Daniela Chiaretti, de São Paulo
27/11/2008
Fonte: Valoronline
Na segunda-feira, às 10h30 da manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará qual o plano de ação do governo sobre mudanças climáticas. A novidade é que o pacote virá com metas de redução na emissão de gases-estufa causados por desmatamento, pelo setor de transportes e pelo de energia. Serão metas nacionais e não-vinculantes, ou seja, não penduradas a nenhum compromisso internacional. Mesmo sendo objetivos apenas domésticos, trata-se de uma grande cartada: Lula dará ao Brasil cara de país protagonista no combate ao aquecimento global no mesmo dia em que, em Poznam, na Polônia, começa a megaconferência das Nações Unidas sobre clima, com milhares de delegados do mundo todo tentando avançar na costura de um acordo sobre o assunto.
As metas serão domésticas, algo como o Brasil faz habitualmente com metas de crescimento, por exemplo. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, falou sobre isso ontem, para parlamentares, políticos e ambientalistas, em dois eventos - o primeiro, um café da manhã na lanchonete do Congresso com deputados da chamada Frente Parlamentar Ambientalista e o outro à tarde, em Fortaleza, com políticos locais e presidentes de órgãos regionais.
Minc não detalhou as metas, dizendo que não estaria autorizado a isso e que não queria esvaziar o anúncio da segunda-feira. Há um mês, em entrevista exclusiva ao Valor, o ministro disse ser "perfeitamente factível" um compromisso de diminuir de 10% a 20% as emissões entre 2012 a 2020, com base no volume de emissões de 2004. Na ocasião, falava de metas obrigatórias, como um compromisso internacional no acordo que o mundo está tentando fechar para o pós-2012, quando termina o primeiro período de compromissos do Protocolo de Kyoto. Minc surpreendeu até o governo e causou "frisson" - só os países industrializados têm metas obrigatórias de cortar emissões - , mesmo sendo ambíguo e anunciando cortes confortáveis, já que partiriam de uma base próxima à atual (2004). Segundo assessores, usou a habitual estratégia de colocar dois bodes na sala e depois tirar um, deixando o interlocutor aliviado, e ele, com um trunfo garantido.
Também em Poznam o Brasil pode dar sinais positivos, com o anúncio providencial de Lula. Terá feito a lição de casa. Na conferência de 2007, em Báli, ficou acertado que países em desenvolvimento dariam sua contribuição para o problema global do aquecimento tendo metas nacionais verificáveis. "Será um divisor de águas", celebra Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace, presente ao evento em Brasília onde Minc antecipou a decisão. "O Brasil, neste momento, nem precisaria ter metas vinculantes e nem é isso que estamos cobrando", continua. "Mas é um anúncio importante, que indica forte mudança de posição", concorda Paulo Moutinho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). "Nos últimos cinco anos, o Brasil nem queria falar de metas de desmatamento na discussão de clima."
Maiores avanços podem vir no próprio plano e na política nacional de mudança climática. O evento em Brasília foi coordenado pelo Observatório do Clima, rede de ONGs que no último mês trabalhou para aperfeiçoar o Plano Nacional de Mudança Climática apresentado recentemente pelo governo. "A crítica ao plano é que ele era uma colcha de retalhos de ações que o governo já fazia. Não era um rascunho muito inspirador", diz Rubens Born, da ONG Vitae Civilis. "Era melhor ter algo menor, mas sério, do que algo ambicioso e que já começa desacreditado."
O plano, esperam os ambientalistas, poderá incorporar a meta de a matriz energética ter 30% de renováveis (eólica, solar, biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas) até 2020. Na lei, sugeriram que o Brasil tenha estudos de vulnerabilidade climática para todas as regiões. "Minc nos disse que estão cozinhando a segunda versão do plano, com metas, sem dizer quais", conta Marcio Santilli, coordenador do Instituto Socioambiental (ISA). "Disse que não será o desmatamento zero em sete anos, como queríamos, mas algo mais modesto. Mas a inclusão de metas foi uma importante conquista da sociedade civil que fez pressão."
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
FGTS pode ser sócio de empresas de saneamento
Samantha Maia, de São Paulo
27/11/2008
Fonte: Valoronline
O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) quer que o fundo deixe de ser apenas financiador de projetos de saneamento e assuma a posição de investidor direto, seja com participação minoritária em companhias do setor, seja por meio de outros instrumentos de mercado, como debêntures. De acordo com membros do Conselho do FGTS, apenas sete companhias estaduais de saneamento possuem hoje condições de tomar financiamento, distorção que tem empacado os recursos disponibilizados para investimentos no abastecimento de água e esgoto. A intenção do Conselho do FGTS é ampliar esse leque de empresas ao atuar, enquanto acionista, na melhoria de sua gestão.
O início do programa ainda depende da aprovação do texto final do plano pelo Conselho Curador do FGTS, o que deve acontecer no primeiro trimestre de 2009, e o primeiro valor a ser disponibilizado para a iniciativa é de R$ 10 bilhões, volume que pode aumentar de acordo com a demanda. "Vamos discutir com as empresas, com o governo, mas acreditamos que é um instrumento importante para conseguir capitalizar e modernizar as companhias estaduais", disse André de Souza, membro do grupo de apoio do Conselho Curador do FGTS, um dos gestores que apresentou o plano, ontem, no seminário "Reestruturação do Setor de Saneamento", organizado pelo Valor.
Desde 2003, o FGTS disponibilizou R$ 18 bilhões ao setor de saneamento, mas conseguiu emprestar apenas R$ 8 bilhões, dos quais foram efetivamente desembolsados R$ 3 bilhões. A grande contradição é que, no mesmo período, o fundo recebeu o pagamento de R$ 17 bilhões como retorno de empréstimos passados. "Não vamos deixar de financiar, mas temos vontade de fazer mais, porque os recursos não estão sendo captados por problemas de gestão das empresas", diz Souza. Joaquim Lima, superintendente do FGTS da Caixa Econômica Federal, diz que a preocupação não está apenas em conseguir liberar recursos para essas empresas com grande grau de endividamento, mas em garantir a boa gestão dos recursos. "Essas empresas têm dificuldade de gestão, e o FGTS seria um parceiro para solucionar esse problema", diz.
Os gestores do FGTS estudaram a situação financeira das companhias estaduais pelos dados do Sistema Nacional de Saneamento (Snis), e apenas uma, a Sanepar, do Paraná, foi considerada boa em todos os índices, entre eles a relação entre despesa e faturamento, perdas e números de empregados. As piores situações - entre elas a da Caesa (AP), do Deas (AC) e da Cosama (MA) - são das empresas que menos faturam e que juntas (são 12 no total) possuem uma necessidade de investimento de R$ 30 bilhões até 2020. O cruzamento das receitas com as necessidades de investimento mostrou que não dá para recuperar o setor apenas com recursos de financiamento.
O plano dos gestores do FGTS tem duas frentes. Uma, voltada às empresas financeiramente saudáveis - além de Sanepar, foram citadas Sabesp (SP) e Copasa (MG) -, é fazer aquisição de debêntures e Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDC) das companhias, entre outros instrumentos de mercado. Nesse formato, seria realizada uma emissão privada desses papeís, que seriam integralmente adquiridos pelo FGTS em condições melhores do que as praticadas no mercado, porém não reveladas pelos executivos.
Outra frente é a compra de até 49% das ações de empresas com grandes problemas de gestão e endividamento. Essa aquisição seria feita por meio de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) formada por um fundo de investimento em participações (FIP) do FGTS (90%) mais um co-investidor (10%), que pode ser público ou privado e teria a função de trazer expertise ao negócio. O FIP seria formado a partir dos recursos do Fundo de Investimento em Infra-Estrutura do FGTS.
A iniciativa abre a possibilidade tanto de empresas públicas ampliarem seus investimentos em outros Estados, como representa uma chance para as empresas privadas aumentarem sua participação no setor de saneamento. As Parcerias Público-Privadas (PPPs), que prometiam ser grandes portas de entrada, não têm se efetivado no ritmo esperado e a concessão do serviço por municípios é um processo lento. "Ter 10% em participação de uma SPE para investir em empresas estaduais é uma oportunidade de crescimento dos negócios e uma forma de contribuirmos levando experiência de eficiência em gestão", diz Yves Besse, presidente da Abcon, entidade que representa as concessionárias privadas de água e esgoto.
Para efetivar a participação do FGTS como investidor, as empresas precisam aderir ao programa, o que dependerá de autorização da Assembléia Legislativa dos Estados. A partir disso, as empresas devem passar por uma auditoria que avaliará a empresa. O FGTS fará uma projeção sobre qual deve ser a participação do FIP e de qual será o plano de negócios que orientará os investimentos na empresa. Além dos investimentos, o plano abrangerá reestruturação administrativa, reorganização dos negócios, governança e estratégias para futura abertura de capital. "Os recursos não são livres, serão direcionados ao plano de negócios e o FGTS deverá ter participação no controle igual ao do acionista principal", diz Roberto Madoglio, gestor do Fundo de Investimento do FGTS. Como todo FIP, a idéia é investir na empresa por um determinado período e depois vender as ações valorizadas no mercado.
Segundo os representantes do FGTS, a nova atuação não interfere na função atual, e os recursos para financiamento serão mantidos, assim como o ritmo de crescimento. Para o ano que vem, serão disponibilizados R$ 5,4 bilhões para projetos de saneamento contidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Hoje, o FGTS tem R$ 210 bilhões em ativos e R$ 23 bilhões de patrimônio líquido.
Estenio Jacob, presidente da Sanepar (PR) e da Aesb, associação que representa as companhias estaduais de saneamento, diz que a iniciativa será importante para a reestruturação das empresas. "O FGTS é um parceiro importante, que entrará para contribuir e não apenas para buscar lucros." Apesar de a Sanepar não ter tido uma experiência tranqüila de abertura de capital - o Estado recuperou judicialmente em 2003 o controle da empresa, que estava, por acordo, nas mãos dos acionistas privados minoritários - Jacob considera interessante o modelo do acionista que tenha o poder de fiscalizar.
Marcelo Salles, diretor da Sabesp, companhia de saneamento de São Paulo, considera que não há dúvida de que a oportunidade será interessante às companhias que estão em dificuldade. Sobre os instrumentos de mercado a serem disponibilizados, porém, diz que ainda possui poucos detalhes para avaliar se a proposta interessa à empresa. "Temos que ver quais as condições que o FGTS dará", diz. Jacob, da Abesb, conta que num primeiro contato com o FGTS, as condições apresentadas eram semelhantes às do mercado, mas agora o fundo admite dar melhores taxas e prazos. (Com Murilo Camarotto, do Valor Online)
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- Setor mantém planos de investimento, apesar da crise
27/11/2008
Fonte: Valoronline
O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) quer que o fundo deixe de ser apenas financiador de projetos de saneamento e assuma a posição de investidor direto, seja com participação minoritária em companhias do setor, seja por meio de outros instrumentos de mercado, como debêntures. De acordo com membros do Conselho do FGTS, apenas sete companhias estaduais de saneamento possuem hoje condições de tomar financiamento, distorção que tem empacado os recursos disponibilizados para investimentos no abastecimento de água e esgoto. A intenção do Conselho do FGTS é ampliar esse leque de empresas ao atuar, enquanto acionista, na melhoria de sua gestão.
O início do programa ainda depende da aprovação do texto final do plano pelo Conselho Curador do FGTS, o que deve acontecer no primeiro trimestre de 2009, e o primeiro valor a ser disponibilizado para a iniciativa é de R$ 10 bilhões, volume que pode aumentar de acordo com a demanda. "Vamos discutir com as empresas, com o governo, mas acreditamos que é um instrumento importante para conseguir capitalizar e modernizar as companhias estaduais", disse André de Souza, membro do grupo de apoio do Conselho Curador do FGTS, um dos gestores que apresentou o plano, ontem, no seminário "Reestruturação do Setor de Saneamento", organizado pelo Valor.
Desde 2003, o FGTS disponibilizou R$ 18 bilhões ao setor de saneamento, mas conseguiu emprestar apenas R$ 8 bilhões, dos quais foram efetivamente desembolsados R$ 3 bilhões. A grande contradição é que, no mesmo período, o fundo recebeu o pagamento de R$ 17 bilhões como retorno de empréstimos passados. "Não vamos deixar de financiar, mas temos vontade de fazer mais, porque os recursos não estão sendo captados por problemas de gestão das empresas", diz Souza. Joaquim Lima, superintendente do FGTS da Caixa Econômica Federal, diz que a preocupação não está apenas em conseguir liberar recursos para essas empresas com grande grau de endividamento, mas em garantir a boa gestão dos recursos. "Essas empresas têm dificuldade de gestão, e o FGTS seria um parceiro para solucionar esse problema", diz.
Os gestores do FGTS estudaram a situação financeira das companhias estaduais pelos dados do Sistema Nacional de Saneamento (Snis), e apenas uma, a Sanepar, do Paraná, foi considerada boa em todos os índices, entre eles a relação entre despesa e faturamento, perdas e números de empregados. As piores situações - entre elas a da Caesa (AP), do Deas (AC) e da Cosama (MA) - são das empresas que menos faturam e que juntas (são 12 no total) possuem uma necessidade de investimento de R$ 30 bilhões até 2020. O cruzamento das receitas com as necessidades de investimento mostrou que não dá para recuperar o setor apenas com recursos de financiamento.
O plano dos gestores do FGTS tem duas frentes. Uma, voltada às empresas financeiramente saudáveis - além de Sanepar, foram citadas Sabesp (SP) e Copasa (MG) -, é fazer aquisição de debêntures e Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDC) das companhias, entre outros instrumentos de mercado. Nesse formato, seria realizada uma emissão privada desses papeís, que seriam integralmente adquiridos pelo FGTS em condições melhores do que as praticadas no mercado, porém não reveladas pelos executivos.
Outra frente é a compra de até 49% das ações de empresas com grandes problemas de gestão e endividamento. Essa aquisição seria feita por meio de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) formada por um fundo de investimento em participações (FIP) do FGTS (90%) mais um co-investidor (10%), que pode ser público ou privado e teria a função de trazer expertise ao negócio. O FIP seria formado a partir dos recursos do Fundo de Investimento em Infra-Estrutura do FGTS.
A iniciativa abre a possibilidade tanto de empresas públicas ampliarem seus investimentos em outros Estados, como representa uma chance para as empresas privadas aumentarem sua participação no setor de saneamento. As Parcerias Público-Privadas (PPPs), que prometiam ser grandes portas de entrada, não têm se efetivado no ritmo esperado e a concessão do serviço por municípios é um processo lento. "Ter 10% em participação de uma SPE para investir em empresas estaduais é uma oportunidade de crescimento dos negócios e uma forma de contribuirmos levando experiência de eficiência em gestão", diz Yves Besse, presidente da Abcon, entidade que representa as concessionárias privadas de água e esgoto.
Para efetivar a participação do FGTS como investidor, as empresas precisam aderir ao programa, o que dependerá de autorização da Assembléia Legislativa dos Estados. A partir disso, as empresas devem passar por uma auditoria que avaliará a empresa. O FGTS fará uma projeção sobre qual deve ser a participação do FIP e de qual será o plano de negócios que orientará os investimentos na empresa. Além dos investimentos, o plano abrangerá reestruturação administrativa, reorganização dos negócios, governança e estratégias para futura abertura de capital. "Os recursos não são livres, serão direcionados ao plano de negócios e o FGTS deverá ter participação no controle igual ao do acionista principal", diz Roberto Madoglio, gestor do Fundo de Investimento do FGTS. Como todo FIP, a idéia é investir na empresa por um determinado período e depois vender as ações valorizadas no mercado.
Segundo os representantes do FGTS, a nova atuação não interfere na função atual, e os recursos para financiamento serão mantidos, assim como o ritmo de crescimento. Para o ano que vem, serão disponibilizados R$ 5,4 bilhões para projetos de saneamento contidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Hoje, o FGTS tem R$ 210 bilhões em ativos e R$ 23 bilhões de patrimônio líquido.
Estenio Jacob, presidente da Sanepar (PR) e da Aesb, associação que representa as companhias estaduais de saneamento, diz que a iniciativa será importante para a reestruturação das empresas. "O FGTS é um parceiro importante, que entrará para contribuir e não apenas para buscar lucros." Apesar de a Sanepar não ter tido uma experiência tranqüila de abertura de capital - o Estado recuperou judicialmente em 2003 o controle da empresa, que estava, por acordo, nas mãos dos acionistas privados minoritários - Jacob considera interessante o modelo do acionista que tenha o poder de fiscalizar.
Marcelo Salles, diretor da Sabesp, companhia de saneamento de São Paulo, considera que não há dúvida de que a oportunidade será interessante às companhias que estão em dificuldade. Sobre os instrumentos de mercado a serem disponibilizados, porém, diz que ainda possui poucos detalhes para avaliar se a proposta interessa à empresa. "Temos que ver quais as condições que o FGTS dará", diz. Jacob, da Abesb, conta que num primeiro contato com o FGTS, as condições apresentadas eram semelhantes às do mercado, mas agora o fundo admite dar melhores taxas e prazos. (Com Murilo Camarotto, do Valor Online)
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Oferta de cana crescerá pouco na safra 2009/10
De São Paulo
27/11/2008
Fonte: Valoronline
As usinas do Centro-Sul do país deverão processar na próxima safra, a 2009/10, 520 milhões de toneladas de cana. Se confirmadas as estimativas, será um crescimento de 8,3% sobre o ciclo anterior, de 480 milhões de toneladas, de acordo com a consultoria Datagro, em sua primeira previsão de safra para o próximo ciclo. No Brasil, a moagem em 2009/10 deverá ser de 588 milhões de toneladas, alta de 7,6%.
