Juliano Basile, de Brasília
18/12/2008
Fonte: Valoronline
Apesar de um aumento geral nos índices de desmatamento na Amazônia, houve um recuo nos municípios considerados de atuação prioritária pelo governo. Ao todo, o desmatamento aumentou 4% na Amazônia, mas, nestes municípios houve redução de 7%.
A conclusão é de estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e aponta para a possibilidade de reduções efetivas nos índices de desmatamento.
As áreas prioritárias de combate ao desmatamento foram definidas pelo governo no Decreto nº 6.321, de 21 de dezembro de 2007. A partir dessa definição, o Ministério Público fez uma lista de municípios e passou a intensificar as ações de controle. Agora, o Ipam verificou que essa atuação cirúrgica está dando resultados numa região em que o crescimento do desmatamento é cada vez maior.
Na Amazônia como um todo aumentou 4% o desmatamento. Mas, nos "locais de controle", houve redução e esses eram pontos críticos, onde a regra era o aumento na devastação ambiental.
Além de fixar os locais prioritários de combate ao desmatamento, o decreto determinou o recadastramento dos imóveis rurais. Essa foi uma importante medida de controle, afirmou o advogado André Lima, um dos autores do estudo do Ipam, pois implicou um aumento da regularização da área. Segundo ele, os proprietários de terras possuem um incentivo para o recadastramento, já que esse é um pré-requisito para a obtenção de crédito agrícola. Outra medida importante foi a de tornar os compradores de produtos agropecuários co-responsáveis nos casos em que os negócios são firmados com donos de imóveis embargados.
Lima, adverte, porém, que o decreto "é apenas parte dos instrumentos necessários à manutenção da queda consistente do desmatamento na região". "O grande desafio para os órgãos públicos, privados e sociedade como um todo é o amplo investimento do desenvolvimento e implantação de alternativas econômicas capazes de atribuir valor efetivo à floresta em pé", disse o advogado.
Desde que o Brasil assinou a Convenção do Clima, há 16 anos, foram desmatados na Amazônia aproximadamente 279,8 mil km2 - o equivalente à emissão de 4,2 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera. Isso representa duas vezes o compromisso de redução de emissões de gases firmado pelos países que assinaram a Convenção durante o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto, entre este ano e 2012.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Paralisia de UE e EUA põe emergentes à frente dos debates climáticos
Daniela Chiaretti, de Poznan, na Polônia
12/12/2008
Fonte: Valoronline
A conferência do clima de Poznan chega ao último dia marcada pela liderança de países em desenvolvimento e pela apatia da União Européia, que era protagonista no processo, mas que na Polônia se manteve na retaguarda. A exceção entre os mais ricos e industrializados foi o Reino Unido e a Noruega.
Ontem, Ed Miliband, ministro de Energia e Mudança Climática do Reino Unido, anunciou que vai contribuir com 100 milhões de libras para ajudar no combate ao desmatamento no mundo. O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim, propôs uma modalidade nova para ajudar a levantar recursos para as nações mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas e que poderia significar US$ 15 a US$ 25 bilhões anuais. O mecanismo tem a ver com o leilão de uma parte (2%) dos créditos de carbono em carteira nos países industrializados.
O problema é que são ações isoladas. A paralisia da UE tem a ver com a crise econômica, com o aguardar dos passos do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e com a definição hoje da estratégia energética energética e ambiental do bloco. "As decisões que estão sendo tomadas pelos líderes europeus em Bruxelas são de grande impacto para o mundo inteiro", disse na abertura da reunião ministerial o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon.
A principal frustração é que não houve avanços na discussão de metas de redução de gases-estufa para o pós-2012, quando termina o segundo período do Protocolo de Kyoto. "O que precisamos, hoje, é de liderança, a liderança de vocês", prosseguiu Ki-Moon, citando a UE e os EUA. Elencou depois os esforços que vem sendo feito por China, Índia e Brasil, "que está construindo uma das economias mais verdes do mundo".
Os países em desenvolvimento exibiram em Poznan seus planos nacionais de redução de emissões, introdução de renováveis na matriz energética ou, como fez o Brasil, planos para reduzir o desmatamento. "Os países mais ricos devem cumprir suas obrigações financeiras, nos termos de Bali, para apoiar mudanças tecnológicas, redução do desmatamento e substituição de fontes sujas de energia nos países em desenvolvimento", cobrou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele anunciou a idéia da formação de uma Aliança Tecnológica de Inovações Antiaquecimento, uma espécie de centro de transferência de tecnologia mundial com recursos para pagar quem criar inovações tecnológicas contra a mudança climática.
A idéia parece mirabolante, mas há outras mais estruturadas nas sugestões de transferência de tecnologia feitas pelos países do G-77 mais a China. Uma delas é a criação de um centro regional de tecnologia, que seria de domínio público. Há sugestões de como lidar com a propriedade intelectual para facilitar o acesso de países carentes de tecnologias limpas e soluções inovadoras. Uma idéia é seguir o dispositivo que flexibiliza patentes em caso de crise na área de saúde.
"A transferência de tecnologia é um tema central neste debate e há várias convergências neste ponto", diz o chefe dos negociadores brasileiros Luiz Alberto Figueiredo Machado. "Mas, como se vai lidar com isso, ainda não está resolvido".
