Daniela Chiaretti, de Poznan
05/12/2008
Fonte: Valoronline
Há uma crise de confiança em Poznan, a cidade polonesa que abriga a megaconferência da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas até 12 de dezembro. O heterogêneo bloco dos países menos desenvolvidos e mais afetados pelo impacto do aquecimento da Terra quer ver o que os ricos e industrializados se comprometem a fazer antes de dizer como podem contribuir para reduzir o problema. O nó de sempre - quem paga a conta e como - nestas negociações internacionais continua empacando a decisão. Até agora, por exemplo, não se sabe quanto vai custar para que os países possam se adaptar ao impacto da mudança do clima - desde a construção de abrigos para refugiados de enchentes a melhores sistemas de meteorologia.
O que ficou acertado nas edições passadas deste evento foi um fundo de adaptação com um percentual sobre o valor dos projetos de tecnologia limpa ligados ao mercado de créditos de carbono (os chamados MDL). Os 2% seriam cerca de US$ 5 bilhões e, segundo países mais vulneráveis e ONGs, não dão nem para o começo deste drama. ONGs como a Oxfam falam em US$ 50 bilhões ao ano. Outro número que circula em Poznan é de US$ 85 bilhões anuais.
No primeiro dia da conferência na Polônia, Ian Fry, da pequena Tuvalu e representando a Aliança dos Pequenos Países-Ilhas (AOSIS, em inglês) foi contundente. "Como uma demonstração de boa fé dos países do Anexo 1 precisamos começar a ver números sendo colocados sobre a mesa", disse, em plenário, referindo-se aos países ricos e industrializados, que têm responsabilidade histórica sobre o aquecimento e têm de reduzir emissões de gases-estufa pelo Protocolo de Kyoto. "Precisamos atualizar nossa compreensão sobre o que diz a Ciência, simplificar as regras e estabelecer metas de redução de emissão de gases-estufa para os países ricos", disse. "Nós, as ilhas de alta vulnerabilidade à mudança climática precisamos da garantia das grandes nações industrializadas para termos futuro."
Como o primeiro período de Kyoto acaba em 2012, os países industrializados deveriam estar discutindo cortes que virão depois disso - e algo novo deveria sair da conferência na Polônia. Mas eles estão adiando a tarefa, dizem países em desenvolvimento. Em parte para para ver o que Barack Obama fará. Em parte porque querem ver as movimentações de emergentes como China e Índia. E em parte por conta da crise financeira.
"Para os países-ilha, dois graus a mais na temperatura pode definir um cenário difícil demais para sobreviver", disse o cientista Bill Hare, do instituto alemão para mudanças climáticas de Potsdam, o PIK, uma das mais famosas instituições científicas que pesquisa o tema. Segundo ele, o quadro é bem pior do que se imaginava. Um aumento de 2 graus seria suficiente para elevar em até 4 metros o nível médio dos mares do planeta. E é esta meta - reduzir as emissões dos gases-estufa a níveis que não provoquem um aumento de temperatura de 2 graus em 2100 que os negociadores internacionais não parecem estar levando em conta.
Segundo a ONG GermanWatch, Bangladesh, Coréia do Norte e Nicarágua foram os países que mais sofreram impactos da mudança climática em 2007, considerando eventos como tufões e tempestades. Ao todo, 15.240 pessoas morreram em 2007 pelas mudanças do clima, diz a ONG.
"Temos que preparar a adaptação às mudanças climáticas", diz Maarten van AQalst, diretor associado da Cruz Vermelha. "Isso significa não só erguer abrigo para que as pessoas em Bangladesh possam se proteger das tempestades, como melhorar os sistemas de aviso e prevenção."
A jornalista viajou com bolsa da Climate Change Media Partnership
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
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