Mauro Zanatta, de Brasília
30/10/2008
Fonte: Valoronline
Criticado por aliados de organizações não-governamentais, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, defendeu ontem a importância do Plano Nacional de Mudanças Climáticas para o avanço das "discussões ambientais" no país e afirmou que o documento pode conter uma "meta global" de redução de emissões dos gases causadores do efeito estufa. "Já temos várias metas setoriais, mas podemos calcular e consolidar em uma meta global para 2015, por exemplo", afirmou. "Antes de o presidente Lula assinar o plano, no fim de novembro, espero incorporar várias sugestões, inclusive a meta", disse.
O ministro Minc rejeitou, entretanto, as avaliações de que o plano não contém metas de redução. "Temos metas para co-geração de energia, para aumento do uso do etanol e do biodiesel, plantação de árvores para a siderurgia e a meta de plantar mais árvores do que cortar em 2015", defendeu. O plano prevê a elevação de 0,5% para 20% na co-geração de energia com bagaço de cana-de-açúcar, o crescimento anual de 11% no uso do etanol, de 13% no biodiesel e de 5% na plantação de florestas para uso do setor siderúrgico.
O plano, cuja proposta ficará sob consulta pública até meados de novembro, tem gerado fortes críticas das ONGs exatamente porque não estabeleceria metas de redução das emissões dos gases poluentes. Em dezembro, uma Conferência das Partes (COP) debaterá, na Polônia, um novo acordo internacional sobre mudanças climáticas.
O ministro Carlos Minc também reiterou, como adiantou o Valor na semana passada, a necessidade de o Brasil assumir um compromisso internacional de adotar, e cumprir, metas obrigatórias e "diferenciadas" de redução das emissões de gases.
Minc tem encontrado resistência dentro do governo, sobretudo no Itamaraty, para transformar sua proposta em uma posição oficial. "Defendo metas obrigatórias que não seriam iguais para emergentes e desenvolvidos com repasse de recursos financeiros e tecnológicos", disse. "Mas não está fechado dentro do governo. A responsabilidade maior é deles (desenvolvidos), mas metas diferenciadas são mais palatáveis para outros setores do governo. Estamos cimentando o caminho nessa direção", afirmou.
Minc lembrou que não há metas definidas para depois de 2012, prazo das primeiras metas do Protocolo de Kyoto, mas defende "mais protagonismo" na postura do Brasil durante as negociações para um novo protocolo internacional. "A maioria (dos países) não vai cumprir (as metas). E no 'pós-Kyoto' não tem nada decidido nem está dito se emergentes terão metas", afirmou.
O ministro admitiu sua divergência inicial com o Itamaraty, mas atribuiu o caso a um mal-entendido. "Na verdade, são dois momentos: no primeiro, do Protocolo de Kyoto, o Itamaraty defendia a posição de que o Brasil não deveria trazer para o seu colo uma meta que não estava prevista para os países emergentes. Mas, agora, estamos num segundo momento, de discussão de um novo acordo, de um 'pós-Kyoto' com emergentes e desenvolvidos", explicou. Ainda assim, o ministro Carlos Minc defende maior responsabilidade por parte dos países ricos: "É inaceitável ter metas para 2050 como querem os países ricos", afirmou.
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Cientistas pedem redução de 80% na emissão de gases
Daniel Rittner, de Brasília
30/10/2008
Fonte: Valoronline
Desenhando um cenário desolador com o atual ritmo de aquecimento global, que levará epidemias de dengue ao Rio Grande do Sul e expulsará o cultivo de café do Brasil para a Argentina, um grupo de cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) lançou um apelo pela redução de 80% nas emissões de gases do efeito estufa. Às vésperas do início efetivo das negociações para um tratado pós-2012 (quando termina o primeiro Protocolo de Kyoto), na conferência internacional prevista para dezembro, eles deixaram claro que o nível do esforço e a pressa serão decisivos no tamanho dos estragos.
Nos cálculos de Martin Perry, professor do Centro de Estudos Ambientais do Imperial College de Londres e coordenador do grupo de trabalho 2 do IPCC, se o mundo conseguir implementar uma redução anual de 6% em suas emissões já a partir de 2015, será possível limitar o aquecimento do planeta em 1,4°C até 2100. Isso é suficiente para jogar mais 250 milhões de pessoas na África em situação de déficit hídrico, comprometer a sobrevivência de espécies tropicais e romper irreparavelmente geleiras na Groenlândia. Mas os efeitos podem ser muito piores se, em vez disso, o ritmo de corte for de 1% ao ano e começar somente em 2035. Nesse caso, o aquecimento será de 3,4° até 2100 - capaz de redesenhar totalmente o litoral dos cinco continentes, eliminar mais de 40% das espécies amazônicas e elevar em 40% as regiões áridas da África.
"Cada dez anos de atraso elevam a temperatura global em 0,5°C (em 2100)", afirmou o cientista britânico. Para ele, os Estados Unidos têm um papel-chave e ambos os candidatos à presidência sinalizam preocupação com o assunto. Perry citou o bom exemplo do Reino Unido, que acaba de aprovar uma Lei de Mudanças Climáticas com possível corte de 80% das emissões, e alerta para a importância de manter o combate ao aquecimento global como prioridade em tempos de crise internacional. "As lideranças políticas vão ter outras prioridades, e esse é o problema", aflige-se o cientista. "Em recessões, as pessoas começam a pensar mais no seu padrão de vida, e não tanto em qualidade de vida."
O pesquisador Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), delineou um quadro grave para o Brasil e a América do Sul. Uma das maiores preocupações é com o aumento de doenças tipicamente tropicais, com vetores que se desenvolvem em clima acima de 22°C.
Nobre listou a dengue, a esquistossomose e a leptospirose como endemias com potencial de crescimento. No caso da dengue, disse que "toda a região (América do Sul) ficará exposta à transmissão". Em 30 anos, a expectativa é que grandes endemias cheguem a Porto Alegre; em 50 anos, a Montevidéu; em 70 anos, a Buenos Aires. No cerrado, que deverá ficar confinado ao sul do Mato Grosso do Sul, 40% das espécies vegetais desaparecerão em 2100. A Mata Atlântica será reduzida em pelo menos 30%, no cenário otimista, e em até 65%, no pessimista. "O clima vai expulsando os biomas mais ricos do cerrado, da Amazônia, da Mata Atlântica. Eles ficarão concentrados no Sudeste", disse Nobre.
A agricultura pode passar por transformações radicais, segundo o pesquisador. "Com o aquecimento global, em 100 anos, a Argentina será exportadora de café para o Brasil. Em 30 anos, o Estado de Santa Catarina não cultivará mais maçãs", projetou.
O pesquisador afirmou que os chamados "veranicos" - ondas de calor durante o inverno - e as secas serão mais prolongadas. Na terça-feira, Brasília registrou a temperatura mais elevada de sua história: 35,8°C, com umidade relativa do ar em 13%. Nobre destacou ainda que o potencial de geração de energia eólica, de 60 mil megawatts (MW) hoje, diminuirá devido à queda da velocidade do vento com as mudanças climáticas em curso.
30/10/2008
Fonte: Valoronline
Desenhando um cenário desolador com o atual ritmo de aquecimento global, que levará epidemias de dengue ao Rio Grande do Sul e expulsará o cultivo de café do Brasil para a Argentina, um grupo de cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) lançou um apelo pela redução de 80% nas emissões de gases do efeito estufa. Às vésperas do início efetivo das negociações para um tratado pós-2012 (quando termina o primeiro Protocolo de Kyoto), na conferência internacional prevista para dezembro, eles deixaram claro que o nível do esforço e a pressa serão decisivos no tamanho dos estragos.
Nos cálculos de Martin Perry, professor do Centro de Estudos Ambientais do Imperial College de Londres e coordenador do grupo de trabalho 2 do IPCC, se o mundo conseguir implementar uma redução anual de 6% em suas emissões já a partir de 2015, será possível limitar o aquecimento do planeta em 1,4°C até 2100. Isso é suficiente para jogar mais 250 milhões de pessoas na África em situação de déficit hídrico, comprometer a sobrevivência de espécies tropicais e romper irreparavelmente geleiras na Groenlândia. Mas os efeitos podem ser muito piores se, em vez disso, o ritmo de corte for de 1% ao ano e começar somente em 2035. Nesse caso, o aquecimento será de 3,4° até 2100 - capaz de redesenhar totalmente o litoral dos cinco continentes, eliminar mais de 40% das espécies amazônicas e elevar em 40% as regiões áridas da África.
"Cada dez anos de atraso elevam a temperatura global em 0,5°C (em 2100)", afirmou o cientista britânico. Para ele, os Estados Unidos têm um papel-chave e ambos os candidatos à presidência sinalizam preocupação com o assunto. Perry citou o bom exemplo do Reino Unido, que acaba de aprovar uma Lei de Mudanças Climáticas com possível corte de 80% das emissões, e alerta para a importância de manter o combate ao aquecimento global como prioridade em tempos de crise internacional. "As lideranças políticas vão ter outras prioridades, e esse é o problema", aflige-se o cientista. "Em recessões, as pessoas começam a pensar mais no seu padrão de vida, e não tanto em qualidade de vida."
O pesquisador Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), delineou um quadro grave para o Brasil e a América do Sul. Uma das maiores preocupações é com o aumento de doenças tipicamente tropicais, com vetores que se desenvolvem em clima acima de 22°C.
Nobre listou a dengue, a esquistossomose e a leptospirose como endemias com potencial de crescimento. No caso da dengue, disse que "toda a região (América do Sul) ficará exposta à transmissão". Em 30 anos, a expectativa é que grandes endemias cheguem a Porto Alegre; em 50 anos, a Montevidéu; em 70 anos, a Buenos Aires. No cerrado, que deverá ficar confinado ao sul do Mato Grosso do Sul, 40% das espécies vegetais desaparecerão em 2100. A Mata Atlântica será reduzida em pelo menos 30%, no cenário otimista, e em até 65%, no pessimista. "O clima vai expulsando os biomas mais ricos do cerrado, da Amazônia, da Mata Atlântica. Eles ficarão concentrados no Sudeste", disse Nobre.
A agricultura pode passar por transformações radicais, segundo o pesquisador. "Com o aquecimento global, em 100 anos, a Argentina será exportadora de café para o Brasil. Em 30 anos, o Estado de Santa Catarina não cultivará mais maçãs", projetou.
O pesquisador afirmou que os chamados "veranicos" - ondas de calor durante o inverno - e as secas serão mais prolongadas. Na terça-feira, Brasília registrou a temperatura mais elevada de sua história: 35,8°C, com umidade relativa do ar em 13%. Nobre destacou ainda que o potencial de geração de energia eólica, de 60 mil megawatts (MW) hoje, diminuirá devido à queda da velocidade do vento com as mudanças climáticas em curso.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
São Paulo faz mutirão para recolher lixo eletrônico
24/10/2008
Fonte: Ambiente Brasil
O governo estadual de São Paulo realiza no próximo dia 30 um mutirão para coletar pilhas, baterias e outros lixos eletrônicos que não devem ser destinados a aterros sanitários comuns. Segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, que organiza a ação, a destinação inadequada do lixo eletrônico pode causar a contaminação de rios, reservatórios e do solo.
De acordo com o governo, prefeituras de todo o Estado receberão urnas para a coleta dos materiais. Além disso, o mutirão conta com a parceria com empresas de diversos segmentos que também coletarão o material.
A secretaria disponibiliza o site
www.ambiente.sp.gov.br/mutiraodolixoeletronico/dicas_locais.htm
em que é possível encontrar os locais de coleta.
Reciclagem - O mutirão abordará também a questão da reciclagem, já que muitas substâncias contidas em equipamentos eletrônicos podem vir a ser reutilizadas, ao invés de descartadas.
Segundo a secretaria, de um quilo de celular, por exemplo, podem ser reaproveitados de 100 mg a 150 mg de ouro, 400 mg a 600 mg de prata, 20 mg a 30 mg de paládio, 100 g a 130 g de cobre e 200 g de plástico.
Levantamento feito pelo governo mostra que no lixo eletrônico é possível encontrar substâncias tóxicas, como chumbo, cádmio, arsênio e mercúrio, sendo que são gerados, atualmente, 50 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos no planeta. Além disso, a secretaria informa também que 40% das pilhas comuns vendidas no Brasil são falsificadas. (Fonte: Folha Online)
Fonte: Ambiente Brasil
O governo estadual de São Paulo realiza no próximo dia 30 um mutirão para coletar pilhas, baterias e outros lixos eletrônicos que não devem ser destinados a aterros sanitários comuns. Segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, que organiza a ação, a destinação inadequada do lixo eletrônico pode causar a contaminação de rios, reservatórios e do solo.
De acordo com o governo, prefeituras de todo o Estado receberão urnas para a coleta dos materiais. Além disso, o mutirão conta com a parceria com empresas de diversos segmentos que também coletarão o material.
A secretaria disponibiliza o site
www.ambiente.sp.gov.br/mutiraodolixoeletronico/dicas_locais.htm
em que é possível encontrar os locais de coleta.
Reciclagem - O mutirão abordará também a questão da reciclagem, já que muitas substâncias contidas em equipamentos eletrônicos podem vir a ser reutilizadas, ao invés de descartadas.
Segundo a secretaria, de um quilo de celular, por exemplo, podem ser reaproveitados de 100 mg a 150 mg de ouro, 400 mg a 600 mg de prata, 20 mg a 30 mg de paládio, 100 g a 130 g de cobre e 200 g de plástico.
Levantamento feito pelo governo mostra que no lixo eletrônico é possível encontrar substâncias tóxicas, como chumbo, cádmio, arsênio e mercúrio, sendo que são gerados, atualmente, 50 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos no planeta. Além disso, a secretaria informa também que 40% das pilhas comuns vendidas no Brasil são falsificadas. (Fonte: Folha Online)
Indústria quer discutir com governo plano de redução de emissão de gases
Samantha Maia, de São Paulo
24/10/2008
Fonte: Valoronline
A afirmação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de que o Brasil poderá assumir metas obrigatórias de redução nas emissões de gases do efeito estufa na segunda fase do Protocolo de Kyoto gerou dúvidas na indústria paulista. Uma das questões levantadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) foi como ficaria a geração de crédito de carbono por projetos brasileiros, hoje vendidos a países que precisam cumprir metas. Segundo a regra em vigor, apenas a redução de emissão de carbono acima da meta estabelecida gera crédito.
"Perder esse incentivo não seria bom para o Brasil, é uma questão a ser negociada, mas o governo não detalhou sua estratégia", diz Nelson Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp. Segundo ele, o governo deve precisar o seu plano, pois a discussão não foi levada ao setor produtivo. "Eu acho que a postura do Minc não é errada, tem que haver uma política nacional de mudanças climáticas e a redução de emissão de carbono é irreversível. No entanto, gostaríamos de participar para que cada setor pudesse mostrar o que pode fazer", diz.