Para Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção da ONU de Mudanças Climáticas, Poznan "alcançou seu objetivo". "Esta é uma conferência de trabalho, não de momentos espetaculares." Ainda ontem havia pendências importantes. A execução do Fundo de Adaptação seguia sem consenso, assim como a revisão do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
O documento final de Poznan, reunindo todas as propostas existentes até agora, deve sair hoje ou amanhã. Ele será a base do acordo de Copenhague, mais enxuto, que deve surgir até junho de 2009.
12/12/2008
Fonte: Valoronline
A conferência do clima de Poznan chega ao último dia marcada pela liderança de países em desenvolvimento e pela apatia da União Européia, que era protagonista no processo, mas que na Polônia se manteve na retaguarda. A exceção entre os mais ricos e industrializados foi o Reino Unido e a Noruega.
Ontem, Ed Miliband, ministro de Energia e Mudança Climática do Reino Unido, anunciou que vai contribuir com 100 milhões de libras para ajudar no combate ao desmatamento no mundo. O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim, propôs uma modalidade nova para ajudar a levantar recursos para as nações mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas e que poderia significar US$ 15 a US$ 25 bilhões anuais. O mecanismo tem a ver com o leilão de uma parte (2%) dos créditos de carbono em carteira nos países industrializados.
O problema é que são ações isoladas. A paralisia da UE tem a ver com a crise econômica, com o aguardar dos passos do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e com a definição hoje da estratégia energética energética e ambiental do bloco. "As decisões que estão sendo tomadas pelos líderes europeus em Bruxelas são de grande impacto para o mundo inteiro", disse na abertura da reunião ministerial o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon.
A principal frustração é que não houve avanços na discussão de metas de redução de gases-estufa para o pós-2012, quando termina o segundo período do Protocolo de Kyoto. "O que precisamos, hoje, é de liderança, a liderança de vocês", prosseguiu Ki-Moon, citando a UE e os EUA. Elencou depois os esforços que vem sendo feito por China, Índia e Brasil, "que está construindo uma das economias mais verdes do mundo".
Os países em desenvolvimento exibiram em Poznan seus planos nacionais de redução de emissões, introdução de renováveis na matriz energética ou, como fez o Brasil, planos para reduzir o desmatamento. "Os países mais ricos devem cumprir suas obrigações financeiras, nos termos de Bali, para apoiar mudanças tecnológicas, redução do desmatamento e substituição de fontes sujas de energia nos países em desenvolvimento", cobrou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele anunciou a idéia da formação de uma Aliança Tecnológica de Inovações Antiaquecimento, uma espécie de centro de transferência de tecnologia mundial com recursos para pagar quem criar inovações tecnológicas contra a mudança climática.
A idéia parece mirabolante, mas há outras mais estruturadas nas sugestões de transferência de tecnologia feitas pelos países do G-77 mais a China. Uma delas é a criação de um centro regional de tecnologia, que seria de domínio público. Há sugestões de como lidar com a propriedade intelectual para facilitar o acesso de países carentes de tecnologias limpas e soluções inovadoras. Uma idéia é seguir o dispositivo que flexibiliza patentes em caso de crise na área de saúde.
"A transferência de tecnologia é um tema central neste debate e há várias convergências neste ponto", diz o chefe dos negociadores brasileiros Luiz Alberto Figueiredo Machado. "Mas, como se vai lidar com isso, ainda não está resolvido".
Para Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção da ONU de Mudanças Climáticas, Poznan "alcançou seu objetivo". "Esta é uma conferência de trabalho, não de momentos espetaculares." Ainda ontem havia pendências importantes. A execução do Fundo de Adaptação seguia sem consenso, assim como a revisão do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
O documento final de Poznan, reunindo todas as propostas existentes até agora, deve sair hoje ou amanhã. Ele será a base do acordo de Copenhague, mais enxuto, que deve surgir até junho de 2009.
Produção de biocombustíveis deve crescer menos em 2009
Assis Moreira, de Genebra
12/12/2008
Fonte: Valoronline
O ritmo de crescimento da produção global de biocombustíveis (etanol e biodiesel) terá uma forte desaceleração em 2009, de acordo com projeções da Agência Internacional de Energia (AIE), que reúne os países industrializados.
Entre 2007 e 2008, o aumento da produção de biocombustível foi de 77,9%, passando do equivalente a 204 mil barris diários de petróleo para 363 mil. Para 2009, a produção está projetada em 335 mil barris por dia, uma retração de 7,7% na comparação com este ano.
A AIE vem destacando que a oferta de etanol e biodiesel é crítica para complementar a produção de petróleo. Os biocombustíveis em meados do ano representavam 50% do combustível extra chegando no mercado mundial de fontes fora do cartel da Opep.
Ocorre que, com a crise financeira, parte da capacidade adicional para etanol e biodiesel tem dificuldades para ser concretizada. Além disso, há problemas de matéria-prima disponível, e persistem as preocupações com eventuais altas do preço dos alimentos.
A Iata, entidade que reúne 240 empresas aéreas internacionais, tem um projeto que estimula a utilização nos aviões de combustível alternativo. O objetivo é chegar a 20% do total até 2017.