Segundo Plínio Nastari, presidente da Datagro, a moagem poderia ser ainda maior, uma vez que há maior disponibilidade de matéria-prima nos canaviais. No entanto, cerca de 40 milhões de toneladas de cana deverão ficar em pé em 2009/10, o mesmo volume previsto para este atual ciclo, 2008/09. "Se não fosse o atual cenário [de crise financeira global], a produção de cana para 2009/10 superaria os 600 milhões de toneladas", disse.
Das 35 novas unidades previstas para entrar em operação nessa safra, sete adiaram os planos para 2009. Em 2009, havia uma previsão de que 43 novas usinas começariam a moagem. No entanto, de acordo com a Datagro, apenas 25 plantas devem começar suas operações no próximo ano, incluindo as sete unidades que começariam em 2008.
Para 2009/10, a produção de açúcar no Brasil será de 32,9 milhões de toneladas, alta de 8,4% sobre o ciclo anterior. As exportações ficarão em 21,3 milhões de toneladas, aumento de 13,1%. Para o álcool, a oferta nacional está estimada em 27,721 bilhões de litros, aumento de 5,8%. Os embarques deverão recuar 25%, para 3,45 bilhões de litros. A queda tem como reflexo o recuo dos embarques para os Estados Unidos. Os estoques de passagem também deverão se manter apertados ainda na próxima safra, em 262 milhões de litros, suficientes para apenas cinco dias. "Os preços do álcool estarão firmes durante a entressafra", afirmou.
O consumo mensal de álcool combustível deverá ultrapassar a marca de 2 bilhões de litros a partir de janeiro do próximo ano.
Levantamento da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) mostra que até a primeira quinzena de novembro o volume de cana esmagada atingiu 438,45 milhões de toneladas, 10,57% acima do acumulado no mesmo período de 2007. Até o dia 15, 14 usinas já tinham encerrado a safra, ante 47 do mesmo período do ano passado.
As vendas de etanol no mercado interno continuam aquecidas. Entre 1º de abril a 15 de novembro, foram comercializados 12,84 bilhões de litros. As exportações no mesmo período somaram 3,6 bilhões de litros. A Unica mantém a expectativa das exportações da região Centro-Sul em 4,2 bilhões de litros até o fim de março de 2009.(MS)
27/11/2008
Fonte: Valoronline
As usinas do Centro-Sul do país deverão processar na próxima safra, a 2009/10, 520 milhões de toneladas de cana. Se confirmadas as estimativas, será um crescimento de 8,3% sobre o ciclo anterior, de 480 milhões de toneladas, de acordo com a consultoria Datagro, em sua primeira previsão de safra para o próximo ciclo. No Brasil, a moagem em 2009/10 deverá ser de 588 milhões de toneladas, alta de 7,6%.
Segundo Plínio Nastari, presidente da Datagro, a moagem poderia ser ainda maior, uma vez que há maior disponibilidade de matéria-prima nos canaviais. No entanto, cerca de 40 milhões de toneladas de cana deverão ficar em pé em 2009/10, o mesmo volume previsto para este atual ciclo, 2008/09. "Se não fosse o atual cenário [de crise financeira global], a produção de cana para 2009/10 superaria os 600 milhões de toneladas", disse.
Das 35 novas unidades previstas para entrar em operação nessa safra, sete adiaram os planos para 2009. Em 2009, havia uma previsão de que 43 novas usinas começariam a moagem. No entanto, de acordo com a Datagro, apenas 25 plantas devem começar suas operações no próximo ano, incluindo as sete unidades que começariam em 2008.
Para 2009/10, a produção de açúcar no Brasil será de 32,9 milhões de toneladas, alta de 8,4% sobre o ciclo anterior. As exportações ficarão em 21,3 milhões de toneladas, aumento de 13,1%. Para o álcool, a oferta nacional está estimada em 27,721 bilhões de litros, aumento de 5,8%. Os embarques deverão recuar 25%, para 3,45 bilhões de litros. A queda tem como reflexo o recuo dos embarques para os Estados Unidos. Os estoques de passagem também deverão se manter apertados ainda na próxima safra, em 262 milhões de litros, suficientes para apenas cinco dias. "Os preços do álcool estarão firmes durante a entressafra", afirmou.
O consumo mensal de álcool combustível deverá ultrapassar a marca de 2 bilhões de litros a partir de janeiro do próximo ano.
Levantamento da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) mostra que até a primeira quinzena de novembro o volume de cana esmagada atingiu 438,45 milhões de toneladas, 10,57% acima do acumulado no mesmo período de 2007. Até o dia 15, 14 usinas já tinham encerrado a safra, ante 47 do mesmo período do ano passado.
As vendas de etanol no mercado interno continuam aquecidas. Entre 1º de abril a 15 de novembro, foram comercializados 12,84 bilhões de litros. As exportações no mesmo período somaram 3,6 bilhões de litros. A Unica mantém a expectativa das exportações da região Centro-Sul em 4,2 bilhões de litros até o fim de março de 2009.(MS)
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Decreto da Mata Atlântica é tido como exemplo de triunfo da participação popular
Mônica Pinto / AmbienteBrasil (*)
24/11/2008
Fonte: www.ambientebrasil.com.br
Como já foi amplamente divulgado, o presidente Luis Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira 21, em São Paulo, o decreto que regulamenta a Lei da Mata Atlântica (lei 11.428/06), aprovada pelo Congresso Nacional após 14 anos de tramitação. O documento será publicado nos próximos dias no Diário Oficial da União.
Afora seus méritos inegáveis no quesito de formalizar legalmente a proteção a um bioma reduzido atualmente a 7,3% de sua vegetação original, o decreto encerra um processo que simboliza a capacidade de ambientalistas e setores produtivos em estabelecer consensos, desde que haja disposição para tanto. É, em resumo, uma vitória da participação popular, a defender interesses que, no caminho, foram deixando de lado potenciais antagonismos e se afinando em prol da mesma causa.
“Não foi uma lei baixada em Brasília e que agora todo mundo tem que cumprir”, disse a AmbienteBrasil Mario Mantovani, diretor de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica. “O decreto contempla as especificidades de cada estado, traz competências locais e é fruto da participação da sociedade”.
Ele colocou ao portal que, até a assinatura pelo presidente Lula, estava “intranqüilo”, fazendo alusão direta a uma legislação recente - o decreto que flexibilizou os critérios de proteção às cavernas e grutas brasileiras, motivo de revolta da comunidade ambientalista e, mais ainda, da espeleológica.
Mas, após conferir os termos da lei, a intranqüilidade se desfez. “O decreto reafirma o que já estava sendo feito pelos Conselhos de Meio Ambiente de 17 estados que definiram o que era Mata Atlântica e seus estágios”, diz Mantovani.
Ele destaca a importância da regulamentação, agora, do manejo da Mata Atlântica pelos pequenos proprietários. “Os ruralistas diziam que essa lei era de aplicação impossível para eles”.
"O decreto é o cumpra-se da lei e contribui para alcançarmos o desmatamento ilegal zero", disse na solenidade de sexta-feira o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Segundo ele, "é fundamental incorporarmos Estados e Municípios para que seja possível atingir a meta que é recuperar a vegetação e passarmos de 7% da cobertura vegetal original para 27%".
O que o Decreto faz:
* Estabelece uma série de incentivos econômicos à produção sustentável;
* Cria incentivos financeiros para restauração dos ecossistemas;
* Estimula doações da iniciativa privada para projetos de conservação;
* Regulamenta artigo da Constituição que define a Mata Atlântica como Patrimônio Nacional, delimita o seu domínio e proíbe o desmatamento de florestas primárias;
* Estabelece procedimentos simplificados para o uso sustentável da Mata Atlântica para pequenos produtores rurais e populações tradicionais;
* Estimula o plantio de espécies nativas para recuperação de áreas e também para a produção de matéria prima florestal para uso econômico.
* Dá segurança jurídica aos que vivem e exploram recursos do bioma, pois estabelece como e onde pode haver intervenção ou uso sustentável da Mata Atlântica.
* Indica os requisitos mínimos para a elaboração do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, com o objetivo de envolver os Municípios nestes processos.
* Com informações da Assessoria de Imprensa do MMA.
24/11/2008
Fonte: www.ambientebrasil.com.br
Como já foi amplamente divulgado, o presidente Luis Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira 21, em São Paulo, o decreto que regulamenta a Lei da Mata Atlântica (lei 11.428/06), aprovada pelo Congresso Nacional após 14 anos de tramitação. O documento será publicado nos próximos dias no Diário Oficial da União.
Afora seus méritos inegáveis no quesito de formalizar legalmente a proteção a um bioma reduzido atualmente a 7,3% de sua vegetação original, o decreto encerra um processo que simboliza a capacidade de ambientalistas e setores produtivos em estabelecer consensos, desde que haja disposição para tanto. É, em resumo, uma vitória da participação popular, a defender interesses que, no caminho, foram deixando de lado potenciais antagonismos e se afinando em prol da mesma causa.
“Não foi uma lei baixada em Brasília e que agora todo mundo tem que cumprir”, disse a AmbienteBrasil Mario Mantovani, diretor de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica. “O decreto contempla as especificidades de cada estado, traz competências locais e é fruto da participação da sociedade”.
Ele colocou ao portal que, até a assinatura pelo presidente Lula, estava “intranqüilo”, fazendo alusão direta a uma legislação recente - o decreto que flexibilizou os critérios de proteção às cavernas e grutas brasileiras, motivo de revolta da comunidade ambientalista e, mais ainda, da espeleológica.
Mas, após conferir os termos da lei, a intranqüilidade se desfez. “O decreto reafirma o que já estava sendo feito pelos Conselhos de Meio Ambiente de 17 estados que definiram o que era Mata Atlântica e seus estágios”, diz Mantovani.
Ele destaca a importância da regulamentação, agora, do manejo da Mata Atlântica pelos pequenos proprietários. “Os ruralistas diziam que essa lei era de aplicação impossível para eles”.
"O decreto é o cumpra-se da lei e contribui para alcançarmos o desmatamento ilegal zero", disse na solenidade de sexta-feira o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Segundo ele, "é fundamental incorporarmos Estados e Municípios para que seja possível atingir a meta que é recuperar a vegetação e passarmos de 7% da cobertura vegetal original para 27%".
O que o Decreto faz:
* Estabelece uma série de incentivos econômicos à produção sustentável;
* Cria incentivos financeiros para restauração dos ecossistemas;
* Estimula doações da iniciativa privada para projetos de conservação;
* Regulamenta artigo da Constituição que define a Mata Atlântica como Patrimônio Nacional, delimita o seu domínio e proíbe o desmatamento de florestas primárias;
* Estabelece procedimentos simplificados para o uso sustentável da Mata Atlântica para pequenos produtores rurais e populações tradicionais;
* Estimula o plantio de espécies nativas para recuperação de áreas e também para a produção de matéria prima florestal para uso econômico.
* Dá segurança jurídica aos que vivem e exploram recursos do bioma, pois estabelece como e onde pode haver intervenção ou uso sustentável da Mata Atlântica.
* Indica os requisitos mínimos para a elaboração do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, com o objetivo de envolver os Municípios nestes processos.
* Com informações da Assessoria de Imprensa do MMA.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Brasil assina acordos de cooperação em pesquisa, mas etanol ainda é questionado
De São Paulo
20/11/2008
Fonte: Valoronline
O governo brasileiro sela hoje, durante a Conferência Internacional sobre os Biocombustíveis, em São Paulo, uma série de acordos de cooperação para o desenvolvimento de combustíveis renováveis, entre eles acordos com Dinamarca, Reino Unido e União Européia. De acordo com a conselheira da Comissão Européia, Maria da Graça Carvalho, o bloco europeu assina acordo de cooperação com o Ministério de Ciência e Tecnologia brasileiro para financiar pesquisas para desenvolver biocombustíveis.
O acordo prevê, do lado europeu, ? 4 milhões em recursos para subsidiar as pesquisas. A primeira ação será lançada em 6 de janeiro de 2009, com a abertura de um concurso de pesquisas em fontes de energia renováveis. A União Européia tem por meta aumentar a participação de fontes de renováveis em sua matriz energética para 20% até 2020. Para isso, o bloco tem investido em pesquisas com utilização de hidrogênio, energia solar fotovoltaica e fusão nuclear. O bloco discute a inclusão do Brasil no consórcio internacional de pesquisas para gerar energia a partir da fusão nuclear.
Maria da Graça é bastante enfática sobre as intenções da União Européia em relação ao Brasil na área de pesquisa. "A Europa quer desenvolver um biocombustível que seja sustentável social e ambientalmente e que possa ser produzido pelos países europeus. A solução teria de ser uma matéria-prima adaptada ao clima temperado", afirmou, excluindo dessa forma a cana como alternativa.
O presidente da empresa americana Amyris Biotechnologies, John Melo, seguindo a linha de outros representantes dos Estados Unidos que participam do encontro, afirmou de forma taxativa que o etanol brasileiro não é a solução definitiva para substituir os combustíveis fósseis. "O etanol pode substituir o diesel a um custo competitivo? É possível produzir combustíveis a partir da cana sem usar combustíveis fósseis no processo produtivo? Nos EUA foram investidos mais de US$ 40 bilhões nas usinas de etanol e elas estão falidas por ineficiência. Precisamos de fontes mais eficientes e menos onerosas", afirmou.
O presidente da Embrapa, Silvio Crestana, reconheceu que há preocupação dos países em manter a soberania energética. Para ele, não existirá um biocombustível produzido no mundo todo a partir de uma única matéria-prima. "As soluções serão regionais, adaptadas a cada bioma. Nessa primeira fase, as pesquisas vão se voltar para soluções nacionais." (CB)
20/11/2008
Fonte: Valoronline
O governo brasileiro sela hoje, durante a Conferência Internacional sobre os Biocombustíveis, em São Paulo, uma série de acordos de cooperação para o desenvolvimento de combustíveis renováveis, entre eles acordos com Dinamarca, Reino Unido e União Européia. De acordo com a conselheira da Comissão Européia, Maria da Graça Carvalho, o bloco europeu assina acordo de cooperação com o Ministério de Ciência e Tecnologia brasileiro para financiar pesquisas para desenvolver biocombustíveis.
O acordo prevê, do lado europeu, ? 4 milhões em recursos para subsidiar as pesquisas. A primeira ação será lançada em 6 de janeiro de 2009, com a abertura de um concurso de pesquisas em fontes de energia renováveis. A União Européia tem por meta aumentar a participação de fontes de renováveis em sua matriz energética para 20% até 2020. Para isso, o bloco tem investido em pesquisas com utilização de hidrogênio, energia solar fotovoltaica e fusão nuclear. O bloco discute a inclusão do Brasil no consórcio internacional de pesquisas para gerar energia a partir da fusão nuclear.
Maria da Graça é bastante enfática sobre as intenções da União Européia em relação ao Brasil na área de pesquisa. "A Europa quer desenvolver um biocombustível que seja sustentável social e ambientalmente e que possa ser produzido pelos países europeus. A solução teria de ser uma matéria-prima adaptada ao clima temperado", afirmou, excluindo dessa forma a cana como alternativa.
O presidente da empresa americana Amyris Biotechnologies, John Melo, seguindo a linha de outros representantes dos Estados Unidos que participam do encontro, afirmou de forma taxativa que o etanol brasileiro não é a solução definitiva para substituir os combustíveis fósseis. "O etanol pode substituir o diesel a um custo competitivo? É possível produzir combustíveis a partir da cana sem usar combustíveis fósseis no processo produtivo? Nos EUA foram investidos mais de US$ 40 bilhões nas usinas de etanol e elas estão falidas por ineficiência. Precisamos de fontes mais eficientes e menos onerosas", afirmou.
O presidente da Embrapa, Silvio Crestana, reconheceu que há preocupação dos países em manter a soberania energética. Para ele, não existirá um biocombustível produzido no mundo todo a partir de uma única matéria-prima. "As soluções serão regionais, adaptadas a cada bioma. Nessa primeira fase, as pesquisas vão se voltar para soluções nacionais." (CB)
Área para produção de biocombustíveis pode subir 54 milhões de hectares até 2014
Bettina Barros, de São Paulo
20/11/2008
Fonte: Valoronline
Nos próximos cinco anos, o mundo necessitará de até 54 milhões de hectares a mais para atender ao consumo mundial de biocombustíveis, sendo que até 90% desse total virá da América do Sul. Essa demanda adicional por terras - ativo cada vez mais cobiçado - deverá ter impacto negativo para o ambiente, contrariando as discussões de preservação da biodiversidade e de redução de carbono.
Mas nem tudo está perdido. Uma saída viável seria canalizar esses milhões de hectares para áreas de pastagens e combiná-los com um modelo de pecuária intensiva. Isso poderia tornar o Brasil, maior produtor de biocombustível do continente, em um "modelo ambiental e uma superpotência agrícola a ser invejada pelo mundo".
Essas são as principais conclusões do relatório divulgado pela organização ambiental The Nature Conservancy (TNC). Intitulado "Uma Oportunidade para o Brasil: Minimizando os Custos Ambientais da Expansão dos Biocombustíveis", o estudo foi elaborado pela LMC International, consultoria de commodities agrícolas do Reino Unido, com o objetivo de quantificar o potencial da área destinada aos biocombustíveis em 2014.
A divulgação coincide com a realização da Conferência Internacional dos Biocombustíveis, e a data não é aleatória: o seminário promovido pelo governo tenta fechar o foco no etanol, apesar do nome. "O debate é mais que isso. O que dizemos é que a cana não desmata a Amazônia, e a soja sim", diz Ana Cristina Barros, da TNC. O grão é a principal matéria-prima para produção de biodiesel no país.
O objeto de trabalho do relatório é o Cerrado. É neste bioma, que abastece boa parte do país de água e onde a soja se alastra, que a demanda por terra para biocombustíveis se concentrará. Com base em censos agropecuários de 1970 a 2006, os especialistas debruçaram-se sobre três cenários: manutenção do quadro econômico, comércio aumentado e crescimento mundial lento. Para comparação, foram usados dados de terras aráveis deste ano para produção de alimento/ração e biocombustíveis.