Segundo Reis, para se comprometer com metas, o país precisa ter um inventário sobre as suas emissões. "Tem que haver clareza onde é possível ter mais ganhos e aí sim definir metas." O governo acenou que a meta de redução de 20% da emissão de gás de efeito estufa de 2012 a 2020 poderia ser atingida com a redução em um terço do índice atual de desmatamento da floresta amazônica. Reis diz que não seria viável aplicar a mesma meta apenas ao setor industrial. "É uma meta alta para um setor que já está se esforçando, e por isso partiria de uma base de emissão mais baixa", diz. Segundo ele, o setor químico, por exemplo, conseguiu diminuir em 7% sua emissão de carbono de 2001 a 2006 com substituição de combustíveis e ganhos de eficiência.
Dessa forma, para que a indústria pudesse se comprometer com metas, Reis diz que o governo também precisaria dar garantias como a certeza de suprimento de gás natural. "Para reduzir a poluição, muitas empresas substituíram o óleo combustível pelo gás natural. O governo hoje prioriza o abastecimento das usinas termelétricas em caso de falta de gás. Nós precisamos ter condições para nos comprometer."
Segundo dados do governo de São Paulo, o Estado responde sozinho por um terço das emissões de gás carbônico no país, sendo que as indústrias responderam em 2006 por 65% das emissões de dióxido de carbono no Estado. O governo paulista trabalha um projeto de lei para obrigar as empresas a reduzirem suas emissões.
24/10/2008
Fonte: Valoronline
A afirmação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de que o Brasil poderá assumir metas obrigatórias de redução nas emissões de gases do efeito estufa na segunda fase do Protocolo de Kyoto gerou dúvidas na indústria paulista. Uma das questões levantadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) foi como ficaria a geração de crédito de carbono por projetos brasileiros, hoje vendidos a países que precisam cumprir metas. Segundo a regra em vigor, apenas a redução de emissão de carbono acima da meta estabelecida gera crédito.
"Perder esse incentivo não seria bom para o Brasil, é uma questão a ser negociada, mas o governo não detalhou sua estratégia", diz Nelson Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp. Segundo ele, o governo deve precisar o seu plano, pois a discussão não foi levada ao setor produtivo. "Eu acho que a postura do Minc não é errada, tem que haver uma política nacional de mudanças climáticas e a redução de emissão de carbono é irreversível. No entanto, gostaríamos de participar para que cada setor pudesse mostrar o que pode fazer", diz.
Segundo Reis, para se comprometer com metas, o país precisa ter um inventário sobre as suas emissões. "Tem que haver clareza onde é possível ter mais ganhos e aí sim definir metas." O governo acenou que a meta de redução de 20% da emissão de gás de efeito estufa de 2012 a 2020 poderia ser atingida com a redução em um terço do índice atual de desmatamento da floresta amazônica. Reis diz que não seria viável aplicar a mesma meta apenas ao setor industrial. "É uma meta alta para um setor que já está se esforçando, e por isso partiria de uma base de emissão mais baixa", diz. Segundo ele, o setor químico, por exemplo, conseguiu diminuir em 7% sua emissão de carbono de 2001 a 2006 com substituição de combustíveis e ganhos de eficiência.
Dessa forma, para que a indústria pudesse se comprometer com metas, Reis diz que o governo também precisaria dar garantias como a certeza de suprimento de gás natural. "Para reduzir a poluição, muitas empresas substituíram o óleo combustível pelo gás natural. O governo hoje prioriza o abastecimento das usinas termelétricas em caso de falta de gás. Nós precisamos ter condições para nos comprometer."
Segundo dados do governo de São Paulo, o Estado responde sozinho por um terço das emissões de gás carbônico no país, sendo que as indústrias responderam em 2006 por 65% das emissões de dióxido de carbono no Estado. O governo paulista trabalha um projeto de lei para obrigar as empresas a reduzirem suas emissões.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Em dois anos, programa reduz perda de água em 19%
Samantha Maia, de São Paulo
20/10/2008
Fonte: Valoronline
O Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa), município paulista da região do ABC, conseguiu em dois anos reduzir suas perdas de água de 28% para 26%, índice abaixo da média de São Paulo, hoje entre 30% e 40%. A empresa economizou R$ 1 milhão por ano com medidas como regulagem da pressão das bombas de água, otimização do monitoramento da rede e melhoria da medição de consumo. A economia veio do aumento da medição de 2,7 milhões de metros cúbicos de água por ano, em 2006 e 2007, que antes eram perdidos na distribuição ou não eram cobrados, e da redução do consumo de 378 MWh/ano de energia elétrica.
Desde 2006, o Semasa participa, junto com mais nove companhias de todo o país, do programa "Com+Água", iniciativa do Ministério das Cidades para incentivar a redução de perdas e consumo de energia nas empresas de saneamento. As companhias - Semasa Santo André (SP), Saae Sorocaba (SP), Saeg Guaratinguetá (SP), Corsan Santa Maria (RS), Samae Caxias do Sul (RS), Copasa Montes Claros (MG), Embasa lhéus (BA), SAE Ituiutaba (MG), Saae Viçosa (MG) e Samae São Bento do Sul (SC) - foram escolhidas de acordo com seus problemas e capacidade de gestão do programa.
Trocar as tubulações antigas e os hidrômetros de cinco em cinco anos são outros procedimentos importantes para manter o controle das perdas. A mobilização de funcionários para combater desperdícios e aumentar a velocidade de atendimento em caso de vazamento incrementa o trabalho. Para a contratação de uma consultoria especializada para atender as empresas e a compra de equipamentos foram investidos R$ 10 milhões, montante financiado pelo Banco Mundial.
O programa terminou em setembro, com redução geral de 19% da perda de água, o equivalente ao consumo de uma cidade de 200 mil habitantes durante um ano. Antes do projeto, o volume médio de perdas no conjunto dessas empresas era de 356 litros por ligação/dia. Hoje, a quantidade caiu para 289 litros/ligação. Junto com uma queda no consumo de energia de 2,7 mil MW/h por ano, a iniciativa rendeu uma economia de aproximadamente R$ 10 milhões às dez empresas participantes, valor semelhante ao total investido.
O importante, porém, segundo Francisco Gabriel Silva, engenheiro do Ministério das Cidades que trabalha na coordenação do projeto, é que as companhias consigam incorporar de maneira definitiva as políticas de ganho de eficiência. "É importante fazer um monitoramento por mais tempo, para ver se realmente as mudanças tiveram efeito também no longo prazo", diz.
Segundo Milton Luis Joseph, superintendente do Semasa, a intenção é manter as mudanças trazidas pelo programa e chegar em dois anos a limitar em 25% a perda de água. "O volume pode parecer alto, mas é um patamar bom no cenário brasileiro", diz Joseph.
A falta de eficiência é um dos maiores problemas do setor de saneamento e afeta fortemente a capacidade de investimento das empresas, em sua maioria públicas. A média nacional de perdas de água - por vazamento ou por falta de medição do uso - está em 39,5% entre as empresas estaduais e 40,7% nas municipais. Energia, por sua vez está entre os maiores custos de operação. Atacar essas duas frentes é um caminho importante para reestruturar as empresas.
"Ficar tanto tempo sem investimento deixou muitas companhias obsoletas", diz Marcus Vinícius Caberlon, diretor-geral do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Caxias do Sul (RS). Segundo ele, investir em ganho de eficiência e redução de perdas permitirá à empresa atender mais 70 mil pessoas sem a necessidade de aumentar a captação de água. Caxias do Sul possui 400 mil habitantes, mas o programa foi aplicado em uma área experimental, onde moram 23 mil pessoas.
O Samae conseguiu diminuir para 40% um índice de 60% de perda de água, redução que gerou economia de R$ 600 mil. A conta de luz, por sua vez, caiu 18%, o equivalente a R$ 300 mil, com troca de equipamentos e melhor utilização do recurso. Diante desses resultados, Caberlon diz que a intenção é manter os investimentos em eficiência, com a aplicação de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões em modernização no sistema por ano.
Segundo Silva, do Ministério das Cidades, esse trabalho poderá trazer impactos positivos nas tarifas no longo prazo. "A tarifa hoje leva em consideração o nível de perdas e num momento de reavaliação tarifária poderá ser possível repassar esses ganhos ao consumidor", diz.
Em Guaratinguetá (SP), a companhia de saneamento Saeg conseguiu reduzir de 40% para 16% a perda de água em seu projeto-piloto, região onde são abastecidas 3,5 mil pessoas, 3% da população da cidade. "Isolamos um sistema de abastecimento e fizemos todos os acertos em equipamentos. Para o ano que vem, serão incluídas outras áreas, que abrangem 25 mil pessoas", diz André Luis de Paula Marques, diretor-técnico da Saeg.
Para reduzir o consumo de energia, a empresa começou a bombear a água fora dos horários de pico - quando o custo de energia é menor - e armazená-la para uso posterior. A conta que era de R$ 90 mil a R$ 100 mil reais por mês, está agora em R$ 70 mil, conta o diretor. "Tudo o que os operadores de saneamento mais desejam é produzir mais água com menos energia", diz. Na Saeg, o custo da energia representa 10% a 12% da arrecadação. Em 18 meses de projeto, a companhia economizou R$ 300 mil em energia e R$ 700 mil em redução de perdas de água.
20/10/2008
Fonte: Valoronline
O Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa), município paulista da região do ABC, conseguiu em dois anos reduzir suas perdas de água de 28% para 26%, índice abaixo da média de São Paulo, hoje entre 30% e 40%. A empresa economizou R$ 1 milhão por ano com medidas como regulagem da pressão das bombas de água, otimização do monitoramento da rede e melhoria da medição de consumo. A economia veio do aumento da medição de 2,7 milhões de metros cúbicos de água por ano, em 2006 e 2007, que antes eram perdidos na distribuição ou não eram cobrados, e da redução do consumo de 378 MWh/ano de energia elétrica.
Desde 2006, o Semasa participa, junto com mais nove companhias de todo o país, do programa "Com+Água", iniciativa do Ministério das Cidades para incentivar a redução de perdas e consumo de energia nas empresas de saneamento. As companhias - Semasa Santo André (SP), Saae Sorocaba (SP), Saeg Guaratinguetá (SP), Corsan Santa Maria (RS), Samae Caxias do Sul (RS), Copasa Montes Claros (MG), Embasa lhéus (BA), SAE Ituiutaba (MG), Saae Viçosa (MG) e Samae São Bento do Sul (SC) - foram escolhidas de acordo com seus problemas e capacidade de gestão do programa.
Trocar as tubulações antigas e os hidrômetros de cinco em cinco anos são outros procedimentos importantes para manter o controle das perdas. A mobilização de funcionários para combater desperdícios e aumentar a velocidade de atendimento em caso de vazamento incrementa o trabalho. Para a contratação de uma consultoria especializada para atender as empresas e a compra de equipamentos foram investidos R$ 10 milhões, montante financiado pelo Banco Mundial.
O programa terminou em setembro, com redução geral de 19% da perda de água, o equivalente ao consumo de uma cidade de 200 mil habitantes durante um ano. Antes do projeto, o volume médio de perdas no conjunto dessas empresas era de 356 litros por ligação/dia. Hoje, a quantidade caiu para 289 litros/ligação. Junto com uma queda no consumo de energia de 2,7 mil MW/h por ano, a iniciativa rendeu uma economia de aproximadamente R$ 10 milhões às dez empresas participantes, valor semelhante ao total investido.
O importante, porém, segundo Francisco Gabriel Silva, engenheiro do Ministério das Cidades que trabalha na coordenação do projeto, é que as companhias consigam incorporar de maneira definitiva as políticas de ganho de eficiência. "É importante fazer um monitoramento por mais tempo, para ver se realmente as mudanças tiveram efeito também no longo prazo", diz.
Segundo Milton Luis Joseph, superintendente do Semasa, a intenção é manter as mudanças trazidas pelo programa e chegar em dois anos a limitar em 25% a perda de água. "O volume pode parecer alto, mas é um patamar bom no cenário brasileiro", diz Joseph.
A falta de eficiência é um dos maiores problemas do setor de saneamento e afeta fortemente a capacidade de investimento das empresas, em sua maioria públicas. A média nacional de perdas de água - por vazamento ou por falta de medição do uso - está em 39,5% entre as empresas estaduais e 40,7% nas municipais. Energia, por sua vez está entre os maiores custos de operação. Atacar essas duas frentes é um caminho importante para reestruturar as empresas.
"Ficar tanto tempo sem investimento deixou muitas companhias obsoletas", diz Marcus Vinícius Caberlon, diretor-geral do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Caxias do Sul (RS). Segundo ele, investir em ganho de eficiência e redução de perdas permitirá à empresa atender mais 70 mil pessoas sem a necessidade de aumentar a captação de água. Caxias do Sul possui 400 mil habitantes, mas o programa foi aplicado em uma área experimental, onde moram 23 mil pessoas.
O Samae conseguiu diminuir para 40% um índice de 60% de perda de água, redução que gerou economia de R$ 600 mil. A conta de luz, por sua vez, caiu 18%, o equivalente a R$ 300 mil, com troca de equipamentos e melhor utilização do recurso. Diante desses resultados, Caberlon diz que a intenção é manter os investimentos em eficiência, com a aplicação de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões em modernização no sistema por ano.
Segundo Silva, do Ministério das Cidades, esse trabalho poderá trazer impactos positivos nas tarifas no longo prazo. "A tarifa hoje leva em consideração o nível de perdas e num momento de reavaliação tarifária poderá ser possível repassar esses ganhos ao consumidor", diz.
Em Guaratinguetá (SP), a companhia de saneamento Saeg conseguiu reduzir de 40% para 16% a perda de água em seu projeto-piloto, região onde são abastecidas 3,5 mil pessoas, 3% da população da cidade. "Isolamos um sistema de abastecimento e fizemos todos os acertos em equipamentos. Para o ano que vem, serão incluídas outras áreas, que abrangem 25 mil pessoas", diz André Luis de Paula Marques, diretor-técnico da Saeg.
Para reduzir o consumo de energia, a empresa começou a bombear a água fora dos horários de pico - quando o custo de energia é menor - e armazená-la para uso posterior. A conta que era de R$ 90 mil a R$ 100 mil reais por mês, está agora em R$ 70 mil, conta o diretor. "Tudo o que os operadores de saneamento mais desejam é produzir mais água com menos energia", diz. Na Saeg, o custo da energia representa 10% a 12% da arrecadação. Em 18 meses de projeto, a companhia economizou R$ 300 mil em energia e R$ 700 mil em redução de perdas de água.
Aval para arroz transgênico em discussão
Mauro Zanatta, de Brasília
20/10/2008
Fonte: Valoronline
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) decidiu na quinta-feira realizar uma audiência pública para debater a liberação comercial de arroz transgênico no país. A multinacional Bayer CropScience aguarda um parecer sobre um processo formal, protocolado em agosto de 2003, para a comercialização do arroz transgênico tolerante ao glufosinato de amônio "Liberty Link". A realização da audiência prévia à análise do pedido pela CTNBio demorou em razão das dificuldades para identificar especialistas nesta área, conforme o presidente do colegiado, Walter Colli.
