Juliano Basile, de Brasília
18/12/2008
Fonte: Valoronline
Apesar de um aumento geral nos índices de desmatamento na Amazônia, houve um recuo nos municípios considerados de atuação prioritária pelo governo. Ao todo, o desmatamento aumentou 4% na Amazônia, mas, nestes municípios houve redução de 7%.
A conclusão é de estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e aponta para a possibilidade de reduções efetivas nos índices de desmatamento.
As áreas prioritárias de combate ao desmatamento foram definidas pelo governo no Decreto nº 6.321, de 21 de dezembro de 2007. A partir dessa definição, o Ministério Público fez uma lista de municípios e passou a intensificar as ações de controle. Agora, o Ipam verificou que essa atuação cirúrgica está dando resultados numa região em que o crescimento do desmatamento é cada vez maior.
Na Amazônia como um todo aumentou 4% o desmatamento. Mas, nos "locais de controle", houve redução e esses eram pontos críticos, onde a regra era o aumento na devastação ambiental.
Além de fixar os locais prioritários de combate ao desmatamento, o decreto determinou o recadastramento dos imóveis rurais. Essa foi uma importante medida de controle, afirmou o advogado André Lima, um dos autores do estudo do Ipam, pois implicou um aumento da regularização da área. Segundo ele, os proprietários de terras possuem um incentivo para o recadastramento, já que esse é um pré-requisito para a obtenção de crédito agrícola. Outra medida importante foi a de tornar os compradores de produtos agropecuários co-responsáveis nos casos em que os negócios são firmados com donos de imóveis embargados.
Lima, adverte, porém, que o decreto "é apenas parte dos instrumentos necessários à manutenção da queda consistente do desmatamento na região". "O grande desafio para os órgãos públicos, privados e sociedade como um todo é o amplo investimento do desenvolvimento e implantação de alternativas econômicas capazes de atribuir valor efetivo à floresta em pé", disse o advogado.
Desde que o Brasil assinou a Convenção do Clima, há 16 anos, foram desmatados na Amazônia aproximadamente 279,8 mil km2 - o equivalente à emissão de 4,2 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera. Isso representa duas vezes o compromisso de redução de emissões de gases firmado pelos países que assinaram a Convenção durante o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto, entre este ano e 2012.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Paralisia de UE e EUA põe emergentes à frente dos debates climáticos
Daniela Chiaretti, de Poznan, na Polônia
12/12/2008
Fonte: Valoronline
A conferência do clima de Poznan chega ao último dia marcada pela liderança de países em desenvolvimento e pela apatia da União Européia, que era protagonista no processo, mas que na Polônia se manteve na retaguarda. A exceção entre os mais ricos e industrializados foi o Reino Unido e a Noruega.
Ontem, Ed Miliband, ministro de Energia e Mudança Climática do Reino Unido, anunciou que vai contribuir com 100 milhões de libras para ajudar no combate ao desmatamento no mundo. O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim, propôs uma modalidade nova para ajudar a levantar recursos para as nações mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas e que poderia significar US$ 15 a US$ 25 bilhões anuais. O mecanismo tem a ver com o leilão de uma parte (2%) dos créditos de carbono em carteira nos países industrializados.
O problema é que são ações isoladas. A paralisia da UE tem a ver com a crise econômica, com o aguardar dos passos do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e com a definição hoje da estratégia energética energética e ambiental do bloco. "As decisões que estão sendo tomadas pelos líderes europeus em Bruxelas são de grande impacto para o mundo inteiro", disse na abertura da reunião ministerial o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon.
A principal frustração é que não houve avanços na discussão de metas de redução de gases-estufa para o pós-2012, quando termina o segundo período do Protocolo de Kyoto. "O que precisamos, hoje, é de liderança, a liderança de vocês", prosseguiu Ki-Moon, citando a UE e os EUA. Elencou depois os esforços que vem sendo feito por China, Índia e Brasil, "que está construindo uma das economias mais verdes do mundo".
Os países em desenvolvimento exibiram em Poznan seus planos nacionais de redução de emissões, introdução de renováveis na matriz energética ou, como fez o Brasil, planos para reduzir o desmatamento. "Os países mais ricos devem cumprir suas obrigações financeiras, nos termos de Bali, para apoiar mudanças tecnológicas, redução do desmatamento e substituição de fontes sujas de energia nos países em desenvolvimento", cobrou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele anunciou a idéia da formação de uma Aliança Tecnológica de Inovações Antiaquecimento, uma espécie de centro de transferência de tecnologia mundial com recursos para pagar quem criar inovações tecnológicas contra a mudança climática.
A idéia parece mirabolante, mas há outras mais estruturadas nas sugestões de transferência de tecnologia feitas pelos países do G-77 mais a China. Uma delas é a criação de um centro regional de tecnologia, que seria de domínio público. Há sugestões de como lidar com a propriedade intelectual para facilitar o acesso de países carentes de tecnologias limpas e soluções inovadoras. Uma idéia é seguir o dispositivo que flexibiliza patentes em caso de crise na área de saúde.
"A transferência de tecnologia é um tema central neste debate e há várias convergências neste ponto", diz o chefe dos negociadores brasileiros Luiz Alberto Figueiredo Machado. "Mas, como se vai lidar com isso, ainda não está resolvido".
Para Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção da ONU de Mudanças Climáticas, Poznan "alcançou seu objetivo". "Esta é uma conferência de trabalho, não de momentos espetaculares." Ainda ontem havia pendências importantes. A execução do Fundo de Adaptação seguia sem consenso, assim como a revisão do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
O documento final de Poznan, reunindo todas as propostas existentes até agora, deve sair hoje ou amanhã. Ele será a base do acordo de Copenhague, mais enxuto, que deve surgir até junho de 2009.
12/12/2008
Fonte: Valoronline
A conferência do clima de Poznan chega ao último dia marcada pela liderança de países em desenvolvimento e pela apatia da União Européia, que era protagonista no processo, mas que na Polônia se manteve na retaguarda. A exceção entre os mais ricos e industrializados foi o Reino Unido e a Noruega.
Ontem, Ed Miliband, ministro de Energia e Mudança Climática do Reino Unido, anunciou que vai contribuir com 100 milhões de libras para ajudar no combate ao desmatamento no mundo. O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim, propôs uma modalidade nova para ajudar a levantar recursos para as nações mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas e que poderia significar US$ 15 a US$ 25 bilhões anuais. O mecanismo tem a ver com o leilão de uma parte (2%) dos créditos de carbono em carteira nos países industrializados.
O problema é que são ações isoladas. A paralisia da UE tem a ver com a crise econômica, com o aguardar dos passos do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e com a definição hoje da estratégia energética energética e ambiental do bloco. "As decisões que estão sendo tomadas pelos líderes europeus em Bruxelas são de grande impacto para o mundo inteiro", disse na abertura da reunião ministerial o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon.
A principal frustração é que não houve avanços na discussão de metas de redução de gases-estufa para o pós-2012, quando termina o segundo período do Protocolo de Kyoto. "O que precisamos, hoje, é de liderança, a liderança de vocês", prosseguiu Ki-Moon, citando a UE e os EUA. Elencou depois os esforços que vem sendo feito por China, Índia e Brasil, "que está construindo uma das economias mais verdes do mundo".
Os países em desenvolvimento exibiram em Poznan seus planos nacionais de redução de emissões, introdução de renováveis na matriz energética ou, como fez o Brasil, planos para reduzir o desmatamento. "Os países mais ricos devem cumprir suas obrigações financeiras, nos termos de Bali, para apoiar mudanças tecnológicas, redução do desmatamento e substituição de fontes sujas de energia nos países em desenvolvimento", cobrou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele anunciou a idéia da formação de uma Aliança Tecnológica de Inovações Antiaquecimento, uma espécie de centro de transferência de tecnologia mundial com recursos para pagar quem criar inovações tecnológicas contra a mudança climática.
A idéia parece mirabolante, mas há outras mais estruturadas nas sugestões de transferência de tecnologia feitas pelos países do G-77 mais a China. Uma delas é a criação de um centro regional de tecnologia, que seria de domínio público. Há sugestões de como lidar com a propriedade intelectual para facilitar o acesso de países carentes de tecnologias limpas e soluções inovadoras. Uma idéia é seguir o dispositivo que flexibiliza patentes em caso de crise na área de saúde.
"A transferência de tecnologia é um tema central neste debate e há várias convergências neste ponto", diz o chefe dos negociadores brasileiros Luiz Alberto Figueiredo Machado. "Mas, como se vai lidar com isso, ainda não está resolvido".
Para Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção da ONU de Mudanças Climáticas, Poznan "alcançou seu objetivo". "Esta é uma conferência de trabalho, não de momentos espetaculares." Ainda ontem havia pendências importantes. A execução do Fundo de Adaptação seguia sem consenso, assim como a revisão do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
O documento final de Poznan, reunindo todas as propostas existentes até agora, deve sair hoje ou amanhã. Ele será a base do acordo de Copenhague, mais enxuto, que deve surgir até junho de 2009.
Produção de biocombustíveis deve crescer menos em 2009
Assis Moreira, de Genebra
12/12/2008
Fonte: Valoronline
O ritmo de crescimento da produção global de biocombustíveis (etanol e biodiesel) terá uma forte desaceleração em 2009, de acordo com projeções da Agência Internacional de Energia (AIE), que reúne os países industrializados.
Entre 2007 e 2008, o aumento da produção de biocombustível foi de 77,9%, passando do equivalente a 204 mil barris diários de petróleo para 363 mil. Para 2009, a produção está projetada em 335 mil barris por dia, uma retração de 7,7% na comparação com este ano.
A AIE vem destacando que a oferta de etanol e biodiesel é crítica para complementar a produção de petróleo. Os biocombustíveis em meados do ano representavam 50% do combustível extra chegando no mercado mundial de fontes fora do cartel da Opep.
Ocorre que, com a crise financeira, parte da capacidade adicional para etanol e biodiesel tem dificuldades para ser concretizada. Além disso, há problemas de matéria-prima disponível, e persistem as preocupações com eventuais altas do preço dos alimentos.
A Iata, entidade que reúne 240 empresas aéreas internacionais, tem um projeto que estimula a utilização nos aviões de combustível alternativo. O objetivo é chegar a 20% do total até 2017.
Etanol está fora de questão, por problemas técnicos. Mas o pinhão manso é uma das fontes, inclusive já utilizada em testes. O problema é a pouca garantia de produção suficiente.
A AIE diz que, de toda maneira, em 2009 a produção global de biocombustíveis e a produção de petróleo de Brasil, Azerbaijão, "Australásia" e China compensarão a baixa no resto do mundo, especialmente do Mar do Norte, do México e da Rússia.
12/12/2008
Fonte: Valoronline
O ritmo de crescimento da produção global de biocombustíveis (etanol e biodiesel) terá uma forte desaceleração em 2009, de acordo com projeções da Agência Internacional de Energia (AIE), que reúne os países industrializados.
Entre 2007 e 2008, o aumento da produção de biocombustível foi de 77,9%, passando do equivalente a 204 mil barris diários de petróleo para 363 mil. Para 2009, a produção está projetada em 335 mil barris por dia, uma retração de 7,7% na comparação com este ano.
A AIE vem destacando que a oferta de etanol e biodiesel é crítica para complementar a produção de petróleo. Os biocombustíveis em meados do ano representavam 50% do combustível extra chegando no mercado mundial de fontes fora do cartel da Opep.
Ocorre que, com a crise financeira, parte da capacidade adicional para etanol e biodiesel tem dificuldades para ser concretizada. Além disso, há problemas de matéria-prima disponível, e persistem as preocupações com eventuais altas do preço dos alimentos.
A Iata, entidade que reúne 240 empresas aéreas internacionais, tem um projeto que estimula a utilização nos aviões de combustível alternativo. O objetivo é chegar a 20% do total até 2017.
Etanol está fora de questão, por problemas técnicos. Mas o pinhão manso é uma das fontes, inclusive já utilizada em testes. O problema é a pouca garantia de produção suficiente.
A AIE diz que, de toda maneira, em 2009 a produção global de biocombustíveis e a produção de petróleo de Brasil, Azerbaijão, "Australásia" e China compensarão a baixa no resto do mundo, especialmente do Mar do Norte, do México e da Rússia.
CTNBio aprova milho transgênico de 2ª geração
De São Paulo
12/12/2008
Fonte: Valoronline
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na quinta-feira a liberação comercial da primeira variedade de milho transgênico de segunda geração - com dois genes alterados. A variedade geneticamente modificada é resistente à lagarta do cartucho, uma das principais pragas do milho, e tolerante ao glufosinato de amônio. Desenvolvida pela DuPont do Brasil - Divisão Pioneer Sementes e Dow AgroSciences, ela aguardava a liberação desde dezembro de 2006.
Foi o oitavo pedido de liberação comercial autorizado pela CTNBio neste ano, e a terceira aprovação de semente de milho transgênico concedida no ano.
"A diferença em relação às variedades aprovadas anteriormente é a capacidade de resistência ao inseto e ao herbicida em uma única planta", afirmou ontem Walter Colli, presidente da CTNBio. É o que, no jargão técnico, chama-se "evento piramidado".
Na última reunião do ano, a comissão ainda aprovou outros 15 solicitações de liberação planejada no ambiente (pesquisa). Com isso, o órgão fecha o ano com 122 pedidos de pesquisas aprovados, superando as 83 autorizações concedidas em 2007. Entre um ano e outro, as liberações comerciais também subiram de três para oito, informou o órgão.
Segundo Colli, a guinada nas aprovações para pesquisa e comercialização neste ano pode ser explicada pela renovação do corpo técnico que compõe a CTNBio. São 27 integrantes - 12 indicados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia -, cujos cargos expiram a cada dois anos. "Houve uma forte renovação em dezembro de 2007 e a nova comissão teve mais fluidez", diz Colli. "Ao ano de 2007 havia sido o do resquício, do que sobrou da briga de 2006", acrescenta, referindo-ao ao período turbulento de embates entre defensores e opositores dos alimentos transgênicos no país. O embate resultou em nenhuma liberação comercial em 2006.
O tempo médio de análise dos pedidos também diminuiu. Colli destaca que o prazo de análise que foi de nove anos - como ocorreu com um pedido que deu entrada em 1998 e só foi aprovado em 2008 - foi reduzido para dois anos, como ocorreu com a solicitação aprovada ontem, protocolada em dezembro de 2006.
Para 2009, ele prevê debates acalorados com o possível protocolo de variedades de cana, eucalipto e microorganismos transgênicos. Por serem pesquisas inéditas, não há literatura disponível para comparação, como no caso da soja, do milho e do algodão.
"Como é que faz a liberação planejada de um microorganismo modificado usado para biorremediação? Nem eu sei a resposta", disse. "Vai ser uma inundação de pedidos e muita discussão".
Entre esses microorganismos pesquisados há, por exemplo, bactérias que retiram metais pesados da água, útil no caso de vazamentos de navios. E também leveduras que produzem o diesel. "Estamos inovando e elevando o Brasil para o primeiro mundo nas pesquisas", diz Collin. (BB)
12/12/2008
Fonte: Valoronline
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na quinta-feira a liberação comercial da primeira variedade de milho transgênico de segunda geração - com dois genes alterados. A variedade geneticamente modificada é resistente à lagarta do cartucho, uma das principais pragas do milho, e tolerante ao glufosinato de amônio. Desenvolvida pela DuPont do Brasil - Divisão Pioneer Sementes e Dow AgroSciences, ela aguardava a liberação desde dezembro de 2006.
Foi o oitavo pedido de liberação comercial autorizado pela CTNBio neste ano, e a terceira aprovação de semente de milho transgênico concedida no ano.
"A diferença em relação às variedades aprovadas anteriormente é a capacidade de resistência ao inseto e ao herbicida em uma única planta", afirmou ontem Walter Colli, presidente da CTNBio. É o que, no jargão técnico, chama-se "evento piramidado".
Na última reunião do ano, a comissão ainda aprovou outros 15 solicitações de liberação planejada no ambiente (pesquisa). Com isso, o órgão fecha o ano com 122 pedidos de pesquisas aprovados, superando as 83 autorizações concedidas em 2007. Entre um ano e outro, as liberações comerciais também subiram de três para oito, informou o órgão.
Segundo Colli, a guinada nas aprovações para pesquisa e comercialização neste ano pode ser explicada pela renovação do corpo técnico que compõe a CTNBio. São 27 integrantes - 12 indicados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia -, cujos cargos expiram a cada dois anos. "Houve uma forte renovação em dezembro de 2007 e a nova comissão teve mais fluidez", diz Colli. "Ao ano de 2007 havia sido o do resquício, do que sobrou da briga de 2006", acrescenta, referindo-ao ao período turbulento de embates entre defensores e opositores dos alimentos transgênicos no país. O embate resultou em nenhuma liberação comercial em 2006.
O tempo médio de análise dos pedidos também diminuiu. Colli destaca que o prazo de análise que foi de nove anos - como ocorreu com um pedido que deu entrada em 1998 e só foi aprovado em 2008 - foi reduzido para dois anos, como ocorreu com a solicitação aprovada ontem, protocolada em dezembro de 2006.
Para 2009, ele prevê debates acalorados com o possível protocolo de variedades de cana, eucalipto e microorganismos transgênicos. Por serem pesquisas inéditas, não há literatura disponível para comparação, como no caso da soja, do milho e do algodão.
"Como é que faz a liberação planejada de um microorganismo modificado usado para biorremediação? Nem eu sei a resposta", disse. "Vai ser uma inundação de pedidos e muita discussão".
Entre esses microorganismos pesquisados há, por exemplo, bactérias que retiram metais pesados da água, útil no caso de vazamentos de navios. E também leveduras que produzem o diesel. "Estamos inovando e elevando o Brasil para o primeiro mundo nas pesquisas", diz Collin. (BB)
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Usina de lixo só sai do papel se gerar energia
De Paris e Bordeaux
11/12/2008
Fonte: Valonline
A França produz 850 milhões de toneladas de lixo por ano. O que pode parecer um problema - como o de dar fim a toda essa quantidade de resíduos - surge como uma nova alternativa de produção de energia. A partir da incineração dos dejetos, o país tem ensinado ao mundo que até o que vai para a lixeira pode ter reuso garantido.
Com mais de cem incineradores de detritos urbanos caseiros, os franceses fazem aproveitamento energético a partir do lixo há 20 anos e, desde os anos 1990, qualquer usina incineradora só sai do papel se produzir energia. Com a mudança, do total de unidades transformadoras em funcionamento, 80% já apresentam exploração de energia e até 15% da força produzida vai para a rede de distribuição doméstica.
"80% da energia que sai da nossa usina é vendida para distribuidoras regionais e 20% são usados internamente", garante Sandrine Catteau, responsável pela área de relações externas do Centro de Valorização de Dejetos de Esiane, que pertence à gigante francesa Suez Environnement, dona de uma faturamento de 12 bilhões euros e operações em 12 países.
O centro, resultado de um investimento de 90 milhões de euros, usa o lixo de 420 mil habitantes de 263 comunidades francesas para produzir energia elétrica por meio da incineração. Localizado em Villers-Saint-Paul, a 62 km da capital francesa, ficou famoso pelo modelo de recuperação do lixo urbano, principalmente pelas inovações no transporte dos dejetos das residências para a usina.
Aberta em 2004, a unidade opera com 22 mil toneladas de dejetos por ano e produz o equivalente energético a 44 mil barris de petróleo anuais. "Depois de serem coletados pelos caminhões nas ruas, os resíduos chegam à usina de trem, o que elimina 220 veículos nas estradas", explica o diretor do centro, Denis Laverre.
Segundo o executivo, 98% dos detritos, a maioria plástico e papelão coletados em residências e hospitais, são valorizados. O forno da empresa funciona 24 horas e tem capacidade para queimar 10 toneladas de material por hora. A produção energética anual pode chegar a 39,2 mil megawatts/ano, o suficiente para abastecer 21,2 mil residências.
Segundo Jean-Claude Oppeneau, ex-diretor do Ministério do Meio Ambiente francês e consultor da L´Agence de l´Environnement et de Maitrise de l'Energie-Ademe (Agência do Meio Ambiente e da Matriz Energética), empresa pública de pesquisa sobre o desenvolvimento sustentável, ligada ao Ministério da Ecologia, o país tem 123 incineradores de lixo urbano caseiro e 16 unidades para eliminar dejetos industriais tóxicos. "A incineração só é permitida se gerar energia", garante.
O aproveitamento energético a partir do lixo existe na França há 20 anos e, desde os anos 1990, qualquer incinerador só pode ser construído se tiver esse fim.
Apesar da utilização do lixo como fonte de energia, a França também quer reduzir a produção de dejetos em até 5% por ano. Segundo Oppeneau, um cidadão francês produz 360 kg de lixo, anualmente. "Vamos investir em programas de educação para reduzir a compra de produtos embalados e aumentar a reciclagem dos invólucros", garante.