Etanol está fora de questão, por problemas técnicos. Mas o pinhão manso é uma das fontes, inclusive já utilizada em testes. O problema é a pouca garantia de produção suficiente.
A AIE diz que, de toda maneira, em 2009 a produção global de biocombustíveis e a produção de petróleo de Brasil, Azerbaijão, "Australásia" e China compensarão a baixa no resto do mundo, especialmente do Mar do Norte, do México e da Rússia.
12/12/2008
Fonte: Valoronline
O ritmo de crescimento da produção global de biocombustíveis (etanol e biodiesel) terá uma forte desaceleração em 2009, de acordo com projeções da Agência Internacional de Energia (AIE), que reúne os países industrializados.
Entre 2007 e 2008, o aumento da produção de biocombustível foi de 77,9%, passando do equivalente a 204 mil barris diários de petróleo para 363 mil. Para 2009, a produção está projetada em 335 mil barris por dia, uma retração de 7,7% na comparação com este ano.
A AIE vem destacando que a oferta de etanol e biodiesel é crítica para complementar a produção de petróleo. Os biocombustíveis em meados do ano representavam 50% do combustível extra chegando no mercado mundial de fontes fora do cartel da Opep.
Ocorre que, com a crise financeira, parte da capacidade adicional para etanol e biodiesel tem dificuldades para ser concretizada. Além disso, há problemas de matéria-prima disponível, e persistem as preocupações com eventuais altas do preço dos alimentos.
A Iata, entidade que reúne 240 empresas aéreas internacionais, tem um projeto que estimula a utilização nos aviões de combustível alternativo. O objetivo é chegar a 20% do total até 2017.
Etanol está fora de questão, por problemas técnicos. Mas o pinhão manso é uma das fontes, inclusive já utilizada em testes. O problema é a pouca garantia de produção suficiente.
A AIE diz que, de toda maneira, em 2009 a produção global de biocombustíveis e a produção de petróleo de Brasil, Azerbaijão, "Australásia" e China compensarão a baixa no resto do mundo, especialmente do Mar do Norte, do México e da Rússia.
CTNBio aprova milho transgênico de 2ª geração
De São Paulo
12/12/2008
Fonte: Valoronline
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na quinta-feira a liberação comercial da primeira variedade de milho transgênico de segunda geração - com dois genes alterados. A variedade geneticamente modificada é resistente à lagarta do cartucho, uma das principais pragas do milho, e tolerante ao glufosinato de amônio. Desenvolvida pela DuPont do Brasil - Divisão Pioneer Sementes e Dow AgroSciences, ela aguardava a liberação desde dezembro de 2006.
Foi o oitavo pedido de liberação comercial autorizado pela CTNBio neste ano, e a terceira aprovação de semente de milho transgênico concedida no ano.
"A diferença em relação às variedades aprovadas anteriormente é a capacidade de resistência ao inseto e ao herbicida em uma única planta", afirmou ontem Walter Colli, presidente da CTNBio. É o que, no jargão técnico, chama-se "evento piramidado".
Na última reunião do ano, a comissão ainda aprovou outros 15 solicitações de liberação planejada no ambiente (pesquisa). Com isso, o órgão fecha o ano com 122 pedidos de pesquisas aprovados, superando as 83 autorizações concedidas em 2007. Entre um ano e outro, as liberações comerciais também subiram de três para oito, informou o órgão.
Segundo Colli, a guinada nas aprovações para pesquisa e comercialização neste ano pode ser explicada pela renovação do corpo técnico que compõe a CTNBio. São 27 integrantes - 12 indicados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia -, cujos cargos expiram a cada dois anos. "Houve uma forte renovação em dezembro de 2007 e a nova comissão teve mais fluidez", diz Colli. "Ao ano de 2007 havia sido o do resquício, do que sobrou da briga de 2006", acrescenta, referindo-ao ao período turbulento de embates entre defensores e opositores dos alimentos transgênicos no país. O embate resultou em nenhuma liberação comercial em 2006.
O tempo médio de análise dos pedidos também diminuiu. Colli destaca que o prazo de análise que foi de nove anos - como ocorreu com um pedido que deu entrada em 1998 e só foi aprovado em 2008 - foi reduzido para dois anos, como ocorreu com a solicitação aprovada ontem, protocolada em dezembro de 2006.
Para 2009, ele prevê debates acalorados com o possível protocolo de variedades de cana, eucalipto e microorganismos transgênicos. Por serem pesquisas inéditas, não há literatura disponível para comparação, como no caso da soja, do milho e do algodão.
"Como é que faz a liberação planejada de um microorganismo modificado usado para biorremediação? Nem eu sei a resposta", disse. "Vai ser uma inundação de pedidos e muita discussão".
Entre esses microorganismos pesquisados há, por exemplo, bactérias que retiram metais pesados da água, útil no caso de vazamentos de navios. E também leveduras que produzem o diesel. "Estamos inovando e elevando o Brasil para o primeiro mundo nas pesquisas", diz Collin. (BB)
12/12/2008
Fonte: Valoronline
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na quinta-feira a liberação comercial da primeira variedade de milho transgênico de segunda geração - com dois genes alterados. A variedade geneticamente modificada é resistente à lagarta do cartucho, uma das principais pragas do milho, e tolerante ao glufosinato de amônio. Desenvolvida pela DuPont do Brasil - Divisão Pioneer Sementes e Dow AgroSciences, ela aguardava a liberação desde dezembro de 2006.