No primeiro cenário, onde os preços de energia continuariam altos e os governos manteriam a proteção dos setores agrícolas via tarifa de importação, a área mundial para biocombustíveis cresceria dos 31 milhões de hectares atuais para 85 milhões.
Com crescimento lento, cenário mais provável, a área atingiria 42 milhões de hectares. Na hipótese de melhora no comércio, onde os preços de energia continuariam altos, mas com redução de barreiras comerciais, a área passaria de 31 milhões para 58 milhões de hectares. A expansão seria menor, porque a redução de subsídios impulsionaria a produção de biocombustível para regiões eficientes e com disponibilidade de terra, diz David Cleary, diretor da TNC.
A questão central na expansão das terras para biocombustíveis é a pecuária. Nos últimos 20 anos, o país registrou queda gradativa de pastagens para áreas destinadas ao plantio. Ao mesmo tempo, a concentração de cabeças de gado por hectare subiu. Se essas linhas continuarem, diz o estudo, os impactos ambientais serão menores.
"Teoricamente, a expansão do biocombustível nos pastos desmatados acomodaria toda a demanda futura de terra a um custo baixo em termos de conservação e biodiversidade", conclui o estudo.
20/11/2008
Fonte: Valoronline
Nos próximos cinco anos, o mundo necessitará de até 54 milhões de hectares a mais para atender ao consumo mundial de biocombustíveis, sendo que até 90% desse total virá da América do Sul. Essa demanda adicional por terras - ativo cada vez mais cobiçado - deverá ter impacto negativo para o ambiente, contrariando as discussões de preservação da biodiversidade e de redução de carbono.
Mas nem tudo está perdido. Uma saída viável seria canalizar esses milhões de hectares para áreas de pastagens e combiná-los com um modelo de pecuária intensiva. Isso poderia tornar o Brasil, maior produtor de biocombustível do continente, em um "modelo ambiental e uma superpotência agrícola a ser invejada pelo mundo".
Essas são as principais conclusões do relatório divulgado pela organização ambiental The Nature Conservancy (TNC). Intitulado "Uma Oportunidade para o Brasil: Minimizando os Custos Ambientais da Expansão dos Biocombustíveis", o estudo foi elaborado pela LMC International, consultoria de commodities agrícolas do Reino Unido, com o objetivo de quantificar o potencial da área destinada aos biocombustíveis em 2014.
A divulgação coincide com a realização da Conferência Internacional dos Biocombustíveis, e a data não é aleatória: o seminário promovido pelo governo tenta fechar o foco no etanol, apesar do nome. "O debate é mais que isso. O que dizemos é que a cana não desmata a Amazônia, e a soja sim", diz Ana Cristina Barros, da TNC. O grão é a principal matéria-prima para produção de biodiesel no país.
O objeto de trabalho do relatório é o Cerrado. É neste bioma, que abastece boa parte do país de água e onde a soja se alastra, que a demanda por terra para biocombustíveis se concentrará. Com base em censos agropecuários de 1970 a 2006, os especialistas debruçaram-se sobre três cenários: manutenção do quadro econômico, comércio aumentado e crescimento mundial lento. Para comparação, foram usados dados de terras aráveis deste ano para produção de alimento/ração e biocombustíveis.
No primeiro cenário, onde os preços de energia continuariam altos e os governos manteriam a proteção dos setores agrícolas via tarifa de importação, a área mundial para biocombustíveis cresceria dos 31 milhões de hectares atuais para 85 milhões.
Com crescimento lento, cenário mais provável, a área atingiria 42 milhões de hectares. Na hipótese de melhora no comércio, onde os preços de energia continuariam altos, mas com redução de barreiras comerciais, a área passaria de 31 milhões para 58 milhões de hectares. A expansão seria menor, porque a redução de subsídios impulsionaria a produção de biocombustível para regiões eficientes e com disponibilidade de terra, diz David Cleary, diretor da TNC.
A questão central na expansão das terras para biocombustíveis é a pecuária. Nos últimos 20 anos, o país registrou queda gradativa de pastagens para áreas destinadas ao plantio. Ao mesmo tempo, a concentração de cabeças de gado por hectare subiu. Se essas linhas continuarem, diz o estudo, os impactos ambientais serão menores.
"Teoricamente, a expansão do biocombustível nos pastos desmatados acomodaria toda a demanda futura de terra a um custo baixo em termos de conservação e biodiversidade", conclui o estudo.
Reino Unido vota lei de mudanças climáticas
Daniela Chiaretti, de Londres
19/11/2008
Fonte: Valoronline
Nos próximos dias, o Parlamento do Reino Unido votará a Lei de Mudanças Climáticas. Trata-se do passo mais forte e inovador do país onde nasceu a Revolução Industrial rumo a uma economia de baixo carbono. E será o indicador mais evidente que o governo Gordon Brown continuará investindo no combate à mudança climática mesmo com o país em recessão.
"Mesmo com as dificuldades econômicas que claramente estamos enfrentando aqui, não acreditamos que este é o momento de virar as costas ao nosso pacote de combate ao aquecimento global", diz Joan Ruddock, a secretária de Estado para Mudança Climática do Reino Unido. "Se não nos movimentarmos para uma economia de baixo carbono, não teremos futuro", continua, anunciando que para ter segurança energética o país vai investir "pesadamente" em energias renováveis e iniciar, possivelmente, um novo programa nuclear. Segundo compromissos acertados com a União Européia, o Reino Unido pretende reduzir suas emissões de gases-estufa em 20% até 2020 e em 80% até 2050.
"Somos uma ilha de muito vento, é o lugar onde mais venta na Europa. Temos grande potencial de energia das marés. Só não temos sol. Mas as renováveis nos desenham um futuro promissor", prossegue Joan. "Podemos criar muitos novos empregos nesta trilha. Mesmo sabendo que vamos ter desaceleração econômica, que podemos passar por uma fase dura neste país, não achamos que é hora de desistir deste rumo".
Recentemente o Reino Unido conseguiu o inimaginável - juntou raposa e galinhas no mesmo lugar, no novo Department of Energy and Climate Change, o DECC. O recém-criado ministério nasceu da união do antigo DEFRA (Department for Environment, Food and Rural Affairs) e o Grupo de Energia que era ligado ao Department for Business, Enterprise and Regulatory Reform. Quem cuida da nova pasta, considerada estratégica por juntar ambiente e energia, é Ed Miliband, irmão do chanceler britânico, David Miliband.
A reforma ministerial de Gordon Brown atinge o ápice do conceito de transversalidade que os ambientalistas tanto defendem. "A fusão aconteceu pela óbvia razão que quando olhamos para as emissões do Reino Unido, dois terços vêm do uso de energia. Se queremos enfrentar a mudança climática é aqui que temos que trabalhar mais", diz Joan Ruddock. "Juntando energia e ambiente podemos ter um foco apurado das coisas."
Está na legislação sobre mudanças climáticas o que o Reino Unido já anunciou publicamente: o compromisso de reduzir suas emissões em 80% em 2050. Há uma meta mais próxima, cortar em 20% até 2020. O objetivo doméstico pode aumentar para 26% ou 28% - as ONGs ambientalistas querem 40%.
"Há países da UE que já disseram que o bloco não deveria ir adiante com um pacote de metas tão ambicioso (20% em 2020) diante da crise. Mas a posição do meu governo é que este não é o momento de virarmos as costas ao aquecimento global. Temos que continuar com o que já sabemos que é possível. Esperamos que esta crise não seja longa. Mesmo com coisas mais difíceis no presente, só chegaremos às metas no futuro se fizermos mudanças agora", repete.
"Por exemplo: os fabricantes de automóveis estão muito preocupados porque as vendas caíram muito. Mas carros estarão nas nossas ruas em 2020. Então este é o momento de produzirem automóveis que emitam muito menos. A hora é agora. O que estamos dizendo é: planejem os carros."
A jornalista viajou a convite do governo do Reino Unido
19/11/2008
Fonte: Valoronline
Nos próximos dias, o Parlamento do Reino Unido votará a Lei de Mudanças Climáticas. Trata-se do passo mais forte e inovador do país onde nasceu a Revolução Industrial rumo a uma economia de baixo carbono. E será o indicador mais evidente que o governo Gordon Brown continuará investindo no combate à mudança climática mesmo com o país em recessão.
"Mesmo com as dificuldades econômicas que claramente estamos enfrentando aqui, não acreditamos que este é o momento de virar as costas ao nosso pacote de combate ao aquecimento global", diz Joan Ruddock, a secretária de Estado para Mudança Climática do Reino Unido. "Se não nos movimentarmos para uma economia de baixo carbono, não teremos futuro", continua, anunciando que para ter segurança energética o país vai investir "pesadamente" em energias renováveis e iniciar, possivelmente, um novo programa nuclear. Segundo compromissos acertados com a União Européia, o Reino Unido pretende reduzir suas emissões de gases-estufa em 20% até 2020 e em 80% até 2050.
"Somos uma ilha de muito vento, é o lugar onde mais venta na Europa. Temos grande potencial de energia das marés. Só não temos sol. Mas as renováveis nos desenham um futuro promissor", prossegue Joan. "Podemos criar muitos novos empregos nesta trilha. Mesmo sabendo que vamos ter desaceleração econômica, que podemos passar por uma fase dura neste país, não achamos que é hora de desistir deste rumo".
Recentemente o Reino Unido conseguiu o inimaginável - juntou raposa e galinhas no mesmo lugar, no novo Department of Energy and Climate Change, o DECC. O recém-criado ministério nasceu da união do antigo DEFRA (Department for Environment, Food and Rural Affairs) e o Grupo de Energia que era ligado ao Department for Business, Enterprise and Regulatory Reform. Quem cuida da nova pasta, considerada estratégica por juntar ambiente e energia, é Ed Miliband, irmão do chanceler britânico, David Miliband.
A reforma ministerial de Gordon Brown atinge o ápice do conceito de transversalidade que os ambientalistas tanto defendem. "A fusão aconteceu pela óbvia razão que quando olhamos para as emissões do Reino Unido, dois terços vêm do uso de energia. Se queremos enfrentar a mudança climática é aqui que temos que trabalhar mais", diz Joan Ruddock. "Juntando energia e ambiente podemos ter um foco apurado das coisas."
Está na legislação sobre mudanças climáticas o que o Reino Unido já anunciou publicamente: o compromisso de reduzir suas emissões em 80% em 2050. Há uma meta mais próxima, cortar em 20% até 2020. O objetivo doméstico pode aumentar para 26% ou 28% - as ONGs ambientalistas querem 40%.
"Há países da UE que já disseram que o bloco não deveria ir adiante com um pacote de metas tão ambicioso (20% em 2020) diante da crise. Mas a posição do meu governo é que este não é o momento de virarmos as costas ao aquecimento global. Temos que continuar com o que já sabemos que é possível. Esperamos que esta crise não seja longa. Mesmo com coisas mais difíceis no presente, só chegaremos às metas no futuro se fizermos mudanças agora", repete.
"Por exemplo: os fabricantes de automóveis estão muito preocupados porque as vendas caíram muito. Mas carros estarão nas nossas ruas em 2020. Então este é o momento de produzirem automóveis que emitam muito menos. A hora é agora. O que estamos dizendo é: planejem os carros."
A jornalista viajou a convite do governo do Reino Unido
Especialistas pedem regras para biocombustíveis
Cibelle Bouças, de São Paulo
19/11/2008
Fonte: Valoronline
A cobrança para que países desenvolvidos e emergentes definam rapidamente regras para a inclusão de biocombustíveis e outras fontes renováveis nas matrizes energéticas deu a tônica das discussões realizadas ontem durante a "Conferência Internacional sobre Biocombustíveis" em São Paulo. Houve consenso entre os participantes de que a inclusão das energias renováveis nos programas de governo demandaria, além de discussões sobre a soberania energética, a criação de regras para mitigar as emissões de gases de efeito estufa, racionalizar o uso da terra e da água, garantir a segurança alimentar, gerar emprego e renda e preservar os ecossistemas.
O Brasil foi citado como o país que mais avançou na diversificação de sua matriz energética e na criação de políticas que integram o interesse energético à geração de emprego e à auto-suficiência em oferta de alimentos. "Produção não é o único critério a ser considerado ao se avaliar a sustentabilidade da produção energética", resumiu o diretor da ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi. Ele citou o programa Selo Social do governo federal, que certifica as usinas de biodiesel que utilizam pelo menos 10% de matérias-primas produzidas por agricultores familiares, como exemplo de iniciativa que une a diversificação da matriz energética à geração de emprego e renda.
A secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) das Nações Unidas, Alicia Bárcena, citou um estudo realizado pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, sigla em inglês), que prevê a geração de 20 milhões de postos de trabalho até 2030 com o avanço dos programas de energia renovável. Atualmente, 470 mil pessoas trabalham na geração de energia eólica e solar e mais 1,2 milhão de pessoas operam em usinas que geram energia a partir da biomassa. Em 2030, o número de contratados nessas usinas de biocombustíveis deve chegar a 12 milhões, sendo que o maior número de contratações ocorrerá no Brasil, nos Estados Unidos, na Alemanha e na China.
Alicia observou que outros países da América Latina também têm condições de incrementar a produção de biocombustíveis, sobretudo o etanol obtido do melaço da cana-de-açúcar, ampliando a geração de emprego sem comprometer o ambiente e a oferta de alimentos. Entre os países estão Cuba, Guiana, Nicarágua, Guatemala, El Salvador, Colômbia e Paraguai. Hoje, disse, é possível que os países substituam 10% do consumo de gasolina por etanol sem grandes necessidades de modificação nos motores dos veículos. E essa ampliação seria possível utilizando, por exemplo, áreas de pastagem degradadas. "No Brasil, de cada três hectares de pastagem, dois hectares estão degradados ou são mal utilizados", disse. Segundo Alicia, a maioria dos países da América Latina tem condições de produzir biocombustíveis em volume suficiente para consumo próprio e para exportação.
O presidente do grupo Sekab, maior importador europeu do etanol brasileiro, afirmou que é preciso estabelecer regras, metas e padrões para o mercado de biocombustíveis mas, antes disso, se faz necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa por meio da melhoria de eficiência no uso das energias convencionais. "É preciso maximizar o uso das energias já existentes para que os biocombustíveis também sejam utilizados com sensatez. De nada adianta o mundo utilizar carros flexfuel [bicombustíveis] se as pessoas comprarem mais veículos e na somatória final a emissão de gases de efeito estufa continuar a mesma."
O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, alertou para a necessidade de que cada país desenvolva políticas para alterar suas matrizes energéticas.
"Independentemente da regularização de um mercado internacional de energia limpa, cada país deve desenvolver políticas públicas e definir a sua matriz energética. Exportar biocombustível deve ser uma preocupação posterior à necessidade ambiental de conter o aquecimento global", afirmou Iglesias.
Ontem, durante o seminário, a representante da Cepal juntamente com o representante da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva, e o diretor, e o gerente de biocombustíveis do BNDES, Paulo Faveret Filho, lançaram o livro "Bioetanol de cana-de-açúcar". Idealizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apelidado por seus organizadores como "o livro verde", a obra reúne uma série de estudos sobre a economicidade e competitividade do etanol de cana-de-açúcar enquanto alternativa ao uso de combustíveis fósseis líquidos.
Alicia citou, por exemplo, cálculos demonstrando que o etanol de cana é competitivo com o petróleo cotado a até US$ 45 por barril, enquanto o etanol a partir do milho só é economicamente viável com o petróleo acima de US$ 70 o barril. Além disso, a produção do etanol de cana permite reduzir em 89% as emissões de gases de efeito estufa, enquanto o etanol de milho reduz as emissões em no máximo 38%.
19/11/2008
Fonte: Valoronline
A cobrança para que países desenvolvidos e emergentes definam rapidamente regras para a inclusão de biocombustíveis e outras fontes renováveis nas matrizes energéticas deu a tônica das discussões realizadas ontem durante a "Conferência Internacional sobre Biocombustíveis" em São Paulo. Houve consenso entre os participantes de que a inclusão das energias renováveis nos programas de governo demandaria, além de discussões sobre a soberania energética, a criação de regras para mitigar as emissões de gases de efeito estufa, racionalizar o uso da terra e da água, garantir a segurança alimentar, gerar emprego e renda e preservar os ecossistemas.
O Brasil foi citado como o país que mais avançou na diversificação de sua matriz energética e na criação de políticas que integram o interesse energético à geração de emprego e à auto-suficiência em oferta de alimentos. "Produção não é o único critério a ser considerado ao se avaliar a sustentabilidade da produção energética", resumiu o diretor da ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi. Ele citou o programa Selo Social do governo federal, que certifica as usinas de biodiesel que utilizam pelo menos 10% de matérias-primas produzidas por agricultores familiares, como exemplo de iniciativa que une a diversificação da matriz energética à geração de emprego e renda.
A secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) das Nações Unidas, Alicia Bárcena, citou um estudo realizado pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, sigla em inglês), que prevê a geração de 20 milhões de postos de trabalho até 2030 com o avanço dos programas de energia renovável. Atualmente, 470 mil pessoas trabalham na geração de energia eólica e solar e mais 1,2 milhão de pessoas operam em usinas que geram energia a partir da biomassa. Em 2030, o número de contratados nessas usinas de biocombustíveis deve chegar a 12 milhões, sendo que o maior número de contratações ocorrerá no Brasil, nos Estados Unidos, na Alemanha e na China.
Alicia observou que outros países da América Latina também têm condições de incrementar a produção de biocombustíveis, sobretudo o etanol obtido do melaço da cana-de-açúcar, ampliando a geração de emprego sem comprometer o ambiente e a oferta de alimentos. Entre os países estão Cuba, Guiana, Nicarágua, Guatemala, El Salvador, Colômbia e Paraguai. Hoje, disse, é possível que os países substituam 10% do consumo de gasolina por etanol sem grandes necessidades de modificação nos motores dos veículos. E essa ampliação seria possível utilizando, por exemplo, áreas de pastagem degradadas. "No Brasil, de cada três hectares de pastagem, dois hectares estão degradados ou são mal utilizados", disse. Segundo Alicia, a maioria dos países da América Latina tem condições de produzir biocombustíveis em volume suficiente para consumo próprio e para exportação.