Em reunião mensal ordinária, a comissão retirou de pauta a avaliação sobre outros seis transgênicos. Ficaram de fora variedades de algodão de Dow e Monsanto, milho de DuPont, Syngenta e Monsanto, além da soja da Bayer. Mas os integrantes da CTNBio autorizaram dez solicitações para liberação de pesquisas de transgênicos em campo - um eucalipto da International Paper, três sementes de milho da Syngenta, um da Dow e outro da Monsanto, o eucalipto da ArborGen, a soja da Embrapa e a cana-de-açúcar da Alellyx.
O colegiado também aprovou novas regras para essa liberação ao sancionar a Resolução Normativa nº 6, em consulta pública desde 22 de setembro. A norma deve aumentar o detalhamento dos mapas e da localização dos campos de pesquisa.
20/10/2008
Fonte: Valoronline
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) decidiu na quinta-feira realizar uma audiência pública para debater a liberação comercial de arroz transgênico no país. A multinacional Bayer CropScience aguarda um parecer sobre um processo formal, protocolado em agosto de 2003, para a comercialização do arroz transgênico tolerante ao glufosinato de amônio "Liberty Link". A realização da audiência prévia à análise do pedido pela CTNBio demorou em razão das dificuldades para identificar especialistas nesta área, conforme o presidente do colegiado, Walter Colli.
Em reunião mensal ordinária, a comissão retirou de pauta a avaliação sobre outros seis transgênicos. Ficaram de fora variedades de algodão de Dow e Monsanto, milho de DuPont, Syngenta e Monsanto, além da soja da Bayer. Mas os integrantes da CTNBio autorizaram dez solicitações para liberação de pesquisas de transgênicos em campo - um eucalipto da International Paper, três sementes de milho da Syngenta, um da Dow e outro da Monsanto, o eucalipto da ArborGen, a soja da Embrapa e a cana-de-açúcar da Alellyx.
O colegiado também aprovou novas regras para essa liberação ao sancionar a Resolução Normativa nº 6, em consulta pública desde 22 de setembro. A norma deve aumentar o detalhamento dos mapas e da localização dos campos de pesquisa.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Bioenergy e Proventos iniciam estudo do atlas eólico de São Paulo
Josette Goulart, de São Paulo
17/10/2008
Fonte: Valoronline
A Bioenergy, empresa nacional de geração de energia, e a Proventos, consultoria especializada em estudos de medição de ventos, iniciaram neste mês o estudo do atlas eólico do Estado de São Paulo. As empresas venceram a licitação feita pelo governo estadual e terão 24 meses para entregar um mapa completo do potencial de geração de energia eólica. Ao todo serão investidos R$ 1,3 milhão.
O governo paulista está de olho nos investimentos que a energia eólica deve trazer ao país. Grandes empresas multinacionais já buscam parcerias em projetos, como Energias do Brasil, AES e Suez, e o governo federal estuda viabilizar um leilão exclusivo para a venda de energia eólica no próximo ano. Com os leilões é possível para as empresas garantirem uma receita fixa e levar adiante os investimentos. Mesmo nos tradicionais leilões de energia nova, os empreendedores já habilitaram cerca de 50 projetos para mostrar o potencial de geração.
O engenheiro doutor em energia eólica Alexandre de Lemos Pereira, da Proventos, conta que São Paulo fez parte do atlas eólico brasileiro realizado no início da década. Mas segundo Pereira, a tecnologia disponível não permitia fazer um mapa de alta resolução como o que será agora elaborado. A alta resolução nesse caso é mostrar o potencial de ventos a cada 200 metros, com cobertura de todo o território.
Na primeira fase do estudo, serão coletados todos os tipos de dados meteorológicos, geográficos e histórico climático, entre outros. Estes dados serão levados à Dinamarca para serem rodados em super-computadores, que já estão preparados para processar esse tipo de informação. Segundo Pereira, a Dinamarca foi escolhida porque é pioneira em estudos eólicos.
A partir disso é feito um mapa de ventos, com uma resolução de cinco quilômetros. Com base nessa informação, os engenheiros vão escolher pontos para a instalação de sete torres de medição. Duas delas com 100 metros de altura e outras cinco com 75 metros. A torre é repleta de sensores, em todas as alturas, para poder medir adequadamente os ventos.
O presidente da Bioenergy, Sérgio Marques, diz que será feito um relatório não só com os locais de maior potencial, mas também apontando aqueles com menores restrições ambientais. Que não estejam em região de mata atlântica, por exemplo. "Para a Bioenergy, poder fazer esse estudo, nos deixa na frente para elaborar projetos eólicos a serem vendidos", diz Marques. A empresa foi uma das poucas que chegou a prestar garantias para participar do leilão de energia nova de setembro, mas não deu lances por causa do preço.
17/10/2008
Fonte: Valoronline
A Bioenergy, empresa nacional de geração de energia, e a Proventos, consultoria especializada em estudos de medição de ventos, iniciaram neste mês o estudo do atlas eólico do Estado de São Paulo. As empresas venceram a licitação feita pelo governo estadual e terão 24 meses para entregar um mapa completo do potencial de geração de energia eólica. Ao todo serão investidos R$ 1,3 milhão.
O governo paulista está de olho nos investimentos que a energia eólica deve trazer ao país. Grandes empresas multinacionais já buscam parcerias em projetos, como Energias do Brasil, AES e Suez, e o governo federal estuda viabilizar um leilão exclusivo para a venda de energia eólica no próximo ano. Com os leilões é possível para as empresas garantirem uma receita fixa e levar adiante os investimentos. Mesmo nos tradicionais leilões de energia nova, os empreendedores já habilitaram cerca de 50 projetos para mostrar o potencial de geração.
O engenheiro doutor em energia eólica Alexandre de Lemos Pereira, da Proventos, conta que São Paulo fez parte do atlas eólico brasileiro realizado no início da década. Mas segundo Pereira, a tecnologia disponível não permitia fazer um mapa de alta resolução como o que será agora elaborado. A alta resolução nesse caso é mostrar o potencial de ventos a cada 200 metros, com cobertura de todo o território.
Na primeira fase do estudo, serão coletados todos os tipos de dados meteorológicos, geográficos e histórico climático, entre outros. Estes dados serão levados à Dinamarca para serem rodados em super-computadores, que já estão preparados para processar esse tipo de informação. Segundo Pereira, a Dinamarca foi escolhida porque é pioneira em estudos eólicos.
A partir disso é feito um mapa de ventos, com uma resolução de cinco quilômetros. Com base nessa informação, os engenheiros vão escolher pontos para a instalação de sete torres de medição. Duas delas com 100 metros de altura e outras cinco com 75 metros. A torre é repleta de sensores, em todas as alturas, para poder medir adequadamente os ventos.
O presidente da Bioenergy, Sérgio Marques, diz que será feito um relatório não só com os locais de maior potencial, mas também apontando aqueles com menores restrições ambientais. Que não estejam em região de mata atlântica, por exemplo. "Para a Bioenergy, poder fazer esse estudo, nos deixa na frente para elaborar projetos eólicos a serem vendidos", diz Marques. A empresa foi uma das poucas que chegou a prestar garantias para participar do leilão de energia nova de setembro, mas não deu lances por causa do preço.
Urânio contamina água de cidade, denuncia ONG
Bettina Barros, de São Paulo
17/10/2008
Fonte: Valoronline
Uma investigação realizada pelo Greenpeace Brasil detectou níveis elevados de urânio na água utilizada para consumo humano no município de Caetité, no sertão da Bahia, que podem estar associados a supostos casos de câncer na região. A 40 quilômetros dali opera a única mina de urânio em operação no país, responsável pelo abastecimento das usinas de Angra 1 e 2. A mineração é administrada pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB), estatal controlada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia.
A coleta foi realizada pelo grupo ambientalista em abril deste ano, no raio de 20 quilômetros ao redor da mina, na sua área de influência direta. A análise de sete amostras, realizada por um laboratório britânico, apontou concentração de urânio significativamente alta em dois casos, ultrapassando com folga limites estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de 0,015 miligrama por litro.
Na vila de Juazeiro, a oito quilômetros da mina, a água coletada de um poço artesiano apresentou concentração de urânio de 0,110 mg/l, sete vez mais que o teto da OMS e cinco vezes mais que o do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). A segunda, coletada de torneira, mostrou concentração de 0,027 mg/l, quase o dobro do que determina a OMS. As quatro amostras restantes apresentaram concentração inferior.
Dois pontos importantes, porém, não são respondidos. O primeiro é a concentração de urânio antes da chegada da INB à região, em 2000, que serviria de base de comparação para saber se o minério já contaminava a água e em que proporção. "Não encontramos nenhum documento que nos desse informação", diz Rebeca Lerer, coordenadora da campanha da Energia Nuclear do Greenpeace. O outro é a origem da contaminação. "A investigação é limitada", admite ela. "A contaminação pode ser decorrente da presença natural de urânio no solo ou da mineração."
Por esse motivo, o Greenpeace encaminhou o estudo ao Ministério Público Federal da Bahia pedindo investigação independente sobre a fonte e a extensão da contaminação. A ONG afirmou ter pedido ao Instituto de Gestão de Águas, do governo da Bahia, que suspenda outorgas de água à INB até que a contaminação seja esclarecida.
Procurada, a INB informou que colhe regularmente amostras para análises e que todos os monitoramentos de impacto ambiental estão dentro do previsto. "Não vou entrar no mérito das análises do Greenpeace porque não o conheço. Posso falar do que fazemos, e está tudo sob controle", disse Luiz Felipe da Silva, assessor da presidência da INB. Ele discordou das afirmações sobre supostos casos de câncer em Caetité. "A empresa opera com dose inferiores aos níveis admissíveis", disse Silva.
Embora não existam estatísticas oficiais sobre saúde, representantes da comunidade de Caetité afirmam que o número de casos da doença cresceu nos últimos anos. "Não há uma família que não tenha ou conheça um doente", diz Osvaldino Alves Barbosa, padre da catedral de Caetité. Ele veio a São Paulo para relatar a situação no município. "As explosões com dinamite jogam pó sobre várias casas. A realidade é preocupante."
Uma vez liberado, o urânio entra na cadeia alimentar humana pelo consumo de água ou alimentos. "Segundo a bibliografia médica, a ingestão contínua de urânio, ainda que em pequenas doses, pode causar câncer e problemas nos rins", diz a ONG. "A investigação demonstra que a energia nuclear é perigosa desde a sua origem."
O setor nuclear deverá duplicar a capacidade produtiva da INB de 400 para 800 toneladas/ano de concentrado de urânio para atender a demanda de Angra 3.
17/10/2008
Fonte: Valoronline
Uma investigação realizada pelo Greenpeace Brasil detectou níveis elevados de urânio na água utilizada para consumo humano no município de Caetité, no sertão da Bahia, que podem estar associados a supostos casos de câncer na região. A 40 quilômetros dali opera a única mina de urânio em operação no país, responsável pelo abastecimento das usinas de Angra 1 e 2. A mineração é administrada pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB), estatal controlada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia.
A coleta foi realizada pelo grupo ambientalista em abril deste ano, no raio de 20 quilômetros ao redor da mina, na sua área de influência direta. A análise de sete amostras, realizada por um laboratório britânico, apontou concentração de urânio significativamente alta em dois casos, ultrapassando com folga limites estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de 0,015 miligrama por litro.
Na vila de Juazeiro, a oito quilômetros da mina, a água coletada de um poço artesiano apresentou concentração de urânio de 0,110 mg/l, sete vez mais que o teto da OMS e cinco vezes mais que o do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). A segunda, coletada de torneira, mostrou concentração de 0,027 mg/l, quase o dobro do que determina a OMS. As quatro amostras restantes apresentaram concentração inferior.
Dois pontos importantes, porém, não são respondidos. O primeiro é a concentração de urânio antes da chegada da INB à região, em 2000, que serviria de base de comparação para saber se o minério já contaminava a água e em que proporção. "Não encontramos nenhum documento que nos desse informação", diz Rebeca Lerer, coordenadora da campanha da Energia Nuclear do Greenpeace. O outro é a origem da contaminação. "A investigação é limitada", admite ela. "A contaminação pode ser decorrente da presença natural de urânio no solo ou da mineração."
Por esse motivo, o Greenpeace encaminhou o estudo ao Ministério Público Federal da Bahia pedindo investigação independente sobre a fonte e a extensão da contaminação. A ONG afirmou ter pedido ao Instituto de Gestão de Águas, do governo da Bahia, que suspenda outorgas de água à INB até que a contaminação seja esclarecida.
Procurada, a INB informou que colhe regularmente amostras para análises e que todos os monitoramentos de impacto ambiental estão dentro do previsto. "Não vou entrar no mérito das análises do Greenpeace porque não o conheço. Posso falar do que fazemos, e está tudo sob controle", disse Luiz Felipe da Silva, assessor da presidência da INB. Ele discordou das afirmações sobre supostos casos de câncer em Caetité. "A empresa opera com dose inferiores aos níveis admissíveis", disse Silva.
Embora não existam estatísticas oficiais sobre saúde, representantes da comunidade de Caetité afirmam que o número de casos da doença cresceu nos últimos anos. "Não há uma família que não tenha ou conheça um doente", diz Osvaldino Alves Barbosa, padre da catedral de Caetité. Ele veio a São Paulo para relatar a situação no município. "As explosões com dinamite jogam pó sobre várias casas. A realidade é preocupante."
Uma vez liberado, o urânio entra na cadeia alimentar humana pelo consumo de água ou alimentos. "Segundo a bibliografia médica, a ingestão contínua de urânio, ainda que em pequenas doses, pode causar câncer e problemas nos rins", diz a ONG. "A investigação demonstra que a energia nuclear é perigosa desde a sua origem."
O setor nuclear deverá duplicar a capacidade produtiva da INB de 400 para 800 toneladas/ano de concentrado de urânio para atender a demanda de Angra 3.
Eucaliptos ganham espaço entre as montanhas
De Poços de Caldas (MG), Botelhos (MG), São Sebastião da Grama (SP) e Espírito Santo do Pinhal (SP)
17/10/2008
Fonte: Valoronline
O sul de Minas Gerais, tradicional reduto de café do Brasil, está ganhando nova paisagem, ziguezagueada por eucaliptos, que aos poucos começam a "roubar" espaço dos cafezais. Essas árvores, muito altas e magras, matéria-prima para celulose, não chegam a ser uma ameaça ao plantio de café na região, mas se tornaram uma alternativa econômica importante, sobretudo por conta do período de baixa dos preços internacionais da commodity.
Gabriel de Carvalho Dias, de tradicional família de cafeicultores, fatiou parte da fazenda Cachoeira para investir em eucaliptos. E ele não é o único. A propriedade, com 417 hectares, está com quase 30% ocupada por eucaliptos. A tendência é que essas árvores avancem mais o território da família Carvalho Dias: eucaliptos altos e magros dividirão cada vez mais área com os pés de cafés, mais baixinhos e bojudos.