Foi o oitavo pedido de liberação comercial autorizado pela CTNBio neste ano, e a terceira aprovação de semente de milho transgênico concedida no ano.
"A diferença em relação às variedades aprovadas anteriormente é a capacidade de resistência ao inseto e ao herbicida em uma única planta", afirmou ontem Walter Colli, presidente da CTNBio. É o que, no jargão técnico, chama-se "evento piramidado".
Na última reunião do ano, a comissão ainda aprovou outros 15 solicitações de liberação planejada no ambiente (pesquisa). Com isso, o órgão fecha o ano com 122 pedidos de pesquisas aprovados, superando as 83 autorizações concedidas em 2007. Entre um ano e outro, as liberações comerciais também subiram de três para oito, informou o órgão.
Segundo Colli, a guinada nas aprovações para pesquisa e comercialização neste ano pode ser explicada pela renovação do corpo técnico que compõe a CTNBio. São 27 integrantes - 12 indicados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia -, cujos cargos expiram a cada dois anos. "Houve uma forte renovação em dezembro de 2007 e a nova comissão teve mais fluidez", diz Colli. "Ao ano de 2007 havia sido o do resquício, do que sobrou da briga de 2006", acrescenta, referindo-ao ao período turbulento de embates entre defensores e opositores dos alimentos transgênicos no país. O embate resultou em nenhuma liberação comercial em 2006.
O tempo médio de análise dos pedidos também diminuiu. Colli destaca que o prazo de análise que foi de nove anos - como ocorreu com um pedido que deu entrada em 1998 e só foi aprovado em 2008 - foi reduzido para dois anos, como ocorreu com a solicitação aprovada ontem, protocolada em dezembro de 2006.
Para 2009, ele prevê debates acalorados com o possível protocolo de variedades de cana, eucalipto e microorganismos transgênicos. Por serem pesquisas inéditas, não há literatura disponível para comparação, como no caso da soja, do milho e do algodão.
"Como é que faz a liberação planejada de um microorganismo modificado usado para biorremediação? Nem eu sei a resposta", disse. "Vai ser uma inundação de pedidos e muita discussão".
Entre esses microorganismos pesquisados há, por exemplo, bactérias que retiram metais pesados da água, útil no caso de vazamentos de navios. E também leveduras que produzem o diesel. "Estamos inovando e elevando o Brasil para o primeiro mundo nas pesquisas", diz Collin. (BB)
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Usina de lixo só sai do papel se gerar energia
De Paris e Bordeaux
11/12/2008
Fonte: Valonline
A França produz 850 milhões de toneladas de lixo por ano. O que pode parecer um problema - como o de dar fim a toda essa quantidade de resíduos - surge como uma nova alternativa de produção de energia. A partir da incineração dos dejetos, o país tem ensinado ao mundo que até o que vai para a lixeira pode ter reuso garantido.
Com mais de cem incineradores de detritos urbanos caseiros, os franceses fazem aproveitamento energético a partir do lixo há 20 anos e, desde os anos 1990, qualquer usina incineradora só sai do papel se produzir energia. Com a mudança, do total de unidades transformadoras em funcionamento, 80% já apresentam exploração de energia e até 15% da força produzida vai para a rede de distribuição doméstica.
"80% da energia que sai da nossa usina é vendida para distribuidoras regionais e 20% são usados internamente", garante Sandrine Catteau, responsável pela área de relações externas do Centro de Valorização de Dejetos de Esiane, que pertence à gigante francesa Suez Environnement, dona de uma faturamento de 12 bilhões euros e operações em 12 países.
O centro, resultado de um investimento de 90 milhões de euros, usa o lixo de 420 mil habitantes de 263 comunidades francesas para produzir energia elétrica por meio da incineração. Localizado em Villers-Saint-Paul, a 62 km da capital francesa, ficou famoso pelo modelo de recuperação do lixo urbano, principalmente pelas inovações no transporte dos dejetos das residências para a usina.
Aberta em 2004, a unidade opera com 22 mil toneladas de dejetos por ano e produz o equivalente energético a 44 mil barris de petróleo anuais. "Depois de serem coletados pelos caminhões nas ruas, os resíduos chegam à usina de trem, o que elimina 220 veículos nas estradas", explica o diretor do centro, Denis Laverre.
Segundo o executivo, 98% dos detritos, a maioria plástico e papelão coletados em residências e hospitais, são valorizados. O forno da empresa funciona 24 horas e tem capacidade para queimar 10 toneladas de material por hora. A produção energética anual pode chegar a 39,2 mil megawatts/ano, o suficiente para abastecer 21,2 mil residências.
Segundo Jean-Claude Oppeneau, ex-diretor do Ministério do Meio Ambiente francês e consultor da L´Agence de l´Environnement et de Maitrise de l'Energie-Ademe (Agência do Meio Ambiente e da Matriz Energética), empresa pública de pesquisa sobre o desenvolvimento sustentável, ligada ao Ministério da Ecologia, o país tem 123 incineradores de lixo urbano caseiro e 16 unidades para eliminar dejetos industriais tóxicos. "A incineração só é permitida se gerar energia", garante.