O presidente do grupo Sekab, maior importador europeu do etanol brasileiro, afirmou que é preciso estabelecer regras, metas e padrões para o mercado de biocombustíveis mas, antes disso, se faz necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa por meio da melhoria de eficiência no uso das energias convencionais. "É preciso maximizar o uso das energias já existentes para que os biocombustíveis também sejam utilizados com sensatez. De nada adianta o mundo utilizar carros flexfuel [bicombustíveis] se as pessoas comprarem mais veículos e na somatória final a emissão de gases de efeito estufa continuar a mesma."
O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, alertou para a necessidade de que cada país desenvolva políticas para alterar suas matrizes energéticas.
"Independentemente da regularização de um mercado internacional de energia limpa, cada país deve desenvolver políticas públicas e definir a sua matriz energética. Exportar biocombustível deve ser uma preocupação posterior à necessidade ambiental de conter o aquecimento global", afirmou Iglesias.
Ontem, durante o seminário, a representante da Cepal juntamente com o representante da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva, e o diretor, e o gerente de biocombustíveis do BNDES, Paulo Faveret Filho, lançaram o livro "Bioetanol de cana-de-açúcar". Idealizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apelidado por seus organizadores como "o livro verde", a obra reúne uma série de estudos sobre a economicidade e competitividade do etanol de cana-de-açúcar enquanto alternativa ao uso de combustíveis fósseis líquidos.
Alicia citou, por exemplo, cálculos demonstrando que o etanol de cana é competitivo com o petróleo cotado a até US$ 45 por barril, enquanto o etanol a partir do milho só é economicamente viável com o petróleo acima de US$ 70 o barril. Além disso, a produção do etanol de cana permite reduzir em 89% as emissões de gases de efeito estufa, enquanto o etanol de milho reduz as emissões em no máximo 38%.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Fibra de banana é usada na produção de chapéu, bolsa e objetos decorativos
07/11/2008
Fonte: www.ambientebrasil.com.br
É no meio do bananal que o agricultor Afonso Konrad se realiza. Desde o início deste ano, ele descobriu outra forma de tirar uma renda extra. A fibra da bananeira, que se será comercializada, é retirada. "A gente tira e não quebra", falou seu Afonso.
As mulheres dão seqüência às tarefas. Elas dividem a fibra por partes. Todo cuidado é pouco para evitar acidentes e garantir uma fibra perfeita que, depois de lavada e seca, fica pronta para seguir outro rumo. "A gente tem tudo pronto para vender", falou a agricultora Sandra Konrad.
Do campo a fibra é levada para a cidade, onde ganha forma. Artesãos produzem chapéu, bolsa e objetos decorativos. O que não falta é inspiração vinda da natureza. Com a fibra da bananeira também é possível fazer embalagens para presentes, enfeites de natal e até chinelos.
Móveis - Além do artesanato, a fibra dá um charme especial aos móveis. Cobre sofás, cadeiras e mesas. Tudo é vendido para três empresas especializadas. São idéias que mudaram a vida da microempresária Sandra Tomanini. Há quatro anos, quando abriu a empresa, eram três funcionários. Hoje, são 17. "Toda a ampliação veio com o trabalho que a gente está fazendo com a fibra de bananeira", falou Sandra.
Santa Catarina é o terceiro maior produtor nacional de banana. Fica atrás da Bahia e de São Paulo. (Fonte: G1)
Fonte: www.ambientebrasil.com.br
É no meio do bananal que o agricultor Afonso Konrad se realiza. Desde o início deste ano, ele descobriu outra forma de tirar uma renda extra. A fibra da bananeira, que se será comercializada, é retirada. "A gente tira e não quebra", falou seu Afonso.
As mulheres dão seqüência às tarefas. Elas dividem a fibra por partes. Todo cuidado é pouco para evitar acidentes e garantir uma fibra perfeita que, depois de lavada e seca, fica pronta para seguir outro rumo. "A gente tem tudo pronto para vender", falou a agricultora Sandra Konrad.
Do campo a fibra é levada para a cidade, onde ganha forma. Artesãos produzem chapéu, bolsa e objetos decorativos. O que não falta é inspiração vinda da natureza. Com a fibra da bananeira também é possível fazer embalagens para presentes, enfeites de natal e até chinelos.
Móveis - Além do artesanato, a fibra dá um charme especial aos móveis. Cobre sofás, cadeiras e mesas. Tudo é vendido para três empresas especializadas. São idéias que mudaram a vida da microempresária Sandra Tomanini. Há quatro anos, quando abriu a empresa, eram três funcionários. Hoje, são 17. "Toda a ampliação veio com o trabalho que a gente está fazendo com a fibra de bananeira", falou Sandra.
Santa Catarina é o terceiro maior produtor nacional de banana. Fica atrás da Bahia e de São Paulo. (Fonte: G1)
Clima da Terra flutua entre calor e frio, dizem pesquisadores
14/11/2008
Fonte: www.ambinetebrasil.com.br
As estações são cíclicas. Teoricamente, no verão o calor é forte e no inverno o frio é intenso. Alguns anos, até neva em cidades desacostumadas ao fenômeno. No outro, as estações voltam ao normal. Segundo uma pesquisa divulgada na revista “Nature” esta semana, uma situação semelhante ocorre com o clima da Terra. Mas englobando todo o planeta e que perdura milhares de anos.
Os cientistas Thomas J. Crowley e William T. Hyde, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, afirmam que entre as Eras Glaciais - períodos onde a atmosfera e os oceanos permanecem gélidos - o clima é instável. Há uma dramática flutuação climática, entre períodos extremamente quentes ou frios, que já dura mais de três milhões de anos.
De acordo com os pesquisadores, essas alterações são uma longa resposta à sutil, natural e também cíclica mudança na órbita da Terra. Ela pode ficar mais distante do Sol. A esse fato se soma às variações do gás carbônico (CO2) localizado mais próximo ao solo. Por exemplo, como ocorre com o efeito estufa, quando gases como o carbônico retém o calor no planeta.
Crowley afirma que o clima da Terra se aproxima de um ponto de bifurcação. Ele transita para um frio mais intenso. Como conseqüência a Eurásia - parte continental que forma a Europa e a Ásia - e a América do Norte serão cobertas por uma superfície de gelo que atingirá a latitude média do hemisfério norte. Chegará até a altura da França e, praticamente, cobrirá todo o Canadá.
Mas a mudança não é imediata. Segundo simulações, o fenômeno deve ocorrer entre os próximos 10.000 e 100.000 anos. O que, em termos geológicos, significa pouco tempo. Para comparar, o planeta possui por volta de 4,5 bilhões de anos.
Como fica o aquecimento global? - “A descoberta fornece uma perspectiva mais ampla sobre o clima dos últimos milhões de anos e o processo que causa essas mudanças”, diz Thomas J. Crowley ao G1. “Também um novo panorama sobre as possíveis relações mais próximas, em uma escala temporal de mil anos, com a flutuação climática que observamos em núcleos de gelo na Groelândia”, afirma.
Os dois cientistas chegaram a tais conclusões analisando, principalmente, a quantidade de radiação solar refletida pelo gelo polar. Mas os autores sugerem que mesmo uma pequena mudança no nível de gás carbônico na atmosfera, como ocorre atualmente, pode impedir indefinitivamente essa transição.
“As emissões de gás carbônico pela sociedade atual é um grande problema, pois caminhamos para uma escala de níveis de CO2 que não experimentamos por dezenas de milhões de anos”, explica. “É necessária cautela no momento em que entramos em um estado tão diferente do presente”, diz.
Crowley conta que, agora, prossegue estudando uma escala de tempo de mil anos “gravadas” do último período glacial. “O objetivo é ver se uma nova perspectiva pode nos ajudar a entender melhor as rápidas mudanças do passado na temperatura”. (Fonte: Isis Nóbile Diniz/ G1)
Fonte: www.ambinetebrasil.com.br
As estações são cíclicas. Teoricamente, no verão o calor é forte e no inverno o frio é intenso. Alguns anos, até neva em cidades desacostumadas ao fenômeno. No outro, as estações voltam ao normal. Segundo uma pesquisa divulgada na revista “Nature” esta semana, uma situação semelhante ocorre com o clima da Terra. Mas englobando todo o planeta e que perdura milhares de anos.
Os cientistas Thomas J. Crowley e William T. Hyde, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, afirmam que entre as Eras Glaciais - períodos onde a atmosfera e os oceanos permanecem gélidos - o clima é instável. Há uma dramática flutuação climática, entre períodos extremamente quentes ou frios, que já dura mais de três milhões de anos.
De acordo com os pesquisadores, essas alterações são uma longa resposta à sutil, natural e também cíclica mudança na órbita da Terra. Ela pode ficar mais distante do Sol. A esse fato se soma às variações do gás carbônico (CO2) localizado mais próximo ao solo. Por exemplo, como ocorre com o efeito estufa, quando gases como o carbônico retém o calor no planeta.
Crowley afirma que o clima da Terra se aproxima de um ponto de bifurcação. Ele transita para um frio mais intenso. Como conseqüência a Eurásia - parte continental que forma a Europa e a Ásia - e a América do Norte serão cobertas por uma superfície de gelo que atingirá a latitude média do hemisfério norte. Chegará até a altura da França e, praticamente, cobrirá todo o Canadá.
Mas a mudança não é imediata. Segundo simulações, o fenômeno deve ocorrer entre os próximos 10.000 e 100.000 anos. O que, em termos geológicos, significa pouco tempo. Para comparar, o planeta possui por volta de 4,5 bilhões de anos.
Como fica o aquecimento global? - “A descoberta fornece uma perspectiva mais ampla sobre o clima dos últimos milhões de anos e o processo que causa essas mudanças”, diz Thomas J. Crowley ao G1. “Também um novo panorama sobre as possíveis relações mais próximas, em uma escala temporal de mil anos, com a flutuação climática que observamos em núcleos de gelo na Groelândia”, afirma.
Os dois cientistas chegaram a tais conclusões analisando, principalmente, a quantidade de radiação solar refletida pelo gelo polar. Mas os autores sugerem que mesmo uma pequena mudança no nível de gás carbônico na atmosfera, como ocorre atualmente, pode impedir indefinitivamente essa transição.
“As emissões de gás carbônico pela sociedade atual é um grande problema, pois caminhamos para uma escala de níveis de CO2 que não experimentamos por dezenas de milhões de anos”, explica. “É necessária cautela no momento em que entramos em um estado tão diferente do presente”, diz.
Crowley conta que, agora, prossegue estudando uma escala de tempo de mil anos “gravadas” do último período glacial. “O objetivo é ver se uma nova perspectiva pode nos ajudar a entender melhor as rápidas mudanças do passado na temperatura”. (Fonte: Isis Nóbile Diniz/ G1)
Londres faz plano para aquecimento global
De São Paulo
13/11/2008
Fonte: Valoronline
Como estratégia para convencer quem ainda resiste a entender o que vem pela frente com o aquecimento global, o representante do governo britânico exibe um mapa do clima da Europa elaborado pela Escola Nacional de Meteorologia francesa. Em 2071, indicam os franceses, o mapa geopolítico europeu poderá ser o mesmo de hoje, diz Alex Nickson, a não ser por alguns detalhes estranhos produzidos pela mudança climática: Berlim está colocada no Marrocos, Londres foi parar em Portugal, Paris e Estocolmo surgem em território espanhol. O recado é explícito: a temperatura dessas cidades vai subir e é preciso se adaptar a isso.
"Dizem que será possível plantar uvas e produzir vinho no sul da Inglaterra", continua Nickson, gerente de estratégia de adaptação em mudança climática da Prefeitura de Londres, ao explicar a recém-divulgada estratégia elaborada pela administração do prefeito Boris Johnson. Essa foi a única brincadeira que ele faz durante a apresentação do plano. Nenhuma outra metrópole do mundo tem algo parecido. Desde que o plano foi lançado, há um mês, Nikson foi chamado para falar em Tóquio, Amsterdã e Paris sobre como os londrinos enfrentarão os impactos da mudança climática.
O cuidado com que a cidade de Londres está se preparando para os efeitos da inevitável mudança passa pela discussão de investir bilhões de libras em uma nova barreira de diques que segure o avanço do mar (debate suspenso no momento) ao tipo de metal a ser usado nos trilhos do metrô para que funcionem bem com o aumento da temperatura. A cada sete anos os trilhos do ultrafamoso Tube passam por manutenção e troca. Agora, a busca tem sido por uma liga que não se expanda tanto com o calor mais intenso que se espera no futuro.
"Por que adaptar?", começa Nickson. "Porque as mudanças climáticas são inevitáveis, porque não estamos sequer bem adaptados ao clima atual e porque medidas pró-ativas são muito mais baratas e mais eficazes do que atitudes reativas", prossegue, mostrando que a administração pública segue à risca a cartilha indicada no Relatório Stern.
Há dois anos, o economista Nicholas Stern aconselhou o então primeiro-ministro Tony Blair a admitir a inevitabilidade do fenômeno e a entender que a economia britânica deveria se movimentar rumo a tecnologias limpas, hábitos sustentáveis e políticas ambientalmente seguras. "Londres terá de enfrentar eventos climáticos extremos e o aumento do nível do mar. Isso significa mais cheias, mais secas e mais ondas de calor."
A capital britânica tem 7,4 milhões de habitantes, e 1,5 milhão vive em áreas sujeitas a enchentes. No mapa da vulnerabilidade que a Prefeitura de Londres prospectou há 441 escolas (14% do total existente na cidade), 10 hospitais, 46 delegacias de polícia, 20 bases do Corpo de Bombeiros, uma cadeia, 49 estações de trem, 75 estações do metrô (são 291 ao todo) e um aeroporto. "Sabemos que 15% da cidade está na linha das enchentes", diz Nickson. "Se o futuro é incerto, vamos esperar que aconteça para tomar decisões ou o melhor é agir agora?", cutuca o especialista.
As vulnerabilidades de Londres frente ao aquecimento global estão assim mapeadas: enchentes, calor forte, problemas com o abastecimento de água, problemas de qualidade do ar, ventos muito fortes. Não é de hoje que a cidade está preparada para enfrentar enchentes provocadas pela subida das marés, do Tâmisa e de seus 11 tributários, mas as cheias provocadas também pelo aumento das chuvas são um grande motivo de preocupação, diz o técnico. "Este é um grande risco. Temos 100 mil casas com padrões muito baixos de proteção", alerta.
Outro foco é treinar a população para o que fazer no caso de enchentes. Uma enquete recente indicou uma tendência preocupante: 60% das pessoas iria para o metrô no caso de ter que enfrentar uma cheia, esquecendo que as estações podem ser os primeiros lugares a inundar. "Temos que dizer às pessoas o que fazer para que não entrem em pânico."
Para enfrentar verões mais quentes e secos e, ao mesmo tempo, ter alguma defesa contra as cheias, a estratégia é o "urban greening programme", um programa que pretende tornar Londres mais verde. "Espaços mais verdes absorvem mais água", lembra ele. O governo estuda importar a tecnologia de Tóquio de asfaltar a cidade com uma liga que leva pneus triturados e que deixa a água da chuva penetrar no solo e não absorve tanto calor. Já se sabe que o centro de Londres alcança 5 graus a mais de temperatura do que a periferia. "Os arquitetos vão ter que desenhar para o futuro, não para os dias de hoje", avisa. No plano, a idéia é tornar verde até os telhados das moradias.
As altas temperaturas do verão de 2003, que provocaram a morte de milhares de europeus, são um trauma não superado. Os britânicos buscaram inspiração na Filadélfia e planejam ter um sistema constante de ambulâncias, devidamente refrigeradas, para transportar idosos a prédios públicos com ar-condicionado durante dias muito quentes. "Não estamos acostumados ao calor muito forte. Sabemos que duas a três horas em ambientes mais refrigerados podem prevenir a morte de pessoas mais sensíveis."
O Reino Unido não parece estar brincando com este assunto, embora possíveis investimentos em uma nova termoelétrica a carvão estejam suscitando muita polêmica. "Dependendo da decisão saberemos o quanto este governo leva a mudança climática realmente a sério", diz Keith Allot, chefe de mudanças climáticas do World Wildlife Fund, o WWF. Por enquanto, a administração local se arma para combater o fenômeno de todas as formas. Robin Gwynn, do Ministério das Relações Exteriores, por exemplo, tem o seguinte cargo estampado em seu cartão de visitas: enviado do Reino Unido para segurança climática em países vulneráveis.
A repórter viaja a convite do governo do Reino Unido
13/11/2008
Fonte: Valoronline
Como estratégia para convencer quem ainda resiste a entender o que vem pela frente com o aquecimento global, o representante do governo britânico exibe um mapa do clima da Europa elaborado pela Escola Nacional de Meteorologia francesa. Em 2071, indicam os franceses, o mapa geopolítico europeu poderá ser o mesmo de hoje, diz Alex Nickson, a não ser por alguns detalhes estranhos produzidos pela mudança climática: Berlim está colocada no Marrocos, Londres foi parar em Portugal, Paris e Estocolmo surgem em território espanhol. O recado é explícito: a temperatura dessas cidades vai subir e é preciso se adaptar a isso.
"Dizem que será possível plantar uvas e produzir vinho no sul da Inglaterra", continua Nickson, gerente de estratégia de adaptação em mudança climática da Prefeitura de Londres, ao explicar a recém-divulgada estratégia elaborada pela administração do prefeito Boris Johnson. Essa foi a única brincadeira que ele faz durante a apresentação do plano. Nenhuma outra metrópole do mundo tem algo parecido. Desde que o plano foi lançado, há um mês, Nikson foi chamado para falar em Tóquio, Amsterdã e Paris sobre como os londrinos enfrentarão os impactos da mudança climática.