"A rentabilidade do café convencional está baixa. Neste momento, investir em eucaliptos é um bom negócio", diz Dias. Segundo ele, os cafezais hoje estão em uma área de 140 hectares na fazenda. Há dois anos, ocupavam 170 hectares. Carvalho Dias diz que não reduz a área dos cafés especiais, só abre mão dos pés de cafés velhos e com maus tratos culturais.
Os eucaliptos também estão presentes nas regiões produtoras de café da Alta Mogiana paulista. Com um ciclo longo, de sete anos, como o da cana-de-açúcar (de seis anos), não precisa estar em uma área necessariamente muito plana. Esse detalhe, inclusive, explica em boa parte o fato da cana não ter invadido o sul de Minas. Os canaviais chegam aos poucos à região, mas só não avançaram mais porque os cafezais estão em uma área de maior declividade, o que não facilita a mecanização da cultura. Empresas, como a International Paper, estão próximas a essas áreas, o que também facilita a comercialização da madeira.
A família Carvalho Dias só não conseguiu resistir à cana na região de Goiás, onde também possui fazendas produtoras de soja e milho. Lá, no sudoeste goiano, arrendaram áreas para o grupo Cosan, que está erguendo três usinas nos arredores de Jataí. "Apesar de quase toda a minha família ser de cafeicultores, fiquei em Goiás até 1994, dedicado à soja. Cheguei em Minas para ajudar um tio e não saí mais."
Além do eucalipto, a noz macadâmia também tomou um pequeno naco dos cafezais da região sul do Estado, o maior produtor de café do país. A área com café no Brasil ocupa cerca de 2,4 milhões de hectares.
As fazendas da Astro Café, uma das melhores torrefadoras do país, também não são 100% cultivadas com café. A de Irarema, na região de Poços de Caldas, produz 100% de café tipo bourbon e em outra fazenda, a Rancho Grande, em Espírito do Santo do Pinhal, onde fica a torrefadora do grupo, os cafezais dividem espaço com pomares de laranja. "Na fazenda paulista, o clima favorece o plantio de laranja também. Mas os cafés especiais são nossa menina dos olhos", afirma Raymond Rebetez, diretor-executivo do grupo. O grupo colhe nessa fazenda 200 mil caixas de laranja, que são vendidas para Louis Dreyfus Commodities.
O grupo controla quatro fazendas, com uma produção de cerca de 25 mil sacas de café de 60 quilos. Em uma de suas fazendas do grupo, a Irarema, em São Sebastião da Grama, a Astro tem como sócio o grupo norueguês Friele, outro acionista da Ipanema Coffees, empresa na qual a Astro também tem participação.
A tendência é que a cultura do café fica cada vez mais concentrada em suas tradicionais áreas, dividindo espaço com outras culturas mais rentáveis. (MS)
17/10/2008
Fonte: Valoronline
O sul de Minas Gerais, tradicional reduto de café do Brasil, está ganhando nova paisagem, ziguezagueada por eucaliptos, que aos poucos começam a "roubar" espaço dos cafezais. Essas árvores, muito altas e magras, matéria-prima para celulose, não chegam a ser uma ameaça ao plantio de café na região, mas se tornaram uma alternativa econômica importante, sobretudo por conta do período de baixa dos preços internacionais da commodity.
Gabriel de Carvalho Dias, de tradicional família de cafeicultores, fatiou parte da fazenda Cachoeira para investir em eucaliptos. E ele não é o único. A propriedade, com 417 hectares, está com quase 30% ocupada por eucaliptos. A tendência é que essas árvores avancem mais o território da família Carvalho Dias: eucaliptos altos e magros dividirão cada vez mais área com os pés de cafés, mais baixinhos e bojudos.
"A rentabilidade do café convencional está baixa. Neste momento, investir em eucaliptos é um bom negócio", diz Dias. Segundo ele, os cafezais hoje estão em uma área de 140 hectares na fazenda. Há dois anos, ocupavam 170 hectares. Carvalho Dias diz que não reduz a área dos cafés especiais, só abre mão dos pés de cafés velhos e com maus tratos culturais.
Os eucaliptos também estão presentes nas regiões produtoras de café da Alta Mogiana paulista. Com um ciclo longo, de sete anos, como o da cana-de-açúcar (de seis anos), não precisa estar em uma área necessariamente muito plana. Esse detalhe, inclusive, explica em boa parte o fato da cana não ter invadido o sul de Minas. Os canaviais chegam aos poucos à região, mas só não avançaram mais porque os cafezais estão em uma área de maior declividade, o que não facilita a mecanização da cultura. Empresas, como a International Paper, estão próximas a essas áreas, o que também facilita a comercialização da madeira.
A família Carvalho Dias só não conseguiu resistir à cana na região de Goiás, onde também possui fazendas produtoras de soja e milho. Lá, no sudoeste goiano, arrendaram áreas para o grupo Cosan, que está erguendo três usinas nos arredores de Jataí. "Apesar de quase toda a minha família ser de cafeicultores, fiquei em Goiás até 1994, dedicado à soja. Cheguei em Minas para ajudar um tio e não saí mais."
Além do eucalipto, a noz macadâmia também tomou um pequeno naco dos cafezais da região sul do Estado, o maior produtor de café do país. A área com café no Brasil ocupa cerca de 2,4 milhões de hectares.
As fazendas da Astro Café, uma das melhores torrefadoras do país, também não são 100% cultivadas com café. A de Irarema, na região de Poços de Caldas, produz 100% de café tipo bourbon e em outra fazenda, a Rancho Grande, em Espírito do Santo do Pinhal, onde fica a torrefadora do grupo, os cafezais dividem espaço com pomares de laranja. "Na fazenda paulista, o clima favorece o plantio de laranja também. Mas os cafés especiais são nossa menina dos olhos", afirma Raymond Rebetez, diretor-executivo do grupo. O grupo colhe nessa fazenda 200 mil caixas de laranja, que são vendidas para Louis Dreyfus Commodities.
O grupo controla quatro fazendas, com uma produção de cerca de 25 mil sacas de café de 60 quilos. Em uma de suas fazendas do grupo, a Irarema, em São Sebastião da Grama, a Astro tem como sócio o grupo norueguês Friele, outro acionista da Ipanema Coffees, empresa na qual a Astro também tem participação.
A tendência é que a cultura do café fica cada vez mais concentrada em suas tradicionais áreas, dividindo espaço com outras culturas mais rentáveis. (MS)
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Uso irresponsável de sacolas plásticas é atacado em variadas frentes
Mônica Pinto / AmbienteBrasil
16/10/2008
Fonte: Ambiente Brasil
Está hoje em curso no país um movimento salutar, emblemático de avanço na consciência ambiental da população – e da Indústria -, que busca abolir dos lixões, rios e mares um extraordinário despejo de sacolas plásticas. Como se sabe, esse tipo de resíduo, além de usualmente ter uma degradação extremamente lenta – chega-se a falar em 200 anos para sua total decomposição -, muitas vezes é ingerido por animais de várias espécies, impingindo-lhes uma morte lenta e sofrida.
Num dos investimentos para retirar das sacolinhas o rótulo de vilãs ambientais, muitas empresas brasileiras passaram a oferecer aos clientes produtos oxi-biodegradáveis. Eles recebem um aditivo químico chamado d2w, que tem a função de acelerar a degradação do plástico – divulga-se que sem causar qualquer impacto nos ecossistemas.
O plástico d2w biodegradável leva, em condições normais, até 18 meses para se degradar – um alívio diante do período centenário atribuído ao plástico convencional. O d2w é um conjunto de elementos químicos, abundantes no meio ambiente, que fragilizam as moléculas do plástico. Ele representa apenas 1% do total de materiais utilizados na produção. No Brasil, a única empresa a importar e comercializar o d2w é a Res Brasil, de Valinhos (SP).
O aditivo mantém as mesmas características das sacolas convencionais, como brilho, resistência e leveza. "A grande diferença é a drástica redução do tempo de permanência do plástico no ecossistema. Outro ponto fundamental é que os plásticos d2w biodegradáveis não causam qualquer impacto na natureza", garante o presidente da Res Brasil, Eduardo Van Roost.
Para comprovar a eficácia dessa tecnologia, a Res Brasil encomendou uma série de estudos e testes, que foram realizados por instituições ambientais, universidades e organizações nacionais e internacionais, entre elas a Ecosigma e a UNESP (Universidade do Estado de São Paulo). Entre os estudos estão o de compostabilidade (se os compostos são degradados naturalmente por microorganismos) e ecotoxidade (teste feito com plantas, microorganismos e minhocas).
Em todos os testes, o d2w foi aprovado. O Brasil está entre os 60 países que usam essa tecnologia. Só a representante nacional já conta com mais de 160 fabricantes licenciados do setor plástico que adotam o produto em suas embalagens. O principal setor a utilizar o "plástico amigo" é o do varejo, que corresponde a 90% das vendas. Entre algumas empresas que adotaram a proposta, estão as redes de lojas Renner, C&A e Zara. A seguradora de veículos do Banco do Brasil também aderiu, recentemente, passando a exigir o aditivo em suas carteiras para guarda de documentação.
Saiba mais acesse http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=41320
16/10/2008
Fonte: Ambiente Brasil
Está hoje em curso no país um movimento salutar, emblemático de avanço na consciência ambiental da população – e da Indústria -, que busca abolir dos lixões, rios e mares um extraordinário despejo de sacolas plásticas. Como se sabe, esse tipo de resíduo, além de usualmente ter uma degradação extremamente lenta – chega-se a falar em 200 anos para sua total decomposição -, muitas vezes é ingerido por animais de várias espécies, impingindo-lhes uma morte lenta e sofrida.
Num dos investimentos para retirar das sacolinhas o rótulo de vilãs ambientais, muitas empresas brasileiras passaram a oferecer aos clientes produtos oxi-biodegradáveis. Eles recebem um aditivo químico chamado d2w, que tem a função de acelerar a degradação do plástico – divulga-se que sem causar qualquer impacto nos ecossistemas.
O plástico d2w biodegradável leva, em condições normais, até 18 meses para se degradar – um alívio diante do período centenário atribuído ao plástico convencional. O d2w é um conjunto de elementos químicos, abundantes no meio ambiente, que fragilizam as moléculas do plástico. Ele representa apenas 1% do total de materiais utilizados na produção. No Brasil, a única empresa a importar e comercializar o d2w é a Res Brasil, de Valinhos (SP).
O aditivo mantém as mesmas características das sacolas convencionais, como brilho, resistência e leveza. "A grande diferença é a drástica redução do tempo de permanência do plástico no ecossistema. Outro ponto fundamental é que os plásticos d2w biodegradáveis não causam qualquer impacto na natureza", garante o presidente da Res Brasil, Eduardo Van Roost.
Para comprovar a eficácia dessa tecnologia, a Res Brasil encomendou uma série de estudos e testes, que foram realizados por instituições ambientais, universidades e organizações nacionais e internacionais, entre elas a Ecosigma e a UNESP (Universidade do Estado de São Paulo). Entre os estudos estão o de compostabilidade (se os compostos são degradados naturalmente por microorganismos) e ecotoxidade (teste feito com plantas, microorganismos e minhocas).
Em todos os testes, o d2w foi aprovado. O Brasil está entre os 60 países que usam essa tecnologia. Só a representante nacional já conta com mais de 160 fabricantes licenciados do setor plástico que adotam o produto em suas embalagens. O principal setor a utilizar o "plástico amigo" é o do varejo, que corresponde a 90% das vendas. Entre algumas empresas que adotaram a proposta, estão as redes de lojas Renner, C&A e Zara. A seguradora de veículos do Banco do Brasil também aderiu, recentemente, passando a exigir o aditivo em suas carteiras para guarda de documentação.
Saiba mais acesse http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=41320
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Noble fará terminal para etanol no porto de Itaqui
De São Paulo
10/10/2008
Fonte: Valoronline
O Noble Group, com sede em Hong Kong, anunciou na quinta-feira que vai construir um terminal para combustíveis no porto de Itaqui, no Maranhão. O novo terminal será construído em três fases e deverá entrar em operação a partir de novembro de 2009. O valor dos investimentos não foi divulgado.
Segundo a empresa, a capacidade estática para estocagem desse terminal é de 132,990 milhões de litro de combustíveis, específico para etanol, biodiesel e diesel. Os aportes nesse terminal serão feitos por meio da subsidiária do grupo, a Temmar (Terminal Marítimo do Maranhão).
No mês passado, a multinacional asiática anunciou investimentos para a construção de seu primeiro terminal graneleiro e de açúcar no porto de Santos (SP), o maior da América Latina. O grupo, que possui uma usina de açúcar e álcool em operação no Estado de São Paulo e outro projeto sucroalcooleiro em construção no mesmo Estado, quer reforçar sua posição no agronegócio brasileiro.
No país, a companhia já possui seis armazéns para grãos no Mato Grosso e no Paraná, uma unidade de processamento e de estocagem de café e empreendimento na área de fertilizantes. No Nordeste, o grupo ainda detém uma participação minoritária na mineradora Mhag.
O Noble Group também está reforçando sua posição na América do Sul. No Uruguai e Argentina, a empresa possui armazéns para grãos, além de terminais portuários nesses dois países e também no Paraguai.
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- Moagem de cana cresce 8,3% no Centro-Sul até fim de setembro
10/10/2008
Fonte: Valoronline
O Noble Group, com sede em Hong Kong, anunciou na quinta-feira que vai construir um terminal para combustíveis no porto de Itaqui, no Maranhão. O novo terminal será construído em três fases e deverá entrar em operação a partir de novembro de 2009. O valor dos investimentos não foi divulgado.
Segundo a empresa, a capacidade estática para estocagem desse terminal é de 132,990 milhões de litro de combustíveis, específico para etanol, biodiesel e diesel. Os aportes nesse terminal serão feitos por meio da subsidiária do grupo, a Temmar (Terminal Marítimo do Maranhão).
No mês passado, a multinacional asiática anunciou investimentos para a construção de seu primeiro terminal graneleiro e de açúcar no porto de Santos (SP), o maior da América Latina. O grupo, que possui uma usina de açúcar e álcool em operação no Estado de São Paulo e outro projeto sucroalcooleiro em construção no mesmo Estado, quer reforçar sua posição no agronegócio brasileiro.
No país, a companhia já possui seis armazéns para grãos no Mato Grosso e no Paraná, uma unidade de processamento e de estocagem de café e empreendimento na área de fertilizantes. No Nordeste, o grupo ainda detém uma participação minoritária na mineradora Mhag.
O Noble Group também está reforçando sua posição na América do Sul. No Uruguai e Argentina, a empresa possui armazéns para grãos, além de terminais portuários nesses dois países e também no Paraguai.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Zoneamento detecta 37 milhões de hectares para plantio de cana
Mauro Zanatta, de Brasília
09/10/2008
Fonte: Valoronline
Ainda à espera de uma arbitragem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o estudo de zoneamento do plantio de cana-de-açúcar no país detectou a existência de 37 milhões de hectares de pastagens degradadas com aptidão total para o cultivo da gramínea, sobretudo nos Estados de Mato Grosso, Minas Gerais, Maranhão, Paraná e Rio Grande do Sul.