O aproveitamento energético a partir do lixo existe na França há 20 anos e, desde os anos 1990, qualquer incinerador só pode ser construído se tiver esse fim.
Apesar da utilização do lixo como fonte de energia, a França também quer reduzir a produção de dejetos em até 5% por ano. Segundo Oppeneau, um cidadão francês produz 360 kg de lixo, anualmente. "Vamos investir em programas de educação para reduzir a compra de produtos embalados e aumentar a reciclagem dos invólucros", garante.
Em 2004, o país conseguiu recuperar 24% das embalagens jogadas no lixo. A idéia é aumentar a taxa de reciclagem para 35%, em 2012, e 40% em 2015. Com isso, deve diminuir a quantidade de resíduos que segue para os aterros em 15% até 2012. Hoje, 50% do material acumulado nos depósitos sanitários vem da agropecuária, 40% do setor da construção civil e 10% são restos industriais não tóxicos.
Na região de Bordeaux, famosa pela produção de vinhos, o Grupo Péna também trabalha com métodos de reutilização do lixo. A empresa recicla lodos urbanos, resíduos industriais e domésticos e obtém uma nova matéria-prima usada na agricultura como fertilizante, principalmente em culturas como milho, trigo e girassol.
A técnica adotada pela empresa é a compostagem, processo biológico em que microrganismos transformam madeira, folhas e papelão em um material semelhante ao solo, chamado de composto, que pode ser utilizado como adubo.
A companhia descobriu que o material, que tem a propriedade de reter a água no solo, está reduzindo o uso do líquido nas plantações da região em até 30%. Já o aumento da produção nas propriedades foi de até 2%. "É possível ver o resultado depois de três anos de utilização do produto", garante Marc Péna, presidente da empresa, que abriu uma filial em Curitiba (PR) para fechar negócios no Brasil. O composto para a agricultura foi o primeiro do gênero a ser aprovado pelo Ministério da Agricultura francês, em 2004.
Segundo o gerente de projetos da companhia, Philippe Lorthios, para produzir 800 toneladas mensais do composto, é preciso reciclar até 1,6 mil toneladas de lixo por mês. O período de fermentação, que utiliza fornos com temperaturas de até 75° C, dura uma semana. Este ano, já foram vendidas 12 mil toneladas do composto, principalmente para 200 agricultores e cooperativas da região de Bordeaux. Até o campo de golfe da cidade usa o material para adubar os gramados de competição. A tonelada do produto custa de 15 euros a 20 euros. (J.S.)
11/12/2008
Fonte: Valonline
A França produz 850 milhões de toneladas de lixo por ano. O que pode parecer um problema - como o de dar fim a toda essa quantidade de resíduos - surge como uma nova alternativa de produção de energia. A partir da incineração dos dejetos, o país tem ensinado ao mundo que até o que vai para a lixeira pode ter reuso garantido.
Com mais de cem incineradores de detritos urbanos caseiros, os franceses fazem aproveitamento energético a partir do lixo há 20 anos e, desde os anos 1990, qualquer usina incineradora só sai do papel se produzir energia. Com a mudança, do total de unidades transformadoras em funcionamento, 80% já apresentam exploração de energia e até 15% da força produzida vai para a rede de distribuição doméstica.
"80% da energia que sai da nossa usina é vendida para distribuidoras regionais e 20% são usados internamente", garante Sandrine Catteau, responsável pela área de relações externas do Centro de Valorização de Dejetos de Esiane, que pertence à gigante francesa Suez Environnement, dona de uma faturamento de 12 bilhões euros e operações em 12 países.
O centro, resultado de um investimento de 90 milhões de euros, usa o lixo de 420 mil habitantes de 263 comunidades francesas para produzir energia elétrica por meio da incineração. Localizado em Villers-Saint-Paul, a 62 km da capital francesa, ficou famoso pelo modelo de recuperação do lixo urbano, principalmente pelas inovações no transporte dos dejetos das residências para a usina.
Aberta em 2004, a unidade opera com 22 mil toneladas de dejetos por ano e produz o equivalente energético a 44 mil barris de petróleo anuais. "Depois de serem coletados pelos caminhões nas ruas, os resíduos chegam à usina de trem, o que elimina 220 veículos nas estradas", explica o diretor do centro, Denis Laverre.
Segundo o executivo, 98% dos detritos, a maioria plástico e papelão coletados em residências e hospitais, são valorizados. O forno da empresa funciona 24 horas e tem capacidade para queimar 10 toneladas de material por hora. A produção energética anual pode chegar a 39,2 mil megawatts/ano, o suficiente para abastecer 21,2 mil residências.
Segundo Jean-Claude Oppeneau, ex-diretor do Ministério do Meio Ambiente francês e consultor da L´Agence de l´Environnement et de Maitrise de l'Energie-Ademe (Agência do Meio Ambiente e da Matriz Energética), empresa pública de pesquisa sobre o desenvolvimento sustentável, ligada ao Ministério da Ecologia, o país tem 123 incineradores de lixo urbano caseiro e 16 unidades para eliminar dejetos industriais tóxicos. "A incineração só é permitida se gerar energia", garante.