O cuidado com que a cidade de Londres está se preparando para os efeitos da inevitável mudança passa pela discussão de investir bilhões de libras em uma nova barreira de diques que segure o avanço do mar (debate suspenso no momento) ao tipo de metal a ser usado nos trilhos do metrô para que funcionem bem com o aumento da temperatura. A cada sete anos os trilhos do ultrafamoso Tube passam por manutenção e troca. Agora, a busca tem sido por uma liga que não se expanda tanto com o calor mais intenso que se espera no futuro.
"Por que adaptar?", começa Nickson. "Porque as mudanças climáticas são inevitáveis, porque não estamos sequer bem adaptados ao clima atual e porque medidas pró-ativas são muito mais baratas e mais eficazes do que atitudes reativas", prossegue, mostrando que a administração pública segue à risca a cartilha indicada no Relatório Stern.
Há dois anos, o economista Nicholas Stern aconselhou o então primeiro-ministro Tony Blair a admitir a inevitabilidade do fenômeno e a entender que a economia britânica deveria se movimentar rumo a tecnologias limpas, hábitos sustentáveis e políticas ambientalmente seguras. "Londres terá de enfrentar eventos climáticos extremos e o aumento do nível do mar. Isso significa mais cheias, mais secas e mais ondas de calor."
A capital britânica tem 7,4 milhões de habitantes, e 1,5 milhão vive em áreas sujeitas a enchentes. No mapa da vulnerabilidade que a Prefeitura de Londres prospectou há 441 escolas (14% do total existente na cidade), 10 hospitais, 46 delegacias de polícia, 20 bases do Corpo de Bombeiros, uma cadeia, 49 estações de trem, 75 estações do metrô (são 291 ao todo) e um aeroporto. "Sabemos que 15% da cidade está na linha das enchentes", diz Nickson. "Se o futuro é incerto, vamos esperar que aconteça para tomar decisões ou o melhor é agir agora?", cutuca o especialista.
As vulnerabilidades de Londres frente ao aquecimento global estão assim mapeadas: enchentes, calor forte, problemas com o abastecimento de água, problemas de qualidade do ar, ventos muito fortes. Não é de hoje que a cidade está preparada para enfrentar enchentes provocadas pela subida das marés, do Tâmisa e de seus 11 tributários, mas as cheias provocadas também pelo aumento das chuvas são um grande motivo de preocupação, diz o técnico. "Este é um grande risco. Temos 100 mil casas com padrões muito baixos de proteção", alerta.
Outro foco é treinar a população para o que fazer no caso de enchentes. Uma enquete recente indicou uma tendência preocupante: 60% das pessoas iria para o metrô no caso de ter que enfrentar uma cheia, esquecendo que as estações podem ser os primeiros lugares a inundar. "Temos que dizer às pessoas o que fazer para que não entrem em pânico."
Para enfrentar verões mais quentes e secos e, ao mesmo tempo, ter alguma defesa contra as cheias, a estratégia é o "urban greening programme", um programa que pretende tornar Londres mais verde. "Espaços mais verdes absorvem mais água", lembra ele. O governo estuda importar a tecnologia de Tóquio de asfaltar a cidade com uma liga que leva pneus triturados e que deixa a água da chuva penetrar no solo e não absorve tanto calor. Já se sabe que o centro de Londres alcança 5 graus a mais de temperatura do que a periferia. "Os arquitetos vão ter que desenhar para o futuro, não para os dias de hoje", avisa. No plano, a idéia é tornar verde até os telhados das moradias.
As altas temperaturas do verão de 2003, que provocaram a morte de milhares de europeus, são um trauma não superado. Os britânicos buscaram inspiração na Filadélfia e planejam ter um sistema constante de ambulâncias, devidamente refrigeradas, para transportar idosos a prédios públicos com ar-condicionado durante dias muito quentes. "Não estamos acostumados ao calor muito forte. Sabemos que duas a três horas em ambientes mais refrigerados podem prevenir a morte de pessoas mais sensíveis."
O Reino Unido não parece estar brincando com este assunto, embora possíveis investimentos em uma nova termoelétrica a carvão estejam suscitando muita polêmica. "Dependendo da decisão saberemos o quanto este governo leva a mudança climática realmente a sério", diz Keith Allot, chefe de mudanças climáticas do World Wildlife Fund, o WWF. Por enquanto, a administração local se arma para combater o fenômeno de todas as formas. Robin Gwynn, do Ministério das Relações Exteriores, por exemplo, tem o seguinte cargo estampado em seu cartão de visitas: enviado do Reino Unido para segurança climática em países vulneráveis.
A repórter viaja a convite do governo do Reino Unido
Etanol deixa Itamaraty em alerta
Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
14/11/2008
Fonte: Valoronline
O embaixador do Brasil nos EUA, Antonio de Aguiar Patriota, encaminhou uma carta à Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês), no fim de outubro, demonstrando a preocupação do governo brasileiro em relação à regulamentação do mandato de consumo de biocombustíveis, conhecido como Padrão de Combustível Renovável (RFS , na sigla em inglês).
Estimulada pela Lei de Energia americana, criada em 2005, o RFS estabeleceu o consumo mínimo de 9 bilhões de galões (34 bilhões de litros) de biocombustível, neste ano, e de até 36 bilhões de (136 bilhões de litros), em 2022. A EPA tem proposto regras mais rígidas para o consumo de biocombustíveis naquele país.
As novas regras ambientais vão exigir que a regulamentação dos biocombustíveis inclua o cálculo da redução de emissões de gás de efeito estufa de todos os biocombustíveis consumidos nos EUA, inclusive o do etanol a partir da cana, consumido também naquele país.
Especialistas ouvidos pelo Valor afirmam que essa regulamentação não tem uma metodologia para fazer cálculos do uso indireto da terra. "Com base no estudo de [Timothy] Searchinger, o aumento do consumo do etanol à base de milho nos EUA fará com que a produção de milho no Brasil avance no Cerrado", disse Emerson Kloss, diplomata do Itamaraty na embaixada do Brasil nos EUA. Regras parecidas também estão sendo elaboradas pela União Européia e o governo brasileira já está em alerta.
A EPA argumenta que esses cálculos são preliminares. Mas, segundo os mesmos especialistas, eles são baseados em uma teoria acadêmica de impacto das mudanças de uso indireto da terra sem base científica. Esses especialistas alertam que a publicação de dados preliminares de uma agência americana respeitada, como a EPA, prejudicaria a imagem do etanol. "O estudo parte de uma premissa errada", afirmou Kloss. Segundo ele, a carta do embaixador Patriota enviada à EPA alerta sobre isso. "Somos a favor do estabelecimento de regras sobre os biocombustíveis."
Essas regras deveriam ter sido publicadas no fim de outubro. No entanto, foram adiadas por conta das eleições americanas. Um grupo de acadêmicos solicitou à EPA para retardar a divulgação de uma análise dos impactos do RFS sobre o ciclo de vida dos gases de efeito estufa.
O RFS divide o consumo de biocombustível nos EUA em duas categorias: convencional e avançada. O convencional é definido como etanol de milho. O avançado, que inclui a cana, é aquele que gera uma redução da emissão de gases de efeito estufa de pelo menos 50%.
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14/11/2008
Fonte: Valoronline
O embaixador do Brasil nos EUA, Antonio de Aguiar Patriota, encaminhou uma carta à Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês), no fim de outubro, demonstrando a preocupação do governo brasileiro em relação à regulamentação do mandato de consumo de biocombustíveis, conhecido como Padrão de Combustível Renovável (RFS , na sigla em inglês).
Estimulada pela Lei de Energia americana, criada em 2005, o RFS estabeleceu o consumo mínimo de 9 bilhões de galões (34 bilhões de litros) de biocombustível, neste ano, e de até 36 bilhões de (136 bilhões de litros), em 2022. A EPA tem proposto regras mais rígidas para o consumo de biocombustíveis naquele país.
As novas regras ambientais vão exigir que a regulamentação dos biocombustíveis inclua o cálculo da redução de emissões de gás de efeito estufa de todos os biocombustíveis consumidos nos EUA, inclusive o do etanol a partir da cana, consumido também naquele país.
Especialistas ouvidos pelo Valor afirmam que essa regulamentação não tem uma metodologia para fazer cálculos do uso indireto da terra. "Com base no estudo de [Timothy] Searchinger, o aumento do consumo do etanol à base de milho nos EUA fará com que a produção de milho no Brasil avance no Cerrado", disse Emerson Kloss, diplomata do Itamaraty na embaixada do Brasil nos EUA. Regras parecidas também estão sendo elaboradas pela União Européia e o governo brasileira já está em alerta.
A EPA argumenta que esses cálculos são preliminares. Mas, segundo os mesmos especialistas, eles são baseados em uma teoria acadêmica de impacto das mudanças de uso indireto da terra sem base científica. Esses especialistas alertam que a publicação de dados preliminares de uma agência americana respeitada, como a EPA, prejudicaria a imagem do etanol. "O estudo parte de uma premissa errada", afirmou Kloss. Segundo ele, a carta do embaixador Patriota enviada à EPA alerta sobre isso. "Somos a favor do estabelecimento de regras sobre os biocombustíveis."
Essas regras deveriam ter sido publicadas no fim de outubro. No entanto, foram adiadas por conta das eleições americanas. Um grupo de acadêmicos solicitou à EPA para retardar a divulgação de uma análise dos impactos do RFS sobre o ciclo de vida dos gases de efeito estufa.
O RFS divide o consumo de biocombustível nos EUA em duas categorias: convencional e avançada. O convencional é definido como etanol de milho. O avançado, que inclui a cana, é aquele que gera uma redução da emissão de gases de efeito estufa de pelo menos 50%.
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- Contexto
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Fórum de Águas das Américas acontece no final deste mês em Foz do Iguaçu (PR)
Mônica Pinto
10/11/2008
Fonte: AmbienteBrasil
Um bilhão de pessoas não tem acesso à água potável. Dois bilhões e meio convivem com a mais absoluta falta de saneamento básico. A conseqüência deste cenário é, obviamente, trágica: oito milhões de mortos por ano, a metade crianças.
Conservar um recurso natural indispensável à vida, fazendo-o alvo de uma gestão 100% sustentável, deve ser o foco de preocupações e investimentos em uma escala planetária. Felizmente, ainda que de forma tardia, gestores públicos de todo o mundo começam a sistematizar ações e iniciativas que contemplam essa necessidade.
O Brasil será uma espécie de sede do cuidado com as águas no final deste mês. Entre os dias 23 e 27, na cidade de Foz do Iguaçu (PR), na tríplice fronteira, acontecem nada menos que quatro eventos cujo escopo é a conservação dos recursos hídricos.
O Fórum de Águas das Américas vai reunir autoridades, especialistas e delegados do continente. Dentre suas principais propostas, está a de consolidar um documento unificado, a ser exposto no 5º Fórum Mundial da Água, que acontecerá em Istambul, Turquia, em março do ano que vem.
Este trabalho pretende agregar os encaminhamentos oriundos dos quatro encontros sub-regionais, realizados nas Américas do Norte, do Sul e Central e no Caribe. O Fórum Sul-americano aconteceu em setembro passado, na capital do Uruguai, Montevidéu.
Voltando à Foz do Iguaçu, no mesmo período, será realizado o Encontro do Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata, que integra os cinco países por ela banhados (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai) em ações voltadas à sustentabilidade, especialmente no campo da educação ambiental, constituindo-se num espaço de diálogo entre suas diversas culturas, de modo a unir e valorizar conhecimentos científicos, tradicionais e populares (saiba mais na reportagem EXCLUSIVO: Cinco países se unem pela Educação Ambiental na Bacia do Prata).
“Para o Brasil, é uma oportunidade ímpar de, por meio das instituições relacionadas ao tema, divulgar políticas públicas e ações de sustentabilidade ora em curso, principalmente as vinculadas aos cuidados com os recursos hídricos”, disse a AmbienteBrasil o secretário executivo do Centro pelo Brasil, Marcelo Alves de Sousa.
Um dos projetos nesse sentido a debater e expor suas ações é o Cultivando Água Boa, que, na ocasião, promove seu quinto encontro. Programa socioambiental desenvolvido pela Itaipu Binacional desde 2003, nos 29 municípios da Bacia Hidrográfica do Paraná 3 (BP3), região de influência da usina hidrelétrica naquele estado, seu objetivo oficial é “sensibilizar, conscientizar, educar e mobilizar a comunidade regional para a correção dos passivos ambientais, com vistas ao desenvolvimento sustentável”.
Segundo Marcelo Alves, o Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata e o Programa Cultivando Água Boa são as principais ações que motivaram a Agência Nacional de Águas (Ana), responsável pela organização e realização do Fórum no Brasil, a promovê-lo na cidade de Foz do Iguaçu.
Na seqüência do Fórum de Águas das Américas e do V Encontro Cultivando Água Boa, ocorrerá a reunião dos Governadores do Conselho Mundial da Água, entidade criada a partir da visão corporativa de profissionais da área de recursos hídricos, congregados na Associação Internacional de Recursos Hídricos, com forte participação de representantes dos diversos segmentos de mercado e com apoio de agências das Nações Unidas e de países desenvolvidos.
10/11/2008
Fonte: AmbienteBrasil
Um bilhão de pessoas não tem acesso à água potável. Dois bilhões e meio convivem com a mais absoluta falta de saneamento básico. A conseqüência deste cenário é, obviamente, trágica: oito milhões de mortos por ano, a metade crianças.
Conservar um recurso natural indispensável à vida, fazendo-o alvo de uma gestão 100% sustentável, deve ser o foco de preocupações e investimentos em uma escala planetária. Felizmente, ainda que de forma tardia, gestores públicos de todo o mundo começam a sistematizar ações e iniciativas que contemplam essa necessidade.
O Brasil será uma espécie de sede do cuidado com as águas no final deste mês. Entre os dias 23 e 27, na cidade de Foz do Iguaçu (PR), na tríplice fronteira, acontecem nada menos que quatro eventos cujo escopo é a conservação dos recursos hídricos.
O Fórum de Águas das Américas vai reunir autoridades, especialistas e delegados do continente. Dentre suas principais propostas, está a de consolidar um documento unificado, a ser exposto no 5º Fórum Mundial da Água, que acontecerá em Istambul, Turquia, em março do ano que vem.
Este trabalho pretende agregar os encaminhamentos oriundos dos quatro encontros sub-regionais, realizados nas Américas do Norte, do Sul e Central e no Caribe. O Fórum Sul-americano aconteceu em setembro passado, na capital do Uruguai, Montevidéu.
Voltando à Foz do Iguaçu, no mesmo período, será realizado o Encontro do Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata, que integra os cinco países por ela banhados (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai) em ações voltadas à sustentabilidade, especialmente no campo da educação ambiental, constituindo-se num espaço de diálogo entre suas diversas culturas, de modo a unir e valorizar conhecimentos científicos, tradicionais e populares (saiba mais na reportagem EXCLUSIVO: Cinco países se unem pela Educação Ambiental na Bacia do Prata).
“Para o Brasil, é uma oportunidade ímpar de, por meio das instituições relacionadas ao tema, divulgar políticas públicas e ações de sustentabilidade ora em curso, principalmente as vinculadas aos cuidados com os recursos hídricos”, disse a AmbienteBrasil o secretário executivo do Centro pelo Brasil, Marcelo Alves de Sousa.
Um dos projetos nesse sentido a debater e expor suas ações é o Cultivando Água Boa, que, na ocasião, promove seu quinto encontro. Programa socioambiental desenvolvido pela Itaipu Binacional desde 2003, nos 29 municípios da Bacia Hidrográfica do Paraná 3 (BP3), região de influência da usina hidrelétrica naquele estado, seu objetivo oficial é “sensibilizar, conscientizar, educar e mobilizar a comunidade regional para a correção dos passivos ambientais, com vistas ao desenvolvimento sustentável”.
Segundo Marcelo Alves, o Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata e o Programa Cultivando Água Boa são as principais ações que motivaram a Agência Nacional de Águas (Ana), responsável pela organização e realização do Fórum no Brasil, a promovê-lo na cidade de Foz do Iguaçu.
Na seqüência do Fórum de Águas das Américas e do V Encontro Cultivando Água Boa, ocorrerá a reunião dos Governadores do Conselho Mundial da Água, entidade criada a partir da visão corporativa de profissionais da área de recursos hídricos, congregados na Associação Internacional de Recursos Hídricos, com forte participação de representantes dos diversos segmentos de mercado e com apoio de agências das Nações Unidas e de países desenvolvidos.
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Biocombustível sustentável em discussão
Bettina Barros, de São Paulo
10/11/2008
Fonte: Valoronline
A consulta para o primeiro conjunto de princípios e padrões internacionais destinados à produção sustentável de biocombustíveis, realizada na semana passada em São Paulo, terminou com duas propostas de modificação expressivas - com chances de serem acatadas pela Mesa Redonda sobre Biocombustíveis Sustentáveis.
Segundo o ambientalista Roberto Smeraldi, um dos três membros da Mesa no Brasil, ao lado de Petrobras e Unica (do setor sucroalcooleiro), os participantes propuseram em consenso a criação de níveis de pontuação para critérios de sustentabilidade, com diferentes gradações de cumprimento, ao invés de simplesmente taxá-los como cumpridores ou não. "Isso daria o estímulo para a melhora gradativa", diz ele.
Outra mudança proposta foi a criação de um percentual de redução de gases-estufa para a produção dos biocombustíveis em comparação aos fósseis. Na versão inicial de minuta apresentada em agosto, na Suíça, o texto determinava apenas a redução "expressiva".