O governo não permitirá o plantio da cana no bioma amazônico nem no Pantanal, à exceção de áreas onde já existem usinas implantadas, mas decidiu dar prioridade e incentivos ao cultivo da gramínea em uma área de 5 milhões de hectares na próxima década.
Como compensação pela proibição do cultivo da cana, o governo incentivará, com política de crédito e isenções fiscais, a produção de óleo de dendê em até 2 milhões de hectares no Pará, Amazonas e Roraima. "Somos francamente favoráveis, por razões ambientais, à expansão do etanol e do biodiesel", afirmou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em audiência pública no Senado. "Temos sete milhões de hectares hoje e vamos expandir para mais cinco milhões. E não vamos admitir que barreiras comerciais contra nosso etanol sejam usadas como argumentos ambientais".
O levantamento das áreas de exclusão e de aptidão plena identificou a existência de 65 milhões de hectares de terras, hoje ocupadas por pastagens, como disponíveis e recomendadas para o cultivo da gramínea no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. O estudo do consórcio de cinco órgãos de pesquisa estatais sugere, segundo apurou o Valor, restringir áreas com temperatura média anual abaixo de 19ºC e risco de geadas acima de 15%, além de excluir regiões com baixa deficiência hídrica, superior a 120 dias entre setembro e março.
"As restrições no mercado externo são muito fortes. Então, não plantar no bioma amazônico é uma questão emblemática, não uma questão técnica. É uma decisão política para não sofrer restrições lá fora", admitiu o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, na audiência do Senado. "Se plantarmos nas áreas indicadas, não estaríamos competindo com a produção de alimentos. Não se pode proibir o plantio, mas podemos direcionar", disse o ministro.
O estudo sugere um máximo de quebra de safra de 20% para variedades de cana com até cinco cortes. Os cientistas aconselham o governo a limitar o déficit hídrico a 200 ou 300 milímetros. O trabalho sugere evitar recomendações em áreas com 90 dias sem excedente hídrico na época da colheita e desestimula incentivos em zonas de reservas florestais e beiras de rio.
O estudo recomenda também o uso de terras com declividade máxima de 12% para incentivar a mecanização e evitar queimadas nas futuras áreas de produção. As regiões mais favoráveis precisam ter média anual acima de 20ºC, produtividade superior a 60 toneladas por hectare, risco de geada menor que 15% e irrigação de "salvamento" (após o plantio) em áreas de Cerrado. Essas áreas de exclusão devem sofrer limitações de financiamento do BNDES à construção ou ampliação de usinas de etanol, restrições na concessão de crédito rural ao plantio de cana e redução na cobertura de seguro oficial.
A adoção de eventuais medidas dependem ainda de uma negociação política com o Congresso Nacional. O único ponto de desacordo entre os Ministérios da Agricultura e o do Meio Ambiente está na permissão ao plantio de cana-de-açúcar em algumas áreas dentro da bacia do rio Paraguai.
09/10/2008
Fonte: Valoronline
Ainda à espera de uma arbitragem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o estudo de zoneamento do plantio de cana-de-açúcar no país detectou a existência de 37 milhões de hectares de pastagens degradadas com aptidão total para o cultivo da gramínea, sobretudo nos Estados de Mato Grosso, Minas Gerais, Maranhão, Paraná e Rio Grande do Sul.
O governo não permitirá o plantio da cana no bioma amazônico nem no Pantanal, à exceção de áreas onde já existem usinas implantadas, mas decidiu dar prioridade e incentivos ao cultivo da gramínea em uma área de 5 milhões de hectares na próxima década.
Como compensação pela proibição do cultivo da cana, o governo incentivará, com política de crédito e isenções fiscais, a produção de óleo de dendê em até 2 milhões de hectares no Pará, Amazonas e Roraima. "Somos francamente favoráveis, por razões ambientais, à expansão do etanol e do biodiesel", afirmou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em audiência pública no Senado. "Temos sete milhões de hectares hoje e vamos expandir para mais cinco milhões. E não vamos admitir que barreiras comerciais contra nosso etanol sejam usadas como argumentos ambientais".
O levantamento das áreas de exclusão e de aptidão plena identificou a existência de 65 milhões de hectares de terras, hoje ocupadas por pastagens, como disponíveis e recomendadas para o cultivo da gramínea no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. O estudo do consórcio de cinco órgãos de pesquisa estatais sugere, segundo apurou o Valor, restringir áreas com temperatura média anual abaixo de 19ºC e risco de geadas acima de 15%, além de excluir regiões com baixa deficiência hídrica, superior a 120 dias entre setembro e março.
"As restrições no mercado externo são muito fortes. Então, não plantar no bioma amazônico é uma questão emblemática, não uma questão técnica. É uma decisão política para não sofrer restrições lá fora", admitiu o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, na audiência do Senado. "Se plantarmos nas áreas indicadas, não estaríamos competindo com a produção de alimentos. Não se pode proibir o plantio, mas podemos direcionar", disse o ministro.
O estudo sugere um máximo de quebra de safra de 20% para variedades de cana com até cinco cortes. Os cientistas aconselham o governo a limitar o déficit hídrico a 200 ou 300 milímetros. O trabalho sugere evitar recomendações em áreas com 90 dias sem excedente hídrico na época da colheita e desestimula incentivos em zonas de reservas florestais e beiras de rio.
O estudo recomenda também o uso de terras com declividade máxima de 12% para incentivar a mecanização e evitar queimadas nas futuras áreas de produção. As regiões mais favoráveis precisam ter média anual acima de 20ºC, produtividade superior a 60 toneladas por hectare, risco de geada menor que 15% e irrigação de "salvamento" (após o plantio) em áreas de Cerrado. Essas áreas de exclusão devem sofrer limitações de financiamento do BNDES à construção ou ampliação de usinas de etanol, restrições na concessão de crédito rural ao plantio de cana e redução na cobertura de seguro oficial.
A adoção de eventuais medidas dependem ainda de uma negociação política com o Congresso Nacional. O único ponto de desacordo entre os Ministérios da Agricultura e o do Meio Ambiente está na permissão ao plantio de cana-de-açúcar em algumas áreas dentro da bacia do rio Paraguai.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Núcleo de Educação Ambiental se prepara para Conferência Infanto-Juvenil de Meio Ambiente no MA
07/10/2008
Fonte: Ambiente Brasil
O Núcleo de Educação Ambiental da Superintendência do Ibama no Maranhão está participando ativamente da preparação da III Conferência Estadual Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente que tem como objetivo envolver alunos de quinta a oitava séries de duas mil escolas do estado para discutir a temática Mudanças Ambientais Globais.
Desde a constituição da Comissão Organizadora Estadual com a presença de 16 entidades em agosto até agora foram realizadas três oficinas com participação do NEA/MA para capacitar os multiplicadores das Regionais que vão trabalhar diretamente com os professores a forma de realização das conferências locais nas escolas, que devem acontecer ao longo deste mês até o dia 30 de outubro.
Os kits com o material produzido pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) a ser utilizado nas conferências escolares ainda não chegaram a todos os municípios, e hoje a Comissão Organizadora solicitou o apoio da Agência Central dos Correios e das Secretarias Municipais de Educação no sentido de que repassem imediatamente às escolas públicas de suas respectivas localidades a cartilha passo-a-passo de como os professores devem realizar o evento com os estudantes, da faixa etária entre 11 e 14 anos.
Depois de realizada a etapa da conferência dentro de cada escola, os envelopes com os trabalhos dos alunos (cartazes e textos) devem ser encaminhados à Secretaria Estadual de Educação até o dia 4 de novembro, e até o dia 15/11 os mesmos têm que ser cadastrados na internet para oficializar o envolvimento da respectiva unidade de ensino no processo.
A Comissão Organizadora da Conferência vai selecionar os melhores trabalhos e no período entre 9 e 11 de dezembro realizará na capital São Luís (MA) a Conferência Estadual Infanto-Juvenil com a participação de 100 alunos e 100 professores eleitos de diversos municípios do Maranhão. No dia 15 de dezembro termina a seleção dos cartazes e será enviada a lista com os nomes dos 27 delegados mirins escolhidos para representar o estado na III Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, marcada para 3 a 8 de abril de 2009 em Brasília. Antes disso a delegação maranhense deve se reunir nos dias 1º e 2 para se preparar para a plenária que reunirá meninos e meninas de todo o Brasil. (Fonte: Paulo Roberto/ Ibama)
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Fonte: Ambiente Brasil
O Núcleo de Educação Ambiental da Superintendência do Ibama no Maranhão está participando ativamente da preparação da III Conferência Estadual Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente que tem como objetivo envolver alunos de quinta a oitava séries de duas mil escolas do estado para discutir a temática Mudanças Ambientais Globais.
Desde a constituição da Comissão Organizadora Estadual com a presença de 16 entidades em agosto até agora foram realizadas três oficinas com participação do NEA/MA para capacitar os multiplicadores das Regionais que vão trabalhar diretamente com os professores a forma de realização das conferências locais nas escolas, que devem acontecer ao longo deste mês até o dia 30 de outubro.
Os kits com o material produzido pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) a ser utilizado nas conferências escolares ainda não chegaram a todos os municípios, e hoje a Comissão Organizadora solicitou o apoio da Agência Central dos Correios e das Secretarias Municipais de Educação no sentido de que repassem imediatamente às escolas públicas de suas respectivas localidades a cartilha passo-a-passo de como os professores devem realizar o evento com os estudantes, da faixa etária entre 11 e 14 anos.
Depois de realizada a etapa da conferência dentro de cada escola, os envelopes com os trabalhos dos alunos (cartazes e textos) devem ser encaminhados à Secretaria Estadual de Educação até o dia 4 de novembro, e até o dia 15/11 os mesmos têm que ser cadastrados na internet para oficializar o envolvimento da respectiva unidade de ensino no processo.
A Comissão Organizadora da Conferência vai selecionar os melhores trabalhos e no período entre 9 e 11 de dezembro realizará na capital São Luís (MA) a Conferência Estadual Infanto-Juvenil com a participação de 100 alunos e 100 professores eleitos de diversos municípios do Maranhão. No dia 15 de dezembro termina a seleção dos cartazes e será enviada a lista com os nomes dos 27 delegados mirins escolhidos para representar o estado na III Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, marcada para 3 a 8 de abril de 2009 em Brasília. Antes disso a delegação maranhense deve se reunir nos dias 1º e 2 para se preparar para a plenária que reunirá meninos e meninas de todo o Brasil. (Fonte: Paulo Roberto/ Ibama)
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Crise financeira ameaça luta contra aquecimento, diz ONU
07/10/2008
Fonte: Ambiente Brasil
O combate às mudanças climáticas pode ingressar em um limbo semelhante ao das negociações sobre o comércio mundial neste momento em que aumentam os riscos de a crise financeira jogar por terra os compromissos a respeito da luta contra a emissão de gases do efeito estufa, afirmou na segunda-feira (6) o chefe da área na Organização das Nações Unidas (ONU).
Yvo de Boer afirmou estar preocupado com o impacto da crise de crédito sobre a luta contra as mudanças climáticas, já que os governos norte-americanos e europeus estão gastando montanhas de dinheiro para salvar da bancarrota várias de suas instituições financeiras.
"Só se pode gastar 1 dólar ou 1 euro uma vez", afirmou."
Eu acho, com certeza, que esse é um acontecimento preocupante. Essa é uma questão surgida nos últimos dias e não nas últimas semanas", afirmou de Boer à Reuters, referindo-se a um apelo feito por montadoras de automóveis da Europa para receberem mais dinheiro a fim de enfrentarem as limitações na emissão de gases do efeito estufa.
"Há uma pressão crescente do ponto de vista da competitividade", afirmou.
O chefe da área climática da ONU disse que as negociações continuavam caminhando, mas que, no pior cenário, há riscos de os países não cumprirem o prazo acertado para assinarem um novo pacto de combate ao aquecimento (final de 2009).
"Para mim, não há nenhum plano B", disse. "Eu tenho a impressão de que esse é um desafio e tanto, mas continuamos nos trilhos, ainda vale o compromisso de atingir o acordo de Copenhague (de 2009)."
"Uma possibilidade é a de que não consigamos cumprir o prazo de Copenhague e que caiamos em um processo como o da OMC (Organização Mundial do Comércio), que continua a avançar sem um prazo claro, ou talvez, o que seria ainda pior, adotaríamos uma postura altamente fragmentada a respeito das mudanças climáticas", afirmou.
Até agora, no processo, os países ricos não conseguiram detalhar sua promessa de fornecer tecnologia e financiamento a fim de ajudar os países mais pobres, afirmou na segunda-feira, em entrevista à Reuters, o embaixador da China para as questões climáticas, Yu Qingtai.
Yu mostrou-se pessimista a respeito do acordo sobre a assinatura de um novo pacto de combate às mudanças climáticas, que poderiam se traduzir em um recrudescimento de problemas como a seca, as enchentes, a elevação do nível dos oceanos e a extinção de plantas e animais.
Essa divergência entre os países mais ricos e os mais pobres assemelha-se àquela responsável por provocar, em julho, o fracasso da Rodada de Doha da OMC sobre a liberalização do comércio mundial -- fracasso esse resultante em parte das desavenças entre os EUA e as economias emergentes.
Combate às mudanças climáticas - A China deseja que as potências ocidentais empenhem-se mais no financiamento da luta contra as mudanças climáticas, mas o eventual aporte financeiro dos EUA e da Europa pode ser absorvido pelas atuais operações de resgate de instituições financeiras.
"Há o risco de que uma quantidade menor de dinheiro público esteja disponível no bloco de países ricos para cooperar com o bloco de países em desenvolvimento a respeito da tecnologia e da mobilização de recursos", disse de Boer. "Em conjunto, há o risco de que prevaleçam as preocupações de curto prazo."
"Espero que isso não faça com que os países em desenvolvimento, os quais esperam por dinheiro para se adaptarem (às mudanças climáticas), tenham de aguardar que as dívidas de hipotecas e cartões de crédito existentes nos países desenvolvidos sejam pagas."
Na terça-feira, importantes membros do Parlamento Europeu votarão para decidir se a União Européia (UE) deve ou não adotar unilateralmente metas ambiciosas quanto à emissão de gases do efeito estufa.
Não obstante a previsão de que acatem uma meta geral de redução das emissões, esses parlamentares encontram-se sob pressão para minorar os custos dessas medidas para o setor industrial.
A Polônia disse na segunda-feira estar reunindo com outros países-membros um bloco minoritário grande o suficiente para tirar das propostas da UE sobre o setor energético e do clima medidas que ampliem os custos da produção de energia elétrica por meio da queima de carvão - um dos sinais de que um acordo final pode ser adiado.
"Eu espero, certamente, que a UE consiga finalizar seu pacote climático e de energia até o final deste ano", disse de Boer. (Fonte: Estadão Online)
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Fonte: Ambiente Brasil
O combate às mudanças climáticas pode ingressar em um limbo semelhante ao das negociações sobre o comércio mundial neste momento em que aumentam os riscos de a crise financeira jogar por terra os compromissos a respeito da luta contra a emissão de gases do efeito estufa, afirmou na segunda-feira (6) o chefe da área na Organização das Nações Unidas (ONU).
