Josette Goulart, de São Paulo
11/12/2008
Fonte: Valoronline
Inverteu-se completamente o cenário de oferta e demanda elétrica no país. Há três meses, havia risco de falta de energia em 2009, por causa do crescimento vigoroso do PIB e da possível redução do nível dos reservatórios das hidrelétricas. O déficit estimado para o próximo ano era de 500 MW. Com as chuvas de outubro e novembro e a perspectiva de desaquecimento da economia, o quadro mudou. A fila de compradores de energia no mercado livre se transformou em fila de vendedores. As indústrias consumidoras tentam reduzir os contratos que firmaram para 2009 porque sabem que vão usar menos energia.
Em conseqüência dessa nova realidade, houve uma rápida redução no preço da energia no mercado livre: 15% em dois meses, para R$ 120 o MWh, em comparação ao valor médio de R$ 200 em 2008.
Indústrias do setor automobilístico, metalúrgico e siderúrgico, que haviam contratado energia no mercado livre, iniciaram o movimento de venda do insumo. Alguns clientes da comercializadora da CPFL Energia, uma das maiores do país, já reduziram os contratos em até 40%, segundo o vice-presidente da empresa, Paulo Cezar Coelho Tavares. Entre os clientes do setor de mineração e automotivo da Enertrade, a redução dos contratos ficou entre 15% e 20%.
Esse movimento tem sido observado atentamente pela Tractebel, que decidiu interromper a negociação de um déficit de 300 MW que tinha com as distribuidoras. O presidente da empresa, Manoel Zaroni, explica que, com a queda do consumo, ela mesma poderá gerar essa energia.
O presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Ricardo Lima, estima que, antes da crise, as empresas tinham a expectativa de que precisariam contratar até 2.000 MW no mercado livre em 2009. Agora, essa necessidade caiu a zero.
Apesar disso, o diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, prevê contas de luz mais caras em 2009, efeito da alta do dólar no preço da energia de Itaipu, que abastece 31 das 64 distribuidoras do país.
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