Produtores, empresas, acadêmicos e ambientalistas, porém, pediram a retirada do termo e a sua substituição por uma meta. "Para os ambientalistas isso é bem-recebido porque ajuda o ambiente. Pelo lado econômico, porque dá competitividade ao Brasil", disse Smeraldi. "E há um entendimento de que essa redução deve ser de pelo menos 50% de gases-estufa".
Este foi o primeiro encontro no Brasil para discussão pública do que deverá ser uma espécie de cartilha para produtores e compradores de biocombustível. Reuniões como esta estão sendo feitas em dezenas de países. Todas as propostas de modificação serão enviadas ao conselho diretor da Mesa, formado por gigantes como Shell, British Petroleum, Bunge e Toyota. O conselho terá até abril para apresentar versão final do documento.
Os critérios e princípios não serão compulsórios. "Será um mecanismo de mercado", diz Smeraldi.
10/11/2008
Fonte: Valoronline
A consulta para o primeiro conjunto de princípios e padrões internacionais destinados à produção sustentável de biocombustíveis, realizada na semana passada em São Paulo, terminou com duas propostas de modificação expressivas - com chances de serem acatadas pela Mesa Redonda sobre Biocombustíveis Sustentáveis.
Segundo o ambientalista Roberto Smeraldi, um dos três membros da Mesa no Brasil, ao lado de Petrobras e Unica (do setor sucroalcooleiro), os participantes propuseram em consenso a criação de níveis de pontuação para critérios de sustentabilidade, com diferentes gradações de cumprimento, ao invés de simplesmente taxá-los como cumpridores ou não. "Isso daria o estímulo para a melhora gradativa", diz ele.
Outra mudança proposta foi a criação de um percentual de redução de gases-estufa para a produção dos biocombustíveis em comparação aos fósseis. Na versão inicial de minuta apresentada em agosto, na Suíça, o texto determinava apenas a redução "expressiva".
Produtores, empresas, acadêmicos e ambientalistas, porém, pediram a retirada do termo e a sua substituição por uma meta. "Para os ambientalistas isso é bem-recebido porque ajuda o ambiente. Pelo lado econômico, porque dá competitividade ao Brasil", disse Smeraldi. "E há um entendimento de que essa redução deve ser de pelo menos 50% de gases-estufa".
Este foi o primeiro encontro no Brasil para discussão pública do que deverá ser uma espécie de cartilha para produtores e compradores de biocombustível. Reuniões como esta estão sendo feitas em dezenas de países. Todas as propostas de modificação serão enviadas ao conselho diretor da Mesa, formado por gigantes como Shell, British Petroleum, Bunge e Toyota. O conselho terá até abril para apresentar versão final do documento.
Os critérios e princípios não serão compulsórios. "Será um mecanismo de mercado", diz Smeraldi.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Brasil já ameaça ir à OMC contra barreira ao etanol
Assis Moreira, de Genebra
07/11/2008
Fonte: Valoronline
O Brasil e outros sete países ameaçaram ontem, pela primeira vez, denunciar a União Européia na Organização Mundial do Comércio (OMC) por barreira ao etanol. O grupo aponta dezenas de restrições em diretivas que o Parlamento Europeu discute para o etanol ser considerado sustentável. "Os critérios são tão restritivos que a produção só seria possível no deserto", disse o embaixador brasileiro na UE, Ricardo Neiva Tavares.
A briga envolve a proposta da Comissão Européia de meta obrigatória de 10% de biocombustível nos transportes até 2020, para combater o aquecimento global. Com a meta, vem a exigência de critérios de sustentabilidade do etanol e biodiesel, já chamada de armadilha ecológica.
Bruxelas prepara a adoção de duas diretivas (de Energias Renováveis e Qualidade de Carburantes), centrais para o desenvolvimento da política européia para o biocombustível e para o projeto do Brasil de tornar o etanol uma commodity global. Isso resulta numa negociação delicada entre instituições européias - Comissão, braço executivo da UE, Conselho dos 27 governos, e Parlamento - para ditar como os países devem produzir o biocombustível.
A Comissão e o Conselho têm posições que são aceitáveis para o Brasil. Já o Parlamento adotou uma postura dura, sob a influência de ONGs.
Mas novas mudanças nas diretivas levaram Brasil, Argentina, Malásia, Indonésia, Colômbia, Malawi, Moçambique e Serra Leoa a reagirem de novo, em carta e anexo que enviaram às autoridades européias.
A maioria das queixas tem a ver com mudança no uso da terra envolvendo estoques de carbono e biodiversidade. Os países acham a proposta do Parlamento inflexível e com impacto maior sobre a produção de países em desenvolvimento.
A definição de floresta proposta para produção sustentável de etanol é também restritiva. Seria floresta uma área com 10% de cobertura de árvores. Em área com mais de 10%, a produção deveria ser proibida.
Sobre o efeito indireto do biocombustível por mudanças no uso da terra, a idéia de alguns deputados é de que a produção de etanol no nordeste brasileiro, por exemplo, escasseia a terra para produzir alimentos e leva agricultores a partirem e desmatarem a Amazônia. Dessa forma, o cálculo da eficiência ambiental do etanol importado do Brasil teria que incluir o volume de emissões de gases-estufa no desmatamento da Amazônia, mesmo se não foi para produzir biocombustível. Se o critério for aceito, o etanol não atenderá às exigências de redução dos gases na comparação com a gasolina.
Aspectos sócioambientais são tão duros que tornam a produção impossível nos próprios membros da UE com dificuldades para cumprir com o Protocolo de Kyoto. O grupo reclama também da criação de "submetas" para eletricidade, hidrogênio, que favoreceriam tecnologias "não testadas" em detrimento de outras, no plano europeu. Em contrapartida, o Brasil e os outros sete países admitem que o Parlamento melhorou a metodologia para calcular a redução de gases-estufa na produção de biocombustíveis.
O grupo advertiu que se forem criadas restrições ao comércio sem embasamento científico ou apoio de tratados internacionais, o jeito será uma disputa na OMC, o que pode levar a até retaliação commercial.
A reação do grupo na prática ajuda a Comissão e o Conselho Europeus a negociar com o Parlamento, acreditam analistas em Bruxelas.
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- Socorro às usinas, se sair, não deverá incluir estocagem
07/11/2008
Fonte: Valoronline
O Brasil e outros sete países ameaçaram ontem, pela primeira vez, denunciar a União Européia na Organização Mundial do Comércio (OMC) por barreira ao etanol. O grupo aponta dezenas de restrições em diretivas que o Parlamento Europeu discute para o etanol ser considerado sustentável. "Os critérios são tão restritivos que a produção só seria possível no deserto", disse o embaixador brasileiro na UE, Ricardo Neiva Tavares.
A briga envolve a proposta da Comissão Européia de meta obrigatória de 10% de biocombustível nos transportes até 2020, para combater o aquecimento global. Com a meta, vem a exigência de critérios de sustentabilidade do etanol e biodiesel, já chamada de armadilha ecológica.
Bruxelas prepara a adoção de duas diretivas (de Energias Renováveis e Qualidade de Carburantes), centrais para o desenvolvimento da política européia para o biocombustível e para o projeto do Brasil de tornar o etanol uma commodity global. Isso resulta numa negociação delicada entre instituições européias - Comissão, braço executivo da UE, Conselho dos 27 governos, e Parlamento - para ditar como os países devem produzir o biocombustível.
A Comissão e o Conselho têm posições que são aceitáveis para o Brasil. Já o Parlamento adotou uma postura dura, sob a influência de ONGs.
Mas novas mudanças nas diretivas levaram Brasil, Argentina, Malásia, Indonésia, Colômbia, Malawi, Moçambique e Serra Leoa a reagirem de novo, em carta e anexo que enviaram às autoridades européias.
A maioria das queixas tem a ver com mudança no uso da terra envolvendo estoques de carbono e biodiversidade. Os países acham a proposta do Parlamento inflexível e com impacto maior sobre a produção de países em desenvolvimento.
A definição de floresta proposta para produção sustentável de etanol é também restritiva. Seria floresta uma área com 10% de cobertura de árvores. Em área com mais de 10%, a produção deveria ser proibida.
Sobre o efeito indireto do biocombustível por mudanças no uso da terra, a idéia de alguns deputados é de que a produção de etanol no nordeste brasileiro, por exemplo, escasseia a terra para produzir alimentos e leva agricultores a partirem e desmatarem a Amazônia. Dessa forma, o cálculo da eficiência ambiental do etanol importado do Brasil teria que incluir o volume de emissões de gases-estufa no desmatamento da Amazônia, mesmo se não foi para produzir biocombustível. Se o critério for aceito, o etanol não atenderá às exigências de redução dos gases na comparação com a gasolina.
Aspectos sócioambientais são tão duros que tornam a produção impossível nos próprios membros da UE com dificuldades para cumprir com o Protocolo de Kyoto. O grupo reclama também da criação de "submetas" para eletricidade, hidrogênio, que favoreceriam tecnologias "não testadas" em detrimento de outras, no plano europeu. Em contrapartida, o Brasil e os outros sete países admitem que o Parlamento melhorou a metodologia para calcular a redução de gases-estufa na produção de biocombustíveis.
O grupo advertiu que se forem criadas restrições ao comércio sem embasamento científico ou apoio de tratados internacionais, o jeito será uma disputa na OMC, o que pode levar a até retaliação commercial.
A reação do grupo na prática ajuda a Comissão e o Conselho Europeus a negociar com o Parlamento, acreditam analistas em Bruxelas.
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Sabesp define metas para terceira fase de despoluição do Tietê
Samantha Maia, de São Paulo
06/11/2008
Fonte: Valoronline
A Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp) deve começar a terceira fase do Projeto Tietê no segundo semestre de 2009, um investimento de US$ 800 milhões - US$ 200 milhões de recursos próprios. Esta nova etapa deve ser executada durante seis anos e, segundo números preliminares, elevará a capacidade de tratamento de esgoto na Grande São Paulo de 18 metros cúbicos por segundo (m3/s) para 23,9 m3/s. As áreas priorizadas nessa nova fase serão os arredores do rio Pinheiros e as cidades de Itaquaquecetuba e Suzano, locais que receberão a rede coletora para destinação do esgoto às estações de tratamento.
A Sabesp já possui um empréstimo-ponte com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de R$ 250 milhões que deve garantir o término de obras complementares da fase 2 até o fim do primeiro semestre do ano que vem e o começo da terceira fase. O empréstimo maior, de US$ 600 milhões, deverá ser assinado com o BID apenas no fim de 2009, e, segundo a Sabesp, a crise financeira não afetou as negociações, porque o BID é um banco de fomento.
"O empréstimo-ponte serve para que não tenhamos descontinuidade no projeto", diz Marcelo Salles de Freitas, diretor de empreendimentos e meio ambiente da Sabesp. Entre o término da primeira e o começo da segunda fase houve um intervalo de quatro anos.
Segundo Freitas, além do cronograma de obras que está sendo finalizado para a terceira fase, a empresa discute com o BID a inclusão de parâmetros ambientais para serem atingidos ao longo do investimento. "Isso é uma das coisas que está sendo discutida com o BID, ter algum tipo de acompanhamento que se some à redução da mancha de poluição", diz.
Apesar de o projeto ter sido iniciado em 1992 com a ambiciosa promessa de despoluir o rio em dez anos, o aumento da cobertura da rede de esgoto não foi acompanhado por metas de limpeza do Tietê, como a mudança de classe do rio, da classe 4 - quando o rio é tão poluído que só serve para navegação - para classe 1, a mais limpa. Hoje, o rio está morto de Itaquaquecetuba a Salto, a despeito da mancha de poluição ter diminuído 120 km desde 1992. A meta da segunda fase era conseguir que a mancha recuasse mais 40 km, objetivo que será verificado ao fim das obras complementares.
O prazo formal do empréstimo com o BID para a segunda fase do Projeto Tietê, de US$ 400 milhões, terminou em junho deste ano, junto com as obras originalmente planejadas, entre elas ligações nas casas e coletores para levar o esgoto até as estações de tratamento. A fase 2 termina com o tratamento efetivo de 15,7 m³/s, dentro da meta de 16 m³/s - a capacidade de tratamento é maior, perto de 18 m³/s. Foram investidos, ao todo, entre cronograma inicial e obras complementares, R$ 1 bilhão. Segundo a Sabesp, até o segundo semestre de 2009 serão tocadas apenas um conjunto de obras complementares, com aporte de recurso próprio de US$ 70 milhões e com o financiamento-ponte do BID.
A Sabesp apresentou na semana passada ao BID seus resultados finais. Até junho deste ano, alcançou-se 83% de coleta de esgoto, com a meta de chegar a 84% até o fim do ano. O tratamento atingiu 68% do esgoto coletado, porcentagem que deve passar a 70% até dezembro. Para esse resultado foram realizadas 557 mil novas ligações desde 2002, acima da meta estipulada inicialmente, de 290 mil ligações, que contava, porém, com um período menor de execução (de 2000 a 2005).
O BID deve publicar seu relatório de conclusão do projeto em janeiro de 2009, mas adianta que as ações propostas foram realizadas "satisfatoriamente". Segundo a instituição, com o término da segunda fase do Projeto Tietê, 2,3 milhões de litros de esgoto por dia deixaram de ser jogados nos rios. A partir da estimativa de que são coletados cerca de 33 mil litros de esgoto por segundo na Região Metropolitana de São Paulo, dos quais 15,7 m³/s são tratados, conclui-se que ainda são despejados no rio algo em torno de 17 m³ de dejetos a cada segundo.
"O que se esperava fazer em questão de coleta e tratamento foi feito. O importante foi ter conseguido chegar à quantidade pretendida de esgoto tratado. Agora o esgoto está chegando às estações", diz Freitas, da Sabesp. Na primeira fase do projeto (1992-1998), foram construídas as estações de tratamento, mas sem rede suficiente para conduzir o esgoto até elas. O foco da segunda fase foi a região do rio Pinheiros, onde foram realizadas cerca de 80% das obras de coleta e condução do esgoto para a ETE Barueri. Barueri, porém, sede da maior estação da Sabesp, continua sem tratar nada de seu esgoto.
O Ministério Público de São Paulo cobra da Sabesp informações sobre o nível de utilização das suas ETEs, pois avalia que a capacidade de tratamento de esgoto das estações construídas na primeira fase (1992-1998) ainda não está totalmente utilizada por dificuldade de encaminhamento do esgoto até elas. Segundo a Sabesp, porém, apenas duas estações estão operando abaixo da sua capacidade: a ABC (trata 55% da sua capacidade de 3 m³/s) e a Suzano (pode tratar 1,5 m³/s mas trata 0,76 m³/s). "No ABC há cidades não operadas pela Sabesp e a dificuldade de negociação faz com que a estação ainda não seja totalmente utilizada", diz o diretor da Sabesp.
Quanto mais perto do limite da capacidade de tratamento, no entanto, menor a eficiência de remoção dos poluentes, segundo o executivo da Sabesp. Entre janeiro e abril de 2000 e janeiro e abril deste ano, a vazão de esgoto tratada passou de 11,53 m³/s para 15,7 m³/s. No mesmo período, a demanda bioquímica de oxigênio (DBO), medida da poluição orgânica do efluente tratado nas ETEs e despejado no rio, aumentou de 34,98 toneladas por dia (t/dia) para 96,79 t/dia. "À medida que a vazão de esgoto aumenta, a estação começa a perder um pouco a eficiência", diz Freitas.
A Sabesp diz que, apesar dessa piora, as ETEs da Região Metropolitana atendem aos requisitos da resolução do Conama nº 357 para rios de classe 4, caso do Tietê naquele trecho, que estabelece retirada de 80% da carga orgânica do esgoto. Quando operavam com baixa capacidade, a retirada de carga chegava a 95%. Com a ampliação do uso das estações, essa retirada está hoje na faixa de 80%, segundo a companhia. A Cetesb, agência estadual ambiental responsável pelo monitoramento da qualidade das águas, foi procurada para confirmar os números, mas não deu retorno.
A não-inclusão de novas indústrias no monitoramento da Cetesb na segunda fase, por conta de falta de entendimento entre a agência e a Sabesp sobre quais empresas deveriam ser escolhidas, foi contornada pelo levantamento das indústrias que foram conectadas à rede de esgoto no período. "O BID pediu esse levantamento e nós mostramos que durante a segunda etapa 582 indústrias foram conectadas à rede", diz Freitas. Para despejar o esgoto industrial na rede, as empresa são obrigadas a tratar antes a poluição inorgânica (metais pesados).
06/11/2008
Fonte: Valoronline
A Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp) deve começar a terceira fase do Projeto Tietê no segundo semestre de 2009, um investimento de US$ 800 milhões - US$ 200 milhões de recursos próprios. Esta nova etapa deve ser executada durante seis anos e, segundo números preliminares, elevará a capacidade de tratamento de esgoto na Grande São Paulo de 18 metros cúbicos por segundo (m3/s) para 23,9 m3/s. As áreas priorizadas nessa nova fase serão os arredores do rio Pinheiros e as cidades de Itaquaquecetuba e Suzano, locais que receberão a rede coletora para destinação do esgoto às estações de tratamento.
A Sabesp já possui um empréstimo-ponte com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de R$ 250 milhões que deve garantir o término de obras complementares da fase 2 até o fim do primeiro semestre do ano que vem e o começo da terceira fase. O empréstimo maior, de US$ 600 milhões, deverá ser assinado com o BID apenas no fim de 2009, e, segundo a Sabesp, a crise financeira não afetou as negociações, porque o BID é um banco de fomento.
"O empréstimo-ponte serve para que não tenhamos descontinuidade no projeto", diz Marcelo Salles de Freitas, diretor de empreendimentos e meio ambiente da Sabesp. Entre o término da primeira e o começo da segunda fase houve um intervalo de quatro anos.
Segundo Freitas, além do cronograma de obras que está sendo finalizado para a terceira fase, a empresa discute com o BID a inclusão de parâmetros ambientais para serem atingidos ao longo do investimento. "Isso é uma das coisas que está sendo discutida com o BID, ter algum tipo de acompanhamento que se some à redução da mancha de poluição", diz.