Em 2004, o país conseguiu recuperar 24% das embalagens jogadas no lixo. A idéia é aumentar a taxa de reciclagem para 35%, em 2012, e 40% em 2015. Com isso, deve diminuir a quantidade de resíduos que segue para os aterros em 15% até 2012. Hoje, 50% do material acumulado nos depósitos sanitários vem da agropecuária, 40% do setor da construção civil e 10% são restos industriais não tóxicos.
Na região de Bordeaux, famosa pela produção de vinhos, o Grupo Péna também trabalha com métodos de reutilização do lixo. A empresa recicla lodos urbanos, resíduos industriais e domésticos e obtém uma nova matéria-prima usada na agricultura como fertilizante, principalmente em culturas como milho, trigo e girassol.
A técnica adotada pela empresa é a compostagem, processo biológico em que microrganismos transformam madeira, folhas e papelão em um material semelhante ao solo, chamado de composto, que pode ser utilizado como adubo.
A companhia descobriu que o material, que tem a propriedade de reter a água no solo, está reduzindo o uso do líquido nas plantações da região em até 30%. Já o aumento da produção nas propriedades foi de até 2%. "É possível ver o resultado depois de três anos de utilização do produto", garante Marc Péna, presidente da empresa, que abriu uma filial em Curitiba (PR) para fechar negócios no Brasil. O composto para a agricultura foi o primeiro do gênero a ser aprovado pelo Ministério da Agricultura francês, em 2004.
Segundo o gerente de projetos da companhia, Philippe Lorthios, para produzir 800 toneladas mensais do composto, é preciso reciclar até 1,6 mil toneladas de lixo por mês. O período de fermentação, que utiliza fornos com temperaturas de até 75° C, dura uma semana. Este ano, já foram vendidas 12 mil toneladas do composto, principalmente para 200 agricultores e cooperativas da região de Bordeaux. Até o campo de golfe da cidade usa o material para adubar os gramados de competição. A tonelada do produto custa de 15 euros a 20 euros. (J.S.)
11/12/2008
Fonte: Valonline
A França produz 850 milhões de toneladas de lixo por ano. O que pode parecer um problema - como o de dar fim a toda essa quantidade de resíduos - surge como uma nova alternativa de produção de energia. A partir da incineração dos dejetos, o país tem ensinado ao mundo que até o que vai para a lixeira pode ter reuso garantido.
Com mais de cem incineradores de detritos urbanos caseiros, os franceses fazem aproveitamento energético a partir do lixo há 20 anos e, desde os anos 1990, qualquer usina incineradora só sai do papel se produzir energia. Com a mudança, do total de unidades transformadoras em funcionamento, 80% já apresentam exploração de energia e até 15% da força produzida vai para a rede de distribuição doméstica.
"80% da energia que sai da nossa usina é vendida para distribuidoras regionais e 20% são usados internamente", garante Sandrine Catteau, responsável pela área de relações externas do Centro de Valorização de Dejetos de Esiane, que pertence à gigante francesa Suez Environnement, dona de uma faturamento de 12 bilhões euros e operações em 12 países.
O centro, resultado de um investimento de 90 milhões de euros, usa o lixo de 420 mil habitantes de 263 comunidades francesas para produzir energia elétrica por meio da incineração. Localizado em Villers-Saint-Paul, a 62 km da capital francesa, ficou famoso pelo modelo de recuperação do lixo urbano, principalmente pelas inovações no transporte dos dejetos das residências para a usina.
Aberta em 2004, a unidade opera com 22 mil toneladas de dejetos por ano e produz o equivalente energético a 44 mil barris de petróleo anuais. "Depois de serem coletados pelos caminhões nas ruas, os resíduos chegam à usina de trem, o que elimina 220 veículos nas estradas", explica o diretor do centro, Denis Laverre.
Segundo o executivo, 98% dos detritos, a maioria plástico e papelão coletados em residências e hospitais, são valorizados. O forno da empresa funciona 24 horas e tem capacidade para queimar 10 toneladas de material por hora. A produção energética anual pode chegar a 39,2 mil megawatts/ano, o suficiente para abastecer 21,2 mil residências.
Segundo Jean-Claude Oppeneau, ex-diretor do Ministério do Meio Ambiente francês e consultor da L´Agence de l´Environnement et de Maitrise de l'Energie-Ademe (Agência do Meio Ambiente e da Matriz Energética), empresa pública de pesquisa sobre o desenvolvimento sustentável, ligada ao Ministério da Ecologia, o país tem 123 incineradores de lixo urbano caseiro e 16 unidades para eliminar dejetos industriais tóxicos. "A incineração só é permitida se gerar energia", garante.
O aproveitamento energético a partir do lixo existe na França há 20 anos e, desde os anos 1990, qualquer incinerador só pode ser construído se tiver esse fim.
Apesar da utilização do lixo como fonte de energia, a França também quer reduzir a produção de dejetos em até 5% por ano. Segundo Oppeneau, um cidadão francês produz 360 kg de lixo, anualmente. "Vamos investir em programas de educação para reduzir a compra de produtos embalados e aumentar a reciclagem dos invólucros", garante.
Em 2004, o país conseguiu recuperar 24% das embalagens jogadas no lixo. A idéia é aumentar a taxa de reciclagem para 35%, em 2012, e 40% em 2015. Com isso, deve diminuir a quantidade de resíduos que segue para os aterros em 15% até 2012. Hoje, 50% do material acumulado nos depósitos sanitários vem da agropecuária, 40% do setor da construção civil e 10% são restos industriais não tóxicos.
Na região de Bordeaux, famosa pela produção de vinhos, o Grupo Péna também trabalha com métodos de reutilização do lixo. A empresa recicla lodos urbanos, resíduos industriais e domésticos e obtém uma nova matéria-prima usada na agricultura como fertilizante, principalmente em culturas como milho, trigo e girassol.
A técnica adotada pela empresa é a compostagem, processo biológico em que microrganismos transformam madeira, folhas e papelão em um material semelhante ao solo, chamado de composto, que pode ser utilizado como adubo.
A companhia descobriu que o material, que tem a propriedade de reter a água no solo, está reduzindo o uso do líquido nas plantações da região em até 30%. Já o aumento da produção nas propriedades foi de até 2%. "É possível ver o resultado depois de três anos de utilização do produto", garante Marc Péna, presidente da empresa, que abriu uma filial em Curitiba (PR) para fechar negócios no Brasil. O composto para a agricultura foi o primeiro do gênero a ser aprovado pelo Ministério da Agricultura francês, em 2004.
Segundo o gerente de projetos da companhia, Philippe Lorthios, para produzir 800 toneladas mensais do composto, é preciso reciclar até 1,6 mil toneladas de lixo por mês. O período de fermentação, que utiliza fornos com temperaturas de até 75° C, dura uma semana. Este ano, já foram vendidas 12 mil toneladas do composto, principalmente para 200 agricultores e cooperativas da região de Bordeaux. Até o campo de golfe da cidade usa o material para adubar os gramados de competição. A tonelada do produto custa de 15 euros a 20 euros. (J.S.)
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Reunião climática da ONU expõe divergências entre ricos e pobres
Daniela Chiaretti, de Poznan
11/12/2008
Fonte: Valoronline
A parte ministerial da conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que ocorre na Polônia, começa em clima de embate entre ricos e pobres. Os países industrializados, que deveriam ter acertado as novas metas de redução de emissões de gases-estufa para depois de 2012, estão longe de chegar a uma decisão. Outro impasse gira em torno ao acesso ao Fundo de Adaptação, o dinheiro necessário para que os mais pobres, e que são os que mais sofrem o impacto do aquecimento global, possam se ajustar ao fenômeno.
O bloco dos países em desenvolvimento, reunidos no G-77 mais a China, quer que as novas metas de emissão para os países ricos sigam a recomendação do IPCC, o braço científico da ONU, e sejam algo entre 25% a 40% em 2020, sobre os níveis de 1990. Assim, acredita-se, a temperatura do planeta não subiria mais que 2°C no século.
Mas as nações industrializadas, que sequer conseguem cumprir o corte de 5% das emissões, meta que vigora agora pelo Protocolo de Kyoto, não se acertam com os novos números. A União Européia anuncia cortes de 20% em 2020, e é a proposta mais arrojada. O Canadá assinou Kyoto, mas é o único país a dizer claramente que não cumprirá as metas; suas emissões, ao invés de caírem, cresceram 14%. A maioria aguarda o que fará o nova governo de Barack Obama. Ele diz que pretende chegar a 2020 com os níveis de emissão de 1990. É um avanço para os EUA, mas está muito aquém do necessário.
"As nações ricas não estão estabelecendo novas metas [para si] e cobram ações dos países em desenvolvimento", diz a ambientalista Tasneem Essop, da WWW-África do Sul. Ela diz que muito tem sido feito por estes países, que estão contribuindo para a solução do problema. A China, por exemplo, quase alcançou a meta de ter 10% de energias renováveis na sua matriz em 2010 e pode chegar a 20%. O plano nacional de mudanças climáticas da Índia prevê a retirada de 10 mil MW gerados em velhas termoelétricas a carvão em 2017.
"A idéia que as nações em desenvolvimento não estão contribuindo para a solução do problema não poderia estar mais longe da verdade", disse Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção de Mudanças Climáticas. "O que eles dizem é que para ir adiante têm que ter financiamento, tecnologia e capacitação, e isso têm que vir dos [países] industrializados."
Dificilmente esta pendência terá solução em Poznan. "Hoje, com a crise financeira, é difícil (...) pedir dinheiro para mudanças climáticas", reconhece Boer.
Sobre a outra aresta que os ministros terão de aparar, o acesso ao Fundo de Adaptação, ele está otimismo. "O copo está 4/5 cheio."
Adaptação é um termo amplo que define ações necessárias para os países enfrentarem as mudanças climáticas. Podem ser diques e barragens na Holanda ou abrigos em Bangladesh. O fundo foi acertado na conferência passada, em Bali, em 2007. Ele é financiado com 2% dos recursos provenientes dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, os MDL, um sistema pelo qual os países ricos, com obrigações de reduzir emissões, investem em projetos de tecnologia limpa em países em desenvolvimento, e ganham créditos para emitir carbono por isso.
Só que o fundo é muito tímido, tem hoje algo próximo a US$ 70 milhões e deveria, segundo algumas estimativas, ser de US$ 70 bilhões anuais para dar conta do recado. Quem administra o dinheiro é o GEF, um braço do Banco Mundial, que os países em desenvolvimento consideram burocrático e pouco ágil. É este um dos pontos polêmicos. A demanda dos pobres é ter acesso mais fácil ao dinheiro.
O financiamento e a transferência de tecnologia é ponto fundamental que praticamente não avançou no processo, diz Luiz Alberto Figueiredo Machado, o chefe dos negociadores brasileiros. Este assunto, certamente, só será definido em 2009, em Copenhague.
Outra pendência esconde uma forte briga de interesses sobre uma tecnologia que ainda engatinha e que interessa muito aos países produtores de petróleo e carvão - a chamada CCS (na sigla em inglês), Captura e Seqüestro de Carbono. A Arábia Saudita quer que os CCS se beneficiem dos créditos de carbono. O Brasil e outros países se opõem, pois temem que toda a verba desse crédito migre para países de matriz energética suja.
A jornalista viajou a Poznan com bolsa da Climate Change Media Partnership
Notícias Relacionadas
- Brasil deve receber verba do Bird para adaptação
11/12/2008
Fonte: Valoronline
A parte ministerial da conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que ocorre na Polônia, começa em clima de embate entre ricos e pobres. Os países industrializados, que deveriam ter acertado as novas metas de redução de emissões de gases-estufa para depois de 2012, estão longe de chegar a uma decisão. Outro impasse gira em torno ao acesso ao Fundo de Adaptação, o dinheiro necessário para que os mais pobres, e que são os que mais sofrem o impacto do aquecimento global, possam se ajustar ao fenômeno.
O bloco dos países em desenvolvimento, reunidos no G-77 mais a China, quer que as novas metas de emissão para os países ricos sigam a recomendação do IPCC, o braço científico da ONU, e sejam algo entre 25% a 40% em 2020, sobre os níveis de 1990. Assim, acredita-se, a temperatura do planeta não subiria mais que 2°C no século.
Mas as nações industrializadas, que sequer conseguem cumprir o corte de 5% das emissões, meta que vigora agora pelo Protocolo de Kyoto, não se acertam com os novos números. A União Européia anuncia cortes de 20% em 2020, e é a proposta mais arrojada. O Canadá assinou Kyoto, mas é o único país a dizer claramente que não cumprirá as metas; suas emissões, ao invés de caírem, cresceram 14%. A maioria aguarda o que fará o nova governo de Barack Obama. Ele diz que pretende chegar a 2020 com os níveis de emissão de 1990. É um avanço para os EUA, mas está muito aquém do necessário.
"As nações ricas não estão estabelecendo novas metas [para si] e cobram ações dos países em desenvolvimento", diz a ambientalista Tasneem Essop, da WWW-África do Sul. Ela diz que muito tem sido feito por estes países, que estão contribuindo para a solução do problema. A China, por exemplo, quase alcançou a meta de ter 10% de energias renováveis na sua matriz em 2010 e pode chegar a 20%. O plano nacional de mudanças climáticas da Índia prevê a retirada de 10 mil MW gerados em velhas termoelétricas a carvão em 2017.
"A idéia que as nações em desenvolvimento não estão contribuindo para a solução do problema não poderia estar mais longe da verdade", disse Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção de Mudanças Climáticas. "O que eles dizem é que para ir adiante têm que ter financiamento, tecnologia e capacitação, e isso têm que vir dos [países] industrializados."
Dificilmente esta pendência terá solução em Poznan. "Hoje, com a crise financeira, é difícil (...) pedir dinheiro para mudanças climáticas", reconhece Boer.
Sobre a outra aresta que os ministros terão de aparar, o acesso ao Fundo de Adaptação, ele está otimismo. "O copo está 4/5 cheio."
Adaptação é um termo amplo que define ações necessárias para os países enfrentarem as mudanças climáticas. Podem ser diques e barragens na Holanda ou abrigos em Bangladesh. O fundo foi acertado na conferência passada, em Bali, em 2007. Ele é financiado com 2% dos recursos provenientes dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, os MDL, um sistema pelo qual os países ricos, com obrigações de reduzir emissões, investem em projetos de tecnologia limpa em países em desenvolvimento, e ganham créditos para emitir carbono por isso.
Só que o fundo é muito tímido, tem hoje algo próximo a US$ 70 milhões e deveria, segundo algumas estimativas, ser de US$ 70 bilhões anuais para dar conta do recado. Quem administra o dinheiro é o GEF, um braço do Banco Mundial, que os países em desenvolvimento consideram burocrático e pouco ágil. É este um dos pontos polêmicos. A demanda dos pobres é ter acesso mais fácil ao dinheiro.
O financiamento e a transferência de tecnologia é ponto fundamental que praticamente não avançou no processo, diz Luiz Alberto Figueiredo Machado, o chefe dos negociadores brasileiros. Este assunto, certamente, só será definido em 2009, em Copenhague.
Outra pendência esconde uma forte briga de interesses sobre uma tecnologia que ainda engatinha e que interessa muito aos países produtores de petróleo e carvão - a chamada CCS (na sigla em inglês), Captura e Seqüestro de Carbono. A Arábia Saudita quer que os CCS se beneficiem dos créditos de carbono. O Brasil e outros países se opõem, pois temem que toda a verba desse crédito migre para países de matriz energética suja.
A jornalista viajou a Poznan com bolsa da Climate Change Media Partnership
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SP autoriza reajuste de 47% no preço do gás
Josette Goulart, de São Paulo
11/12/2008
Fonte: Valoronline
A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou ontem a deliberação que autoriza um reajuste de 47% no preço do gás natural para as grandes indústrias consumidoras da Gás Brasiliano, concessionária que atua no noroeste do Estado, segundo cálculos feito pela Associação Brasileira de Consumidores de Energia (Abrace). Para os consumidores residenciais, o reajuste médio autorizado é em torno de 35%. Já para o segmento industrial de pequeno porte, o reajuste pode variar de 37% a 49%, dependendo da classe de consumo definido pelo volume em metros cúbicos por mês.
O forte reajuste veio na esteira da alta do dólar que tem afetado as distribuidoras de gás. E mesmo com a queda brusca das cotações do petróleo no mercado internacional, as distribuidoras vão demorar para terem esses custos refletidos nesse novo patamar em função de uma distorção da fórmula aplicada pela Petrobras.
Esses motivos levaram inclusive a Comgás a pedir um reajuste extraordinário de energia que ainda está em análise na Arsesp. O reajuste anual da Comgás foi feito em maio, quando o dólar estava cotado a R$ 1,75 e a alta da cotação da moeda americana tem feito o caixa da empresa ser fortemente atingido. Além da distorção dos preços repassados pela Petrobras.
Essa distorção, em que cai o preço do petróleo, mas sobe o preço do gás natural, acontece por causa da fórmula que está sendo aplicada pela Petrobras. Além de ter uma parcela fixa, em média em torno de US$ 2,5 por milhão de BTU, existe uma parcela variável que leva em consideração uma cesta de óleos, indexada a uma média trimestral do preço do petróleo. Em novembro foi feito um reajuste que leva em consideração o preço do petróleo no mercado internacional dos meses de julho, agosto e setembro. Ou seja, no período em que a cotação do petróleo chegou a atingir US$ 146 o barril. Ontem, a commodity estava valendo por volta de US$ 45.
11/12/2008
Fonte: Valoronline
A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou ontem a deliberação que autoriza um reajuste de 47% no preço do gás natural para as grandes indústrias consumidoras da Gás Brasiliano, concessionária que atua no noroeste do Estado, segundo cálculos feito pela Associação Brasileira de Consumidores de Energia (Abrace). Para os consumidores residenciais, o reajuste médio autorizado é em torno de 35%. Já para o segmento industrial de pequeno porte, o reajuste pode variar de 37% a 49%, dependendo da classe de consumo definido pelo volume em metros cúbicos por mês.
O forte reajuste veio na esteira da alta do dólar que tem afetado as distribuidoras de gás. E mesmo com a queda brusca das cotações do petróleo no mercado internacional, as distribuidoras vão demorar para terem esses custos refletidos nesse novo patamar em função de uma distorção da fórmula aplicada pela Petrobras.
Esses motivos levaram inclusive a Comgás a pedir um reajuste extraordinário de energia que ainda está em análise na Arsesp. O reajuste anual da Comgás foi feito em maio, quando o dólar estava cotado a R$ 1,75 e a alta da cotação da moeda americana tem feito o caixa da empresa ser fortemente atingido. Além da distorção dos preços repassados pela Petrobras.
Essa distorção, em que cai o preço do petróleo, mas sobe o preço do gás natural, acontece por causa da fórmula que está sendo aplicada pela Petrobras. Além de ter uma parcela fixa, em média em torno de US$ 2,5 por milhão de BTU, existe uma parcela variável que leva em consideração uma cesta de óleos, indexada a uma média trimestral do preço do petróleo. Em novembro foi feito um reajuste que leva em consideração o preço do petróleo no mercado internacional dos meses de julho, agosto e setembro. Ou seja, no período em que a cotação do petróleo chegou a atingir US$ 146 o barril. Ontem, a commodity estava valendo por volta de US$ 45.
Desaquecimento e chuvas derrubam preço da energia
Josette Goulart, de São Paulo
11/12/2008
Fonte: Valoronline
Inverteu-se completamente o cenário de oferta e demanda elétrica no país. Há três meses, havia risco de falta de energia em 2009, por causa do crescimento vigoroso do PIB e da possível redução do nível dos reservatórios das hidrelétricas. O déficit estimado para o próximo ano era de 500 MW. Com as chuvas de outubro e novembro e a perspectiva de desaquecimento da economia, o quadro mudou. A fila de compradores de energia no mercado livre se transformou em fila de vendedores. As indústrias consumidoras tentam reduzir os contratos que firmaram para 2009 porque sabem que vão usar menos energia.
Em conseqüência dessa nova realidade, houve uma rápida redução no preço da energia no mercado livre: 15% em dois meses, para R$ 120 o MWh, em comparação ao valor médio de R$ 200 em 2008.
Indústrias do setor automobilístico, metalúrgico e siderúrgico, que haviam contratado energia no mercado livre, iniciaram o movimento de venda do insumo. Alguns clientes da comercializadora da CPFL Energia, uma das maiores do país, já reduziram os contratos em até 40%, segundo o vice-presidente da empresa, Paulo Cezar Coelho Tavares. Entre os clientes do setor de mineração e automotivo da Enertrade, a redução dos contratos ficou entre 15% e 20%.
Esse movimento tem sido observado atentamente pela Tractebel, que decidiu interromper a negociação de um déficit de 300 MW que tinha com as distribuidoras. O presidente da empresa, Manoel Zaroni, explica que, com a queda do consumo, ela mesma poderá gerar essa energia.
O presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Ricardo Lima, estima que, antes da crise, as empresas tinham a expectativa de que precisariam contratar até 2.000 MW no mercado livre em 2009. Agora, essa necessidade caiu a zero.
Apesar disso, o diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, prevê contas de luz mais caras em 2009, efeito da alta do dólar no preço da energia de Itaipu, que abastece 31 das 64 distribuidoras do país.
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- Mercado livre de energia já reflete perspectiva de queda da economia
- Fundo vai garantir obras do setor de energia
11/12/2008
Fonte: Valoronline
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Em conseqüência dessa nova realidade, houve uma rápida redução no preço da energia no mercado livre: 15% em dois meses, para R$ 120 o MWh, em comparação ao valor médio de R$ 200 em 2008.
Indústrias do setor automobilístico, metalúrgico e siderúrgico, que haviam contratado energia no mercado livre, iniciaram o movimento de venda do insumo. Alguns clientes da comercializadora da CPFL Energia, uma das maiores do país, já reduziram os contratos em até 40%, segundo o vice-presidente da empresa, Paulo Cezar Coelho Tavares. Entre os clientes do setor de mineração e automotivo da Enertrade, a redução dos contratos ficou entre 15% e 20%.
Esse movimento tem sido observado atentamente pela Tractebel, que decidiu interromper a negociação de um déficit de 300 MW que tinha com as distribuidoras. O presidente da empresa, Manoel Zaroni, explica que, com a queda do consumo, ela mesma poderá gerar essa energia.
O presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Ricardo Lima, estima que, antes da crise, as empresas tinham a expectativa de que precisariam contratar até 2.000 MW no mercado livre em 2009. Agora, essa necessidade caiu a zero.
Apesar disso, o diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, prevê contas de luz mais caras em 2009, efeito da alta do dólar no preço da energia de Itaipu, que abastece 31 das 64 distribuidoras do país.
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Moagem de cana em ritmo acelerado
Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
11/12/2008
Fonte: Valoronline
ritmo acelerado, segundo último levantamento da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). Até o dia 1º de dezembro, as usinas processaram 468,6 milhões de toneladas da matéria-prima, aumento de 12,3% sobre igual período do ano passado.
Até o final de novembro, 43 usinas tinham encerrado a safra, ante 99 unidades no mesmo período de 2007. Segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica, a moagem desta safra será mais longa, com uma parte das usinas estendendo a colheita até janeiro.
Até o final de novembro, 43 usinas tinham encerrado a safra, ante 99 unidades no mesmo período de 2007. Segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica, a moagem desta safra será mais longa, com uma parte das usinas estendendo a colheita até janeiro.

A produção de açúcar até o dia 1º de dezembro totalizou 25,365 milhões de toneladas, recuo de 1% sobre igual período da safra anterior. A oferta de álcool atingiu 23,081 bilhões de litros, aumento de 18,14% em relação ao mesmo período do ano passado.
A Unica estima que o mix de produção de cana deverá ficar em 40% para o açúcar e 60% para o álcool até o fim da safra. No mercado, contudo, há estimativas de que a proporção de cana para o álcool será um pouco menor, uma vez que o açúcar voltou a remunerar mais que o combustível.
De janeiro a abril, as exportações de álcool no Centro-Sul do Brasil somaram 3,68 bilhões de litros. Em toda safra 2007/08, os embarques foram 3,5 bilhões de litros. A expectativa é de que as usinas da região embarquem 4,2 bilhões de litros em 2008/09.
No acumulado da safra até novembro, o mercado interno consumiu 13,67 bilhões de litros de álcool. Até o fim da safra, os volumes negociados deverão atingir 20 bilhões de litros. Para a Unica, esses volumes serão suficientes para atender toda a demanda interna e a mistura de 25% do álcool anidro na gasolina.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Uso de florestas para corte de emissões divide países
De Poznan
08/12/2008
Fonte: Valoronline
O assunto mais comentado da conferência do clima em Poznan atende por uma sigla REDD. A Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação é tema constante tanto nas negociações oficiais como nos eventos paralelos. Como proteger as florestas é a vertente que mais avançou nos últimos meses no debate internacional sobre mudanças climáticas.
A idéia dos países ricos e mais emissores é que é mais fácil e mais barato evitar o desmatamento nas nações com florestas do que mudar o padrão energético, de transporte e consumo em seu próprio território. O desmatamento responde por 15% a 20% das emissões globais de gases-estufa.
Esse argumento incomoda os países florestais. "Não podemos deixar que os que não conseguem cortar suas emissões em casa façam um acordo barato", diz a indiana Sunita Narain, diretora do Centro para Ciência e Ambiente de Nova Déli. "As florestas não podem ser uma opção barata", reforça. É a mesma opinião brasileira.
Segundo Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe dos negociadores do Brasil, as florestas não podem ser negociadas dentro do mercado de créditos de carbono. Ou seja, descobrir quanto se deixou de lançar de gases-estufa na atmosfera ao evitar o desmatamento não deveria ser transformado em créditos de carbono.
Há várias razões para isso, acredita. O preço do carbono pode despencar, considerando-se o incrível estoque que existe nas florestas e inviabilizar o chamado MDL, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, pelo qual países que têm que reduzir suas emissões pelo Protocolo de Kyoto podem investir em projetos de tecnologias limpas em países em desenvolvimento.
Outro motivo é que não há como garantir, no longo prazo, que aquela floresta, com a qual alguma nação rica obteve crédito (e, com isso, licença para emitir), continue de pé no futuro. Corre-se então o risco de uma dupla emissão.
O Fundo Amazônia, lançado pelo Brasil, é uma tentativa de materializar o REDD dentro da Convenção do Clima, mas fora do Protocolo de Kyoto. Ou seja: os países ricos podem doar dinheiro para que o Brasil evite o desmatamento, mas não contabilizam créditos de carbono com isso. Eles evitam o agravamento do aquecimento global ajudando na proteção das florestas, mas continuam tendo que reduzir as emissões de suas fábricas e carros em casa. A idéia brasileira é não permitir que a proteção das florestas seja uma licença para que os países ricos possam emitir.
Se no Brasil a discussão de REDD passa por reduzir o desmatamento, na Índia, onde não há desmate, a idéia é que o novo acordo ajude na conservação das florestas. Em outros países, como Indonésia ou Gana, o interesse é recuperar áreas degradadas, o segundo D da sigla.
Como estabelecer uma metodologia que conte qual o estoque de carbono de uma floresta é um dos assuntos em pauta nas discussões técnicas oficiais da conferência. Outro é quanto isso pode custar. Estudo lançado em Poznam pelo Cifor (Center for International Forestry Research) diz que os custos podem variar de US$ 7 bilhões a US$ 28 bilhões por ano para reduzir o desmatamento pela metade. Mesmo estimativas mais elevadas são mais baratas que o custo de reduzir emissões em países ricos.
REDD é a vedete dos eventos paralelos. O Banco Mundial está adiantado no processo e apresentou em Poznan projetos-piloto de REDD em nove países. (DC)
08/12/2008
Fonte: Valoronline
O assunto mais comentado da conferência do clima em Poznan atende por uma sigla REDD. A Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação é tema constante tanto nas negociações oficiais como nos eventos paralelos. Como proteger as florestas é a vertente que mais avançou nos últimos meses no debate internacional sobre mudanças climáticas.
A idéia dos países ricos e mais emissores é que é mais fácil e mais barato evitar o desmatamento nas nações com florestas do que mudar o padrão energético, de transporte e consumo em seu próprio território. O desmatamento responde por 15% a 20% das emissões globais de gases-estufa.
Esse argumento incomoda os países florestais. "Não podemos deixar que os que não conseguem cortar suas emissões em casa façam um acordo barato", diz a indiana Sunita Narain, diretora do Centro para Ciência e Ambiente de Nova Déli. "As florestas não podem ser uma opção barata", reforça. É a mesma opinião brasileira.
Segundo Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe dos negociadores do Brasil, as florestas não podem ser negociadas dentro do mercado de créditos de carbono. Ou seja, descobrir quanto se deixou de lançar de gases-estufa na atmosfera ao evitar o desmatamento não deveria ser transformado em créditos de carbono.
Há várias razões para isso, acredita. O preço do carbono pode despencar, considerando-se o incrível estoque que existe nas florestas e inviabilizar o chamado MDL, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, pelo qual países que têm que reduzir suas emissões pelo Protocolo de Kyoto podem investir em projetos de tecnologias limpas em países em desenvolvimento.
Outro motivo é que não há como garantir, no longo prazo, que aquela floresta, com a qual alguma nação rica obteve crédito (e, com isso, licença para emitir), continue de pé no futuro. Corre-se então o risco de uma dupla emissão.
O Fundo Amazônia, lançado pelo Brasil, é uma tentativa de materializar o REDD dentro da Convenção do Clima, mas fora do Protocolo de Kyoto. Ou seja: os países ricos podem doar dinheiro para que o Brasil evite o desmatamento, mas não contabilizam créditos de carbono com isso. Eles evitam o agravamento do aquecimento global ajudando na proteção das florestas, mas continuam tendo que reduzir as emissões de suas fábricas e carros em casa. A idéia brasileira é não permitir que a proteção das florestas seja uma licença para que os países ricos possam emitir.
Se no Brasil a discussão de REDD passa por reduzir o desmatamento, na Índia, onde não há desmate, a idéia é que o novo acordo ajude na conservação das florestas. Em outros países, como Indonésia ou Gana, o interesse é recuperar áreas degradadas, o segundo D da sigla.
Como estabelecer uma metodologia que conte qual o estoque de carbono de uma floresta é um dos assuntos em pauta nas discussões técnicas oficiais da conferência. Outro é quanto isso pode custar. Estudo lançado em Poznam pelo Cifor (Center for International Forestry Research) diz que os custos podem variar de US$ 7 bilhões a US$ 28 bilhões por ano para reduzir o desmatamento pela metade. Mesmo estimativas mais elevadas são mais baratas que o custo de reduzir emissões em países ricos.
REDD é a vedete dos eventos paralelos. O Banco Mundial está adiantado no processo e apresentou em Poznan projetos-piloto de REDD em nove países. (DC)
Reunião da ONU sobre clima chega à fase ministerial
De Poznan
08/12/2008
Fonte: Valoronline
A 14ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontece em Poznan, na Polônia, entra na sua semana decisiva, quando chegam os ministros dos 190 países presentes para uma reunião de alto nível na quinta e sexta-feira, os últimos dias do encontro. Mas nenhum acordo importante deve ser assinado. O principal documento que sairá de Poznan já existe, foi feito por um brasileiro e tem o resumo de todas as propostas que foram sugeridas pelos países ao longo deste ano.
Luiz Alberto Figueiredo Machado é o chefe dos negociadores brasileiros e presidente da rodada de negociação do processo de longo prazo até o fim da CoP-14, o nome da conferência. É dele o documento de 84 páginas que condensa as centenas de propostas feitas pelos países e que serve de base às discussões. Este pode ser o documento mais importante da reunião, que indicará o rumo do processo.
Ontem, a maioria dos negociadores já presentes foi pega de surpresa e teve um feriado forçado, o que ilustra a Babel caótica que domina o debate da mudança climática. De um lado, em eventos paralelos, ONGs e cientistas pressionam por decisões urgentes e esforços muito maiores dos países. Repetem que é preciso fazer algo e rápido. Mas, dentro das salas oficiais, negociadores passam horas falando no jargão dos diplomatas, uma língua onde metas e compromissos de redução de emissões não significam a mesma coisa.
Nos eventos que ocorrem paralelamente à reunião oficial (uma agenda intensa de palestras promovidas por ONGs, institutos de pesquisa, agências da ONU, entidades empresariais etc) já se fala que é preciso um esforço global maior de corte de emissões a níveis que não permitam um aquecimento superior a 1,5°C na temperatura da Terra na metade do século, e que os cenários ruins apresentados pelo IPCC, o braço científico da ONU, em 2007, estão subestimados.
No espaço das negociações oficiais, várias reuniões ocorrem ao mesmo tempo, sob diversos assuntos, em discursos cifrados para quem não é iniciado. O senso comum espera que saia algo de concreto desta megaconferência, que começou dia 1º de dezembro e vai até o dia 12, mas isto é muito improvável.
Os ministros talvez acertem alguns detalhes e sinalizem a continuidade do processo. Desde o início, sabe-se que a CoP-14, a sigla para o encontro dos países que assinaram a convenção de mudança climática da ONU, é uma "CoP do meio". Está na metade do caminho entre a reunião de Bali, no ano passado, e a de Copenhague, no ano que vem - este sim o encontro de onde se espera que saia um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas.
Uma das hipóteses é que ali se firme o Protocolo de Copenhague, uma espécie de Protocolo de Kyoto atualizado, muito mais rígido nos cortes de emissões de gases-estufa pelos países ricos e com bem mais contribuição dos países em desenvolvimento. Mas o novo acordo, uma espécie de Protocolo de Kyoto+, tem que ter um novo nome. Kyoto provoca rejeição no Congresso americano.
No processo de negociação em Poznan, os países em desenvolvimento têm apresentado muitas propostas. A Índia, por exemplo, sugeriu uma rede mundial de centros de tecnologia limpa com contribuições de todos os interessados - uma postura diferente do país que costuma cobrar a conta sempre das nações mais ricas e mais poluidoras.
O Brasil, em outro ponto do debate, defende que os países em desenvolvimento "implementem ações" que reduzam as emissões de gases-estufa, apoiadas financeira e tecnologicamente pelas nações desenvolvidas e que ajudem os emergentes a sair da curva ascendente de mais e mais emissões. "O cenário 'business as usual' não é possível", diz Machado. "O esforço tem que ser equitativo e tem que se agir já, não esperar 2012", continua.
As tensões da semana continuaram sendo as reclamações dos países do G-77 mais a China de que as nações desenvolvidas não estão avançando na discussão de novas metas de corte de emissões para o segundo período do Protocolo de Kyoto, depois de 2012. E que os países ricos têm escamoteado o debate tentando jogar a bola de maiores contribuições para os países em desenvolvimento. A União Européia tem uma proposta de corte mais avançada, que reduziria as emissões em 20% em 2020. Mas os países em desenvolvimento dizem que é pouco e que os cortes devem ser de pelo menos 45%. Há quem fale em 80%.
Não houve ainda avanços importantes no principal ponto do novo acordo - o financiamento e a transferência de tecnologia dos ricos para os demais. O Brasil e o G-77 querem que o fluxo de financiamento seja muito ampliado. "Tem que haver uma nova solidariedade internacional, tanto para a mitigação dos gases do efeito-estufa como para a adaptação aos impactos", continua. "E isso passa pela transferência de tecnologia, pelo financiamento e pela capacitação."
08/12/2008
Fonte: Valoronline
A 14ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontece em Poznan, na Polônia, entra na sua semana decisiva, quando chegam os ministros dos 190 países presentes para uma reunião de alto nível na quinta e sexta-feira, os últimos dias do encontro. Mas nenhum acordo importante deve ser assinado. O principal documento que sairá de Poznan já existe, foi feito por um brasileiro e tem o resumo de todas as propostas que foram sugeridas pelos países ao longo deste ano.
Luiz Alberto Figueiredo Machado é o chefe dos negociadores brasileiros e presidente da rodada de negociação do processo de longo prazo até o fim da CoP-14, o nome da conferência. É dele o documento de 84 páginas que condensa as centenas de propostas feitas pelos países e que serve de base às discussões. Este pode ser o documento mais importante da reunião, que indicará o rumo do processo.
Ontem, a maioria dos negociadores já presentes foi pega de surpresa e teve um feriado forçado, o que ilustra a Babel caótica que domina o debate da mudança climática. De um lado, em eventos paralelos, ONGs e cientistas pressionam por decisões urgentes e esforços muito maiores dos países. Repetem que é preciso fazer algo e rápido. Mas, dentro das salas oficiais, negociadores passam horas falando no jargão dos diplomatas, uma língua onde metas e compromissos de redução de emissões não significam a mesma coisa.
Nos eventos que ocorrem paralelamente à reunião oficial (uma agenda intensa de palestras promovidas por ONGs, institutos de pesquisa, agências da ONU, entidades empresariais etc) já se fala que é preciso um esforço global maior de corte de emissões a níveis que não permitam um aquecimento superior a 1,5°C na temperatura da Terra na metade do século, e que os cenários ruins apresentados pelo IPCC, o braço científico da ONU, em 2007, estão subestimados.
No espaço das negociações oficiais, várias reuniões ocorrem ao mesmo tempo, sob diversos assuntos, em discursos cifrados para quem não é iniciado. O senso comum espera que saia algo de concreto desta megaconferência, que começou dia 1º de dezembro e vai até o dia 12, mas isto é muito improvável.
Os ministros talvez acertem alguns detalhes e sinalizem a continuidade do processo. Desde o início, sabe-se que a CoP-14, a sigla para o encontro dos países que assinaram a convenção de mudança climática da ONU, é uma "CoP do meio". Está na metade do caminho entre a reunião de Bali, no ano passado, e a de Copenhague, no ano que vem - este sim o encontro de onde se espera que saia um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas.
Uma das hipóteses é que ali se firme o Protocolo de Copenhague, uma espécie de Protocolo de Kyoto atualizado, muito mais rígido nos cortes de emissões de gases-estufa pelos países ricos e com bem mais contribuição dos países em desenvolvimento. Mas o novo acordo, uma espécie de Protocolo de Kyoto+, tem que ter um novo nome. Kyoto provoca rejeição no Congresso americano.
No processo de negociação em Poznan, os países em desenvolvimento têm apresentado muitas propostas. A Índia, por exemplo, sugeriu uma rede mundial de centros de tecnologia limpa com contribuições de todos os interessados - uma postura diferente do país que costuma cobrar a conta sempre das nações mais ricas e mais poluidoras.
O Brasil, em outro ponto do debate, defende que os países em desenvolvimento "implementem ações" que reduzam as emissões de gases-estufa, apoiadas financeira e tecnologicamente pelas nações desenvolvidas e que ajudem os emergentes a sair da curva ascendente de mais e mais emissões. "O cenário 'business as usual' não é possível", diz Machado. "O esforço tem que ser equitativo e tem que se agir já, não esperar 2012", continua.
As tensões da semana continuaram sendo as reclamações dos países do G-77 mais a China de que as nações desenvolvidas não estão avançando na discussão de novas metas de corte de emissões para o segundo período do Protocolo de Kyoto, depois de 2012. E que os países ricos têm escamoteado o debate tentando jogar a bola de maiores contribuições para os países em desenvolvimento. A União Européia tem uma proposta de corte mais avançada, que reduziria as emissões em 20% em 2020. Mas os países em desenvolvimento dizem que é pouco e que os cortes devem ser de pelo menos 45%. Há quem fale em 80%.
Não houve ainda avanços importantes no principal ponto do novo acordo - o financiamento e a transferência de tecnologia dos ricos para os demais. O Brasil e o G-77 querem que o fluxo de financiamento seja muito ampliado. "Tem que haver uma nova solidariedade internacional, tanto para a mitigação dos gases do efeito-estufa como para a adaptação aos impactos", continua. "E isso passa pela transferência de tecnologia, pelo financiamento e pela capacitação."
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Adaptação a mudança climática gera impasse
Daniela Chiaretti, de Poznan
05/12/2008
Fonte: Valoronline
Há uma crise de confiança em Poznan, a cidade polonesa que abriga a megaconferência da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas até 12 de dezembro. O heterogêneo bloco dos países menos desenvolvidos e mais afetados pelo impacto do aquecimento da Terra quer ver o que os ricos e industrializados se comprometem a fazer antes de dizer como podem contribuir para reduzir o problema. O nó de sempre - quem paga a conta e como - nestas negociações internacionais continua empacando a decisão. Até agora, por exemplo, não se sabe quanto vai custar para que os países possam se adaptar ao impacto da mudança do clima - desde a construção de abrigos para refugiados de enchentes a melhores sistemas de meteorologia.
O que ficou acertado nas edições passadas deste evento foi um fundo de adaptação com um percentual sobre o valor dos projetos de tecnologia limpa ligados ao mercado de créditos de carbono (os chamados MDL). Os 2% seriam cerca de US$ 5 bilhões e, segundo países mais vulneráveis e ONGs, não dão nem para o começo deste drama. ONGs como a Oxfam falam em US$ 50 bilhões ao ano. Outro número que circula em Poznan é de US$ 85 bilhões anuais.
No primeiro dia da conferência na Polônia, Ian Fry, da pequena Tuvalu e representando a Aliança dos Pequenos Países-Ilhas (AOSIS, em inglês) foi contundente. "Como uma demonstração de boa fé dos países do Anexo 1 precisamos começar a ver números sendo colocados sobre a mesa", disse, em plenário, referindo-se aos países ricos e industrializados, que têm responsabilidade histórica sobre o aquecimento e têm de reduzir emissões de gases-estufa pelo Protocolo de Kyoto. "Precisamos atualizar nossa compreensão sobre o que diz a Ciência, simplificar as regras e estabelecer metas de redução de emissão de gases-estufa para os países ricos", disse. "Nós, as ilhas de alta vulnerabilidade à mudança climática precisamos da garantia das grandes nações industrializadas para termos futuro."