O aproveitamento energético a partir do lixo existe na França há 20 anos e, desde os anos 1990, qualquer incinerador só pode ser construído se tiver esse fim.
Apesar da utilização do lixo como fonte de energia, a França também quer reduzir a produção de dejetos em até 5% por ano. Segundo Oppeneau, um cidadão francês produz 360 kg de lixo, anualmente. "Vamos investir em programas de educação para reduzir a compra de produtos embalados e aumentar a reciclagem dos invólucros", garante.
Em 2004, o país conseguiu recuperar 24% das embalagens jogadas no lixo. A idéia é aumentar a taxa de reciclagem para 35%, em 2012, e 40% em 2015. Com isso, deve diminuir a quantidade de resíduos que segue para os aterros em 15% até 2012. Hoje, 50% do material acumulado nos depósitos sanitários vem da agropecuária, 40% do setor da construção civil e 10% são restos industriais não tóxicos.
Na região de Bordeaux, famosa pela produção de vinhos, o Grupo Péna também trabalha com métodos de reutilização do lixo. A empresa recicla lodos urbanos, resíduos industriais e domésticos e obtém uma nova matéria-prima usada na agricultura como fertilizante, principalmente em culturas como milho, trigo e girassol.
A técnica adotada pela empresa é a compostagem, processo biológico em que microrganismos transformam madeira, folhas e papelão em um material semelhante ao solo, chamado de composto, que pode ser utilizado como adubo.
A companhia descobriu que o material, que tem a propriedade de reter a água no solo, está reduzindo o uso do líquido nas plantações da região em até 30%. Já o aumento da produção nas propriedades foi de até 2%. "É possível ver o resultado depois de três anos de utilização do produto", garante Marc Péna, presidente da empresa, que abriu uma filial em Curitiba (PR) para fechar negócios no Brasil. O composto para a agricultura foi o primeiro do gênero a ser aprovado pelo Ministério da Agricultura francês, em 2004.
Segundo o gerente de projetos da companhia, Philippe Lorthios, para produzir 800 toneladas mensais do composto, é preciso reciclar até 1,6 mil toneladas de lixo por mês. O período de fermentação, que utiliza fornos com temperaturas de até 75° C, dura uma semana. Este ano, já foram vendidas 12 mil toneladas do composto, principalmente para 200 agricultores e cooperativas da região de Bordeaux. Até o campo de golfe da cidade usa o material para adubar os gramados de competição. A tonelada do produto custa de 15 euros a 20 euros. (J.S.)
Marcadores:
ENERGIA,
RECICLAGEM
Reunião climática da ONU expõe divergências entre ricos e pobres
Daniela Chiaretti, de Poznan
11/12/2008
Fonte: Valoronline
A parte ministerial da conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que ocorre na Polônia, começa em clima de embate entre ricos e pobres. Os países industrializados, que deveriam ter acertado as novas metas de redução de emissões de gases-estufa para depois de 2012, estão longe de chegar a uma decisão. Outro impasse gira em torno ao acesso ao Fundo de Adaptação, o dinheiro necessário para que os mais pobres, e que são os que mais sofrem o impacto do aquecimento global, possam se ajustar ao fenômeno.
O bloco dos países em desenvolvimento, reunidos no G-77 mais a China, quer que as novas metas de emissão para os países ricos sigam a recomendação do IPCC, o braço científico da ONU, e sejam algo entre 25% a 40% em 2020, sobre os níveis de 1990. Assim, acredita-se, a temperatura do planeta não subiria mais que 2°C no século.
Mas as nações industrializadas, que sequer conseguem cumprir o corte de 5% das emissões, meta que vigora agora pelo Protocolo de Kyoto, não se acertam com os novos números. A União Européia anuncia cortes de 20% em 2020, e é a proposta mais arrojada. O Canadá assinou Kyoto, mas é o único país a dizer claramente que não cumprirá as metas; suas emissões, ao invés de caírem, cresceram 14%. A maioria aguarda o que fará o nova governo de Barack Obama. Ele diz que pretende chegar a 2020 com os níveis de emissão de 1990. É um avanço para os EUA, mas está muito aquém do necessário.
"As nações ricas não estão estabelecendo novas metas [para si] e cobram ações dos países em desenvolvimento", diz a ambientalista Tasneem Essop, da WWW-África do Sul. Ela diz que muito tem sido feito por estes países, que estão contribuindo para a solução do problema. A China, por exemplo, quase alcançou a meta de ter 10% de energias renováveis na sua matriz em 2010 e pode chegar a 20%. O plano nacional de mudanças climáticas da Índia prevê a retirada de 10 mil MW gerados em velhas termoelétricas a carvão em 2017.
"A idéia que as nações em desenvolvimento não estão contribuindo para a solução do problema não poderia estar mais longe da verdade", disse Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção de Mudanças Climáticas. "O que eles dizem é que para ir adiante têm que ter financiamento, tecnologia e capacitação, e isso têm que vir dos [países] industrializados."