Yvo de Boer afirmou estar preocupado com o impacto da crise de crédito sobre a luta contra as mudanças climáticas, já que os governos norte-americanos e europeus estão gastando montanhas de dinheiro para salvar da bancarrota várias de suas instituições financeiras.
"Só se pode gastar 1 dólar ou 1 euro uma vez", afirmou."
Eu acho, com certeza, que esse é um acontecimento preocupante. Essa é uma questão surgida nos últimos dias e não nas últimas semanas", afirmou de Boer à Reuters, referindo-se a um apelo feito por montadoras de automóveis da Europa para receberem mais dinheiro a fim de enfrentarem as limitações na emissão de gases do efeito estufa.
"Há uma pressão crescente do ponto de vista da competitividade", afirmou.
O chefe da área climática da ONU disse que as negociações continuavam caminhando, mas que, no pior cenário, há riscos de os países não cumprirem o prazo acertado para assinarem um novo pacto de combate ao aquecimento (final de 2009).
"Para mim, não há nenhum plano B", disse. "Eu tenho a impressão de que esse é um desafio e tanto, mas continuamos nos trilhos, ainda vale o compromisso de atingir o acordo de Copenhague (de 2009)."
"Uma possibilidade é a de que não consigamos cumprir o prazo de Copenhague e que caiamos em um processo como o da OMC (Organização Mundial do Comércio), que continua a avançar sem um prazo claro, ou talvez, o que seria ainda pior, adotaríamos uma postura altamente fragmentada a respeito das mudanças climáticas", afirmou.
Até agora, no processo, os países ricos não conseguiram detalhar sua promessa de fornecer tecnologia e financiamento a fim de ajudar os países mais pobres, afirmou na segunda-feira, em entrevista à Reuters, o embaixador da China para as questões climáticas, Yu Qingtai.
Yu mostrou-se pessimista a respeito do acordo sobre a assinatura de um novo pacto de combate às mudanças climáticas, que poderiam se traduzir em um recrudescimento de problemas como a seca, as enchentes, a elevação do nível dos oceanos e a extinção de plantas e animais.
Essa divergência entre os países mais ricos e os mais pobres assemelha-se àquela responsável por provocar, em julho, o fracasso da Rodada de Doha da OMC sobre a liberalização do comércio mundial -- fracasso esse resultante em parte das desavenças entre os EUA e as economias emergentes.
Combate às mudanças climáticas - A China deseja que as potências ocidentais empenhem-se mais no financiamento da luta contra as mudanças climáticas, mas o eventual aporte financeiro dos EUA e da Europa pode ser absorvido pelas atuais operações de resgate de instituições financeiras.
"Há o risco de que uma quantidade menor de dinheiro público esteja disponível no bloco de países ricos para cooperar com o bloco de países em desenvolvimento a respeito da tecnologia e da mobilização de recursos", disse de Boer. "Em conjunto, há o risco de que prevaleçam as preocupações de curto prazo."
"Espero que isso não faça com que os países em desenvolvimento, os quais esperam por dinheiro para se adaptarem (às mudanças climáticas), tenham de aguardar que as dívidas de hipotecas e cartões de crédito existentes nos países desenvolvidos sejam pagas."
Na terça-feira, importantes membros do Parlamento Europeu votarão para decidir se a União Européia (UE) deve ou não adotar unilateralmente metas ambiciosas quanto à emissão de gases do efeito estufa.
Não obstante a previsão de que acatem uma meta geral de redução das emissões, esses parlamentares encontram-se sob pressão para minorar os custos dessas medidas para o setor industrial.
A Polônia disse na segunda-feira estar reunindo com outros países-membros um bloco minoritário grande o suficiente para tirar das propostas da UE sobre o setor energético e do clima medidas que ampliem os custos da produção de energia elétrica por meio da queima de carvão - um dos sinais de que um acordo final pode ser adiado.
"Eu espero, certamente, que a UE consiga finalizar seu pacote climático e de energia até o final deste ano", disse de Boer. (Fonte: Estadão Online)
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Governo cria cotas de água para abastecer as fazendas
Tanalee Smith, Associated Press, de Sidney
07/10/2008
Fonte: Valoronline
Para o agricultor Malcolm Holm, a água agora é o mesmo que uma nova pá ou trator - ele precisa comprá-la. Nos últimos três anos, o volume de água que ele tem permissão para pegar do rio Murrumbidgee foi diminuindo até desaparecer, por conta da estiagem paralisante que há anos assola a Austrália.
Holm, portanto, passou a ter de pagar por toda a água (com exceção da chuva que ele conseguir armazenar) necessária para seus 400 hectares em Finley, no Estado da Nova Gales do Sul, onde cultiva colheitas para alimentar sua 600 vacas leiteiras. "Não é diferente de comprar uma tonelada de grãos ou uma tonelada de fertilizantes", diz Holm. "É apenas outra commodity".
No continente habitado mais seco do mundo, simplesmente não há água suficiente e as famílias, cidades, indústrias e agricultura exigem sua parcela de rios e reservatórios que estão sobrecarregados. Dessa forma, a agricultura de irrigação acaba dependendo de um sistema único de comercialização para aproveitar o máximo de cada gota.
O que começou como um comércio localizado entre Estados agora é um mercado nacional ativo, que compartilha a água ao longo de centenas de quilômetros de sistemas hidrográficos usados por milhares de fazendeiros. Com a seca, a negociação de água é cada vez maior.
"A atividade de negociação está certamente se fortalecendo em relação aos anos anteriores", diz Mark Siebentritt, gestor de operações da Waterfind, maior corretora de água do país. A água é negociada sobretudo por meio de corretores independentes que congregam vendedores e compradores e têm conhecimento da miríade de regras de um mercado bastante regulamentado.
A Waterfind calcula que mais de 106 bilhões de litros de água são negociados a cada ano ao longo da bacia dos rios Murray e Darling. A corretora entregou água no valor de US$ 893 milhões em 2006/07, 20% a mais do que no ano anterior, impulsionada pela alta dos preços e pelos detentores de cotas de água que preferiram vendê-las a usá-las.
Na Austrália, a água é gerida pelos governos estaduais por meio de cotas destinadas às áreas urbana e rural e para setores empresariais específicos. O setor agrícola fica com 60%.
Essa cota - ou licença - dá ao detentor o direito permanente a uma parte da água de um sistema hidrográfico. O volume pode flutuar a qualquer momento de acordo com o nível de água dos rios e de áreas de armazenagem.
Anos de seca, no entanto, deixaram rios e bacias de armazenagem em níveis muito baixos e com a água evaporando pelo calor. As cotas nos últimos anos vêm sendo baixas ou inexistentes - Holm e vários outros em Riverina não receberam nada neste ano, nem nos dois anteriores.
No mercado de água, os detentores de licenças as compram ou vendem para outros da mesma bacia. A maior parte da negociação é feita na Bacia Murray-Darling, que se estende por milhares de quilômetros por quatro Estados, dos alpes australianos, no leste, até seu delta arenoso, no sul.
Ao longo do caminho, vastos volumes de água - mais da metade de toda a água usada na Austrália, de acordo com a Comissão Nacional de Água, do governo - são desviados ou bombeados para os mais variados fins, desde hidroelétricas, pomares de laranja e vinhedos até algodão, trigo e ovelhas.
Outros lugares do mundo possuem mercados de negociação de água, como Chile, África do Sul e Califórnia, mas a Austrália é o maior e o que possui regulamentações mais pesadas.
A Comissão Nacional de Água informa que o comércio "permite transferir recursos escassos de água para seus usos mais produtivos" e compensa anos de concessão de cotas excessivas por autoridades estaduais que não levaram em conta o impacto sobre o fluxo dos rios.
O sistema existe há 20 anos e, no passado, a negociação ajudou os agricultores a passar por uma ou duas temporadas complicadas. No entanto, quase dez anos de seca jogaram muitos fazendeiros em um buraco financeiro, atolados em baixas colheitas e altos custos de sementes, fertilizantes e, agora, também da água.
Como em qualquer mercado, oferta e demanda conduzem o preço da água. Um 1 milhão de litros de água - suficientes para encher uma piscina olímpica - custam cerca de US$ 400. Na pior fase dos reservatórios australianos no ano passado, o preço chegou a quase US$ 960.
Holm disse que sua propriedade precisa em torno a 2 bilhões de litros por ano. No ano passado, comprou 500 milhões de litros para manter a fazenda funcionando. Quando os preços chegaram ao pico em outubro passado, ele calculou que era mais barato comprar ração do que plantá-la e vendeu parte de sua água, com lucro.
"Na essência, o que o comércio de água faz é focar os irrigadores realmente no valor econômico de sua água e faz com que a usem de forma mais eficiente", disse Holm. "Quando você não pode produzir uma boa colheita com o custo da água, é melhor vendê-la a alguém que possa. Quando os números fazem sentido, então você compra."
Holm está ansioso. O preço neste momento está muito alto para ele e o agricultor vê suas pastagens morrerem enquanto espera por uma virada no mercado ou algumas gotas de chuva.
O governo federal sustenta que o sistema Murray-Darling está em crise em função do uso excessivo. Lançou um plano abrangente de dez anos e US$ 10,5 bilhões para lidar com a falta de água urbana e rural. Gasta quase US$ 2,4 bilhões por ano para comprar cotas de água para direcioná-la novamente aos rios.
Neste mês, os governos do país e de Nova Gales do Sul compraram por US$ 19 milhões a Toorale Station, uma fazenda de algodão de 91 mil hectares, de grande consumo de água, em uma região seca no norte do Estado. Anunciaram que a tornarão um parque nacional. Com isso a cota anual de água da Toorale, em torno a 20 bilhões de litros de água, será devolvida ao rio Darling. Os críticos dizem que é apenas uma gota no oceano.
07/10/2008
Fonte: Valoronline
Para o agricultor Malcolm Holm, a água agora é o mesmo que uma nova pá ou trator - ele precisa comprá-la. Nos últimos três anos, o volume de água que ele tem permissão para pegar do rio Murrumbidgee foi diminuindo até desaparecer, por conta da estiagem paralisante que há anos assola a Austrália.
Holm, portanto, passou a ter de pagar por toda a água (com exceção da chuva que ele conseguir armazenar) necessária para seus 400 hectares em Finley, no Estado da Nova Gales do Sul, onde cultiva colheitas para alimentar sua 600 vacas leiteiras. "Não é diferente de comprar uma tonelada de grãos ou uma tonelada de fertilizantes", diz Holm. "É apenas outra commodity".
No continente habitado mais seco do mundo, simplesmente não há água suficiente e as famílias, cidades, indústrias e agricultura exigem sua parcela de rios e reservatórios que estão sobrecarregados. Dessa forma, a agricultura de irrigação acaba dependendo de um sistema único de comercialização para aproveitar o máximo de cada gota.
O que começou como um comércio localizado entre Estados agora é um mercado nacional ativo, que compartilha a água ao longo de centenas de quilômetros de sistemas hidrográficos usados por milhares de fazendeiros. Com a seca, a negociação de água é cada vez maior.
"A atividade de negociação está certamente se fortalecendo em relação aos anos anteriores", diz Mark Siebentritt, gestor de operações da Waterfind, maior corretora de água do país. A água é negociada sobretudo por meio de corretores independentes que congregam vendedores e compradores e têm conhecimento da miríade de regras de um mercado bastante regulamentado.
A Waterfind calcula que mais de 106 bilhões de litros de água são negociados a cada ano ao longo da bacia dos rios Murray e Darling. A corretora entregou água no valor de US$ 893 milhões em 2006/07, 20% a mais do que no ano anterior, impulsionada pela alta dos preços e pelos detentores de cotas de água que preferiram vendê-las a usá-las.
Na Austrália, a água é gerida pelos governos estaduais por meio de cotas destinadas às áreas urbana e rural e para setores empresariais específicos. O setor agrícola fica com 60%.
Essa cota - ou licença - dá ao detentor o direito permanente a uma parte da água de um sistema hidrográfico. O volume pode flutuar a qualquer momento de acordo com o nível de água dos rios e de áreas de armazenagem.
Anos de seca, no entanto, deixaram rios e bacias de armazenagem em níveis muito baixos e com a água evaporando pelo calor. As cotas nos últimos anos vêm sendo baixas ou inexistentes - Holm e vários outros em Riverina não receberam nada neste ano, nem nos dois anteriores.
No mercado de água, os detentores de licenças as compram ou vendem para outros da mesma bacia. A maior parte da negociação é feita na Bacia Murray-Darling, que se estende por milhares de quilômetros por quatro Estados, dos alpes australianos, no leste, até seu delta arenoso, no sul.
Ao longo do caminho, vastos volumes de água - mais da metade de toda a água usada na Austrália, de acordo com a Comissão Nacional de Água, do governo - são desviados ou bombeados para os mais variados fins, desde hidroelétricas, pomares de laranja e vinhedos até algodão, trigo e ovelhas.
Outros lugares do mundo possuem mercados de negociação de água, como Chile, África do Sul e Califórnia, mas a Austrália é o maior e o que possui regulamentações mais pesadas.
A Comissão Nacional de Água informa que o comércio "permite transferir recursos escassos de água para seus usos mais produtivos" e compensa anos de concessão de cotas excessivas por autoridades estaduais que não levaram em conta o impacto sobre o fluxo dos rios.
O sistema existe há 20 anos e, no passado, a negociação ajudou os agricultores a passar por uma ou duas temporadas complicadas. No entanto, quase dez anos de seca jogaram muitos fazendeiros em um buraco financeiro, atolados em baixas colheitas e altos custos de sementes, fertilizantes e, agora, também da água.
Como em qualquer mercado, oferta e demanda conduzem o preço da água. Um 1 milhão de litros de água - suficientes para encher uma piscina olímpica - custam cerca de US$ 400. Na pior fase dos reservatórios australianos no ano passado, o preço chegou a quase US$ 960.
Holm disse que sua propriedade precisa em torno a 2 bilhões de litros por ano. No ano passado, comprou 500 milhões de litros para manter a fazenda funcionando. Quando os preços chegaram ao pico em outubro passado, ele calculou que era mais barato comprar ração do que plantá-la e vendeu parte de sua água, com lucro.
"Na essência, o que o comércio de água faz é focar os irrigadores realmente no valor econômico de sua água e faz com que a usem de forma mais eficiente", disse Holm. "Quando você não pode produzir uma boa colheita com o custo da água, é melhor vendê-la a alguém que possa. Quando os números fazem sentido, então você compra."
Holm está ansioso. O preço neste momento está muito alto para ele e o agricultor vê suas pastagens morrerem enquanto espera por uma virada no mercado ou algumas gotas de chuva.