Como o primeiro período de Kyoto acaba em 2012, os países industrializados deveriam estar discutindo cortes que virão depois disso - e algo novo deveria sair da conferência na Polônia. Mas eles estão adiando a tarefa, dizem países em desenvolvimento. Em parte para para ver o que Barack Obama fará. Em parte porque querem ver as movimentações de emergentes como China e Índia. E em parte por conta da crise financeira.
"Para os países-ilha, dois graus a mais na temperatura pode definir um cenário difícil demais para sobreviver", disse o cientista Bill Hare, do instituto alemão para mudanças climáticas de Potsdam, o PIK, uma das mais famosas instituições científicas que pesquisa o tema. Segundo ele, o quadro é bem pior do que se imaginava. Um aumento de 2 graus seria suficiente para elevar em até 4 metros o nível médio dos mares do planeta. E é esta meta - reduzir as emissões dos gases-estufa a níveis que não provoquem um aumento de temperatura de 2 graus em 2100 que os negociadores internacionais não parecem estar levando em conta.
Segundo a ONG GermanWatch, Bangladesh, Coréia do Norte e Nicarágua foram os países que mais sofreram impactos da mudança climática em 2007, considerando eventos como tufões e tempestades. Ao todo, 15.240 pessoas morreram em 2007 pelas mudanças do clima, diz a ONG.
"Temos que preparar a adaptação às mudanças climáticas", diz Maarten van AQalst, diretor associado da Cruz Vermelha. "Isso significa não só erguer abrigo para que as pessoas em Bangladesh possam se proteger das tempestades, como melhorar os sistemas de aviso e prevenção."
A jornalista viajou com bolsa da Climate Change Media Partnership
05/12/2008
Fonte: Valoronline
Há uma crise de confiança em Poznan, a cidade polonesa que abriga a megaconferência da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas até 12 de dezembro. O heterogêneo bloco dos países menos desenvolvidos e mais afetados pelo impacto do aquecimento da Terra quer ver o que os ricos e industrializados se comprometem a fazer antes de dizer como podem contribuir para reduzir o problema. O nó de sempre - quem paga a conta e como - nestas negociações internacionais continua empacando a decisão. Até agora, por exemplo, não se sabe quanto vai custar para que os países possam se adaptar ao impacto da mudança do clima - desde a construção de abrigos para refugiados de enchentes a melhores sistemas de meteorologia.
O que ficou acertado nas edições passadas deste evento foi um fundo de adaptação com um percentual sobre o valor dos projetos de tecnologia limpa ligados ao mercado de créditos de carbono (os chamados MDL). Os 2% seriam cerca de US$ 5 bilhões e, segundo países mais vulneráveis e ONGs, não dão nem para o começo deste drama. ONGs como a Oxfam falam em US$ 50 bilhões ao ano. Outro número que circula em Poznan é de US$ 85 bilhões anuais.
No primeiro dia da conferência na Polônia, Ian Fry, da pequena Tuvalu e representando a Aliança dos Pequenos Países-Ilhas (AOSIS, em inglês) foi contundente. "Como uma demonstração de boa fé dos países do Anexo 1 precisamos começar a ver números sendo colocados sobre a mesa", disse, em plenário, referindo-se aos países ricos e industrializados, que têm responsabilidade histórica sobre o aquecimento e têm de reduzir emissões de gases-estufa pelo Protocolo de Kyoto. "Precisamos atualizar nossa compreensão sobre o que diz a Ciência, simplificar as regras e estabelecer metas de redução de emissão de gases-estufa para os países ricos", disse. "Nós, as ilhas de alta vulnerabilidade à mudança climática precisamos da garantia das grandes nações industrializadas para termos futuro."
Como o primeiro período de Kyoto acaba em 2012, os países industrializados deveriam estar discutindo cortes que virão depois disso - e algo novo deveria sair da conferência na Polônia. Mas eles estão adiando a tarefa, dizem países em desenvolvimento. Em parte para para ver o que Barack Obama fará. Em parte porque querem ver as movimentações de emergentes como China e Índia. E em parte por conta da crise financeira.
"Para os países-ilha, dois graus a mais na temperatura pode definir um cenário difícil demais para sobreviver", disse o cientista Bill Hare, do instituto alemão para mudanças climáticas de Potsdam, o PIK, uma das mais famosas instituições científicas que pesquisa o tema. Segundo ele, o quadro é bem pior do que se imaginava. Um aumento de 2 graus seria suficiente para elevar em até 4 metros o nível médio dos mares do planeta. E é esta meta - reduzir as emissões dos gases-estufa a níveis que não provoquem um aumento de temperatura de 2 graus em 2100 que os negociadores internacionais não parecem estar levando em conta.
Segundo a ONG GermanWatch, Bangladesh, Coréia do Norte e Nicarágua foram os países que mais sofreram impactos da mudança climática em 2007, considerando eventos como tufões e tempestades. Ao todo, 15.240 pessoas morreram em 2007 pelas mudanças do clima, diz a ONG.
"Temos que preparar a adaptação às mudanças climáticas", diz Maarten van AQalst, diretor associado da Cruz Vermelha. "Isso significa não só erguer abrigo para que as pessoas em Bangladesh possam se proteger das tempestades, como melhorar os sistemas de aviso e prevenção."
A jornalista viajou com bolsa da Climate Change Media Partnership
UE destrava caminho para biocombustíveis
Assis Moreira, de Genebra
05/12/2008
Fonte: Valoronline
A União Européia encerrou na quinta-feira a batalha interna que travava sobre o futuro dos biocombustíveis - etanol e biodiesel - em seus planos de maior utilização de energias renováveis. A conclusão do impasse, menos restritiva à agroenergia, foi comemorada pelo Brasil e deverá ajudar na criação do mercado global para o etanol.
A briga envolvia a meta obrigatória proposta pela Comissão Européia de uso de 10% de energia renovável nos transportes até 2020 para combater o aquecimento global. Grande parte disso deve vir de etanol e biodiesel, criando um amplo mercado que deve ser atendido por exportadores como o Brasil.
Mantida a meta, vem a exigência de critérios de sustentabilidade para etanol e biodiesel, que pode se transformar em uma "armadilha ecológica". Dai a importância do acordo, já que os critérios propostos pelo Parlamento Europeu eram tão restritivos que a produção de etanol só seria possível no deserto, pelos cálculos brasileiros.
Parlamentares queriam reduzir a parte de biocombustíveis e atribuir uma fatia maior da meta para a promoção de energia eólica e solar, entre outras. Mas na quinta-feira, enfim, as três grandes instituições do bloco - Comissão Européia (braço executivo da UE), Conselho (que reúne os governos), e Parlamento - chegaram a outro compromisso.
"Pelas informações de que dispomos, os resultados foram muito satisfatórios para os interesses do Brasil e de outros países em desenvolvimento", afirmou o embaixador brasileiro junto à UE, Ricardo Neiva Tavares. Já o deputado Claude Turmes, negociador pelo Parlamento Europeu, disse que o percentual de 10% para os biocombustíveis foi "seriamente minado", e que o "futuro dos carros será elétrico na Europa".
Na verdade, o Parlamento chegou a propor acabar com a meta para uso de biocombustíveis, e depois tentou limitá-la a 6%. A novidade no acordo de quinta-feira é que nada disso prosperou. Foi mantida a meta de 10% de energia renovável, sem meta determinada para etanol. Ainda assim, a primeira grande ameaça contra o produto foi superada.
Energia renovável usada em trens será levada em conta, mas isso representa menos de 1%. E o espaço para etanol e biodiesel só será reduzido se as montadoras de fato conseguirem produzir um carro elétrico competitivo, o que na situação atual parece distante.
Ambientalistas tinham aberto uma guerra contra o etanol e o biodiesel também por causa do impacto sobre o uso da terra, apontando os produtos como culpados pela explosão do preço de alimentos e desmatamento de florestas.
Mas as emendas do Parlamento para restringir o uso da terra na produção do etanol no cerrado brasileiro, por exemplo, também foram excluídas do texto final. Está valendo a restrição original da Comissão Européia, de não produção de etanol nas áreas úmidas e florestais, para que ele seja considerado sustentável.
Só que aí também houve mudanças comemoradas pelo Brasil. A proposta do Parlamento sobre definição de floresta para produção sustentável de etanol era de área com 10% de cobertura de árvores. Em área com mais de 10%, a produção deveria ser proibida.
Esse conceito foi rejeitado. Prevaleceu a definição da Comissão Européia, que considera floresta tudo que tem pelo menos 30% de árvores com mais de cinco metros. Essa restrição não é considerada muito preocupante para o Brasil, porque vegetação com densidade maior não passaria em outro critério.
Para serem enquadrados nas exigências de sustentabilidade e combate ao aquecimento, os biocombustíveis têm de garantir um mínimo de redução de efeito de gases estufa. Assim, a exigência estabelecida é que o álcool tem de reduzir as emissões em 35% ou mais quando comparado à gasolina, passando para 50% em 2017. As fábricas novas que entrarem em operação a partir de 2018 terão de reduzir as emissões em 60%.
Para o etanol brasileiro, é algo tranqüilo, pois no mínimo o produto reduz as emissões em 70% - o percentual pode chegar a 90% -, segundo especialistas. A situação muda para o biodiesel de soja.
Outra preocupação envolvia restrições sobre mudança de uso da terra para biodiversidade. O Parlamento queria deixar em aberto a possibilidade de incluir novas exigências. Agora, a redação final veta a produção de etanol em áreas de de alto valor para biodiversidade, como florestas primárias, pradarias e parques nacionais.
Ponto igualmente sensível e combatido pelo Brasil envolvia o efeito indireto do biocombustível por mudanças no uso da terra. Alguns deputados europeus consideram que a produção de etanol no Nordeste brasileiro, por exemplo, escasseia a terra para produzir alimentos e leva agricultores a desmatar a Amazônia. Dessa forma, o cálculo da eficiência ambiental do etanol importado do Brasil teria que incluir o volume de emissões de gases estufa no desmatamento da Amazônia, mesmo se não foi para produzir biocombustível.
Agora, foi aprovada uma sugestão para que a Comissão Européia apresente um relatório em 2010 primeiro analisando se o problema é importante e como lidar come ele, sem pré-julgamentos.
Com relação a critérios sociais na produção de biocombustíveis, o Parlamento queria introduzir uma lista enorme de exigências. O acordo podou boa parte. Sobraram duas exigências. Uma da Comissão Européia, que vai ter de analisar o impacto da produção de biocombustíveis - posse da terra, preços dos alimentos, condições de trabalho - a cada dois anos tanto nos países exportadores como nos países-membros do próprio bloco.
Nesse caso, o relatório deve indicar se os países exportadores ratificaram as principais convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Só uma o Brasil não ratificou, sobre unicidade sindical. A Constituição brasileira estabelece que um município só pode ter um sindicato para uma categoria.
A Comissão Européia também deve relatar o impacto dos biocombustíveis em outros aspectos ambientais - água, solos e poluição do ar, queimada de canaviais na região etc. Para os brasileiros, isso é inofensivo comparado ao que os ambientalistas queriam.
Em contrapartida, o segundo relatório detalhado sobre critérios sociais deve vir dos produtores do combustível. Uma usina de álcool em Sao Paulo vai ter de explicar ponto por ponto se respeita - e como - as condições de trabalho. Resta uma cláusula atenuante, pela qual a Comissão Européia pode determinar quais informações são realmente relevantes.
Por um acordo na Rodada Doha, o Brasil terá entre 4% e 10% do mercado de etanol europeu ao longo de sete anos. Com regras claras de sustentabilidade, fica difícil para a UE dar com uma mão (as cotas) e tirar com a outra (por meio de exigências duras). Atualmente, o Brasil já tem 70% do mercado do velho continente. Com critérios de sustentabilidade considerados equilibrados, a tendência é de o comércio ter previsibilidade.
O diálogo do Brasil com a Comissão Européia é bom, comparado às dificuldades com o Parlamento. Uma recente reação do Brasil e outros seis países, que chegaram a ameaçar denunciar a UE na Organização Mundial do Comércio (OMC), teve efeito no acordo final, acreditam técnicos.
Na prática, as duas diretivas européias - de energias renováveis e qualidade de carburantes - são centrais para o desenvolvimento da política européia para o biocombustível e para o projeto do Brasil de tornar o etanol uma commodity global. O problema agora é nos Estados Unidos, com os planos da futura administração de Barack Obama de supostamente reduzir os subsídios para a produção americana.
05/12/2008
Fonte: Valoronline
A União Européia encerrou na quinta-feira a batalha interna que travava sobre o futuro dos biocombustíveis - etanol e biodiesel - em seus planos de maior utilização de energias renováveis. A conclusão do impasse, menos restritiva à agroenergia, foi comemorada pelo Brasil e deverá ajudar na criação do mercado global para o etanol.
A briga envolvia a meta obrigatória proposta pela Comissão Européia de uso de 10% de energia renovável nos transportes até 2020 para combater o aquecimento global. Grande parte disso deve vir de etanol e biodiesel, criando um amplo mercado que deve ser atendido por exportadores como o Brasil.
Mantida a meta, vem a exigência de critérios de sustentabilidade para etanol e biodiesel, que pode se transformar em uma "armadilha ecológica". Dai a importância do acordo, já que os critérios propostos pelo Parlamento Europeu eram tão restritivos que a produção de etanol só seria possível no deserto, pelos cálculos brasileiros.
Parlamentares queriam reduzir a parte de biocombustíveis e atribuir uma fatia maior da meta para a promoção de energia eólica e solar, entre outras. Mas na quinta-feira, enfim, as três grandes instituições do bloco - Comissão Européia (braço executivo da UE), Conselho (que reúne os governos), e Parlamento - chegaram a outro compromisso.
"Pelas informações de que dispomos, os resultados foram muito satisfatórios para os interesses do Brasil e de outros países em desenvolvimento", afirmou o embaixador brasileiro junto à UE, Ricardo Neiva Tavares. Já o deputado Claude Turmes, negociador pelo Parlamento Europeu, disse que o percentual de 10% para os biocombustíveis foi "seriamente minado", e que o "futuro dos carros será elétrico na Europa".
Na verdade, o Parlamento chegou a propor acabar com a meta para uso de biocombustíveis, e depois tentou limitá-la a 6%. A novidade no acordo de quinta-feira é que nada disso prosperou. Foi mantida a meta de 10% de energia renovável, sem meta determinada para etanol. Ainda assim, a primeira grande ameaça contra o produto foi superada.
Energia renovável usada em trens será levada em conta, mas isso representa menos de 1%. E o espaço para etanol e biodiesel só será reduzido se as montadoras de fato conseguirem produzir um carro elétrico competitivo, o que na situação atual parece distante.
Ambientalistas tinham aberto uma guerra contra o etanol e o biodiesel também por causa do impacto sobre o uso da terra, apontando os produtos como culpados pela explosão do preço de alimentos e desmatamento de florestas.
Mas as emendas do Parlamento para restringir o uso da terra na produção do etanol no cerrado brasileiro, por exemplo, também foram excluídas do texto final. Está valendo a restrição original da Comissão Européia, de não produção de etanol nas áreas úmidas e florestais, para que ele seja considerado sustentável.
Só que aí também houve mudanças comemoradas pelo Brasil. A proposta do Parlamento sobre definição de floresta para produção sustentável de etanol era de área com 10% de cobertura de árvores. Em área com mais de 10%, a produção deveria ser proibida.
Esse conceito foi rejeitado. Prevaleceu a definição da Comissão Européia, que considera floresta tudo que tem pelo menos 30% de árvores com mais de cinco metros. Essa restrição não é considerada muito preocupante para o Brasil, porque vegetação com densidade maior não passaria em outro critério.
Para serem enquadrados nas exigências de sustentabilidade e combate ao aquecimento, os biocombustíveis têm de garantir um mínimo de redução de efeito de gases estufa. Assim, a exigência estabelecida é que o álcool tem de reduzir as emissões em 35% ou mais quando comparado à gasolina, passando para 50% em 2017. As fábricas novas que entrarem em operação a partir de 2018 terão de reduzir as emissões em 60%.
Para o etanol brasileiro, é algo tranqüilo, pois no mínimo o produto reduz as emissões em 70% - o percentual pode chegar a 90% -, segundo especialistas. A situação muda para o biodiesel de soja.
Outra preocupação envolvia restrições sobre mudança de uso da terra para biodiversidade. O Parlamento queria deixar em aberto a possibilidade de incluir novas exigências. Agora, a redação final veta a produção de etanol em áreas de de alto valor para biodiversidade, como florestas primárias, pradarias e parques nacionais.
Ponto igualmente sensível e combatido pelo Brasil envolvia o efeito indireto do biocombustível por mudanças no uso da terra. Alguns deputados europeus consideram que a produção de etanol no Nordeste brasileiro, por exemplo, escasseia a terra para produzir alimentos e leva agricultores a desmatar a Amazônia. Dessa forma, o cálculo da eficiência ambiental do etanol importado do Brasil teria que incluir o volume de emissões de gases estufa no desmatamento da Amazônia, mesmo se não foi para produzir biocombustível.
Agora, foi aprovada uma sugestão para que a Comissão Européia apresente um relatório em 2010 primeiro analisando se o problema é importante e como lidar come ele, sem pré-julgamentos.
Com relação a critérios sociais na produção de biocombustíveis, o Parlamento queria introduzir uma lista enorme de exigências. O acordo podou boa parte. Sobraram duas exigências. Uma da Comissão Européia, que vai ter de analisar o impacto da produção de biocombustíveis - posse da terra, preços dos alimentos, condições de trabalho - a cada dois anos tanto nos países exportadores como nos países-membros do próprio bloco.
Nesse caso, o relatório deve indicar se os países exportadores ratificaram as principais convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Só uma o Brasil não ratificou, sobre unicidade sindical. A Constituição brasileira estabelece que um município só pode ter um sindicato para uma categoria.
A Comissão Européia também deve relatar o impacto dos biocombustíveis em outros aspectos ambientais - água, solos e poluição do ar, queimada de canaviais na região etc. Para os brasileiros, isso é inofensivo comparado ao que os ambientalistas queriam.
Em contrapartida, o segundo relatório detalhado sobre critérios sociais deve vir dos produtores do combustível. Uma usina de álcool em Sao Paulo vai ter de explicar ponto por ponto se respeita - e como - as condições de trabalho. Resta uma cláusula atenuante, pela qual a Comissão Européia pode determinar quais informações são realmente relevantes.
Por um acordo na Rodada Doha, o Brasil terá entre 4% e 10% do mercado de etanol europeu ao longo de sete anos. Com regras claras de sustentabilidade, fica difícil para a UE dar com uma mão (as cotas) e tirar com a outra (por meio de exigências duras). Atualmente, o Brasil já tem 70% do mercado do velho continente. Com critérios de sustentabilidade considerados equilibrados, a tendência é de o comércio ter previsibilidade.
O diálogo do Brasil com a Comissão Européia é bom, comparado às dificuldades com o Parlamento. Uma recente reação do Brasil e outros seis países, que chegaram a ameaçar denunciar a UE na Organização Mundial do Comércio (OMC), teve efeito no acordo final, acreditam técnicos.
Na prática, as duas diretivas européias - de energias renováveis e qualidade de carburantes - são centrais para o desenvolvimento da política européia para o biocombustível e para o projeto do Brasil de tornar o etanol uma commodity global. O problema agora é nos Estados Unidos, com os planos da futura administração de Barack Obama de supostamente reduzir os subsídios para a produção americana.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Plano de mudanças climáticas terá metas domésticas de corte de emissões
Daniela Chiaretti, de São Paulo
27/11/2008
Fonte: Valoronline
Na segunda-feira, às 10h30 da manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará qual o plano de ação do governo sobre mudanças climáticas. A novidade é que o pacote virá com metas de redução na emissão de gases-estufa causados por desmatamento, pelo setor de transportes e pelo de energia. Serão metas nacionais e não-vinculantes, ou seja, não penduradas a nenhum compromisso internacional. Mesmo sendo objetivos apenas domésticos, trata-se de uma grande cartada: Lula dará ao Brasil cara de país protagonista no combate ao aquecimento global no mesmo dia em que, em Poznam, na Polônia, começa a megaconferência das Nações Unidas sobre clima, com milhares de delegados do mundo todo tentando avançar na costura de um acordo sobre o assunto.
As metas serão domésticas, algo como o Brasil faz habitualmente com metas de crescimento, por exemplo. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, falou sobre isso ontem, para parlamentares, políticos e ambientalistas, em dois eventos - o primeiro, um café da manhã na lanchonete do Congresso com deputados da chamada Frente Parlamentar Ambientalista e o outro à tarde, em Fortaleza, com políticos locais e presidentes de órgãos regionais.