Dificilmente esta pendência terá solução em Poznan. "Hoje, com a crise financeira, é difícil (...) pedir dinheiro para mudanças climáticas", reconhece Boer.
Sobre a outra aresta que os ministros terão de aparar, o acesso ao Fundo de Adaptação, ele está otimismo. "O copo está 4/5 cheio."
Adaptação é um termo amplo que define ações necessárias para os países enfrentarem as mudanças climáticas. Podem ser diques e barragens na Holanda ou abrigos em Bangladesh. O fundo foi acertado na conferência passada, em Bali, em 2007. Ele é financiado com 2% dos recursos provenientes dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, os MDL, um sistema pelo qual os países ricos, com obrigações de reduzir emissões, investem em projetos de tecnologia limpa em países em desenvolvimento, e ganham créditos para emitir carbono por isso.
Só que o fundo é muito tímido, tem hoje algo próximo a US$ 70 milhões e deveria, segundo algumas estimativas, ser de US$ 70 bilhões anuais para dar conta do recado. Quem administra o dinheiro é o GEF, um braço do Banco Mundial, que os países em desenvolvimento consideram burocrático e pouco ágil. É este um dos pontos polêmicos. A demanda dos pobres é ter acesso mais fácil ao dinheiro.
O financiamento e a transferência de tecnologia é ponto fundamental que praticamente não avançou no processo, diz Luiz Alberto Figueiredo Machado, o chefe dos negociadores brasileiros. Este assunto, certamente, só será definido em 2009, em Copenhague.
Outra pendência esconde uma forte briga de interesses sobre uma tecnologia que ainda engatinha e que interessa muito aos países produtores de petróleo e carvão - a chamada CCS (na sigla em inglês), Captura e Seqüestro de Carbono. A Arábia Saudita quer que os CCS se beneficiem dos créditos de carbono. O Brasil e outros países se opõem, pois temem que toda a verba desse crédito migre para países de matriz energética suja.
A jornalista viajou a Poznan com bolsa da Climate Change Media Partnership
Notícias Relacionadas
- Brasil deve receber verba do Bird para adaptação
11/12/2008
Fonte: Valoronline
A parte ministerial da conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que ocorre na Polônia, começa em clima de embate entre ricos e pobres. Os países industrializados, que deveriam ter acertado as novas metas de redução de emissões de gases-estufa para depois de 2012, estão longe de chegar a uma decisão. Outro impasse gira em torno ao acesso ao Fundo de Adaptação, o dinheiro necessário para que os mais pobres, e que são os que mais sofrem o impacto do aquecimento global, possam se ajustar ao fenômeno.
O bloco dos países em desenvolvimento, reunidos no G-77 mais a China, quer que as novas metas de emissão para os países ricos sigam a recomendação do IPCC, o braço científico da ONU, e sejam algo entre 25% a 40% em 2020, sobre os níveis de 1990. Assim, acredita-se, a temperatura do planeta não subiria mais que 2°C no século.
Mas as nações industrializadas, que sequer conseguem cumprir o corte de 5% das emissões, meta que vigora agora pelo Protocolo de Kyoto, não se acertam com os novos números. A União Européia anuncia cortes de 20% em 2020, e é a proposta mais arrojada. O Canadá assinou Kyoto, mas é o único país a dizer claramente que não cumprirá as metas; suas emissões, ao invés de caírem, cresceram 14%. A maioria aguarda o que fará o nova governo de Barack Obama. Ele diz que pretende chegar a 2020 com os níveis de emissão de 1990. É um avanço para os EUA, mas está muito aquém do necessário.
"As nações ricas não estão estabelecendo novas metas [para si] e cobram ações dos países em desenvolvimento", diz a ambientalista Tasneem Essop, da WWW-África do Sul. Ela diz que muito tem sido feito por estes países, que estão contribuindo para a solução do problema. A China, por exemplo, quase alcançou a meta de ter 10% de energias renováveis na sua matriz em 2010 e pode chegar a 20%. O plano nacional de mudanças climáticas da Índia prevê a retirada de 10 mil MW gerados em velhas termoelétricas a carvão em 2017.
"A idéia que as nações em desenvolvimento não estão contribuindo para a solução do problema não poderia estar mais longe da verdade", disse Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção de Mudanças Climáticas. "O que eles dizem é que para ir adiante têm que ter financiamento, tecnologia e capacitação, e isso têm que vir dos [países] industrializados."
Dificilmente esta pendência terá solução em Poznan. "Hoje, com a crise financeira, é difícil (...) pedir dinheiro para mudanças climáticas", reconhece Boer.
Sobre a outra aresta que os ministros terão de aparar, o acesso ao Fundo de Adaptação, ele está otimismo. "O copo está 4/5 cheio."
Adaptação é um termo amplo que define ações necessárias para os países enfrentarem as mudanças climáticas. Podem ser diques e barragens na Holanda ou abrigos em Bangladesh. O fundo foi acertado na conferência passada, em Bali, em 2007. Ele é financiado com 2% dos recursos provenientes dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, os MDL, um sistema pelo qual os países ricos, com obrigações de reduzir emissões, investem em projetos de tecnologia limpa em países em desenvolvimento, e ganham créditos para emitir carbono por isso.