Apesar de o projeto ter sido iniciado em 1992 com a ambiciosa promessa de despoluir o rio em dez anos, o aumento da cobertura da rede de esgoto não foi acompanhado por metas de limpeza do Tietê, como a mudança de classe do rio, da classe 4 - quando o rio é tão poluído que só serve para navegação - para classe 1, a mais limpa. Hoje, o rio está morto de Itaquaquecetuba a Salto, a despeito da mancha de poluição ter diminuído 120 km desde 1992. A meta da segunda fase era conseguir que a mancha recuasse mais 40 km, objetivo que será verificado ao fim das obras complementares.
O prazo formal do empréstimo com o BID para a segunda fase do Projeto Tietê, de US$ 400 milhões, terminou em junho deste ano, junto com as obras originalmente planejadas, entre elas ligações nas casas e coletores para levar o esgoto até as estações de tratamento. A fase 2 termina com o tratamento efetivo de 15,7 m³/s, dentro da meta de 16 m³/s - a capacidade de tratamento é maior, perto de 18 m³/s. Foram investidos, ao todo, entre cronograma inicial e obras complementares, R$ 1 bilhão. Segundo a Sabesp, até o segundo semestre de 2009 serão tocadas apenas um conjunto de obras complementares, com aporte de recurso próprio de US$ 70 milhões e com o financiamento-ponte do BID.
A Sabesp apresentou na semana passada ao BID seus resultados finais. Até junho deste ano, alcançou-se 83% de coleta de esgoto, com a meta de chegar a 84% até o fim do ano. O tratamento atingiu 68% do esgoto coletado, porcentagem que deve passar a 70% até dezembro. Para esse resultado foram realizadas 557 mil novas ligações desde 2002, acima da meta estipulada inicialmente, de 290 mil ligações, que contava, porém, com um período menor de execução (de 2000 a 2005).
O BID deve publicar seu relatório de conclusão do projeto em janeiro de 2009, mas adianta que as ações propostas foram realizadas "satisfatoriamente". Segundo a instituição, com o término da segunda fase do Projeto Tietê, 2,3 milhões de litros de esgoto por dia deixaram de ser jogados nos rios. A partir da estimativa de que são coletados cerca de 33 mil litros de esgoto por segundo na Região Metropolitana de São Paulo, dos quais 15,7 m³/s são tratados, conclui-se que ainda são despejados no rio algo em torno de 17 m³ de dejetos a cada segundo.
"O que se esperava fazer em questão de coleta e tratamento foi feito. O importante foi ter conseguido chegar à quantidade pretendida de esgoto tratado. Agora o esgoto está chegando às estações", diz Freitas, da Sabesp. Na primeira fase do projeto (1992-1998), foram construídas as estações de tratamento, mas sem rede suficiente para conduzir o esgoto até elas. O foco da segunda fase foi a região do rio Pinheiros, onde foram realizadas cerca de 80% das obras de coleta e condução do esgoto para a ETE Barueri. Barueri, porém, sede da maior estação da Sabesp, continua sem tratar nada de seu esgoto.
O Ministério Público de São Paulo cobra da Sabesp informações sobre o nível de utilização das suas ETEs, pois avalia que a capacidade de tratamento de esgoto das estações construídas na primeira fase (1992-1998) ainda não está totalmente utilizada por dificuldade de encaminhamento do esgoto até elas. Segundo a Sabesp, porém, apenas duas estações estão operando abaixo da sua capacidade: a ABC (trata 55% da sua capacidade de 3 m³/s) e a Suzano (pode tratar 1,5 m³/s mas trata 0,76 m³/s). "No ABC há cidades não operadas pela Sabesp e a dificuldade de negociação faz com que a estação ainda não seja totalmente utilizada", diz o diretor da Sabesp.
Quanto mais perto do limite da capacidade de tratamento, no entanto, menor a eficiência de remoção dos poluentes, segundo o executivo da Sabesp. Entre janeiro e abril de 2000 e janeiro e abril deste ano, a vazão de esgoto tratada passou de 11,53 m³/s para 15,7 m³/s. No mesmo período, a demanda bioquímica de oxigênio (DBO), medida da poluição orgânica do efluente tratado nas ETEs e despejado no rio, aumentou de 34,98 toneladas por dia (t/dia) para 96,79 t/dia. "À medida que a vazão de esgoto aumenta, a estação começa a perder um pouco a eficiência", diz Freitas.
A Sabesp diz que, apesar dessa piora, as ETEs da Região Metropolitana atendem aos requisitos da resolução do Conama nº 357 para rios de classe 4, caso do Tietê naquele trecho, que estabelece retirada de 80% da carga orgânica do esgoto. Quando operavam com baixa capacidade, a retirada de carga chegava a 95%. Com a ampliação do uso das estações, essa retirada está hoje na faixa de 80%, segundo a companhia. A Cetesb, agência estadual ambiental responsável pelo monitoramento da qualidade das águas, foi procurada para confirmar os números, mas não deu retorno.
A não-inclusão de novas indústrias no monitoramento da Cetesb na segunda fase, por conta de falta de entendimento entre a agência e a Sabesp sobre quais empresas deveriam ser escolhidas, foi contornada pelo levantamento das indústrias que foram conectadas à rede de esgoto no período. "O BID pediu esse levantamento e nós mostramos que durante a segunda etapa 582 indústrias foram conectadas à rede", diz Freitas. Para despejar o esgoto industrial na rede, as empresa são obrigadas a tratar antes a poluição inorgânica (metais pesados).
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SANEAMENTO,
SAÚDE
PAC abre espaço para envolvimento de municípios na recuperação do rio
De São Paulo
06/11/2008
Fonte: Valoronline
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ajudou as cidades da grande São Paulo a se envolverem no projeto de despoluição do rio Tietê. Ao todo, os municípios da região, incluindo os não operados pela Sabesp, receberão R$ 2,3 bilhões até 2010 para investimento em saneamento, o que envolve coleta e tratamento do esgoto que hoje é despejado nos rios. A execução desses investimentos deve contribuir fortemente para a diminuição da poluição do rio, pois eles envolvem grandes cidades como Guarulhos e a região do ABC .
Guarulhos, responsável por cerca de 15% do esgoto despejado no rio e que hoje não trata nada, tem R$ 225 milhões do PAC - R$ 34 milhões de contrapartida do município -, para tratar 70% de seus efluentes até 2010. Diadema, que trata 13% do esgoto coletado, receberá R$ 38,5 milhões do PAC - R$ 6,5 milhões de contrapartida da cidade - para elevar o índice a 60% em dois anos.
João Roberto Moraes, superintendente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos (Saae) diz que até agora foram investidos cerca de R$ 14 milhões na ampliação da rede coletora - 85 km de tubulações. Até o meio de 2009 será possível conectar o sistema de esgoto da cidade à estação de tratamento de São Miguel, da Sabesp, que tratará 20% dos efluentes produzidos por Guarulhos. Ainda não foi acertado o preço para o uso da estação, mas Moraes diz que a expectativa é de que seja o preço cobrado pela Sabesp na região, de cerca de R$ 0,73 o metro cúbico (m3).
"O investimento mais pesado ainda está por vir, que é a construção de cinco ETEs para tratar 53% do esgoto da cidade", diz o superintendente do Saae. O edital das estações deve ser lançado ainda esse ano, com a perspectiva de finalização das obras até setembro de 2010. Para os 27% de esgoto restante a ser tratado, Guarulhos poderá fazer um acordo de utilização da ETE Parque Novo Mundo, da Sabesp, que precisará de investimento para ampliação. Outra opção é fazer uma Parceria Público-Privada (PPP). "Há grandes empresas que dizem ser possível fazer uma PPP, mas nossa prioridade é fechar convênio com o Estado", diz.
Em Diadema, os investimentos serão concentrados na rede de esgoto, que estará pronta em 2010 para destinar os efluentes à ETE ABC, da Sabesp. Hoje, 13% do esgoto tratado na cidade já tem esse destino. A companhia estadual diz, porém, que até agora não há acordo com Diadema para aumento do uso da ETE. "Não sabemos o que a cidade pretende fazer", diz Marcelo Salles de Freitas, diretor de empreendimentos e meio ambiente da Sabesp. Segundo a Companhia de Saneamento de Diadema (Saned), a garantia de que o esgoto poderia ser encaminhado para a ETE da Sabesp foi dada pela estadual no fechamento do contrato de financiamento da Sanes com a Caixa Econômica Federal (CEF), mas os acertos sobre o preço do serviço ainda não foram iniciados.
Em Mauá, o interceptor da Sabesp para encaminhamento do esgoto à ETE ABC já foi finalizado, mas ainda não há definição se a cidade vai usar o sistema da estadual ou se a empresa privada que opera o esgoto da cidade, a Ecosama, vai assumir o tratamento. Hoje Mauá coleta 85% do esgoto e encaminha 3% para a ETE da Sabesp.
O contrato de concessão assinado em 2002 previa a construção de uma ETE, investimento não cumprido. Com a compra da Ecosama pela Odebrecht no fim do ano passado, o plano de investimento da concessão está sendo revisto, mas a empresa informa que deverá investir R$ 120 milhões em até 5 anos para elevar a coleta e o tratamento dos efluentes a 90%.
Apesar de não serem operadas pela Sabesp, São Caetano, Mogi das Cruzes e Santo André possuem investimentos planejados para a terceira fase do Projeto Tietê. As cidades investirão em rede coletora, e a Sabesp fará o coletor tronco para ligar o sistema às suas estações. Em Santo André, a intenção é em dois anos conseguir terminar as obras do coletor que levará todo o esgoto da cidade à ETE ABC. Hoje, os 30% tratados em São André já são conduzidos à estação da Sabesp. São Bernardo é operada pela Sabesp desde 2004, mas o projeto de aumento da rede de esgoto e tratamento fará parte do programa Pró-Billings, um investimento de R$ 208 milhões, financiados pelo JBIC, banco japonês de desenvolvimento. (SM)
06/11/2008
Fonte: Valoronline
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ajudou as cidades da grande São Paulo a se envolverem no projeto de despoluição do rio Tietê. Ao todo, os municípios da região, incluindo os não operados pela Sabesp, receberão R$ 2,3 bilhões até 2010 para investimento em saneamento, o que envolve coleta e tratamento do esgoto que hoje é despejado nos rios. A execução desses investimentos deve contribuir fortemente para a diminuição da poluição do rio, pois eles envolvem grandes cidades como Guarulhos e a região do ABC .
Guarulhos, responsável por cerca de 15% do esgoto despejado no rio e que hoje não trata nada, tem R$ 225 milhões do PAC - R$ 34 milhões de contrapartida do município -, para tratar 70% de seus efluentes até 2010. Diadema, que trata 13% do esgoto coletado, receberá R$ 38,5 milhões do PAC - R$ 6,5 milhões de contrapartida da cidade - para elevar o índice a 60% em dois anos.
João Roberto Moraes, superintendente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos (Saae) diz que até agora foram investidos cerca de R$ 14 milhões na ampliação da rede coletora - 85 km de tubulações. Até o meio de 2009 será possível conectar o sistema de esgoto da cidade à estação de tratamento de São Miguel, da Sabesp, que tratará 20% dos efluentes produzidos por Guarulhos. Ainda não foi acertado o preço para o uso da estação, mas Moraes diz que a expectativa é de que seja o preço cobrado pela Sabesp na região, de cerca de R$ 0,73 o metro cúbico (m3).
"O investimento mais pesado ainda está por vir, que é a construção de cinco ETEs para tratar 53% do esgoto da cidade", diz o superintendente do Saae. O edital das estações deve ser lançado ainda esse ano, com a perspectiva de finalização das obras até setembro de 2010. Para os 27% de esgoto restante a ser tratado, Guarulhos poderá fazer um acordo de utilização da ETE Parque Novo Mundo, da Sabesp, que precisará de investimento para ampliação. Outra opção é fazer uma Parceria Público-Privada (PPP). "Há grandes empresas que dizem ser possível fazer uma PPP, mas nossa prioridade é fechar convênio com o Estado", diz.
Em Diadema, os investimentos serão concentrados na rede de esgoto, que estará pronta em 2010 para destinar os efluentes à ETE ABC, da Sabesp. Hoje, 13% do esgoto tratado na cidade já tem esse destino. A companhia estadual diz, porém, que até agora não há acordo com Diadema para aumento do uso da ETE. "Não sabemos o que a cidade pretende fazer", diz Marcelo Salles de Freitas, diretor de empreendimentos e meio ambiente da Sabesp. Segundo a Companhia de Saneamento de Diadema (Saned), a garantia de que o esgoto poderia ser encaminhado para a ETE da Sabesp foi dada pela estadual no fechamento do contrato de financiamento da Sanes com a Caixa Econômica Federal (CEF), mas os acertos sobre o preço do serviço ainda não foram iniciados.
Em Mauá, o interceptor da Sabesp para encaminhamento do esgoto à ETE ABC já foi finalizado, mas ainda não há definição se a cidade vai usar o sistema da estadual ou se a empresa privada que opera o esgoto da cidade, a Ecosama, vai assumir o tratamento. Hoje Mauá coleta 85% do esgoto e encaminha 3% para a ETE da Sabesp.
O contrato de concessão assinado em 2002 previa a construção de uma ETE, investimento não cumprido. Com a compra da Ecosama pela Odebrecht no fim do ano passado, o plano de investimento da concessão está sendo revisto, mas a empresa informa que deverá investir R$ 120 milhões em até 5 anos para elevar a coleta e o tratamento dos efluentes a 90%.
Apesar de não serem operadas pela Sabesp, São Caetano, Mogi das Cruzes e Santo André possuem investimentos planejados para a terceira fase do Projeto Tietê. As cidades investirão em rede coletora, e a Sabesp fará o coletor tronco para ligar o sistema às suas estações. Em Santo André, a intenção é em dois anos conseguir terminar as obras do coletor que levará todo o esgoto da cidade à ETE ABC. Hoje, os 30% tratados em São André já são conduzidos à estação da Sabesp. São Bernardo é operada pela Sabesp desde 2004, mas o projeto de aumento da rede de esgoto e tratamento fará parte do programa Pró-Billings, um investimento de R$ 208 milhões, financiados pelo JBIC, banco japonês de desenvolvimento. (SM)
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SANEAMENTO,
SAÚDE
Reciclagem
06/11/2008
Fonte: www.ambientebrasil.com.br
A reciclagem é um processo industrial que converte o lixo descartado (matéria-prima secundária) em produto semelhante ao inicial ou outro. Reciclar é economizar energia, poupar recursos naturais e trazer de volta ao ciclo produtivo o que é jogado fora. A palavra reciclagem foi introduzida ao vocabulário internacional no final da década de 80, quando foi constatado que as fontes de petróleo e outras matérias-primas não renováveis estavam e estão se esgotando.
Reciclar significa = Re (repetir) + Cycle (ciclo).
Para compreendermos a reciclagem, é importante "reciclarmos" o conceito que temos de lixo, deixando de enxergá-lo como uma coisa suja e inútil em sua totalidade. O primeiro passo é perceber que o lixo é fonte de riqueza e que para ser reciclado deve ser separado. Ele pode ser separado de diversas maneiras, sendo a mais simples separar o lixo orgânico do inorgânico (lixo molhado/ lixo seco).
Na natureza nada se perde. Seres vivos chamados decompositores "comem" material sem vida ou em decomposição. Eles dividem a matéria para que ela possa ser reciclada e usada de novo. Esse é o chamado material biodegradável. Quando um animal morre, ele é reciclado pela natureza. Quando um material é dividido em pequenas peças, as bactérias e fungos, os mais importantes decompositores, já podem trabalhar.
A decomposição aeróbia é mais completa que a anaeróbia por gerar gás carbônico, vapor de água e os sais minerais, substâncias indispensáveis ao crescimento de todos os vegetais, o qual gera o húmus, ótimo adubo para o solo. No processo anaeróbio, são gerados os gases (metano e sulfídrico), que causam um odor desagradável; a decomposição anaeróbia produz um líquido escuro denominado chorume (líquido com grande quantidade de poluentes) encontrado normalmente no fundo das latas de lixo. Este chorume é o principal causador da contaminação dos rios e do lençol freático.
A reciclagem traz os seguintes benefícios:
* Contribui para diminuir a poluição do solo, água e ar.
* Melhora a limpeza da cidade e a qualidade de vida da população.
* Prolonga a vida útil de aterros sanitários.
* Melhora a produção de compostos orgânicos.
* Gera empregos para a população não qualificada.
* Gera receita com a comercialização dos recicláveis.
* Estimula a concorrência, uma vez que produtos gerados a partir dos reciclados são comercializados em paralelo àqueles gerados a partir de matérias-primas virgens.
* Contribui para a valorização da limpeza pública e para formar uma consciência ecológica.
No Brasil, seria importante que as pequenas e médias empresas recicladoras tivessem apoio financeiro e tecnológico para melhorar suas tecnologias de reciclagem, pois assim estariam contribuindo na geração de empregos, na diminuição de lixo e na produção de produtos de melhor qualidade com tecnologia "limpa".
A grande solução para os resíduos sólidos é aquela que prevê a máxima redução da quantidade de resíduos na fonte geradora. Quando os resíduos não podem ser evitados, deverão ser reciclados por reutilização ou recuperação, de tal modo que seja o mínimo possível o que tenha como destino final os aterros sanitários.
A reciclagem surgiu como uma maneira de reintroduzir no sistema uma parte da matéria (e da energia), que se tornaria lixo. Assim desviados, os resíduos são coletados, separados e processados para serem usados como matéria-prima na manufatura de bens, os quais eram feitos anteriormente com matéria prima virgem. Dessa forma, os recursos naturais ficam menos comprometidos.