O governo federal sustenta que o sistema Murray-Darling está em crise em função do uso excessivo. Lançou um plano abrangente de dez anos e US$ 10,5 bilhões para lidar com a falta de água urbana e rural. Gasta quase US$ 2,4 bilhões por ano para comprar cotas de água para direcioná-la novamente aos rios.
Neste mês, os governos do país e de Nova Gales do Sul compraram por US$ 19 milhões a Toorale Station, uma fazenda de algodão de 91 mil hectares, de grande consumo de água, em uma região seca no norte do Estado. Anunciaram que a tornarão um parque nacional. Com isso a cota anual de água da Toorale, em torno a 20 bilhões de litros de água, será devolvida ao rio Darling. Os críticos dizem que é apenas uma gota no oceano.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
ECOLUNA – Eficiência energética no alvo das multinacionais
06/10/2008
Fonte: Ambiente Brasil
Pesquisa realizada pela Ecosecurities em parceria com a ClimateBiz afirma que 88% das 65 Multinacionais consultadas irão empregar medidas de neutralização das emissões de carbono através da eficiência energética.
O número corresponde a 96,7% da solução mais apontada contra 80% do uso de energias renováveis como biomassa, eólica, biogás vindo de aterros sanitários e agricultura e pequenas centrais hidrelétricas.
Apenas 4% das empresas que participaram da pesquisa "Padrões de Neutralização de Carbono 2008" (Carbon Offsetting Trends survey 2008) afirmaram que nunca iriam compensar as emissões e 60% dos entrevistados disseram que não utilizariam grandes hidrelétricas para este fim.
Além da eficiência energética, as medidas mais comuns entre aqueles que já promovem ações são campanhas de mudança de comportamento dos empregados e melhorias na logística do transporte. Apenas 8,7% efetivamente trocaram fontes fósseis por renováveis.
Fonte: Ambiente Brasil
Pesquisa realizada pela Ecosecurities em parceria com a ClimateBiz afirma que 88% das 65 Multinacionais consultadas irão empregar medidas de neutralização das emissões de carbono através da eficiência energética.
O número corresponde a 96,7% da solução mais apontada contra 80% do uso de energias renováveis como biomassa, eólica, biogás vindo de aterros sanitários e agricultura e pequenas centrais hidrelétricas.
Apenas 4% das empresas que participaram da pesquisa "Padrões de Neutralização de Carbono 2008" (Carbon Offsetting Trends survey 2008) afirmaram que nunca iriam compensar as emissões e 60% dos entrevistados disseram que não utilizariam grandes hidrelétricas para este fim.
Além da eficiência energética, as medidas mais comuns entre aqueles que já promovem ações são campanhas de mudança de comportamento dos empregados e melhorias na logística do transporte. Apenas 8,7% efetivamente trocaram fontes fósseis por renováveis.
Missão brasileira fará 'road show' em defesa do etanol
Assis Moreira, de Genebra
06/10/2008
Fonte: Valoronline
Uma missão acadêmica brasileira inicia hoje um "road show" internacional para mostrar estudos mensuráveis de que a produção de etanol não desmata a floresta amazônica, tem o melhor balanço de redução de emissões de gases de efeito estufa e sustentabilidade ambiental.
A delegação passará por Amsterdã, Bruxelas, Londres, Paris e terminará em Washington. Mais que apenas contestar as teses contra o etanol brasileiro, a delegação quer influenciar autoridades na Europa e nos Estados Unidos que decidirão exigências de sustentabilidade dos biocombustíveis que vão importar.
André Nassar, diretor-geral do Ícone, instituto de pesquisa financiado pelo agronegócio, mostrará estudo segundo o qual a mudança no uso da terra, com a produção de etanol, não desmata a Amazônia ou o cerrado.
O estudo argumenta que a expansão da cana ocorre em áreas de pastagem ou áreas de lavouras já existentes - ou seja, não há efeito direto. E que tampouco há efeito indireto: a expansão da cana-de-açúcar não foi o motivo da pecuária procurar outro lugar ou do pasto crescer mais que a área cedida para cana.
Nassar ilustra com o exemplo do Mato Grosso: entre 2002 e 2006, a cana se expandiu em 25 mil hectares, enquanto a lavoura foi reduzida em 1,6 milhão de hectares e a pecuária perdeu 1,4 milhão de hectares de pasto. Ao mesmo tempo, o rebanho cresceu 3,9 milhões de cabeças.
Em Minas Gerais, a área de cana cresceu 150 mil hectares e o pasto declinou 620 mil hectares. Mas o rebanho mineiro aumentou 1,6 milhão de cabeças. Ou seja, a perda do pasto não necessitou ser compensada com o uso de outras terras, porque a produtividade melhorou.
O professor Weber Amaral, da Universidade de São Paulo (ESALQ), apresentará indicadores de sustentabilidade ambiental do etanol. O professor Isaias Macedo, da Unicamp, mostrará números sobre o balanço de emissão de gases de efeito estufa (GEEs) para o sistema de produção de etanol a partir de cana-de-açúcar. Conclui que, de todas as formas de bioenergia, é o que tem o melhor balanço possível.
O diretor do Departamento de Energia do Itamaraty, ministro André Correa do Lago, acompanha a delegação. A Apex ajuda a organizar os debates, com o "Centro para Estudos de Políticas Européias", em Bruxelas. Entre os debatedores estarão professores das Universidades de Utrecht e Wageningen, da Holanda.
Não é só a Europa que discute os futuros critérios de sustentabilidade de biocombustível para entrar no seu mercado. O Congresso dos EUA aprovou uma decisão nesse sentido, deixando para a Agência de Proteção Ambiental elaborar as exigências.
06/10/2008
Fonte: Valoronline
Uma missão acadêmica brasileira inicia hoje um "road show" internacional para mostrar estudos mensuráveis de que a produção de etanol não desmata a floresta amazônica, tem o melhor balanço de redução de emissões de gases de efeito estufa e sustentabilidade ambiental.
A delegação passará por Amsterdã, Bruxelas, Londres, Paris e terminará em Washington. Mais que apenas contestar as teses contra o etanol brasileiro, a delegação quer influenciar autoridades na Europa e nos Estados Unidos que decidirão exigências de sustentabilidade dos biocombustíveis que vão importar.
André Nassar, diretor-geral do Ícone, instituto de pesquisa financiado pelo agronegócio, mostrará estudo segundo o qual a mudança no uso da terra, com a produção de etanol, não desmata a Amazônia ou o cerrado.
O estudo argumenta que a expansão da cana ocorre em áreas de pastagem ou áreas de lavouras já existentes - ou seja, não há efeito direto. E que tampouco há efeito indireto: a expansão da cana-de-açúcar não foi o motivo da pecuária procurar outro lugar ou do pasto crescer mais que a área cedida para cana.
Nassar ilustra com o exemplo do Mato Grosso: entre 2002 e 2006, a cana se expandiu em 25 mil hectares, enquanto a lavoura foi reduzida em 1,6 milhão de hectares e a pecuária perdeu 1,4 milhão de hectares de pasto. Ao mesmo tempo, o rebanho cresceu 3,9 milhões de cabeças.
Em Minas Gerais, a área de cana cresceu 150 mil hectares e o pasto declinou 620 mil hectares. Mas o rebanho mineiro aumentou 1,6 milhão de cabeças. Ou seja, a perda do pasto não necessitou ser compensada com o uso de outras terras, porque a produtividade melhorou.
O professor Weber Amaral, da Universidade de São Paulo (ESALQ), apresentará indicadores de sustentabilidade ambiental do etanol. O professor Isaias Macedo, da Unicamp, mostrará números sobre o balanço de emissão de gases de efeito estufa (GEEs) para o sistema de produção de etanol a partir de cana-de-açúcar. Conclui que, de todas as formas de bioenergia, é o que tem o melhor balanço possível.
O diretor do Departamento de Energia do Itamaraty, ministro André Correa do Lago, acompanha a delegação. A Apex ajuda a organizar os debates, com o "Centro para Estudos de Políticas Européias", em Bruxelas. Entre os debatedores estarão professores das Universidades de Utrecht e Wageningen, da Holanda.
Não é só a Europa que discute os futuros critérios de sustentabilidade de biocombustível para entrar no seu mercado. O Congresso dos EUA aprovou uma decisão nesse sentido, deixando para a Agência de Proteção Ambiental elaborar as exigências.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Madeira plástica quer ser alternativa ecologicamente correta
01 / 10 / 2008
Fonte: Ambiente Brasil
A tradicional madeira, que contribui para o desmatamento de milhares de árvores, já pode ser substituída pela "madeira plástica". O novo material é feito a partir de uma mistura de plástico, que vem de embalagens usadas e até de fraldas descartáveis, com fibras vegetais, que podem ser de coco e tapetes. Nessa mistura também entra a borra de café.
O material que sobra da produção das indústrias é todo moído e prensado a uma temperatura de 200º. A aparência do novo material não deixa nada a desejar ao visual da tradicional madeira.
O diretor da fábrica que produz o novo material, Marcelo Queiroga, lista alguns benefícios da "nova madeira". "Não precisa de manutenção e nem envernizar. Produziremos muitos quilos de madeira plástica por dia se levarmos em conta que, se entrar dez quilos de resíduos na fábrica, serão dez quilos de madeira plástica produzidas. Digo aos funcionários da fábrica que somos uns garis responsáveis".
A empresária Hanriette Soares apostou na novidade para construir o deck da piscina de sua casa. " Escolhi esse material por ter uma política ecológica bacana, uma proposta de reciclagem de lixo. Além de estar aliada à questão da durabilidade".
As construções tradicionais ainda são maioria, mas pesquisadores estão em busca de soluções ecológicas. Os professores do curso de arquitetura da PUC-Rio criaram o "telhado verde", como uma alternativa às telhas e ao concreto.
Alguns testes feitos no telhado comprovaram que a novidade é à prova de vazamentos e contribui para que se use menos o ar condicionado. De acordo com um dos inventores, professor Fernando Betin, uma das propriedades do material é acumular a umidade do ar, favorecendo a diminuição da temperatura do ambiente.
O "telhado verde" é feito com plantas que dispensam manutenção constante, madeira, uma manta impermeabilizante feita de pequenas pedras, que servem para facilitar o escoamento da chuva, e por cima terra.
(Fonte: G1)
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Fonte: Ambiente Brasil
A tradicional madeira, que contribui para o desmatamento de milhares de árvores, já pode ser substituída pela "madeira plástica". O novo material é feito a partir de uma mistura de plástico, que vem de embalagens usadas e até de fraldas descartáveis, com fibras vegetais, que podem ser de coco e tapetes. Nessa mistura também entra a borra de café.
O material que sobra da produção das indústrias é todo moído e prensado a uma temperatura de 200º. A aparência do novo material não deixa nada a desejar ao visual da tradicional madeira.
O diretor da fábrica que produz o novo material, Marcelo Queiroga, lista alguns benefícios da "nova madeira". "Não precisa de manutenção e nem envernizar. Produziremos muitos quilos de madeira plástica por dia se levarmos em conta que, se entrar dez quilos de resíduos na fábrica, serão dez quilos de madeira plástica produzidas. Digo aos funcionários da fábrica que somos uns garis responsáveis".
A empresária Hanriette Soares apostou na novidade para construir o deck da piscina de sua casa. " Escolhi esse material por ter uma política ecológica bacana, uma proposta de reciclagem de lixo. Além de estar aliada à questão da durabilidade".
As construções tradicionais ainda são maioria, mas pesquisadores estão em busca de soluções ecológicas. Os professores do curso de arquitetura da PUC-Rio criaram o "telhado verde", como uma alternativa às telhas e ao concreto.
Alguns testes feitos no telhado comprovaram que a novidade é à prova de vazamentos e contribui para que se use menos o ar condicionado. De acordo com um dos inventores, professor Fernando Betin, uma das propriedades do material é acumular a umidade do ar, favorecendo a diminuição da temperatura do ambiente.
O "telhado verde" é feito com plantas que dispensam manutenção constante, madeira, uma manta impermeabilizante feita de pequenas pedras, que servem para facilitar o escoamento da chuva, e por cima terra.
(Fonte: G1)
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Com minhocas, sistema doméstico converte lixo orgânico em fertilizante
05 / 09 / 2008
Fonte: Ambiente Brasil
De essencial, a lata de lixo virou item supérfluo na cozinha da antropóloga Nicole Roitberg, 31. Há um ano, cascas de fruta, aparas de verdura, restos de alimentos, borra de café e saquinhos de chá têm outro destino: a Minhocasa, um sistema de compostagem doméstica em que minhocas convertem resíduos orgânicos em fertilizante natural.
Desenvolvida pelo Instituto Coopera, uma ONG de Brasília, a Minhocasa é resultado de uma experiência australiana adaptada e redimensionada para a realidade brasileira.
Trata-se de um sistema fechado, composto por três caixas plásticas empilhadas. No compartimento do meio, uma colônia de minhocas de duas espécies - vermelha da Califórnia e gigante africana- se alimenta de sobras de alimentos, folhas secas e papel, convertendo-os em dois tipos de adubo: húmus e um biofertilizante líquido.
"Hoje, o lixo seco já tem mercado, virou dinheiro. Há indústria para reciclar latinhas de alumínio e garrafas PET. Não se vê uma na rua", diz o administrador de empresas Cesar Cassab Danna, 35, um dos fundadores do Instituto Coopera. "Mas o lixo orgânico, que, segundo estatística mundial, representa mais da metade de uma lixeira doméstica, é o grande vilão. Mal manejado, é o que mais polui. Gera gás metano e chorume, aquele líquido ácido que acaba no lençol freático e contamina os rios.
"Se na lixeira convencional o lixo cheira mal, no minhocário isto não ocorre. Não há fermentação porque a relação entre nitrogênio (lixo molhado) e carbono (matéria orgânica seca) é balanceada na proporção de um para dois, respectivamente.
"Quando há excesso de nitrogênio, o lixo fica muito úmido, entra no estágio anaeróbico e fermenta. O carbono tem a função de aerar o sistema, de criar canais de ar", diz Danna.
Ainda assim, o sistema gera um líquido com pH neutro usado como adubo folhear ou na rega. "Quanto maior for a diversidade dos restos alimentares, mais rico será o adubo."
A seu favor, a Minhocasa tem o fato de 1) ser compacta; 2) não gerar mau cheiro; 3) não atrair ratos nem baratas; 4) não demandar os cuidados requeridos por uma composteira tradicional; 5) ser auto-regulável.
"As minhocas se adaptam de acordo com o espaço físico e a quantidade de comida disponível. Podem ficar até três meses sem receber alimentos. Não morrem, só diminuem ou param a reprodução", diz Danna.
A médica Luciana Tutida, 34, está reciclando o lixo orgânico há três meses. Nesse ínterim, porém, já ficou uma semana sem alimentá-las. "O manejo é simples, tanto que às vezes eu esqueço de colocar lixo e não tem problema", diz. "É gratificante saber que posso ajudar a reciclar o lixo que eu produzo."
Solução doméstica - A idéia de descartar o lixo orgânico da maneira convencional, colocando-o na rua para que seja recolhido pelo caminhão e descartado em lixões ou aterros, há muito tempo não agradava a antropóloga Nicole Roitberg, que trabalha com sustentabilidade ambiental.
