as emissões em 70% - o percentual pode chegar a 90% -, segundo especialistas. A situação muda para o biodiesel de soja.
Outra preocupação envolvia restrições sobre mudança de uso da terra para biodiversidade. O Parlamento queria deixar em aberto a possibilidade de incluir novas exigências. Agora, a redação final veta a produção de etanol em áreas de de alto valor para biodiversidade, como florestas primárias, pradarias e parques nacionais.
Ponto igualmente sensível e combatido pelo Brasil envolvia o efeito indireto do biocombustível por mudanças no uso da terra. Alguns deputados europeus consideram que a produção de etanol no Nordeste brasileiro, por exemplo, escasseia a terra para produzir alimentos e leva agricultores a desmatar a Amazônia. Dessa forma, o cálculo da eficiência ambiental do etanol importado do Brasil teria que incluir o volume de emissões de gases estufa no desmatamento da Amazônia, mesmo se não foi para produzir biocombustível.
Agora, foi aprovada uma sugestão para que a Comissão Européia apresente um relatório em 2010 primeiro analisando se o problema é importante e como lidar come ele, sem pré-julgamentos.
Com relação a critérios sociais na produção de biocombustíveis, o Parlamento queria introduzir uma lista enorme de exigências. O acordo podou boa parte. Sobraram duas exigências. Uma da Comissão Européia, que vai ter de analisar o impacto da produção de biocombustíveis - posse da terra, preços dos alimentos, condições de trabalho - a cada dois anos tanto nos países exportadores como nos países-membros do próprio bloco.
Nesse caso, o relatório deve indicar se os países exportadores ratificaram as principais convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Só uma o Brasil não ratificou, sobre unicidade sindical. A Constituição brasileira estabelece que um município só pode ter um sindicato para uma categoria.
A Comissão Européia também deve relatar o impacto dos biocombustíveis em outros aspectos ambientais - água, solos e poluição do ar, queimada de canaviais na região etc. Para os brasileiros, isso é inofensivo comparado ao que os ambientalistas queriam.
Em contrapartida, o segundo relatório detalhado sobre critérios sociais deve vir dos produtores do combustível. Uma usina de álcool em Sao Paulo vai ter de explicar ponto por ponto se respeita - e como - as condições de trabalho. Resta uma cláusula atenuante, pela qual a Comissão Européia pode determinar quais informações são realmente relevantes.
Por um acordo na Rodada Doha, o Brasil terá entre 4% e 10% do mercado de etanol europeu ao longo de sete anos. Com regras claras de sustentabilidade, fica difícil para a UE dar com uma mão (as cotas) e tirar com a outra (por meio de exigências duras). Atualmente, o Brasil já tem 70% do mercado do velho continente. Com critérios de sustentabilidade considerados equilibrados, a tendência é de o comércio ter previsibilidade.
O diálogo do Brasil com a Comissão Européia é bom, comparado às dificuldades com o Parlamento. Uma recente reação do Brasil e outros seis países, que chegaram a ameaçar denunciar a UE na Organização Mundial do Comércio (OMC), teve efeito no acordo final, acreditam técnicos.
Na prática, as duas diretivas européias - de energias renováveis e qualidade de carburantes - são centrais para o desenvolvimento da política européia para o biocombustível e para o projeto do Brasil de tornar o etanol uma commodity global. O problema agora é nos Estados Unidos, com os planos da futura administração de Barack Obama de supostamente reduzir os subsídios para a produção americana.
05/12/2008
Fonte: Valoronline
A União Européia encerrou na quinta-feira a batalha interna que travava sobre o futuro dos biocombustíveis - etanol e biodiesel - em seus planos de maior utilização de energias renováveis. A conclusão do impasse, menos restritiva à agroenergia, foi comemorada pelo Brasil e deverá ajudar na criação do mercado global para o etanol.
A briga envolvia a meta obrigatória proposta pela Comissão Européia de uso de 10% de energia renovável nos transportes até 2020 para combater o aquecimento global. Grande parte disso deve vir de etanol e biodiesel, criando um amplo mercado que deve ser atendido por exportadores como o Brasil.
Mantida a meta, vem a exigência de critérios de sustentabilidade para etanol e biodiesel, que pode se transformar em uma "armadilha ecológica". Dai a importância do acordo, já que os critérios propostos pelo Parlamento Europeu eram tão restritivos que a produção de etanol só seria possível no deserto, pelos cálculos brasileiros.
Parlamentares queriam reduzir a parte de biocombustíveis e atribuir uma fatia maior da meta para a promoção de energia eólica e solar, entre outras. Mas na quinta-feira, enfim, as três grandes instituições do bloco - Comissão Européia (braço executivo da UE), Conselho (que reúne os governos), e Parlamento - chegaram a outro compromisso.
"Pelas informações de que dispomos, os resultados foram muito satisfatórios para os interesses do Brasil e de outros países em desenvolvimento", afirmou o embaixador brasileiro junto à UE, Ricardo Neiva Tavares. Já o deputado Claude Turmes, negociador pelo Parlamento Europeu, disse que o percentual de 10% para os biocombustíveis foi "seriamente minado", e que o "futuro dos carros será elétrico na Europa".
Na verdade, o Parlamento chegou a propor acabar com a meta para uso de biocombustíveis, e depois tentou limitá-la a 6%. A novidade no acordo de quinta-feira é que nada disso prosperou. Foi mantida a meta de 10% de energia renovável, sem meta determinada para etanol. Ainda assim, a primeira grande ameaça contra o produto foi superada.