Minc não detalhou as metas, dizendo que não estaria autorizado a isso e que não queria esvaziar o anúncio da segunda-feira. Há um mês, em entrevista exclusiva ao Valor, o ministro disse ser "perfeitamente factível" um compromisso de diminuir de 10% a 20% as emissões entre 2012 a 2020, com base no volume de emissões de 2004. Na ocasião, falava de metas obrigatórias, como um compromisso internacional no acordo que o mundo está tentando fechar para o pós-2012, quando termina o primeiro período de compromissos do Protocolo de Kyoto. Minc surpreendeu até o governo e causou "frisson" - só os países industrializados têm metas obrigatórias de cortar emissões - , mesmo sendo ambíguo e anunciando cortes confortáveis, já que partiriam de uma base próxima à atual (2004). Segundo assessores, usou a habitual estratégia de colocar dois bodes na sala e depois tirar um, deixando o interlocutor aliviado, e ele, com um trunfo garantido.
Também em Poznam o Brasil pode dar sinais positivos, com o anúncio providencial de Lula. Terá feito a lição de casa. Na conferência de 2007, em Báli, ficou acertado que países em desenvolvimento dariam sua contribuição para o problema global do aquecimento tendo metas nacionais verificáveis. "Será um divisor de águas", celebra Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace, presente ao evento em Brasília onde Minc antecipou a decisão. "O Brasil, neste momento, nem precisaria ter metas vinculantes e nem é isso que estamos cobrando", continua. "Mas é um anúncio importante, que indica forte mudança de posição", concorda Paulo Moutinho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). "Nos últimos cinco anos, o Brasil nem queria falar de metas de desmatamento na discussão de clima."
Maiores avanços podem vir no próprio plano e na política nacional de mudança climática. O evento em Brasília foi coordenado pelo Observatório do Clima, rede de ONGs que no último mês trabalhou para aperfeiçoar o Plano Nacional de Mudança Climática apresentado recentemente pelo governo. "A crítica ao plano é que ele era uma colcha de retalhos de ações que o governo já fazia. Não era um rascunho muito inspirador", diz Rubens Born, da ONG Vitae Civilis. "Era melhor ter algo menor, mas sério, do que algo ambicioso e que já começa desacreditado."
O plano, esperam os ambientalistas, poderá incorporar a meta de a matriz energética ter 30% de renováveis (eólica, solar, biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas) até 2020. Na lei, sugeriram que o Brasil tenha estudos de vulnerabilidade climática para todas as regiões. "Minc nos disse que estão cozinhando a segunda versão do plano, com metas, sem dizer quais", conta Marcio Santilli, coordenador do Instituto Socioambiental (ISA). "Disse que não será o desmatamento zero em sete anos, como queríamos, mas algo mais modesto. Mas a inclusão de metas foi uma importante conquista da sociedade civil que fez pressão."
27/11/2008
Fonte: Valoronline
Na segunda-feira, às 10h30 da manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará qual o plano de ação do governo sobre mudanças climáticas. A novidade é que o pacote virá com metas de redução na emissão de gases-estufa causados por desmatamento, pelo setor de transportes e pelo de energia. Serão metas nacionais e não-vinculantes, ou seja, não penduradas a nenhum compromisso internacional. Mesmo sendo objetivos apenas domésticos, trata-se de uma grande cartada: Lula dará ao Brasil cara de país protagonista no combate ao aquecimento global no mesmo dia em que, em Poznam, na Polônia, começa a megaconferência das Nações Unidas sobre clima, com milhares de delegados do mundo todo tentando avançar na costura de um acordo sobre o assunto.
As metas serão domésticas, algo como o Brasil faz habitualmente com metas de crescimento, por exemplo. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, falou sobre isso ontem, para parlamentares, políticos e ambientalistas, em dois eventos - o primeiro, um café da manhã na lanchonete do Congresso com deputados da chamada Frente Parlamentar Ambientalista e o outro à tarde, em Fortaleza, com políticos locais e presidentes de órgãos regionais.
Minc não detalhou as metas, dizendo que não estaria autorizado a isso e que não queria esvaziar o anúncio da segunda-feira. Há um mês, em entrevista exclusiva ao Valor, o ministro disse ser "perfeitamente factível" um compromisso de diminuir de 10% a 20% as emissões entre 2012 a 2020, com base no volume de emissões de 2004. Na ocasião, falava de metas obrigatórias, como um compromisso internacional no acordo que o mundo está tentando fechar para o pós-2012, quando termina o primeiro período de compromissos do Protocolo de Kyoto. Minc surpreendeu até o governo e causou "frisson" - só os países industrializados têm metas obrigatórias de cortar emissões - , mesmo sendo ambíguo e anunciando cortes confortáveis, já que partiriam de uma base próxima à atual (2004). Segundo assessores, usou a habitual estratégia de colocar dois bodes na sala e depois tirar um, deixando o interlocutor aliviado, e ele, com um trunfo garantido.
Também em Poznam o Brasil pode dar sinais positivos, com o anúncio providencial de Lula. Terá feito a lição de casa. Na conferência de 2007, em Báli, ficou acertado que países em desenvolvimento dariam sua contribuição para o problema global do aquecimento tendo metas nacionais verificáveis. "Será um divisor de águas", celebra Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace, presente ao evento em Brasília onde Minc antecipou a decisão. "O Brasil, neste momento, nem precisaria ter metas vinculantes e nem é isso que estamos cobrando", continua. "Mas é um anúncio importante, que indica forte mudança de posição", concorda Paulo Moutinho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). "Nos últimos cinco anos, o Brasil nem queria falar de metas de desmatamento na discussão de clima."
Maiores avanços podem vir no próprio plano e na política nacional de mudança climática. O evento em Brasília foi coordenado pelo Observatório do Clima, rede de ONGs que no último mês trabalhou para aperfeiçoar o Plano Nacional de Mudança Climática apresentado recentemente pelo governo. "A crítica ao plano é que ele era uma colcha de retalhos de ações que o governo já fazia. Não era um rascunho muito inspirador", diz Rubens Born, da ONG Vitae Civilis. "Era melhor ter algo menor, mas sério, do que algo ambicioso e que já começa desacreditado."
O plano, esperam os ambientalistas, poderá incorporar a meta de a matriz energética ter 30% de renováveis (eólica, solar, biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas) até 2020. Na lei, sugeriram que o Brasil tenha estudos de vulnerabilidade climática para todas as regiões. "Minc nos disse que estão cozinhando a segunda versão do plano, com metas, sem dizer quais", conta Marcio Santilli, coordenador do Instituto Socioambiental (ISA). "Disse que não será o desmatamento zero em sete anos, como queríamos, mas algo mais modesto. Mas a inclusão de metas foi uma importante conquista da sociedade civil que fez pressão."
FGTS pode ser sócio de empresas de saneamento
Samantha Maia, de São Paulo
27/11/2008
Fonte: Valoronline
O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) quer que o fundo deixe de ser apenas financiador de projetos de saneamento e assuma a posição de investidor direto, seja com participação minoritária em companhias do setor, seja por meio de outros instrumentos de mercado, como debêntures. De acordo com membros do Conselho do FGTS, apenas sete companhias estaduais de saneamento possuem hoje condições de tomar financiamento, distorção que tem empacado os recursos disponibilizados para investimentos no abastecimento de água e esgoto. A intenção do Conselho do FGTS é ampliar esse leque de empresas ao atuar, enquanto acionista, na melhoria de sua gestão.
O início do programa ainda depende da aprovação do texto final do plano pelo Conselho Curador do FGTS, o que deve acontecer no primeiro trimestre de 2009, e o primeiro valor a ser disponibilizado para a iniciativa é de R$ 10 bilhões, volume que pode aumentar de acordo com a demanda. "Vamos discutir com as empresas, com o governo, mas acreditamos que é um instrumento importante para conseguir capitalizar e modernizar as companhias estaduais", disse André de Souza, membro do grupo de apoio do Conselho Curador do FGTS, um dos gestores que apresentou o plano, ontem, no seminário "Reestruturação do Setor de Saneamento", organizado pelo Valor.
Desde 2003, o FGTS disponibilizou R$ 18 bilhões ao setor de saneamento, mas conseguiu emprestar apenas R$ 8 bilhões, dos quais foram efetivamente desembolsados R$ 3 bilhões. A grande contradição é que, no mesmo período, o fundo recebeu o pagamento de R$ 17 bilhões como retorno de empréstimos passados. "Não vamos deixar de financiar, mas temos vontade de fazer mais, porque os recursos não estão sendo captados por problemas de gestão das empresas", diz Souza. Joaquim Lima, superintendente do FGTS da Caixa Econômica Federal, diz que a preocupação não está apenas em conseguir liberar recursos para essas empresas com grande grau de endividamento, mas em garantir a boa gestão dos recursos. "Essas empresas têm dificuldade de gestão, e o FGTS seria um parceiro para solucionar esse problema", diz.
Os gestores do FGTS estudaram a situação financeira das companhias estaduais pelos dados do Sistema Nacional de Saneamento (Snis), e apenas uma, a Sanepar, do Paraná, foi considerada boa em todos os índices, entre eles a relação entre despesa e faturamento, perdas e números de empregados. As piores situações - entre elas a da Caesa (AP), do Deas (AC) e da Cosama (MA) - são das empresas que menos faturam e que juntas (são 12 no total) possuem uma necessidade de investimento de R$ 30 bilhões até 2020. O cruzamento das receitas com as necessidades de investimento mostrou que não dá para recuperar o setor apenas com recursos de financiamento.
O plano dos gestores do FGTS tem duas frentes. Uma, voltada às empresas financeiramente saudáveis - além de Sanepar, foram citadas Sabesp (SP) e Copasa (MG) -, é fazer aquisição de debêntures e Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDC) das companhias, entre outros instrumentos de mercado. Nesse formato, seria realizada uma emissão privada desses papeís, que seriam integralmente adquiridos pelo FGTS em condições melhores do que as praticadas no mercado, porém não reveladas pelos executivos.
Outra frente é a compra de até 49% das ações de empresas com grandes problemas de gestão e endividamento. Essa aquisição seria feita por meio de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) formada por um fundo de investimento em participações (FIP) do FGTS (90%) mais um co-investidor (10%), que pode ser público ou privado e teria a função de trazer expertise ao negócio. O FIP seria formado a partir dos recursos do Fundo de Investimento em Infra-Estrutura do FGTS.
A iniciativa abre a possibilidade tanto de empresas públicas ampliarem seus investimentos em outros Estados, como representa uma chance para as empresas privadas aumentarem sua participação no setor de saneamento. As Parcerias Público-Privadas (PPPs), que prometiam ser grandes portas de entrada, não têm se efetivado no ritmo esperado e a concessão do serviço por municípios é um processo lento. "Ter 10% em participação de uma SPE para investir em empresas estaduais é uma oportunidade de crescimento dos negócios e uma forma de contribuirmos levando experiência de eficiência em gestão", diz Yves Besse, presidente da Abcon, entidade que representa as concessionárias privadas de água e esgoto.
Para efetivar a participação do FGTS como investidor, as empresas precisam aderir ao programa, o que dependerá de autorização da Assembléia Legislativa dos Estados. A partir disso, as empresas devem passar por uma auditoria que avaliará a empresa. O FGTS fará uma projeção sobre qual deve ser a participação do FIP e de qual será o plano de negócios que orientará os investimentos na empresa. Além dos investimentos, o plano abrangerá reestruturação administrativa, reorganização dos negócios, governança e estratégias para futura abertura de capital. "Os recursos não são livres, serão direcionados ao plano de negócios e o FGTS deverá ter participação no controle igual ao do acionista principal", diz Roberto Madoglio, gestor do Fundo de Investimento do FGTS. Como todo FIP, a idéia é investir na empresa por um determinado período e depois vender as ações valorizadas no mercado.
Segundo os representantes do FGTS, a nova atuação não interfere na função atual, e os recursos para financiamento serão mantidos, assim como o ritmo de crescimento. Para o ano que vem, serão disponibilizados R$ 5,4 bilhões para projetos de saneamento contidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Hoje, o FGTS tem R$ 210 bilhões em ativos e R$ 23 bilhões de patrimônio líquido.
Estenio Jacob, presidente da Sanepar (PR) e da Aesb, associação que representa as companhias estaduais de saneamento, diz que a iniciativa será importante para a reestruturação das empresas. "O FGTS é um parceiro importante, que entrará para contribuir e não apenas para buscar lucros." Apesar de a Sanepar não ter tido uma experiência tranqüila de abertura de capital - o Estado recuperou judicialmente em 2003 o controle da empresa, que estava, por acordo, nas mãos dos acionistas privados minoritários - Jacob considera interessante o modelo do acionista que tenha o poder de fiscalizar.
Marcelo Salles, diretor da Sabesp, companhia de saneamento de São Paulo, considera que não há dúvida de que a oportunidade será interessante às companhias que estão em dificuldade. Sobre os instrumentos de mercado a serem disponibilizados, porém, diz que ainda possui poucos detalhes para avaliar se a proposta interessa à empresa. "Temos que ver quais as condições que o FGTS dará", diz. Jacob, da Abesb, conta que num primeiro contato com o FGTS, as condições apresentadas eram semelhantes às do mercado, mas agora o fundo admite dar melhores taxas e prazos. (Com Murilo Camarotto, do Valor Online)
Notícias Relacionadas
- Setor mantém planos de investimento, apesar da crise
27/11/2008
Fonte: Valoronline
O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) quer que o fundo deixe de ser apenas financiador de projetos de saneamento e assuma a posição de investidor direto, seja com participação minoritária em companhias do setor, seja por meio de outros instrumentos de mercado, como debêntures. De acordo com membros do Conselho do FGTS, apenas sete companhias estaduais de saneamento possuem hoje condições de tomar financiamento, distorção que tem empacado os recursos disponibilizados para investimentos no abastecimento de água e esgoto. A intenção do Conselho do FGTS é ampliar esse leque de empresas ao atuar, enquanto acionista, na melhoria de sua gestão.
O início do programa ainda depende da aprovação do texto final do plano pelo Conselho Curador do FGTS, o que deve acontecer no primeiro trimestre de 2009, e o primeiro valor a ser disponibilizado para a iniciativa é de R$ 10 bilhões, volume que pode aumentar de acordo com a demanda. "Vamos discutir com as empresas, com o governo, mas acreditamos que é um instrumento importante para conseguir capitalizar e modernizar as companhias estaduais", disse André de Souza, membro do grupo de apoio do Conselho Curador do FGTS, um dos gestores que apresentou o plano, ontem, no seminário "Reestruturação do Setor de Saneamento", organizado pelo Valor.
Desde 2003, o FGTS disponibilizou R$ 18 bilhões ao setor de saneamento, mas conseguiu emprestar apenas R$ 8 bilhões, dos quais foram efetivamente desembolsados R$ 3 bilhões. A grande contradição é que, no mesmo período, o fundo recebeu o pagamento de R$ 17 bilhões como retorno de empréstimos passados. "Não vamos deixar de financiar, mas temos vontade de fazer mais, porque os recursos não estão sendo captados por problemas de gestão das empresas", diz Souza. Joaquim Lima, superintendente do FGTS da Caixa Econômica Federal, diz que a preocupação não está apenas em conseguir liberar recursos para essas empresas com grande grau de endividamento, mas em garantir a boa gestão dos recursos. "Essas empresas têm dificuldade de gestão, e o FGTS seria um parceiro para solucionar esse problema", diz.
Os gestores do FGTS estudaram a situação financeira das companhias estaduais pelos dados do Sistema Nacional de Saneamento (Snis), e apenas uma, a Sanepar, do Paraná, foi considerada boa em todos os índices, entre eles a relação entre despesa e faturamento, perdas e números de empregados. As piores situações - entre elas a da Caesa (AP), do Deas (AC) e da Cosama (MA) - são das empresas que menos faturam e que juntas (são 12 no total) possuem uma necessidade de investimento de R$ 30 bilhões até 2020. O cruzamento das receitas com as necessidades de investimento mostrou que não dá para recuperar o setor apenas com recursos de financiamento.
O plano dos gestores do FGTS tem duas frentes. Uma, voltada às empresas financeiramente saudáveis - além de Sanepar, foram citadas Sabesp (SP) e Copasa (MG) -, é fazer aquisição de debêntures e Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDC) das companhias, entre outros instrumentos de mercado. Nesse formato, seria realizada uma emissão privada desses papeís, que seriam integralmente adquiridos pelo FGTS em condições melhores do que as praticadas no mercado, porém não reveladas pelos executivos.
Outra frente é a compra de até 49% das ações de empresas com grandes problemas de gestão e endividamento. Essa aquisição seria feita por meio de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) formada por um fundo de investimento em participações (FIP) do FGTS (90%) mais um co-investidor (10%), que pode ser público ou privado e teria a função de trazer expertise ao negócio. O FIP seria formado a partir dos recursos do Fundo de Investimento em Infra-Estrutura do FGTS.
A iniciativa abre a possibilidade tanto de empresas públicas ampliarem seus investimentos em outros Estados, como representa uma chance para as empresas privadas aumentarem sua participação no setor de saneamento. As Parcerias Público-Privadas (PPPs), que prometiam ser grandes portas de entrada, não têm se efetivado no ritmo esperado e a concessão do serviço por municípios é um processo lento. "Ter 10% em participação de uma SPE para investir em empresas estaduais é uma oportunidade de crescimento dos negócios e uma forma de contribuirmos levando experiência de eficiência em gestão", diz Yves Besse, presidente da Abcon, entidade que representa as concessionárias privadas de água e esgoto.
Para efetivar a participação do FGTS como investidor, as empresas precisam aderir ao programa, o que dependerá de autorização da Assembléia Legislativa dos Estados. A partir disso, as empresas devem passar por uma auditoria que avaliará a empresa. O FGTS fará uma projeção sobre qual deve ser a participação do FIP e de qual será o plano de negócios que orientará os investimentos na empresa. Além dos investimentos, o plano abrangerá reestruturação administrativa, reorganização dos negócios, governança e estratégias para futura abertura de capital. "Os recursos não são livres, serão direcionados ao plano de negócios e o FGTS deverá ter participação no controle igual ao do acionista principal", diz Roberto Madoglio, gestor do Fundo de Investimento do FGTS. Como todo FIP, a idéia é investir na empresa por um determinado período e depois vender as ações valorizadas no mercado.
Segundo os representantes do FGTS, a nova atuação não interfere na função atual, e os recursos para financiamento serão mantidos, assim como o ritmo de crescimento. Para o ano que vem, serão disponibilizados R$ 5,4 bilhões para projetos de saneamento contidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Hoje, o FGTS tem R$ 210 bilhões em ativos e R$ 23 bilhões de patrimônio líquido.
Estenio Jacob, presidente da Sanepar (PR) e da Aesb, associação que representa as companhias estaduais de saneamento, diz que a iniciativa será importante para a reestruturação das empresas. "O FGTS é um parceiro importante, que entrará para contribuir e não apenas para buscar lucros." Apesar de a Sanepar não ter tido uma experiência tranqüila de abertura de capital - o Estado recuperou judicialmente em 2003 o controle da empresa, que estava, por acordo, nas mãos dos acionistas privados minoritários - Jacob considera interessante o modelo do acionista que tenha o poder de fiscalizar.
Marcelo Salles, diretor da Sabesp, companhia de saneamento de São Paulo, considera que não há dúvida de que a oportunidade será interessante às companhias que estão em dificuldade. Sobre os instrumentos de mercado a serem disponibilizados, porém, diz que ainda possui poucos detalhes para avaliar se a proposta interessa à empresa. "Temos que ver quais as condições que o FGTS dará", diz. Jacob, da Abesb, conta que num primeiro contato com o FGTS, as condições apresentadas eram semelhantes às do mercado, mas agora o fundo admite dar melhores taxas e prazos. (Com Murilo Camarotto, do Valor Online)
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- Setor mantém planos de investimento, apesar da crise
Oferta de cana crescerá pouco na safra 2009/10
De São Paulo
27/11/2008
Fonte: Valoronline
As usinas do Centro-Sul do país deverão processar na próxima safra, a 2009/10, 520 milhões de toneladas de cana. Se confirmadas as estimativas, será um crescimento de 8,3% sobre o ciclo anterior, de 480 milhões de toneladas, de acordo com a consultoria Datagro, em sua primeira previsão de safra para o próximo ciclo. No Brasil, a moagem em 2009/10 deverá ser de 588 milhões de toneladas, alta de 7,6%.
Segundo Plínio Nastari, presidente da Datagro, a moagem poderia ser ainda maior, uma vez que há maior disponibilidade de matéria-prima nos canaviais. No entanto, cerca de 40 milhões de toneladas de cana deverão ficar em pé em 2009/10, o mesmo volume previsto para este atual ciclo, 2008/09. "Se não fosse o atual cenário [de crise financeira global], a produção de cana para 2009/10 superaria os 600 milhões de toneladas", disse.