Só que o fundo é muito tímido, tem hoje algo próximo a US$ 70 milhões e deveria, segundo algumas estimativas, ser de US$ 70 bilhões anuais para dar conta do recado. Quem administra o dinheiro é o GEF, um braço do Banco Mundial, que os países em desenvolvimento consideram burocrático e pouco ágil. É este um dos pontos polêmicos. A demanda dos pobres é ter acesso mais fácil ao dinheiro.
O financiamento e a transferência de tecnologia é ponto fundamental que praticamente não avançou no processo, diz Luiz Alberto Figueiredo Machado, o chefe dos negociadores brasileiros. Este assunto, certamente, só será definido em 2009, em Copenhague.
Outra pendência esconde uma forte briga de interesses sobre uma tecnologia que ainda engatinha e que interessa muito aos países produtores de petróleo e carvão - a chamada CCS (na sigla em inglês), Captura e Seqüestro de Carbono. A Arábia Saudita quer que os CCS se beneficiem dos créditos de carbono. O Brasil e outros países se opõem, pois temem que toda a verba desse crédito migre para países de matriz energética suja.
A jornalista viajou a Poznan com bolsa da Climate Change Media Partnership
Notícias Relacionadas
- Brasil deve receber verba do Bird para adaptação
SP autoriza reajuste de 47% no preço do gás
Josette Goulart, de São Paulo
11/12/2008
Fonte: Valoronline
A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou ontem a deliberação que autoriza um reajuste de 47% no preço do gás natural para as grandes indústrias consumidoras da Gás Brasiliano, concessionária que atua no noroeste do Estado, segundo cálculos feito pela Associação Brasileira de Consumidores de Energia (Abrace). Para os consumidores residenciais, o reajuste médio autorizado é em torno de 35%. Já para o segmento industrial de pequeno porte, o reajuste pode variar de 37% a 49%, dependendo da classe de consumo definido pelo volume em metros cúbicos por mês.
O forte reajuste veio na esteira da alta do dólar que tem afetado as distribuidoras de gás. E mesmo com a queda brusca das cotações do petróleo no mercado internacional, as distribuidoras vão demorar para terem esses custos refletidos nesse novo patamar em função de uma distorção da fórmula aplicada pela Petrobras.
Esses motivos levaram inclusive a Comgás a pedir um reajuste extraordinário de energia que ainda está em análise na Arsesp. O reajuste anual da Comgás foi feito em maio, quando o dólar estava cotado a R$ 1,75 e a alta da cotação da moeda americana tem feito o caixa da empresa ser fortemente atingido. Além da distorção dos preços repassados pela Petrobras.
Essa distorção, em que cai o preço do petróleo, mas sobe o preço do gás natural, acontece por causa da fórmula que está sendo aplicada pela Petrobras. Além de ter uma parcela fixa, em média em torno de US$ 2,5 por milhão de BTU, existe uma parcela variável que leva em consideração uma cesta de óleos, indexada a uma média trimestral do preço do petróleo. Em novembro foi feito um reajuste que leva em consideração o preço do petróleo no mercado internacional dos meses de julho, agosto e setembro. Ou seja, no período em que a cotação do petróleo chegou a atingir US$ 146 o barril. Ontem, a commodity estava valendo por volta de US$ 45.
11/12/2008
Fonte: Valoronline
A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou ontem a deliberação que autoriza um reajuste de 47% no preço do gás natural para as grandes indústrias consumidoras da Gás Brasiliano, concessionária que atua no noroeste do Estado, segundo cálculos feito pela Associação Brasileira de Consumidores de Energia (Abrace). Para os consumidores residenciais, o reajuste médio autorizado é em torno de 35%. Já para o segmento industrial de pequeno porte, o reajuste pode variar de 37% a 49%, dependendo da classe de consumo definido pelo volume em metros cúbicos por mês.
O forte reajuste veio na esteira da alta do dólar que tem afetado as distribuidoras de gás. E mesmo com a queda brusca das cotações do petróleo no mercado internacional, as distribuidoras vão demorar para terem esses custos refletidos nesse novo patamar em função de uma distorção da fórmula aplicada pela Petrobras.
Esses motivos levaram inclusive a Comgás a pedir um reajuste extraordinário de energia que ainda está em análise na Arsesp. O reajuste anual da Comgás foi feito em maio, quando o dólar estava cotado a R$ 1,75 e a alta da cotação da moeda americana tem feito o caixa da empresa ser fortemente atingido. Além da distorção dos preços repassados pela Petrobras.
Essa distorção, em que cai o preço do petróleo, mas sobe o preço do gás natural, acontece por causa da fórmula que está sendo aplicada pela Petrobras. Além de ter uma parcela fixa, em média em torno de US$ 2,5 por milhão de BTU, existe uma parcela variável que leva em consideração uma cesta de óleos, indexada a uma média trimestral do preço do petróleo. Em novembro foi feito um reajuste que leva em consideração o preço do petróleo no mercado internacional dos meses de julho, agosto e setembro. Ou seja, no período em que a cotação do petróleo chegou a atingir US$ 146 o barril. Ontem, a commodity estava valendo por volta de US$ 45.
Assinar:
Postagens (Atom)