Leias mais:
Reciclagem de Aço
Reciclagem de Alumínio
Reciclagem de Entulho
Reciclagem de Metal
Reciclagem de Papel
Reciclagem de PET no Brasil
Reciclagem de Plástico
Reciclagem de Pneus
Reciclagem de Vidro
Análise do Ciclo de Vida e Reciclagem
Dicas de Reciclagem
Tabela de Preços da Reciclagem
Tempo de Decomposição dos Materiais
Fonte: www.ambientebrasil.com.br
A reciclagem é um processo industrial que converte o lixo descartado (matéria-prima secundária) em produto semelhante ao inicial ou outro. Reciclar é economizar energia, poupar recursos naturais e trazer de volta ao ciclo produtivo o que é jogado fora. A palavra reciclagem foi introduzida ao vocabulário internacional no final da década de 80, quando foi constatado que as fontes de petróleo e outras matérias-primas não renováveis estavam e estão se esgotando.
Reciclar significa = Re (repetir) + Cycle (ciclo).
Para compreendermos a reciclagem, é importante "reciclarmos" o conceito que temos de lixo, deixando de enxergá-lo como uma coisa suja e inútil em sua totalidade. O primeiro passo é perceber que o lixo é fonte de riqueza e que para ser reciclado deve ser separado. Ele pode ser separado de diversas maneiras, sendo a mais simples separar o lixo orgânico do inorgânico (lixo molhado/ lixo seco).
Na natureza nada se perde. Seres vivos chamados decompositores "comem" material sem vida ou em decomposição. Eles dividem a matéria para que ela possa ser reciclada e usada de novo. Esse é o chamado material biodegradável. Quando um animal morre, ele é reciclado pela natureza. Quando um material é dividido em pequenas peças, as bactérias e fungos, os mais importantes decompositores, já podem trabalhar.
A decomposição aeróbia é mais completa que a anaeróbia por gerar gás carbônico, vapor de água e os sais minerais, substâncias indispensáveis ao crescimento de todos os vegetais, o qual gera o húmus, ótimo adubo para o solo. No processo anaeróbio, são gerados os gases (metano e sulfídrico), que causam um odor desagradável; a decomposição anaeróbia produz um líquido escuro denominado chorume (líquido com grande quantidade de poluentes) encontrado normalmente no fundo das latas de lixo. Este chorume é o principal causador da contaminação dos rios e do lençol freático.
A reciclagem traz os seguintes benefícios:
* Contribui para diminuir a poluição do solo, água e ar.
* Melhora a limpeza da cidade e a qualidade de vida da população.
* Prolonga a vida útil de aterros sanitários.
* Melhora a produção de compostos orgânicos.
* Gera empregos para a população não qualificada.
* Gera receita com a comercialização dos recicláveis.
* Estimula a concorrência, uma vez que produtos gerados a partir dos reciclados são comercializados em paralelo àqueles gerados a partir de matérias-primas virgens.
* Contribui para a valorização da limpeza pública e para formar uma consciência ecológica.
No Brasil, seria importante que as pequenas e médias empresas recicladoras tivessem apoio financeiro e tecnológico para melhorar suas tecnologias de reciclagem, pois assim estariam contribuindo na geração de empregos, na diminuição de lixo e na produção de produtos de melhor qualidade com tecnologia "limpa".
A grande solução para os resíduos sólidos é aquela que prevê a máxima redução da quantidade de resíduos na fonte geradora. Quando os resíduos não podem ser evitados, deverão ser reciclados por reutilização ou recuperação, de tal modo que seja o mínimo possível o que tenha como destino final os aterros sanitários.
A reciclagem surgiu como uma maneira de reintroduzir no sistema uma parte da matéria (e da energia), que se tornaria lixo. Assim desviados, os resíduos são coletados, separados e processados para serem usados como matéria-prima na manufatura de bens, os quais eram feitos anteriormente com matéria prima virgem. Dessa forma, os recursos naturais ficam menos comprometidos.
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Destino de resíduos causa controvérsias
Aldem Bourscheit, para o Valor, de Brasília
03/11/2008
Fonte: Valoronline
O deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP) está otimista com os debates congressistas sobre resíduos sólidos e acredita que uma política nacional seja votada até o fim do ano. Ele coordena um grupo de parlamentares debruçados sobre mais de 140 propostas legislativas, apresentadas desde 1991. Mas, a trilha para que o Brasil tenha uma melhor gestão do lixo envolve questões como a polêmica responsabilização de geradores pela coleta e destinação de rejeitos. "Quem produz deve ter responsabilidade pelo destino do resíduo, do processo industrial ou das embalagens e outros itens em descarte final", diz Jardim.
A medida também é defendida pelo governo e organizações não-governamentais, que vêem no repasse de custos ao setor privado uma alternativa viável e consolidada em países europeus. A idéia envolve o uso dos canais de distribuição de mercadorias para a coleta dos descartes, a chamada logística reversa. "As ações não serão unilaterais, serão regulamentadas após a aprovação da lei, quando todos os setores serão novamente chamados ao debate. Não haverá prejuízos ao desenvolvimento econômico", afirma Silvano da Costa, diretor de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.
Conforme a coordenadora-executiva do Instituto Polis, Elisabeth Grimberg, a gestão de lixo no Brasil é um "crime ambiental" cuja conta é paga exclusivamente pela população. Nove entre dez municípios brasileiros têm coleta de lixo, mas seis em cada dez quilos de resíduos acabam em lixões a céu aberto. "A sociedade arca com todas as despesas. Com uma política, teríamos mais recursos para dar um fim correto aos resíduos e diretrizes para coletar e aproveitar materiais hoje simplesmente jogados fora", ressalta a mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Segundo o presidente da consultoria Instituto Brasil Ambiente, Sabetai Calderoni, o Brasil desperdiça todos os anos cerca de R$ 10 bilhões , só por não aproveitar o lixo domiciliar. A conta chegaria às alturas se fossem incluídos resíduos da construção civil e dos variados ramos da indústria. "Poderíamos reduzir impactos na saúde e no meio ambiente e a pressão sobre recursos naturais, elevar taxas de reciclagem, gerar empregos e oportunidades industriais", comenta o pesquisador.
Calderoni ressalta o modelo da Alemanha, onde milhares de carcaças se acumulavam sem qualquer uso. O setor automotivo foi estimulado a usar peças biodegradáveis, economizar energia e matérias-primas e a simplificar modelos de produção. "Isso trouxe grande aproveitamento de metais, vidros e borrachas", conta. Lá as vendas de veículos podem ser taxadas, garantindo um melhor fim aos resíduos. Quanto mais amplas as possibilidades de reuso, menores as taxas. "Modelos produtivos foram revolucionados em países que adotaram boas práticas na gestão de rejeitos."
Para a gerente de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Grace Dalla Pria, a logística reversa não é a melhor alternativa para a gestão nacional de resíduos. Segundo ela, o setor não pode ser responsabilizado pelos atos dos consumidores. "Não há controle sobre o que o consumidor faz com o produto depois do uso, mas quem tem endereço e CNPJ é a indústria. Daí fica fácil apontar o bandido", comenta. Ela não exime a indústria de responsabilidades, mas pede que as mesmas sejam equilibradas. "Não será com um jogo de empurra-empurra de responsabilidades que se resolverá o problema dos resíduos."
Elisabeth Grimberg, do Instituto Pólis, comenta que padrões de produção, de consumo e de distribuição não são debatidos com os consumidores. "A sociedade não pode arcar sozinha com custos de processos onde não participa das decisões. Não adianta seguir produzindo, vendendo e poluindo nos mesmos padrões", diz. "É preciso reduzir a geração de lixo", completa Costa, do MMA.
Dalla Pria, da CNI, comenta que o projeto de lei deve ser mais do que um instrumento de proteção ambiental, estimulando a reintrodução de resíduos em cadeias produtivas com incentivos econômicos e fiscais.
03/11/2008
Fonte: Valoronline
O deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP) está otimista com os debates congressistas sobre resíduos sólidos e acredita que uma política nacional seja votada até o fim do ano. Ele coordena um grupo de parlamentares debruçados sobre mais de 140 propostas legislativas, apresentadas desde 1991. Mas, a trilha para que o Brasil tenha uma melhor gestão do lixo envolve questões como a polêmica responsabilização de geradores pela coleta e destinação de rejeitos. "Quem produz deve ter responsabilidade pelo destino do resíduo, do processo industrial ou das embalagens e outros itens em descarte final", diz Jardim.
A medida também é defendida pelo governo e organizações não-governamentais, que vêem no repasse de custos ao setor privado uma alternativa viável e consolidada em países europeus. A idéia envolve o uso dos canais de distribuição de mercadorias para a coleta dos descartes, a chamada logística reversa. "As ações não serão unilaterais, serão regulamentadas após a aprovação da lei, quando todos os setores serão novamente chamados ao debate. Não haverá prejuízos ao desenvolvimento econômico", afirma Silvano da Costa, diretor de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.
Conforme a coordenadora-executiva do Instituto Polis, Elisabeth Grimberg, a gestão de lixo no Brasil é um "crime ambiental" cuja conta é paga exclusivamente pela população. Nove entre dez municípios brasileiros têm coleta de lixo, mas seis em cada dez quilos de resíduos acabam em lixões a céu aberto. "A sociedade arca com todas as despesas. Com uma política, teríamos mais recursos para dar um fim correto aos resíduos e diretrizes para coletar e aproveitar materiais hoje simplesmente jogados fora", ressalta a mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Segundo o presidente da consultoria Instituto Brasil Ambiente, Sabetai Calderoni, o Brasil desperdiça todos os anos cerca de R$ 10 bilhões , só por não aproveitar o lixo domiciliar. A conta chegaria às alturas se fossem incluídos resíduos da construção civil e dos variados ramos da indústria. "Poderíamos reduzir impactos na saúde e no meio ambiente e a pressão sobre recursos naturais, elevar taxas de reciclagem, gerar empregos e oportunidades industriais", comenta o pesquisador.
Calderoni ressalta o modelo da Alemanha, onde milhares de carcaças se acumulavam sem qualquer uso. O setor automotivo foi estimulado a usar peças biodegradáveis, economizar energia e matérias-primas e a simplificar modelos de produção. "Isso trouxe grande aproveitamento de metais, vidros e borrachas", conta. Lá as vendas de veículos podem ser taxadas, garantindo um melhor fim aos resíduos. Quanto mais amplas as possibilidades de reuso, menores as taxas. "Modelos produtivos foram revolucionados em países que adotaram boas práticas na gestão de rejeitos."
Para a gerente de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Grace Dalla Pria, a logística reversa não é a melhor alternativa para a gestão nacional de resíduos. Segundo ela, o setor não pode ser responsabilizado pelos atos dos consumidores. "Não há controle sobre o que o consumidor faz com o produto depois do uso, mas quem tem endereço e CNPJ é a indústria. Daí fica fácil apontar o bandido", comenta. Ela não exime a indústria de responsabilidades, mas pede que as mesmas sejam equilibradas. "Não será com um jogo de empurra-empurra de responsabilidades que se resolverá o problema dos resíduos."
Elisabeth Grimberg, do Instituto Pólis, comenta que padrões de produção, de consumo e de distribuição não são debatidos com os consumidores. "A sociedade não pode arcar sozinha com custos de processos onde não participa das decisões. Não adianta seguir produzindo, vendendo e poluindo nos mesmos padrões", diz. "É preciso reduzir a geração de lixo", completa Costa, do MMA.
Dalla Pria, da CNI, comenta que o projeto de lei deve ser mais do que um instrumento de proteção ambiental, estimulando a reintrodução de resíduos em cadeias produtivas com incentivos econômicos e fiscais.
Reciclagem movimenta cerca de US$ 3 milhões por ano no país
Silvia Czapski, para o Valor, de São Paulo
03/11/2008
Fonte: Valoronline
Os investimentos em ecoeficiência têm garantido o melhor aproveitamento de matérias primas, ou a reincorporação de sobras na linha de produção, segundo Adriano Assi, diretor da Exposucata, a maior feira de negócios da indústria da reciclagem de sucatas da América Latina. Essa mudança de comportamento faz com que boa parte dos materiais que antes iam para aterros, ao custo de R$ 30 a tonelada, hoje nem se tornam resíduos.
Assi estima em US$ 3,2 milhões anuais a movimentação da cadeia logística reversa, que absorve e reencaminha uma gama de materiais. Existem as "commodities da reciclagem", como metais ferrosos, não ferrosos, plásticos e papel, de fácil venda, inclusive para exportação. Mas a maior rentabilidade, diz ele, fica nos processos que exigem alta tecnologia para a segregação.
É o caso de circuitos eletrônicos, que contém metais preciosos, de alto valor, mas exigem grande volume, para tornar a iniciativa economicamente viável. A ong Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre) traz em seu site uma lista de companhias instaladas no país, que captam e encaminham resíduos eletroeletrônicos para serem triturados ou desmontados e separados dos materiais reaproveitáveis.
Outro exemplo de saída tecnológica para produtos perigosos são os agrotóxicos. Para atender à lei e dar destino adequado às embalagens, as indústrias criaram o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), que orienta os produtores rurais a devolver os invólucros que depois são usados como matéria prima para produzir sacos plástico de descarte e incineração de lixo hospitalar.
No caso dos pneus, a resposta dos fabricantes à obrigatoriedade de, a cada quatro unidades fabricadas, dar destino final para cinco, foi pagar pela queima dos inservíveis nos fornos das cimenteiras. Mas, uma parcela é absorvida como pó de borracha adicionado ao asfalto, ou na fabricação de produtos de borracha, como tapetes e mantas. Para dar idéia do movimento, basta dizer que, de janeiro de 2007 a agosto deste ano, a DPaschoal informa ter encaminhado cerca de 5 mil toneladas de pneus automotivos, recolhidos nas 530 lojas próprias ou credenciadas em sete Estados.
Não existem dados para uma avaliação completa da geração dos resíduos industriais no Brasil, resume Silvia Astolpho, coordenadora do departamento de pesquisa e desenvolvimento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos (Abrelpe). Mas a análise de inventários de dez estados, levou à conclusão que só 4,3% do que as indústrias geram são resíduos perigosos. O resto poderia seguir o processo de troca, que já é realidade no país.
Aberto às empresas cadastradas como serviço gratuito para a transação direta de resíduos e co-produtos das indústrias, 13 federações estaduais de indústrias criaram bolsas de resíduos. Na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) seu departamento de Meio Ambiente, cadastrou mais de 2,1 mil empresas. Quase metade são indústrias (46%), mas também há recicladores (26%), intermediários (20%) e sucateiros (8%). A maioria são pequenas e micro empresas (82%).
Em breve, a CNI interligará as bolsas de resíduos, com um sistema uniformizado para cadastramento das empresas e categorização dos produtos. "Estamos em fase de testes", adianta a gerente de meio ambiente, Grace Dalla Pria.
03/11/2008
Fonte: Valoronline
Os investimentos em ecoeficiência têm garantido o melhor aproveitamento de matérias primas, ou a reincorporação de sobras na linha de produção, segundo Adriano Assi, diretor da Exposucata, a maior feira de negócios da indústria da reciclagem de sucatas da América Latina. Essa mudança de comportamento faz com que boa parte dos materiais que antes iam para aterros, ao custo de R$ 30 a tonelada, hoje nem se tornam resíduos.
Assi estima em US$ 3,2 milhões anuais a movimentação da cadeia logística reversa, que absorve e reencaminha uma gama de materiais. Existem as "commodities da reciclagem", como metais ferrosos, não ferrosos, plásticos e papel, de fácil venda, inclusive para exportação. Mas a maior rentabilidade, diz ele, fica nos processos que exigem alta tecnologia para a segregação.
É o caso de circuitos eletrônicos, que contém metais preciosos, de alto valor, mas exigem grande volume, para tornar a iniciativa economicamente viável. A ong Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre) traz em seu site uma lista de companhias instaladas no país, que captam e encaminham resíduos eletroeletrônicos para serem triturados ou desmontados e separados dos materiais reaproveitáveis.
Outro exemplo de saída tecnológica para produtos perigosos são os agrotóxicos. Para atender à lei e dar destino adequado às embalagens, as indústrias criaram o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), que orienta os produtores rurais a devolver os invólucros que depois são usados como matéria prima para produzir sacos plástico de descarte e incineração de lixo hospitalar.
No caso dos pneus, a resposta dos fabricantes à obrigatoriedade de, a cada quatro unidades fabricadas, dar destino final para cinco, foi pagar pela queima dos inservíveis nos fornos das cimenteiras. Mas, uma parcela é absorvida como pó de borracha adicionado ao asfalto, ou na fabricação de produtos de borracha, como tapetes e mantas. Para dar idéia do movimento, basta dizer que, de janeiro de 2007 a agosto deste ano, a DPaschoal informa ter encaminhado cerca de 5 mil toneladas de pneus automotivos, recolhidos nas 530 lojas próprias ou credenciadas em sete Estados.
Não existem dados para uma avaliação completa da geração dos resíduos industriais no Brasil, resume Silvia Astolpho, coordenadora do departamento de pesquisa e desenvolvimento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos (Abrelpe). Mas a análise de inventários de dez estados, levou à conclusão que só 4,3% do que as indústrias geram são resíduos perigosos. O resto poderia seguir o processo de troca, que já é realidade no país.
Aberto às empresas cadastradas como serviço gratuito para a transação direta de resíduos e co-produtos das indústrias, 13 federações estaduais de indústrias criaram bolsas de resíduos. Na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) seu departamento de Meio Ambiente, cadastrou mais de 2,1 mil empresas. Quase metade são indústrias (46%), mas também há recicladores (26%), intermediários (20%) e sucateiros (8%). A maioria são pequenas e micro empresas (82%).
Em breve, a CNI interligará as bolsas de resíduos, com um sistema uniformizado para cadastramento das empresas e categorização dos produtos. "Estamos em fase de testes", adianta a gerente de meio ambiente, Grace Dalla Pria.
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