Das 35 novas unidades previstas para entrar em operação nessa safra, sete adiaram os planos para 2009. Em 2009, havia uma previsão de que 43 novas usinas começariam a moagem. No entanto, de acordo com a Datagro, apenas 25 plantas devem começar suas operações no próximo ano, incluindo as sete unidades que começariam em 2008.
Para 2009/10, a produção de açúcar no Brasil será de 32,9 milhões de toneladas, alta de 8,4% sobre o ciclo anterior. As exportações ficarão em 21,3 milhões de toneladas, aumento de 13,1%. Para o álcool, a oferta nacional está estimada em 27,721 bilhões de litros, aumento de 5,8%. Os embarques deverão recuar 25%, para 3,45 bilhões de litros. A queda tem como reflexo o recuo dos embarques para os Estados Unidos. Os estoques de passagem também deverão se manter apertados ainda na próxima safra, em 262 milhões de litros, suficientes para apenas cinco dias. "Os preços do álcool estarão firmes durante a entressafra", afirmou.
O consumo mensal de álcool combustível deverá ultrapassar a marca de 2 bilhões de litros a partir de janeiro do próximo ano.
Levantamento da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) mostra que até a primeira quinzena de novembro o volume de cana esmagada atingiu 438,45 milhões de toneladas, 10,57% acima do acumulado no mesmo período de 2007. Até o dia 15, 14 usinas já tinham encerrado a safra, ante 47 do mesmo período do ano passado.
As vendas de etanol no mercado interno continuam aquecidas. Entre 1º de abril a 15 de novembro, foram comercializados 12,84 bilhões de litros. As exportações no mesmo período somaram 3,6 bilhões de litros. A Unica mantém a expectativa das exportações da região Centro-Sul em 4,2 bilhões de litros até o fim de março de 2009.(MS)
27/11/2008
Fonte: Valoronline
As usinas do Centro-Sul do país deverão processar na próxima safra, a 2009/10, 520 milhões de toneladas de cana. Se confirmadas as estimativas, será um crescimento de 8,3% sobre o ciclo anterior, de 480 milhões de toneladas, de acordo com a consultoria Datagro, em sua primeira previsão de safra para o próximo ciclo. No Brasil, a moagem em 2009/10 deverá ser de 588 milhões de toneladas, alta de 7,6%.
Segundo Plínio Nastari, presidente da Datagro, a moagem poderia ser ainda maior, uma vez que há maior disponibilidade de matéria-prima nos canaviais. No entanto, cerca de 40 milhões de toneladas de cana deverão ficar em pé em 2009/10, o mesmo volume previsto para este atual ciclo, 2008/09. "Se não fosse o atual cenário [de crise financeira global], a produção de cana para 2009/10 superaria os 600 milhões de toneladas", disse.
Das 35 novas unidades previstas para entrar em operação nessa safra, sete adiaram os planos para 2009. Em 2009, havia uma previsão de que 43 novas usinas começariam a moagem. No entanto, de acordo com a Datagro, apenas 25 plantas devem começar suas operações no próximo ano, incluindo as sete unidades que começariam em 2008.
Para 2009/10, a produção de açúcar no Brasil será de 32,9 milhões de toneladas, alta de 8,4% sobre o ciclo anterior. As exportações ficarão em 21,3 milhões de toneladas, aumento de 13,1%. Para o álcool, a oferta nacional está estimada em 27,721 bilhões de litros, aumento de 5,8%. Os embarques deverão recuar 25%, para 3,45 bilhões de litros. A queda tem como reflexo o recuo dos embarques para os Estados Unidos. Os estoques de passagem também deverão se manter apertados ainda na próxima safra, em 262 milhões de litros, suficientes para apenas cinco dias. "Os preços do álcool estarão firmes durante a entressafra", afirmou.
O consumo mensal de álcool combustível deverá ultrapassar a marca de 2 bilhões de litros a partir de janeiro do próximo ano.
Levantamento da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) mostra que até a primeira quinzena de novembro o volume de cana esmagada atingiu 438,45 milhões de toneladas, 10,57% acima do acumulado no mesmo período de 2007. Até o dia 15, 14 usinas já tinham encerrado a safra, ante 47 do mesmo período do ano passado.
As vendas de etanol no mercado interno continuam aquecidas. Entre 1º de abril a 15 de novembro, foram comercializados 12,84 bilhões de litros. As exportações no mesmo período somaram 3,6 bilhões de litros. A Unica mantém a expectativa das exportações da região Centro-Sul em 4,2 bilhões de litros até o fim de março de 2009.(MS)
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Decreto da Mata Atlântica é tido como exemplo de triunfo da participação popular
Mônica Pinto / AmbienteBrasil (*)
24/11/2008
Fonte: www.ambientebrasil.com.br
Como já foi amplamente divulgado, o presidente Luis Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira 21, em São Paulo, o decreto que regulamenta a Lei da Mata Atlântica (lei 11.428/06), aprovada pelo Congresso Nacional após 14 anos de tramitação. O documento será publicado nos próximos dias no Diário Oficial da União.
Afora seus méritos inegáveis no quesito de formalizar legalmente a proteção a um bioma reduzido atualmente a 7,3% de sua vegetação original, o decreto encerra um processo que simboliza a capacidade de ambientalistas e setores produtivos em estabelecer consensos, desde que haja disposição para tanto. É, em resumo, uma vitória da participação popular, a defender interesses que, no caminho, foram deixando de lado potenciais antagonismos e se afinando em prol da mesma causa.
“Não foi uma lei baixada em Brasília e que agora todo mundo tem que cumprir”, disse a AmbienteBrasil Mario Mantovani, diretor de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica. “O decreto contempla as especificidades de cada estado, traz competências locais e é fruto da participação da sociedade”.
Ele colocou ao portal que, até a assinatura pelo presidente Lula, estava “intranqüilo”, fazendo alusão direta a uma legislação recente - o decreto que flexibilizou os critérios de proteção às cavernas e grutas brasileiras, motivo de revolta da comunidade ambientalista e, mais ainda, da espeleológica.
Mas, após conferir os termos da lei, a intranqüilidade se desfez. “O decreto reafirma o que já estava sendo feito pelos Conselhos de Meio Ambiente de 17 estados que definiram o que era Mata Atlântica e seus estágios”, diz Mantovani.
Ele destaca a importância da regulamentação, agora, do manejo da Mata Atlântica pelos pequenos proprietários. “Os ruralistas diziam que essa lei era de aplicação impossível para eles”.
"O decreto é o cumpra-se da lei e contribui para alcançarmos o desmatamento ilegal zero", disse na solenidade de sexta-feira o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Segundo ele, "é fundamental incorporarmos Estados e Municípios para que seja possível atingir a meta que é recuperar a vegetação e passarmos de 7% da cobertura vegetal original para 27%".
O que o Decreto faz:
* Estabelece uma série de incentivos econômicos à produção sustentável;
* Cria incentivos financeiros para restauração dos ecossistemas;
* Estimula doações da iniciativa privada para projetos de conservação;
* Regulamenta artigo da Constituição que define a Mata Atlântica como Patrimônio Nacional, delimita o seu domínio e proíbe o desmatamento de florestas primárias;
* Estabelece procedimentos simplificados para o uso sustentável da Mata Atlântica para pequenos produtores rurais e populações tradicionais;
* Estimula o plantio de espécies nativas para recuperação de áreas e também para a produção de matéria prima florestal para uso econômico.
* Dá segurança jurídica aos que vivem e exploram recursos do bioma, pois estabelece como e onde pode haver intervenção ou uso sustentável da Mata Atlântica.
* Indica os requisitos mínimos para a elaboração do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, com o objetivo de envolver os Municípios nestes processos.
* Com informações da Assessoria de Imprensa do MMA.
24/11/2008
Fonte: www.ambientebrasil.com.br
Como já foi amplamente divulgado, o presidente Luis Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira 21, em São Paulo, o decreto que regulamenta a Lei da Mata Atlântica (lei 11.428/06), aprovada pelo Congresso Nacional após 14 anos de tramitação. O documento será publicado nos próximos dias no Diário Oficial da União.
Afora seus méritos inegáveis no quesito de formalizar legalmente a proteção a um bioma reduzido atualmente a 7,3% de sua vegetação original, o decreto encerra um processo que simboliza a capacidade de ambientalistas e setores produtivos em estabelecer consensos, desde que haja disposição para tanto. É, em resumo, uma vitória da participação popular, a defender interesses que, no caminho, foram deixando de lado potenciais antagonismos e se afinando em prol da mesma causa.
“Não foi uma lei baixada em Brasília e que agora todo mundo tem que cumprir”, disse a AmbienteBrasil Mario Mantovani, diretor de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica. “O decreto contempla as especificidades de cada estado, traz competências locais e é fruto da participação da sociedade”.
Ele colocou ao portal que, até a assinatura pelo presidente Lula, estava “intranqüilo”, fazendo alusão direta a uma legislação recente - o decreto que flexibilizou os critérios de proteção às cavernas e grutas brasileiras, motivo de revolta da comunidade ambientalista e, mais ainda, da espeleológica.
Mas, após conferir os termos da lei, a intranqüilidade se desfez. “O decreto reafirma o que já estava sendo feito pelos Conselhos de Meio Ambiente de 17 estados que definiram o que era Mata Atlântica e seus estágios”, diz Mantovani.
Ele destaca a importância da regulamentação, agora, do manejo da Mata Atlântica pelos pequenos proprietários. “Os ruralistas diziam que essa lei era de aplicação impossível para eles”.
"O decreto é o cumpra-se da lei e contribui para alcançarmos o desmatamento ilegal zero", disse na solenidade de sexta-feira o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Segundo ele, "é fundamental incorporarmos Estados e Municípios para que seja possível atingir a meta que é recuperar a vegetação e passarmos de 7% da cobertura vegetal original para 27%".
O que o Decreto faz:
* Estabelece uma série de incentivos econômicos à produção sustentável;
* Cria incentivos financeiros para restauração dos ecossistemas;
* Estimula doações da iniciativa privada para projetos de conservação;
* Regulamenta artigo da Constituição que define a Mata Atlântica como Patrimônio Nacional, delimita o seu domínio e proíbe o desmatamento de florestas primárias;
* Estabelece procedimentos simplificados para o uso sustentável da Mata Atlântica para pequenos produtores rurais e populações tradicionais;
* Estimula o plantio de espécies nativas para recuperação de áreas e também para a produção de matéria prima florestal para uso econômico.
* Dá segurança jurídica aos que vivem e exploram recursos do bioma, pois estabelece como e onde pode haver intervenção ou uso sustentável da Mata Atlântica.
* Indica os requisitos mínimos para a elaboração do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, com o objetivo de envolver os Municípios nestes processos.
* Com informações da Assessoria de Imprensa do MMA.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Brasil assina acordos de cooperação em pesquisa, mas etanol ainda é questionado
De São Paulo
20/11/2008
Fonte: Valoronline
O governo brasileiro sela hoje, durante a Conferência Internacional sobre os Biocombustíveis, em São Paulo, uma série de acordos de cooperação para o desenvolvimento de combustíveis renováveis, entre eles acordos com Dinamarca, Reino Unido e União Européia. De acordo com a conselheira da Comissão Européia, Maria da Graça Carvalho, o bloco europeu assina acordo de cooperação com o Ministério de Ciência e Tecnologia brasileiro para financiar pesquisas para desenvolver biocombustíveis.
O acordo prevê, do lado europeu, ? 4 milhões em recursos para subsidiar as pesquisas. A primeira ação será lançada em 6 de janeiro de 2009, com a abertura de um concurso de pesquisas em fontes de energia renováveis. A União Européia tem por meta aumentar a participação de fontes de renováveis em sua matriz energética para 20% até 2020. Para isso, o bloco tem investido em pesquisas com utilização de hidrogênio, energia solar fotovoltaica e fusão nuclear. O bloco discute a inclusão do Brasil no consórcio internacional de pesquisas para gerar energia a partir da fusão nuclear.
Maria da Graça é bastante enfática sobre as intenções da União Européia em relação ao Brasil na área de pesquisa. "A Europa quer desenvolver um biocombustível que seja sustentável social e ambientalmente e que possa ser produzido pelos países europeus. A solução teria de ser uma matéria-prima adaptada ao clima temperado", afirmou, excluindo dessa forma a cana como alternativa.
O presidente da empresa americana Amyris Biotechnologies, John Melo, seguindo a linha de outros representantes dos Estados Unidos que participam do encontro, afirmou de forma taxativa que o etanol brasileiro não é a solução definitiva para substituir os combustíveis fósseis. "O etanol pode substituir o diesel a um custo competitivo? É possível produzir combustíveis a partir da cana sem usar combustíveis fósseis no processo produtivo? Nos EUA foram investidos mais de US$ 40 bilhões nas usinas de etanol e elas estão falidas por ineficiência. Precisamos de fontes mais eficientes e menos onerosas", afirmou.
O presidente da Embrapa, Silvio Crestana, reconheceu que há preocupação dos países em manter a soberania energética. Para ele, não existirá um biocombustível produzido no mundo todo a partir de uma única matéria-prima. "As soluções serão regionais, adaptadas a cada bioma. Nessa primeira fase, as pesquisas vão se voltar para soluções nacionais." (CB)
20/11/2008
Fonte: Valoronline
O governo brasileiro sela hoje, durante a Conferência Internacional sobre os Biocombustíveis, em São Paulo, uma série de acordos de cooperação para o desenvolvimento de combustíveis renováveis, entre eles acordos com Dinamarca, Reino Unido e União Européia. De acordo com a conselheira da Comissão Européia, Maria da Graça Carvalho, o bloco europeu assina acordo de cooperação com o Ministério de Ciência e Tecnologia brasileiro para financiar pesquisas para desenvolver biocombustíveis.
O acordo prevê, do lado europeu, ? 4 milhões em recursos para subsidiar as pesquisas. A primeira ação será lançada em 6 de janeiro de 2009, com a abertura de um concurso de pesquisas em fontes de energia renováveis. A União Européia tem por meta aumentar a participação de fontes de renováveis em sua matriz energética para 20% até 2020. Para isso, o bloco tem investido em pesquisas com utilização de hidrogênio, energia solar fotovoltaica e fusão nuclear. O bloco discute a inclusão do Brasil no consórcio internacional de pesquisas para gerar energia a partir da fusão nuclear.
Maria da Graça é bastante enfática sobre as intenções da União Européia em relação ao Brasil na área de pesquisa. "A Europa quer desenvolver um biocombustível que seja sustentável social e ambientalmente e que possa ser produzido pelos países europeus. A solução teria de ser uma matéria-prima adaptada ao clima temperado", afirmou, excluindo dessa forma a cana como alternativa.
O presidente da empresa americana Amyris Biotechnologies, John Melo, seguindo a linha de outros representantes dos Estados Unidos que participam do encontro, afirmou de forma taxativa que o etanol brasileiro não é a solução definitiva para substituir os combustíveis fósseis. "O etanol pode substituir o diesel a um custo competitivo? É possível produzir combustíveis a partir da cana sem usar combustíveis fósseis no processo produtivo? Nos EUA foram investidos mais de US$ 40 bilhões nas usinas de etanol e elas estão falidas por ineficiência. Precisamos de fontes mais eficientes e menos onerosas", afirmou.
O presidente da Embrapa, Silvio Crestana, reconheceu que há preocupação dos países em manter a soberania energética. Para ele, não existirá um biocombustível produzido no mundo todo a partir de uma única matéria-prima. "As soluções serão regionais, adaptadas a cada bioma. Nessa primeira fase, as pesquisas vão se voltar para soluções nacionais." (CB)
Área para produção de biocombustíveis pode subir 54 milhões de hectares até 2014
Bettina Barros, de São Paulo
20/11/2008
Fonte: Valoronline
Nos próximos cinco anos, o mundo necessitará de até 54 milhões de hectares a mais para atender ao consumo mundial de biocombustíveis, sendo que até 90% desse total virá da América do Sul. Essa demanda adicional por terras - ativo cada vez mais cobiçado - deverá ter impacto negativo para o ambiente, contrariando as discussões de preservação da biodiversidade e de redução de carbono.
Mas nem tudo está perdido. Uma saída viável seria canalizar esses milhões de hectares para áreas de pastagens e combiná-los com um modelo de pecuária intensiva. Isso poderia tornar o Brasil, maior produtor de biocombustível do continente, em um "modelo ambiental e uma superpotência agrícola a ser invejada pelo mundo".
Essas são as principais conclusões do relatório divulgado pela organização ambiental The Nature Conservancy (TNC). Intitulado "Uma Oportunidade para o Brasil: Minimizando os Custos Ambientais da Expansão dos Biocombustíveis", o estudo foi elaborado pela LMC International, consultoria de commodities agrícolas do Reino Unido, com o objetivo de quantificar o potencial da área destinada aos biocombustíveis em 2014.
A divulgação coincide com a realização da Conferência Internacional dos Biocombustíveis, e a data não é aleatória: o seminário promovido pelo governo tenta fechar o foco no etanol, apesar do nome. "O debate é mais que isso. O que dizemos é que a cana não desmata a Amazônia, e a soja sim", diz Ana Cristina Barros, da TNC. O grão é a principal matéria-prima para produção de biodiesel no país.
O objeto de trabalho do relatório é o Cerrado. É neste bioma, que abastece boa parte do país de água e onde a soja se alastra, que a demanda por terra para biocombustíveis se concentrará. Com base em censos agropecuários de 1970 a 2006, os especialistas debruçaram-se sobre três cenários: manutenção do quadro econômico, comércio aumentado e crescimento mundial lento. Para comparação, foram usados dados de terras aráveis deste ano para produção de alimento/ração e biocombustíveis.
No primeiro cenário, onde os preços de energia continuariam altos e os governos manteriam a proteção dos setores agrícolas via tarifa de importação, a área mundial para biocombustíveis cresceria dos 31 milhões de hectares atuais para 85 milhões.
Com crescimento lento, cenário mais provável, a área atingiria 42 milhões de hectares. Na hipótese de melhora no comércio, onde os preços de energia continuariam altos, mas com redução de barreiras comerciais, a área passaria de 31 milhões para 58 milhões de hectares. A expansão seria menor, porque a redução de subsídios impulsionaria a produção de biocombustível para regiões eficientes e com disponibilidade de terra, diz David Cleary, diretor da TNC.
A questão central na expansão das terras para biocombustíveis é a pecuária. Nos últimos 20 anos, o país registrou queda gradativa de pastagens para áreas destinadas ao plantio. Ao mesmo tempo, a concentração de cabeças de gado por hectare subiu. Se essas linhas continuarem, diz o estudo, os impactos ambientais serão menores.
"Teoricamente, a expansão do biocombustível nos pastos desmatados acomodaria toda a demanda futura de terra a um custo baixo em termos de conservação e biodiversidade", conclui o estudo.
20/11/2008
Fonte: Valoronline
Nos próximos cinco anos, o mundo necessitará de até 54 milhões de hectares a mais para atender ao consumo mundial de biocombustíveis, sendo que até 90% desse total virá da América do Sul. Essa demanda adicional por terras - ativo cada vez mais cobiçado - deverá ter impacto negativo para o ambiente, contrariando as discussões de preservação da biodiversidade e de redução de carbono.
Mas nem tudo está perdido. Uma saída viável seria canalizar esses milhões de hectares para áreas de pastagens e combiná-los com um modelo de pecuária intensiva. Isso poderia tornar o Brasil, maior produtor de biocombustível do continente, em um "modelo ambiental e uma superpotência agrícola a ser invejada pelo mundo".
Essas são as principais conclusões do relatório divulgado pela organização ambiental The Nature Conservancy (TNC). Intitulado "Uma Oportunidade para o Brasil: Minimizando os Custos Ambientais da Expansão dos Biocombustíveis", o estudo foi elaborado pela LMC International, consultoria de commodities agrícolas do Reino Unido, com o objetivo de quantificar o potencial da área destinada aos biocombustíveis em 2014.
A divulgação coincide com a realização da Conferência Internacional dos Biocombustíveis, e a data não é aleatória: o seminário promovido pelo governo tenta fechar o foco no etanol, apesar do nome. "O debate é mais que isso. O que dizemos é que a cana não desmata a Amazônia, e a soja sim", diz Ana Cristina Barros, da TNC. O grão é a principal matéria-prima para produção de biodiesel no país.
O objeto de trabalho do relatório é o Cerrado. É neste bioma, que abastece boa parte do país de água e onde a soja se alastra, que a demanda por terra para biocombustíveis se concentrará. Com base em censos agropecuários de 1970 a 2006, os especialistas debruçaram-se sobre três cenários: manutenção do quadro econômico, comércio aumentado e crescimento mundial lento. Para comparação, foram usados dados de terras aráveis deste ano para produção de alimento/ração e biocombustíveis.
No primeiro cenário, onde os preços de energia continuariam altos e os governos manteriam a proteção dos setores agrícolas via tarifa de importação, a área mundial para biocombustíveis cresceria dos 31 milhões de hectares atuais para 85 milhões.