Energia renovável usada em trens será levada em conta, mas isso representa menos de 1%. E o espaço para etanol e biodiesel só será reduzido se as montadoras de fato conseguirem produzir um carro elétrico competitivo, o que na situação atual parece distante.
Ambientalistas tinham aberto uma guerra contra o etanol e o biodiesel também por causa do impacto sobre o uso da terra, apontando os produtos como culpados pela explosão do preço de alimentos e desmatamento de florestas.
Mas as emendas do Parlamento para restringir o uso da terra na produção do etanol no cerrado brasileiro, por exemplo, também foram excluídas do texto final. Está valendo a restrição original da Comissão Européia, de não produção de etanol nas áreas úmidas e florestais, para que ele seja considerado sustentável.
Só que aí também houve mudanças comemoradas pelo Brasil. A proposta do Parlamento sobre definição de floresta para produção sustentável de etanol era de área com 10% de cobertura de árvores. Em área com mais de 10%, a produção deveria ser proibida.
Esse conceito foi rejeitado. Prevaleceu a definição da Comissão Européia, que considera floresta tudo que tem pelo menos 30% de árvores com mais de cinco metros. Essa restrição não é considerada muito preocupante para o Brasil, porque vegetação com densidade maior não passaria em outro critério.
Para serem enquadrados nas exigências de sustentabilidade e combate ao aquecimento, os biocombustíveis têm de garantir um mínimo de redução de efeito de gases estufa. Assim, a exigência estabelecida é que o álcool tem de reduzir as emissões em 35% ou mais quando comparado à gasolina, passando para 50% em 2017. As fábricas novas que entrarem em operação a partir de 2018 terão de reduzir as emissões em 60%.
Para o etanol brasileiro, é algo tranqüilo, pois no mínimo o produto reduz as emissões em 70% - o percentual pode chegar a 90% -, segundo especialistas. A situação muda para o biodiesel de soja.
Outra preocupação envolvia restrições sobre mudança de uso da terra para biodiversidade. O Parlamento queria deixar em aberto a possibilidade de incluir novas exigências. Agora, a redação final veta a produção de etanol em áreas de de alto valor para biodiversidade, como florestas primárias, pradarias e parques nacionais.
Ponto igualmente sensível e combatido pelo Brasil envolvia o efeito indireto do biocombustível por mudanças no uso da terra. Alguns deputados europeus consideram que a produção de etanol no Nordeste brasileiro, por exemplo, escasseia a terra para produzir alimentos e leva agricultores a desmatar a Amazônia. Dessa forma, o cálculo da eficiência ambiental do etanol importado do Brasil teria que incluir o volume de emissões de gases estufa no desmatamento da Amazônia, mesmo se não foi para produzir biocombustível.
Agora, foi aprovada uma sugestão para que a Comissão Européia apresente um relatório em 2010 primeiro analisando se o problema é importante e como lidar come ele, sem pré-julgamentos.
Com relação a critérios sociais na produção de biocombustíveis, o Parlamento queria introduzir uma lista enorme de exigências. O acordo podou boa parte. Sobraram duas exigências. Uma da Comissão Européia, que vai ter de analisar o impacto da produção de biocombustíveis - posse da terra, preços dos alimentos, condições de trabalho - a cada dois anos tanto nos países exportadores como nos países-membros do próprio bloco.
Nesse caso, o relatório deve indicar se os países exportadores ratificaram as principais convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Só uma o Brasil não ratificou, sobre unicidade sindical. A Constituição brasileira estabelece que um município só pode ter um sindicato para uma categoria.
A Comissão Européia também deve relatar o impacto dos biocombustíveis em outros aspectos ambientais - água, solos e poluição do ar, queimada de canaviais na região etc. Para os brasileiros, isso é inofensivo comparado ao que os ambientalistas queriam.
Em contrapartida, o segundo relatório detalhado sobre critérios sociais deve vir dos produtores do combustível. Uma usina de álcool em Sao Paulo vai ter de explicar ponto por ponto se respeita - e como - as condições de trabalho. Resta uma cláusula atenuante, pela qual a Comissão Européia pode determinar quais informações são realmente relevantes.
Por um acordo na Rodada Doha, o Brasil terá entre 4% e 10% do mercado de etanol europeu ao longo de sete anos. Com regras claras de sustentabilidade, fica difícil para a UE dar com uma mão (as cotas) e tirar com a outra (por meio de exigências duras). Atualmente, o Brasil já tem 70% do mercado do velho continente. Com critérios de sustentabilidade considerados equilibrados, a tendência é de o comércio ter previsibilidade.
O diálogo do Brasil com a Comissão Européia é bom, comparado às dificuldades com o Parlamento. Uma recente reação do Brasil e outros seis países, que chegaram a ameaçar denunciar a UE na Organização Mundial do Comércio (OMC), teve efeito no acordo final, acreditam técnicos.
Na prática, as duas diretivas européias - de energias renováveis e qualidade de carburantes - são centrais para o desenvolvimento da política européia para o biocombustível e para o projeto do Brasil de tornar o etanol uma commodity global. O problema agora é nos Estados Unidos, com os planos da futura administração de Barack Obama de supostamente reduzir os subsídios para a produção americana.
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