Com crescimento lento, cenário mais provável, a área atingiria 42 milhões de hectares. Na hipótese de melhora no comércio, onde os preços de energia continuariam altos, mas com redução de barreiras comerciais, a área passaria de 31 milhões para 58 milhões de hectares. A expansão seria menor, porque a redução de subsídios impulsionaria a produção de biocombustível para regiões eficientes e com disponibilidade de terra, diz David Cleary, diretor da TNC.
A questão central na expansão das terras para biocombustíveis é a pecuária. Nos últimos 20 anos, o país registrou queda gradativa de pastagens para áreas destinadas ao plantio. Ao mesmo tempo, a concentração de cabeças de gado por hectare subiu. Se essas linhas continuarem, diz o estudo, os impactos ambientais serão menores.
"Teoricamente, a expansão do biocombustível nos pastos desmatados acomodaria toda a demanda futura de terra a um custo baixo em termos de conservação e biodiversidade", conclui o estudo.
Reino Unido vota lei de mudanças climáticas
Daniela Chiaretti, de Londres
19/11/2008
Fonte: Valoronline
Nos próximos dias, o Parlamento do Reino Unido votará a Lei de Mudanças Climáticas. Trata-se do passo mais forte e inovador do país onde nasceu a Revolução Industrial rumo a uma economia de baixo carbono. E será o indicador mais evidente que o governo Gordon Brown continuará investindo no combate à mudança climática mesmo com o país em recessão.
"Mesmo com as dificuldades econômicas que claramente estamos enfrentando aqui, não acreditamos que este é o momento de virar as costas ao nosso pacote de combate ao aquecimento global", diz Joan Ruddock, a secretária de Estado para Mudança Climática do Reino Unido. "Se não nos movimentarmos para uma economia de baixo carbono, não teremos futuro", continua, anunciando que para ter segurança energética o país vai investir "pesadamente" em energias renováveis e iniciar, possivelmente, um novo programa nuclear. Segundo compromissos acertados com a União Européia, o Reino Unido pretende reduzir suas emissões de gases-estufa em 20% até 2020 e em 80% até 2050.
"Somos uma ilha de muito vento, é o lugar onde mais venta na Europa. Temos grande potencial de energia das marés. Só não temos sol. Mas as renováveis nos desenham um futuro promissor", prossegue Joan. "Podemos criar muitos novos empregos nesta trilha. Mesmo sabendo que vamos ter desaceleração econômica, que podemos passar por uma fase dura neste país, não achamos que é hora de desistir deste rumo".
Recentemente o Reino Unido conseguiu o inimaginável - juntou raposa e galinhas no mesmo lugar, no novo Department of Energy and Climate Change, o DECC. O recém-criado ministério nasceu da união do antigo DEFRA (Department for Environment, Food and Rural Affairs) e o Grupo de Energia que era ligado ao Department for Business, Enterprise and Regulatory Reform. Quem cuida da nova pasta, considerada estratégica por juntar ambiente e energia, é Ed Miliband, irmão do chanceler britânico, David Miliband.
A reforma ministerial de Gordon Brown atinge o ápice do conceito de transversalidade que os ambientalistas tanto defendem. "A fusão aconteceu pela óbvia razão que quando olhamos para as emissões do Reino Unido, dois terços vêm do uso de energia. Se queremos enfrentar a mudança climática é aqui que temos que trabalhar mais", diz Joan Ruddock. "Juntando energia e ambiente podemos ter um foco apurado das coisas."
Está na legislação sobre mudanças climáticas o que o Reino Unido já anunciou publicamente: o compromisso de reduzir suas emissões em 80% em 2050. Há uma meta mais próxima, cortar em 20% até 2020. O objetivo doméstico pode aumentar para 26% ou 28% - as ONGs ambientalistas querem 40%.
"Há países da UE que já disseram que o bloco não deveria ir adiante com um pacote de metas tão ambicioso (20% em 2020) diante da crise. Mas a posição do meu governo é que este não é o momento de virarmos as costas ao aquecimento global. Temos que continuar com o que já sabemos que é possível. Esperamos que esta crise não seja longa. Mesmo com coisas mais difíceis no presente, só chegaremos às metas no futuro se fizermos mudanças agora", repete.
"Por exemplo: os fabricantes de automóveis estão muito preocupados porque as vendas caíram muito. Mas carros estarão nas nossas ruas em 2020. Então este é o momento de produzirem automóveis que emitam muito menos. A hora é agora. O que estamos dizendo é: planejem os carros."
A jornalista viajou a convite do governo do Reino Unido
19/11/2008
Fonte: Valoronline
Nos próximos dias, o Parlamento do Reino Unido votará a Lei de Mudanças Climáticas. Trata-se do passo mais forte e inovador do país onde nasceu a Revolução Industrial rumo a uma economia de baixo carbono. E será o indicador mais evidente que o governo Gordon Brown continuará investindo no combate à mudança climática mesmo com o país em recessão.
"Mesmo com as dificuldades econômicas que claramente estamos enfrentando aqui, não acreditamos que este é o momento de virar as costas ao nosso pacote de combate ao aquecimento global", diz Joan Ruddock, a secretária de Estado para Mudança Climática do Reino Unido. "Se não nos movimentarmos para uma economia de baixo carbono, não teremos futuro", continua, anunciando que para ter segurança energética o país vai investir "pesadamente" em energias renováveis e iniciar, possivelmente, um novo programa nuclear. Segundo compromissos acertados com a União Européia, o Reino Unido pretende reduzir suas emissões de gases-estufa em 20% até 2020 e em 80% até 2050.
"Somos uma ilha de muito vento, é o lugar onde mais venta na Europa. Temos grande potencial de energia das marés. Só não temos sol. Mas as renováveis nos desenham um futuro promissor", prossegue Joan. "Podemos criar muitos novos empregos nesta trilha. Mesmo sabendo que vamos ter desaceleração econômica, que podemos passar por uma fase dura neste país, não achamos que é hora de desistir deste rumo".
Recentemente o Reino Unido conseguiu o inimaginável - juntou raposa e galinhas no mesmo lugar, no novo Department of Energy and Climate Change, o DECC. O recém-criado ministério nasceu da união do antigo DEFRA (Department for Environment, Food and Rural Affairs) e o Grupo de Energia que era ligado ao Department for Business, Enterprise and Regulatory Reform. Quem cuida da nova pasta, considerada estratégica por juntar ambiente e energia, é Ed Miliband, irmão do chanceler britânico, David Miliband.
A reforma ministerial de Gordon Brown atinge o ápice do conceito de transversalidade que os ambientalistas tanto defendem. "A fusão aconteceu pela óbvia razão que quando olhamos para as emissões do Reino Unido, dois terços vêm do uso de energia. Se queremos enfrentar a mudança climática é aqui que temos que trabalhar mais", diz Joan Ruddock. "Juntando energia e ambiente podemos ter um foco apurado das coisas."
Está na legislação sobre mudanças climáticas o que o Reino Unido já anunciou publicamente: o compromisso de reduzir suas emissões em 80% em 2050. Há uma meta mais próxima, cortar em 20% até 2020. O objetivo doméstico pode aumentar para 26% ou 28% - as ONGs ambientalistas querem 40%.
"Há países da UE que já disseram que o bloco não deveria ir adiante com um pacote de metas tão ambicioso (20% em 2020) diante da crise. Mas a posição do meu governo é que este não é o momento de virarmos as costas ao aquecimento global. Temos que continuar com o que já sabemos que é possível. Esperamos que esta crise não seja longa. Mesmo com coisas mais difíceis no presente, só chegaremos às metas no futuro se fizermos mudanças agora", repete.
"Por exemplo: os fabricantes de automóveis estão muito preocupados porque as vendas caíram muito. Mas carros estarão nas nossas ruas em 2020. Então este é o momento de produzirem automóveis que emitam muito menos. A hora é agora. O que estamos dizendo é: planejem os carros."
A jornalista viajou a convite do governo do Reino Unido
Especialistas pedem regras para biocombustíveis
Cibelle Bouças, de São Paulo
19/11/2008
Fonte: Valoronline
A cobrança para que países desenvolvidos e emergentes definam rapidamente regras para a inclusão de biocombustíveis e outras fontes renováveis nas matrizes energéticas deu a tônica das discussões realizadas ontem durante a "Conferência Internacional sobre Biocombustíveis" em São Paulo. Houve consenso entre os participantes de que a inclusão das energias renováveis nos programas de governo demandaria, além de discussões sobre a soberania energética, a criação de regras para mitigar as emissões de gases de efeito estufa, racionalizar o uso da terra e da água, garantir a segurança alimentar, gerar emprego e renda e preservar os ecossistemas.
O Brasil foi citado como o país que mais avançou na diversificação de sua matriz energética e na criação de políticas que integram o interesse energético à geração de emprego e à auto-suficiência em oferta de alimentos. "Produção não é o único critério a ser considerado ao se avaliar a sustentabilidade da produção energética", resumiu o diretor da ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi. Ele citou o programa Selo Social do governo federal, que certifica as usinas de biodiesel que utilizam pelo menos 10% de matérias-primas produzidas por agricultores familiares, como exemplo de iniciativa que une a diversificação da matriz energética à geração de emprego e renda.
A secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) das Nações Unidas, Alicia Bárcena, citou um estudo realizado pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, sigla em inglês), que prevê a geração de 20 milhões de postos de trabalho até 2030 com o avanço dos programas de energia renovável. Atualmente, 470 mil pessoas trabalham na geração de energia eólica e solar e mais 1,2 milhão de pessoas operam em usinas que geram energia a partir da biomassa. Em 2030, o número de contratados nessas usinas de biocombustíveis deve chegar a 12 milhões, sendo que o maior número de contratações ocorrerá no Brasil, nos Estados Unidos, na Alemanha e na China.
Alicia observou que outros países da América Latina também têm condições de incrementar a produção de biocombustíveis, sobretudo o etanol obtido do melaço da cana-de-açúcar, ampliando a geração de emprego sem comprometer o ambiente e a oferta de alimentos. Entre os países estão Cuba, Guiana, Nicarágua, Guatemala, El Salvador, Colômbia e Paraguai. Hoje, disse, é possível que os países substituam 10% do consumo de gasolina por etanol sem grandes necessidades de modificação nos motores dos veículos. E essa ampliação seria possível utilizando, por exemplo, áreas de pastagem degradadas. "No Brasil, de cada três hectares de pastagem, dois hectares estão degradados ou são mal utilizados", disse. Segundo Alicia, a maioria dos países da América Latina tem condições de produzir biocombustíveis em volume suficiente para consumo próprio e para exportação.
O presidente do grupo Sekab, maior importador europeu do etanol brasileiro, afirmou que é preciso estabelecer regras, metas e padrões para o mercado de biocombustíveis mas, antes disso, se faz necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa por meio da melhoria de eficiência no uso das energias convencionais. "É preciso maximizar o uso das energias já existentes para que os biocombustíveis também sejam utilizados com sensatez. De nada adianta o mundo utilizar carros flexfuel [bicombustíveis] se as pessoas comprarem mais veículos e na somatória final a emissão de gases de efeito estufa continuar a mesma."
O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, alertou para a necessidade de que cada país desenvolva políticas para alterar suas matrizes energéticas.
"Independentemente da regularização de um mercado internacional de energia limpa, cada país deve desenvolver políticas públicas e definir a sua matriz energética. Exportar biocombustível deve ser uma preocupação posterior à necessidade ambiental de conter o aquecimento global", afirmou Iglesias.
Ontem, durante o seminário, a representante da Cepal juntamente com o representante da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva, e o diretor, e o gerente de biocombustíveis do BNDES, Paulo Faveret Filho, lançaram o livro "Bioetanol de cana-de-açúcar". Idealizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apelidado por seus organizadores como "o livro verde", a obra reúne uma série de estudos sobre a economicidade e competitividade do etanol de cana-de-açúcar enquanto alternativa ao uso de combustíveis fósseis líquidos.
Alicia citou, por exemplo, cálculos demonstrando que o etanol de cana é competitivo com o petróleo cotado a até US$ 45 por barril, enquanto o etanol a partir do milho só é economicamente viável com o petróleo acima de US$ 70 o barril. Além disso, a produção do etanol de cana permite reduzir em 89% as emissões de gases de efeito estufa, enquanto o etanol de milho reduz as emissões em no máximo 38%.
19/11/2008
Fonte: Valoronline
A cobrança para que países desenvolvidos e emergentes definam rapidamente regras para a inclusão de biocombustíveis e outras fontes renováveis nas matrizes energéticas deu a tônica das discussões realizadas ontem durante a "Conferência Internacional sobre Biocombustíveis" em São Paulo. Houve consenso entre os participantes de que a inclusão das energias renováveis nos programas de governo demandaria, além de discussões sobre a soberania energética, a criação de regras para mitigar as emissões de gases de efeito estufa, racionalizar o uso da terra e da água, garantir a segurança alimentar, gerar emprego e renda e preservar os ecossistemas.
O Brasil foi citado como o país que mais avançou na diversificação de sua matriz energética e na criação de políticas que integram o interesse energético à geração de emprego e à auto-suficiência em oferta de alimentos. "Produção não é o único critério a ser considerado ao se avaliar a sustentabilidade da produção energética", resumiu o diretor da ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi. Ele citou o programa Selo Social do governo federal, que certifica as usinas de biodiesel que utilizam pelo menos 10% de matérias-primas produzidas por agricultores familiares, como exemplo de iniciativa que une a diversificação da matriz energética à geração de emprego e renda.
A secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) das Nações Unidas, Alicia Bárcena, citou um estudo realizado pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, sigla em inglês), que prevê a geração de 20 milhões de postos de trabalho até 2030 com o avanço dos programas de energia renovável. Atualmente, 470 mil pessoas trabalham na geração de energia eólica e solar e mais 1,2 milhão de pessoas operam em usinas que geram energia a partir da biomassa. Em 2030, o número de contratados nessas usinas de biocombustíveis deve chegar a 12 milhões, sendo que o maior número de contratações ocorrerá no Brasil, nos Estados Unidos, na Alemanha e na China.
Alicia observou que outros países da América Latina também têm condições de incrementar a produção de biocombustíveis, sobretudo o etanol obtido do melaço da cana-de-açúcar, ampliando a geração de emprego sem comprometer o ambiente e a oferta de alimentos. Entre os países estão Cuba, Guiana, Nicarágua, Guatemala, El Salvador, Colômbia e Paraguai. Hoje, disse, é possível que os países substituam 10% do consumo de gasolina por etanol sem grandes necessidades de modificação nos motores dos veículos. E essa ampliação seria possível utilizando, por exemplo, áreas de pastagem degradadas. "No Brasil, de cada três hectares de pastagem, dois hectares estão degradados ou são mal utilizados", disse. Segundo Alicia, a maioria dos países da América Latina tem condições de produzir biocombustíveis em volume suficiente para consumo próprio e para exportação.
O presidente do grupo Sekab, maior importador europeu do etanol brasileiro, afirmou que é preciso estabelecer regras, metas e padrões para o mercado de biocombustíveis mas, antes disso, se faz necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa por meio da melhoria de eficiência no uso das energias convencionais. "É preciso maximizar o uso das energias já existentes para que os biocombustíveis também sejam utilizados com sensatez. De nada adianta o mundo utilizar carros flexfuel [bicombustíveis] se as pessoas comprarem mais veículos e na somatória final a emissão de gases de efeito estufa continuar a mesma."
O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, alertou para a necessidade de que cada país desenvolva políticas para alterar suas matrizes energéticas.
"Independentemente da regularização de um mercado internacional de energia limpa, cada país deve desenvolver políticas públicas e definir a sua matriz energética. Exportar biocombustível deve ser uma preocupação posterior à necessidade ambiental de conter o aquecimento global", afirmou Iglesias.
Ontem, durante o seminário, a representante da Cepal juntamente com o representante da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva, e o diretor, e o gerente de biocombustíveis do BNDES, Paulo Faveret Filho, lançaram o livro "Bioetanol de cana-de-açúcar". Idealizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apelidado por seus organizadores como "o livro verde", a obra reúne uma série de estudos sobre a economicidade e competitividade do etanol de cana-de-açúcar enquanto alternativa ao uso de combustíveis fósseis líquidos.
Alicia citou, por exemplo, cálculos demonstrando que o etanol de cana é competitivo com o petróleo cotado a até US$ 45 por barril, enquanto o etanol a partir do milho só é economicamente viável com o petróleo acima de US$ 70 o barril. Além disso, a produção do etanol de cana permite reduzir em 89% as emissões de gases de efeito estufa, enquanto o etanol de milho reduz as emissões em no máximo 38%.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Fibra de banana é usada na produção de chapéu, bolsa e objetos decorativos
07/11/2008
Fonte: www.ambientebrasil.com.br
É no meio do bananal que o agricultor Afonso Konrad se realiza. Desde o início deste ano, ele descobriu outra forma de tirar uma renda extra. A fibra da bananeira, que se será comercializada, é retirada. "A gente tira e não quebra", falou seu Afonso.
As mulheres dão seqüência às tarefas. Elas dividem a fibra por partes. Todo cuidado é pouco para evitar acidentes e garantir uma fibra perfeita que, depois de lavada e seca, fica pronta para seguir outro rumo. "A gente tem tudo pronto para vender", falou a agricultora Sandra Konrad.
Do campo a fibra é levada para a cidade, onde ganha forma. Artesãos produzem chapéu, bolsa e objetos decorativos. O que não falta é inspiração vinda da natureza. Com a fibra da bananeira também é possível fazer embalagens para presentes, enfeites de natal e até chinelos.
Móveis - Além do artesanato, a fibra dá um charme especial aos móveis. Cobre sofás, cadeiras e mesas. Tudo é vendido para três empresas especializadas. São idéias que mudaram a vida da microempresária Sandra Tomanini. Há quatro anos, quando abriu a empresa, eram três funcionários. Hoje, são 17. "Toda a ampliação veio com o trabalho que a gente está fazendo com a fibra de bananeira", falou Sandra.
Santa Catarina é o terceiro maior produtor nacional de banana. Fica atrás da Bahia e de São Paulo. (Fonte: G1)
Fonte: www.ambientebrasil.com.br
É no meio do bananal que o agricultor Afonso Konrad se realiza. Desde o início deste ano, ele descobriu outra forma de tirar uma renda extra. A fibra da bananeira, que se será comercializada, é retirada. "A gente tira e não quebra", falou seu Afonso.
As mulheres dão seqüência às tarefas. Elas dividem a fibra por partes. Todo cuidado é pouco para evitar acidentes e garantir uma fibra perfeita que, depois de lavada e seca, fica pronta para seguir outro rumo. "A gente tem tudo pronto para vender", falou a agricultora Sandra Konrad.
Do campo a fibra é levada para a cidade, onde ganha forma. Artesãos produzem chapéu, bolsa e objetos decorativos. O que não falta é inspiração vinda da natureza. Com a fibra da bananeira também é possível fazer embalagens para presentes, enfeites de natal e até chinelos.
Móveis - Além do artesanato, a fibra dá um charme especial aos móveis. Cobre sofás, cadeiras e mesas. Tudo é vendido para três empresas especializadas. São idéias que mudaram a vida da microempresária Sandra Tomanini. Há quatro anos, quando abriu a empresa, eram três funcionários. Hoje, são 17. "Toda a ampliação veio com o trabalho que a gente está fazendo com a fibra de bananeira", falou Sandra.
Santa Catarina é o terceiro maior produtor nacional de banana. Fica atrás da Bahia e de São Paulo. (Fonte: G1)
Clima da Terra flutua entre calor e frio, dizem pesquisadores
14/11/2008
Fonte: www.ambinetebrasil.com.br
As estações são cíclicas. Teoricamente, no verão o calor é forte e no inverno o frio é intenso. Alguns anos, até neva em cidades desacostumadas ao fenômeno. No outro, as estações voltam ao normal. Segundo uma pesquisa divulgada na revista “Nature” esta semana, uma situação semelhante ocorre com o clima da Terra. Mas englobando todo o planeta e que perdura milhares de anos.
Os cientistas Thomas J. Crowley e William T. Hyde, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, afirmam que entre as Eras Glaciais - períodos onde a atmosfera e os oceanos permanecem gélidos - o clima é instável. Há uma dramática flutuação climática, entre períodos extremamente quentes ou frios, que já dura mais de três milhões de anos.
De acordo com os pesquisadores, essas alterações são uma longa resposta à sutil, natural e também cíclica mudança na órbita da Terra. Ela pode ficar mais distante do Sol. A esse fato se soma às variações do gás carbônico (CO2) localizado mais próximo ao solo. Por exemplo, como ocorre com o efeito estufa, quando gases como o carbônico retém o calor no planeta.
Crowley afirma que o clima da Terra se aproxima de um ponto de bifurcação. Ele transita para um frio mais intenso. Como conseqüência a Eurásia - parte continental que forma a Europa e a Ásia - e a América do Norte serão cobertas por uma superfície de gelo que atingirá a latitude média do hemisfério norte. Chegará até a altura da França e, praticamente, cobrirá todo o Canadá.
Mas a mudança não é imediata. Segundo simulações, o fenômeno deve ocorrer entre os próximos 10.000 e 100.000 anos. O que, em termos geológicos, significa pouco tempo. Para comparar, o planeta possui por volta de 4,5 bilhões de anos.
Como fica o aquecimento global? - “A descoberta fornece uma perspectiva mais ampla sobre o clima dos últimos milhões de anos e o processo que causa essas mudanças”, diz Thomas J. Crowley ao G1. “Também um novo panorama sobre as possíveis relações mais próximas, em uma escala temporal de mil anos, com a flutuação climática que observamos em núcleos de gelo na Groelândia”, afirma.
Os dois cientistas chegaram a tais conclusões analisando, principalmente, a quantidade de radiação solar refletida pelo gelo polar. Mas os autores sugerem que mesmo uma pequena mudança no nível de gás carbônico na atmosfera, como ocorre atualmente, pode impedir indefinitivamente essa transição.
“As emissões de gás carbônico pela sociedade atual é um grande problema, pois caminhamos para uma escala de níveis de CO2 que não experimentamos por dezenas de milhões de anos”, explica. “É necessária cautela no momento em que entramos em um estado tão diferente do presente”, diz.
Crowley conta que, agora, prossegue estudando uma escala de tempo de mil anos “gravadas” do último período glacial. “O objetivo é ver se uma nova perspectiva pode nos ajudar a entender melhor as rápidas mudanças do passado na temperatura”. (Fonte: Isis Nóbile Diniz/ G1)
Fonte: www.ambinetebrasil.com.br
As estações são cíclicas. Teoricamente, no verão o calor é forte e no inverno o frio é intenso. Alguns anos, até neva em cidades desacostumadas ao fenômeno. No outro, as estações voltam ao normal. Segundo uma pesquisa divulgada na revista “Nature” esta semana, uma situação semelhante ocorre com o clima da Terra. Mas englobando todo o planeta e que perdura milhares de anos.
Os cientistas Thomas J. Crowley e William T. Hyde, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, afirmam que entre as Eras Glaciais - períodos onde a atmosfera e os oceanos permanecem gélidos - o clima é instável. Há uma dramática flutuação climática, entre períodos extremamente quentes ou frios, que já dura mais de três milhões de anos.
De acordo com os pesquisadores, essas alterações são uma longa resposta à sutil, natural e também cíclica mudança na órbita da Terra. Ela pode ficar mais distante do Sol. A esse fato se soma às variações do gás carbônico (CO2) localizado mais próximo ao solo. Por exemplo, como ocorre com o efeito estufa, quando gases como o carbônico retém o calor no planeta.
Crowley afirma que o clima da Terra se aproxima de um ponto de bifurcação. Ele transita para um frio mais intenso. Como conseqüência a Eurásia - parte continental que forma a Europa e a Ásia - e a América do Norte serão cobertas por uma superfície de gelo que atingirá a latitude média do hemisfério norte. Chegará até a altura da França e, praticamente, cobrirá todo o Canadá.
Mas a mudança não é imediata. Segundo simulações, o fenômeno deve ocorrer entre os próximos 10.000 e 100.000 anos. O que, em termos geológicos, significa pouco tempo. Para comparar, o planeta possui por volta de 4,5 bilhões de anos.
Como fica o aquecimento global? - “A descoberta fornece uma perspectiva mais ampla sobre o clima dos últimos milhões de anos e o processo que causa essas mudanças”, diz Thomas J. Crowley ao G1. “Também um novo panorama sobre as possíveis relações mais próximas, em uma escala temporal de mil anos, com a flutuação climática que observamos em núcleos de gelo na Groelândia”, afirma.
Os dois cientistas chegaram a tais conclusões analisando, principalmente, a quantidade de radiação solar refletida pelo gelo polar. Mas os autores sugerem que mesmo uma pequena mudança no nível de gás carbônico na atmosfera, como ocorre atualmente, pode impedir indefinitivamente essa transição.
“As emissões de gás carbônico pela sociedade atual é um grande problema, pois caminhamos para uma escala de níveis de CO2 que não experimentamos por dezenas de milhões de anos”, explica. “É necessária cautela no momento em que entramos em um estado tão diferente do presente”, diz.
Crowley conta que, agora, prossegue estudando uma escala de tempo de mil anos “gravadas” do último período glacial. “O objetivo é ver se uma nova perspectiva pode nos ajudar a entender melhor as rápidas mudanças do passado na temperatura”. (Fonte: Isis Nóbile Diniz/ G1)
Londres faz plano para aquecimento global
De São Paulo
13/11/2008
Fonte: Valoronline
Como estratégia para convencer quem ainda resiste a entender o que vem pela frente com o aquecimento global, o representante do governo britânico exibe um mapa do clima da Europa elaborado pela Escola Nacional de Meteorologia francesa. Em 2071, indicam os franceses, o mapa geopolítico europeu poderá ser o mesmo de hoje, diz Alex Nickson, a não ser por alguns detalhes estranhos produzidos pela mudança climática: Berlim está colocada no Marrocos, Londres foi parar em Portugal, Paris e Estocolmo surgem em território espanhol. O recado é explícito: a temperatura dessas cidades vai subir e é preciso se adaptar a isso.
"Dizem que será possível plantar uvas e produzir vinho no sul da Inglaterra", continua Nickson, gerente de estratégia de adaptação em mudança climática da Prefeitura de Londres, ao explicar a recém-divulgada estratégia elaborada pela administração do prefeito Boris Johnson. Essa foi a única brincadeira que ele faz durante a apresentação do plano. Nenhuma outra metrópole do mundo tem algo parecido. Desde que o plano foi lançado, há um mês, Nikson foi chamado para falar em Tóquio, Amsterdã e Paris sobre como os londrinos enfrentarão os impactos da mudança climática.
O cuidado com que a cidade de Londres está se preparando para os efeitos da inevitável mudança passa pela discussão de investir bilhões de libras em uma nova barreira de diques que segure o avanço do mar (debate suspenso no momento) ao tipo de metal a ser usado nos trilhos do metrô para que funcionem bem com o aumento da temperatura. A cada sete anos os trilhos do ultrafamoso Tube passam por manutenção e troca. Agora, a busca tem sido por uma liga que não se expanda tanto com o calor mais intenso que se espera no futuro.
"Por que adaptar?", começa Nickson. "Porque as mudanças climáticas são inevitáveis, porque não estamos sequer bem adaptados ao clima atual e porque medidas pró-ativas são muito mais baratas e mais eficazes do que atitudes reativas", prossegue, mostrando que a administração pública segue à risca a cartilha indicada no Relatório Stern.
Há dois anos, o economista Nicholas Stern aconselhou o então primeiro-ministro Tony Blair a admitir a inevitabilidade do fenômeno e a entender que a economia britânica deveria se movimentar rumo a tecnologias limpas, hábitos sustentáveis e políticas ambientalmente seguras. "Londres terá de enfrentar eventos climáticos extremos e o aumento do nível do mar. Isso significa mais cheias, mais secas e mais ondas de calor."
A capital britânica tem 7,4 milhões de habitantes, e 1,5 milhão vive em áreas sujeitas a enchentes. No mapa da vulnerabilidade que a Prefeitura de Londres prospectou há 441 escolas (14% do total existente na cidade), 10 hospitais, 46 delegacias de polícia, 20 bases do Corpo de Bombeiros, uma cadeia, 49 estações de trem, 75 estações do metrô (são 291 ao todo) e um aeroporto. "Sabemos que 15% da cidade está na linha das enchentes", diz Nickson. "Se o futuro é incerto, vamos esperar que aconteça para tomar decisões ou o melhor é agir agora?", cutuca o especialista.
As vulnerabilidades de Londres frente ao aquecimento global estão assim mapeadas: enchentes, calor forte, problemas com o abastecimento de água, problemas de qualidade do ar, ventos muito fortes. Não é de hoje que a cidade está preparada para enfrentar enchentes provocadas pela subida das marés, do Tâmisa e de seus 11 tributários, mas as cheias provocadas também pelo aumento das chuvas são um grande motivo de preocupação, diz o técnico. "Este é um grande risco. Temos 100 mil casas com padrões muito baixos de proteção", alerta.
Outro foco é treinar a população para o que fazer no caso de enchentes. Uma enquete recente indicou uma tendência preocupante: 60% das pessoas iria para o metrô no caso de ter que enfrentar uma cheia, esquecendo que as estações podem ser os primeiros lugares a inundar. "Temos que dizer às pessoas o que fazer para que não entrem em pânico."
Para enfrentar verões mais quentes e secos e, ao mesmo tempo, ter alguma defesa contra as cheias, a estratégia é o "urban greening programme", um programa que pretende tornar Londres mais verde. "Espaços mais verdes absorvem mais água", lembra ele. O governo estuda importar a tecnologia de Tóquio de asfaltar a cidade com uma liga que leva pneus triturados e que deixa a água da chuva penetrar no solo e não absorve tanto calor. Já se sabe que o centro de Londres alcança 5 graus a mais de temperatura do que a periferia. "Os arquitetos vão ter que desenhar para o futuro, não para os dias de hoje", avisa. No plano, a idéia é tornar verde até os telhados das moradias.
As altas temperaturas do verão de 2003, que provocaram a morte de milhares de europeus, são um trauma não superado. Os britânicos buscaram inspiração na Filadélfia e planejam ter um sistema constante de ambulâncias, devidamente refrigeradas, para transportar idosos a prédios públicos com ar-condicionado durante dias muito quentes. "Não estamos acostumados ao calor muito forte. Sabemos que duas a três horas em ambientes mais refrigerados podem prevenir a morte de pessoas mais sensíveis."
O Reino Unido não parece estar brincando com este assunto, embora possíveis investimentos em uma nova termoelétrica a carvão estejam suscitando muita polêmica. "Dependendo da decisão saberemos o quanto este governo leva a mudança climática realmente a sério", diz Keith Allot, chefe de mudanças climáticas do World Wildlife Fund, o WWF. Por enquanto, a administração local se arma para combater o fenômeno de todas as formas. Robin Gwynn, do Ministério das Relações Exteriores, por exemplo, tem o seguinte cargo estampado em seu cartão de visitas: enviado do Reino Unido para segurança climática em países vulneráveis.
A repórter viaja a convite do governo do Reino Unido
13/11/2008
Fonte: Valoronline
Como estratégia para convencer quem ainda resiste a entender o que vem pela frente com o aquecimento global, o representante do governo britânico exibe um mapa do clima da Europa elaborado pela Escola Nacional de Meteorologia francesa. Em 2071, indicam os franceses, o mapa geopolítico europeu poderá ser o mesmo de hoje, diz Alex Nickson, a não ser por alguns detalhes estranhos produzidos pela mudança climática: Berlim está colocada no Marrocos, Londres foi parar em Portugal, Paris e Estocolmo surgem em território espanhol. O recado é explícito: a temperatura dessas cidades vai subir e é preciso se adaptar a isso.
"Dizem que será possível plantar uvas e produzir vinho no sul da Inglaterra", continua Nickson, gerente de estratégia de adaptação em mudança climática da Prefeitura de Londres, ao explicar a recém-divulgada estratégia elaborada pela administração do prefeito Boris Johnson. Essa foi a única brincadeira que ele faz durante a apresentação do plano. Nenhuma outra metrópole do mundo tem algo parecido. Desde que o plano foi lançado, há um mês, Nikson foi chamado para falar em Tóquio, Amsterdã e Paris sobre como os londrinos enfrentarão os impactos da mudança climática.
O cuidado com que a cidade de Londres está se preparando para os efeitos da inevitável mudança passa pela discussão de investir bilhões de libras em uma nova barreira de diques que segure o avanço do mar (debate suspenso no momento) ao tipo de metal a ser usado nos trilhos do metrô para que funcionem bem com o aumento da temperatura. A cada sete anos os trilhos do ultrafamoso Tube passam por manutenção e troca. Agora, a busca tem sido por uma liga que não se expanda tanto com o calor mais intenso que se espera no futuro.
"Por que adaptar?", começa Nickson. "Porque as mudanças climáticas são inevitáveis, porque não estamos sequer bem adaptados ao clima atual e porque medidas pró-ativas são muito mais baratas e mais eficazes do que atitudes reativas", prossegue, mostrando que a administração pública segue à risca a cartilha indicada no Relatório Stern.
Há dois anos, o economista Nicholas Stern aconselhou o então primeiro-ministro Tony Blair a admitir a inevitabilidade do fenômeno e a entender que a economia britânica deveria se movimentar rumo a tecnologias limpas, hábitos sustentáveis e políticas ambientalmente seguras. "Londres terá de enfrentar eventos climáticos extremos e o aumento do nível do mar. Isso significa mais cheias, mais secas e mais ondas de calor."
A capital britânica tem 7,4 milhões de habitantes, e 1,5 milhão vive em áreas sujeitas a enchentes. No mapa da vulnerabilidade que a Prefeitura de Londres prospectou há 441 escolas (14% do total existente na cidade), 10 hospitais, 46 delegacias de polícia, 20 bases do Corpo de Bombeiros, uma cadeia, 49 estações de trem, 75 estações do metrô (são 291 ao todo) e um aeroporto. "Sabemos que 15% da cidade está na linha das enchentes", diz Nickson. "Se o futuro é incerto, vamos esperar que aconteça para tomar decisões ou o melhor é agir agora?", cutuca o especialista.
As vulnerabilidades de Londres frente ao aquecimento global estão assim mapeadas: enchentes, calor forte, problemas com o abastecimento de água, problemas de qualidade do ar, ventos muito fortes. Não é de hoje que a cidade está preparada para enfrentar enchentes provocadas pela subida das marés, do Tâmisa e de seus 11 tributários, mas as cheias provocadas também pelo aumento das chuvas são um grande motivo de preocupação, diz o técnico. "Este é um grande risco. Temos 100 mil casas com padrões muito baixos de proteção", alerta.
Outro foco é treinar a população para o que fazer no caso de enchentes. Uma enquete recente indicou uma tendência preocupante: 60% das pessoas iria para o metrô no caso de ter que enfrentar uma cheia, esquecendo que as estações podem ser os primeiros lugares a inundar. "Temos que dizer às pessoas o que fazer para que não entrem em pânico."
Para enfrentar verões mais quentes e secos e, ao mesmo tempo, ter alguma defesa contra as cheias, a estratégia é o "urban greening programme", um programa que pretende tornar Londres mais verde. "Espaços mais verdes absorvem mais água", lembra ele. O governo estuda importar a tecnologia de Tóquio de asfaltar a cidade com uma liga que leva pneus triturados e que deixa a água da chuva penetrar no solo e não absorve tanto calor. Já se sabe que o centro de Londres alcança 5 graus a mais de temperatura do que a periferia. "Os arquitetos vão ter que desenhar para o futuro, não para os dias de hoje", avisa. No plano, a idéia é tornar verde até os telhados das moradias.
As altas temperaturas do verão de 2003, que provocaram a morte de milhares de europeus, são um trauma não superado. Os britânicos buscaram inspiração na Filadélfia e planejam ter um sistema constante de ambulâncias, devidamente refrigeradas, para transportar idosos a prédios públicos com ar-condicionado durante dias muito quentes. "Não estamos acostumados ao calor muito forte. Sabemos que duas a três horas em ambientes mais refrigerados podem prevenir a morte de pessoas mais sensíveis."
O Reino Unido não parece estar brincando com este assunto, embora possíveis investimentos em uma nova termoelétrica a carvão estejam suscitando muita polêmica. "Dependendo da decisão saberemos o quanto este governo leva a mudança climática realmente a sério", diz Keith Allot, chefe de mudanças climáticas do World Wildlife Fund, o WWF. Por enquanto, a administração local se arma para combater o fenômeno de todas as formas. Robin Gwynn, do Ministério das Relações Exteriores, por exemplo, tem o seguinte cargo estampado em seu cartão de visitas: enviado do Reino Unido para segurança climática em países vulneráveis.
A repórter viaja a convite do governo do Reino Unido
Etanol deixa Itamaraty em alerta
Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
14/11/2008
Fonte: Valoronline
O embaixador do Brasil nos EUA, Antonio de Aguiar Patriota, encaminhou uma carta à Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês), no fim de outubro, demonstrando a preocupação do governo brasileiro em relação à regulamentação do mandato de consumo de biocombustíveis, conhecido como Padrão de Combustível Renovável (RFS , na sigla em inglês).
Estimulada pela Lei de Energia americana, criada em 2005, o RFS estabeleceu o consumo mínimo de 9 bilhões de galões (34 bilhões de litros) de biocombustível, neste ano, e de até 36 bilhões de (136 bilhões de litros), em 2022. A EPA tem proposto regras mais rígidas para o consumo de biocombustíveis naquele país.
As novas regras ambientais vão exigir que a regulamentação dos biocombustíveis inclua o cálculo da redução de emissões de gás de efeito estufa de todos os biocombustíveis consumidos nos EUA, inclusive o do etanol a partir da cana, consumido também naquele país.
Especialistas ouvidos pelo Valor afirmam que essa regulamentação não tem uma metodologia para fazer cálculos do uso indireto da terra. "Com base no estudo de [Timothy] Searchinger, o aumento do consumo do etanol à base de milho nos EUA fará com que a produção de milho no Brasil avance no Cerrado", disse Emerson Kloss, diplomata do Itamaraty na embaixada do Brasil nos EUA. Regras parecidas também estão sendo elaboradas pela União Européia e o governo brasileira já está em alerta.
A EPA argumenta que esses cálculos são preliminares. Mas, segundo os mesmos especialistas, eles são baseados em uma teoria acadêmica de impacto das mudanças de uso indireto da terra sem base científica. Esses especialistas alertam que a publicação de dados preliminares de uma agência americana respeitada, como a EPA, prejudicaria a imagem do etanol. "O estudo parte de uma premissa errada", afirmou Kloss. Segundo ele, a carta do embaixador Patriota enviada à EPA alerta sobre isso. "Somos a favor do estabelecimento de regras sobre os biocombustíveis."
Essas regras deveriam ter sido publicadas no fim de outubro. No entanto, foram adiadas por conta das eleições americanas. Um grupo de acadêmicos solicitou à EPA para retardar a divulgação de uma análise dos impactos do RFS sobre o ciclo de vida dos gases de efeito estufa.
O RFS divide o consumo de biocombustível nos EUA em duas categorias: convencional e avançada. O convencional é definido como etanol de milho. O avançado, que inclui a cana, é aquele que gera uma redução da emissão de gases de efeito estufa de pelo menos 50%.
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14/11/2008
Fonte: Valoronline
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Estimulada pela Lei de Energia americana, criada em 2005, o RFS estabeleceu o consumo mínimo de 9 bilhões de galões (34 bilhões de litros) de biocombustível, neste ano, e de até 36 bilhões de (136 bilhões de litros), em 2022. A EPA tem proposto regras mais rígidas para o consumo de biocombustíveis naquele país.
As novas regras ambientais vão exigir que a regulamentação dos biocombustíveis inclua o cálculo da redução de emissões de gás de efeito estufa de todos os biocombustíveis consumidos nos EUA, inclusive o do etanol a partir da cana, consumido também naquele país.
Especialistas ouvidos pelo Valor afirmam que essa regulamentação não tem uma metodologia para fazer cálculos do uso indireto da terra. "Com base no estudo de [Timothy] Searchinger, o aumento do consumo do etanol à base de milho nos EUA fará com que a produção de milho no Brasil avance no Cerrado", disse Emerson Kloss, diplomata do Itamaraty na embaixada do Brasil nos EUA. Regras parecidas também estão sendo elaboradas pela União Européia e o governo brasileira já está em alerta.
A EPA argumenta que esses cálculos são preliminares. Mas, segundo os mesmos especialistas, eles são baseados em uma teoria acadêmica de impacto das mudanças de uso indireto da terra sem base científica. Esses especialistas alertam que a publicação de dados preliminares de uma agência americana respeitada, como a EPA, prejudicaria a imagem do etanol. "O estudo parte de uma premissa errada", afirmou Kloss. Segundo ele, a carta do embaixador Patriota enviada à EPA alerta sobre isso. "Somos a favor do estabelecimento de regras sobre os biocombustíveis."
Essas regras deveriam ter sido publicadas no fim de outubro. No entanto, foram adiadas por conta das eleições americanas. Um grupo de acadêmicos solicitou à EPA para retardar a divulgação de uma análise dos impactos do RFS sobre o ciclo de vida dos gases de efeito estufa.
O RFS divide o consumo de biocombustível nos EUA em duas categorias: convencional e avançada. O convencional é definido como etanol de milho. O avançado, que inclui a cana, é aquele que gera uma redução da emissão de gases de efeito estufa de pelo menos 50%.
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