"Em sítio, é fácil fazer a composteira e resolver o problema, mas, por morar em apartamento, ainda não tinha resolvido a questão do meu lixo orgânico."
No início, Nicole enfrentou resistência da mãe. "Ela não queria de jeito nenhum. Trouxe de surpresa e deixei um recado: "Dê boas-vindas para a nossa família". Ela não gostou muito, mas, com o tempo, percebeu a importância não só de reciclar o lixo orgânico mas de perceber que a natureza transforma tudo. Uma coisa vira alimento da outra. Ao fazer isso, estamos tentando mimetizar esses processos da natureza."
Praticante da permacultura -manejo sustentável dos recursos naturais a fim de causar o menor impacto ambiental possível-, Danna diz que o grande apelo da Minhocasa é a funcionalidade e praticidade do sistema, mas principalmente a possibilidade de "cada um fazer a diferença".
"Existem muitos paradigmas a serem quebrados em relação ao lixo. Na cabeça de muitos, é aquilo que fede e atrai doença. Mas o lixo é tudo isso sim se mal manejado. Do contrário, torna-se não um poluente, mas um grande nutriente. Se cada um cuida do seu, o benefício para o meio ambiente é muito grande, e o dispêndio financeiro para a coleta, bem menor."
(Fonte: Janaina Fidalgo/ Folha Online)
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Fonte: Ambiente Brasil
De essencial, a lata de lixo virou item supérfluo na cozinha da antropóloga Nicole Roitberg, 31. Há um ano, cascas de fruta, aparas de verdura, restos de alimentos, borra de café e saquinhos de chá têm outro destino: a Minhocasa, um sistema de compostagem doméstica em que minhocas convertem resíduos orgânicos em fertilizante natural.
Desenvolvida pelo Instituto Coopera, uma ONG de Brasília, a Minhocasa é resultado de uma experiência australiana adaptada e redimensionada para a realidade brasileira.
Trata-se de um sistema fechado, composto por três caixas plásticas empilhadas. No compartimento do meio, uma colônia de minhocas de duas espécies - vermelha da Califórnia e gigante africana- se alimenta de sobras de alimentos, folhas secas e papel, convertendo-os em dois tipos de adubo: húmus e um biofertilizante líquido.
"Hoje, o lixo seco já tem mercado, virou dinheiro. Há indústria para reciclar latinhas de alumínio e garrafas PET. Não se vê uma na rua", diz o administrador de empresas Cesar Cassab Danna, 35, um dos fundadores do Instituto Coopera. "Mas o lixo orgânico, que, segundo estatística mundial, representa mais da metade de uma lixeira doméstica, é o grande vilão. Mal manejado, é o que mais polui. Gera gás metano e chorume, aquele líquido ácido que acaba no lençol freático e contamina os rios.
"Se na lixeira convencional o lixo cheira mal, no minhocário isto não ocorre. Não há fermentação porque a relação entre nitrogênio (lixo molhado) e carbono (matéria orgânica seca) é balanceada na proporção de um para dois, respectivamente.
"Quando há excesso de nitrogênio, o lixo fica muito úmido, entra no estágio anaeróbico e fermenta. O carbono tem a função de aerar o sistema, de criar canais de ar", diz Danna.
Ainda assim, o sistema gera um líquido com pH neutro usado como adubo folhear ou na rega. "Quanto maior for a diversidade dos restos alimentares, mais rico será o adubo."
A seu favor, a Minhocasa tem o fato de 1) ser compacta; 2) não gerar mau cheiro; 3) não atrair ratos nem baratas; 4) não demandar os cuidados requeridos por uma composteira tradicional; 5) ser auto-regulável.
"As minhocas se adaptam de acordo com o espaço físico e a quantidade de comida disponível. Podem ficar até três meses sem receber alimentos. Não morrem, só diminuem ou param a reprodução", diz Danna.
A médica Luciana Tutida, 34, está reciclando o lixo orgânico há três meses. Nesse ínterim, porém, já ficou uma semana sem alimentá-las. "O manejo é simples, tanto que às vezes eu esqueço de colocar lixo e não tem problema", diz. "É gratificante saber que posso ajudar a reciclar o lixo que eu produzo."
Solução doméstica - A idéia de descartar o lixo orgânico da maneira convencional, colocando-o na rua para que seja recolhido pelo caminhão e descartado em lixões ou aterros, há muito tempo não agradava a antropóloga Nicole Roitberg, que trabalha com sustentabilidade ambiental.
"Em sítio, é fácil fazer a composteira e resolver o problema, mas, por morar em apartamento, ainda não tinha resolvido a questão do meu lixo orgânico."
No início, Nicole enfrentou resistência da mãe. "Ela não queria de jeito nenhum. Trouxe de surpresa e deixei um recado: "Dê boas-vindas para a nossa família". Ela não gostou muito, mas, com o tempo, percebeu a importância não só de reciclar o lixo orgânico mas de perceber que a natureza transforma tudo. Uma coisa vira alimento da outra. Ao fazer isso, estamos tentando mimetizar esses processos da natureza."
Praticante da permacultura -manejo sustentável dos recursos naturais a fim de causar o menor impacto ambiental possível-, Danna diz que o grande apelo da Minhocasa é a funcionalidade e praticidade do sistema, mas principalmente a possibilidade de "cada um fazer a diferença".
"Existem muitos paradigmas a serem quebrados em relação ao lixo. Na cabeça de muitos, é aquilo que fede e atrai doença. Mas o lixo é tudo isso sim se mal manejado. Do contrário, torna-se não um poluente, mas um grande nutriente. Se cada um cuida do seu, o benefício para o meio ambiente é muito grande, e o dispêndio financeiro para a coleta, bem menor."
(Fonte: Janaina Fidalgo/ Folha Online)
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Trio de jovens implanta projeto bem sucedido para coleta de óleo de fritura
03/10/2008
Fonte: Mônica Pinto / AmbienteBrasilMuita disposição para empreender e uma criação familiar em que conscientização ambiental era constante foram os ingredientes a fazerem dos jovens Leonardo Aguiar, 21, Matheus Cardoso, 19, e Cleomácio Soares, 21, um trio de sucesso hoje na região da cidade de Rezende, no Rio de Janeiro.
Amigos de infância, estavam todos empregados em indústrias da região, quando souberam que iria se instalar no município uma usina de biodiesel. A partir daí, focaram em tornarem-se fornecedores dela, aliando a perspectiva de rendimento financeira à resolução de um problema ambiental sério: a necessidade de coleta e destinação adequada do óleo de cozinha usado.
Os rapazes pediram demissão e fundaram a Ecoleta Comércio e Serviços de Reciclagem, em dezembro de 2007.
A usina não foi para frente, terminou nem saindo do papel. Mas o esforço do trio, ao contrário, tem resultado em marcas ascendentes de coleta do produto, o que foi obtido por intermédio de parcerias com 42 escolas. Distribuídos pelas cidades de Resende, Itatiaia, Quatis e Porto Real, os estabelecimentos de ensino são beneficiários diretos do projeto, batizado de Viva Óleo. Ele funciona como uma gincana de pontos e prêmios entre as escolas participantes. A equipe do projeto percorre periodicamente os estabelecimentos de ensino da região promovendo palestras, exposições e feiras, sempre abordando temas relacionados aos 3 Rs (reduzir, reciclar, reutilizar).
A partir da primeira palestra, a escola recebe gratuitamente um recipiente para armazenagem do óleo e torna-se um ponto de coleta - o eco-ponto. A cada cinco litros recolhidos, a escola soma um ponto no seu placar do Viva Óleo.
Os prêmios são adquiridos mediante o acúmulo desde 5 a 2000 pontos, trocados respectivamente por telas de pintura e computadores, passando por materiais esportivos e didáticos.
Essa estratégia socioambiental facilitou a adesão de empresas da região, pois elas também participam da gincana, entregando o óleo usado ao seu eco-ponto / escola preferido. Mais que isso, o projeto viabilizou para grande parte delas o cumprimento da Lei Municipal 2632, que determina a obrigatoriedade dos estabelecimentos comerciais geradores darem a destinação correta para o óleo de cozinha pós-uso.
Todo o material coletado recebe tratamento e é destinado a uma usina produtora de biodiesel em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. Em setembro, foram coletados 3.600 litros. “Temos tido ascensão constante desde o início do projeto”, disse a AmbienteBrasil Leonardo Aguiar.
Conforme o negócio vai ganhando escala, o trio já vislumbra a possibilidade de instalar a própria usina, em parceria com a atual compradora.
Segundo Leonardo, nos próximos dias, será feita a primeira entrega de prêmios a uma escola participante do projeto – a Abrahão Hermano, da rede municipal de Resende. O estabelecimento vai ganhar uma rede e uma bola de voleibol, o solicitado ao projeto.
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Reserva do AM venderá créditos de carbono
Bettina Barros, de São Paulo
03/10/2008
Fonte: Valoronline
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma, no Estado do Amazonas, recebeu esta semana a primeira validação de uma auditora internacional, o que permitirá a comercialização de créditos de carbono gerados com a floresta em pé. O projeto validado pela alemã Tüv Süd recebeu a pontuação máxima na categoria "ouro" do padrão Climate Community and Biodiversity Alliance (CCBA), uma respeitada organização voltada para projetos ambientais em fase de desenvolvimento.
Com a validação, passa a ser possível agora à reserva amazonense quantificar cientificamente o montante de dióxido de carbono (CO2, o principal gás-estufa) que deixa de ser jogado na atmosfera com o desmatamento evitado. "É um precedente importante para o debate pós-Kyoto", diz Virgílio Viana, diretor-geral do Fundo Amazônia Sustentável (FAS), uma organização não-governamental criada em parceria pelo Amazonas e o Bradesco para desenvolver projetos sustentáveis na floresta.
"A validação da metodologia mostra que as questões técnicas podem ser superadas e o carbono florestal poderá ter um papel decisivo para mitigar as mudanças climáticas globais", explica Viana. Pelas regras atuais do Protocolo de Kyoto, as florestas nativas ainda não têm direito ao mercado regulado de carbono devido a dúvidas metodológicas.
A reserva do Juma é o primeiro projeto brasileiro em REED, sigla para redução de emissões por desmatamento e degradação das florestas. São 366 mil hectares de floresta tropical ainda intactas, que podem gerar quase 190 milhões de créditos de carbono até 2050.
Os créditos da reserva já estão vendidos para a rede internacional de hotéis Marriott, que assinou em abril deste ano um contrato de doação de US$ 2 milhões, a serem pagos em quatro anos, para a preservação desse quinhão da Amazônia. Além disso, os hóspedes da rede poderão neutralizar suas emissões de carbono por US$ 1 a mais no valor pago pela estadia.
O programa para a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma é considerado crucial na combate ao desmatamento na região. Isso porque ela está localizada na margem direita do rio Madeira, no município de Novo Aripuanã, uma área com alto risco de desmatamento devido à possível pavimentação da rodovia BR-319, estrada que liga Porto Velho (RO) a Manaus, e da BR-230, a Transamazônica. Segundo o FAS, Juma já viu desaparecer 6 mil hectares de matas.
A reserva foi criada pelo governo amazonense em 2006 com o objetivo de proteger a floresta com alto valor de biodiversidade e propiciar a melhoria da qualidade de vida das atuais 322 famílias de população tradicional que vivem dentro da área.
03/10/2008
Fonte: Valoronline
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma, no Estado do Amazonas, recebeu esta semana a primeira validação de uma auditora internacional, o que permitirá a comercialização de créditos de carbono gerados com a floresta em pé. O projeto validado pela alemã Tüv Süd recebeu a pontuação máxima na categoria "ouro" do padrão Climate Community and Biodiversity Alliance (CCBA), uma respeitada organização voltada para projetos ambientais em fase de desenvolvimento.
Com a validação, passa a ser possível agora à reserva amazonense quantificar cientificamente o montante de dióxido de carbono (CO2, o principal gás-estufa) que deixa de ser jogado na atmosfera com o desmatamento evitado. "É um precedente importante para o debate pós-Kyoto", diz Virgílio Viana, diretor-geral do Fundo Amazônia Sustentável (FAS), uma organização não-governamental criada em parceria pelo Amazonas e o Bradesco para desenvolver projetos sustentáveis na floresta.
"A validação da metodologia mostra que as questões técnicas podem ser superadas e o carbono florestal poderá ter um papel decisivo para mitigar as mudanças climáticas globais", explica Viana. Pelas regras atuais do Protocolo de Kyoto, as florestas nativas ainda não têm direito ao mercado regulado de carbono devido a dúvidas metodológicas.
A reserva do Juma é o primeiro projeto brasileiro em REED, sigla para redução de emissões por desmatamento e degradação das florestas. São 366 mil hectares de floresta tropical ainda intactas, que podem gerar quase 190 milhões de créditos de carbono até 2050.
Os créditos da reserva já estão vendidos para a rede internacional de hotéis Marriott, que assinou em abril deste ano um contrato de doação de US$ 2 milhões, a serem pagos em quatro anos, para a preservação desse quinhão da Amazônia. Além disso, os hóspedes da rede poderão neutralizar suas emissões de carbono por US$ 1 a mais no valor pago pela estadia.
O programa para a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma é considerado crucial na combate ao desmatamento na região. Isso porque ela está localizada na margem direita do rio Madeira, no município de Novo Aripuanã, uma área com alto risco de desmatamento devido à possível pavimentação da rodovia BR-319, estrada que liga Porto Velho (RO) a Manaus, e da BR-230, a Transamazônica. Segundo o FAS, Juma já viu desaparecer 6 mil hectares de matas.
A reserva foi criada pelo governo amazonense em 2006 com o objetivo de proteger a floresta com alto valor de biodiversidade e propiciar a melhoria da qualidade de vida das atuais 322 famílias de população tradicional que vivem dentro da área.
Estudo ambiental de Belo Monte sai este mês
Rafael Rosas, Valor Online, do Rio
03/10/2008
Fonte: Valoronline
O presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes, afirmou que a estatal deve entregar ao Ibama até o fim do mês o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) para a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, prevista para ir a leilão no ano que vem e que terá capacidade de geração de 11.182 megawatts. Ele estima que o custo para construção da usina será de cerca de US$ 10 bilhões.
De acordo com Lopes, o custo de construção da usina de Belo Monte orçado em 2002 estava estimado em R$ 8 bilhões. "Mas estimo que hoje esteja em torno de R$ 10 bilhões", disse o executivo, que participou ontem do Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico (Enase 2008), no Rio de Janeiro.
Lopes confirmou que houve mudanças em relação ao projeto original. Segundo ele, o reservatório terá 440 quilômetros quadrados. O projeto anterior previa 1,2 mil quilômetros quadrados.
"Vamos agora pensar junto ao acionista como é que ela (Eletrobrás) participará no leilão no ano que vem", frisou, acrescentando que, em princípio, as subsidiárias da estatal não vão concorrer entre si. "Como é uma usina considerada pelo Conselho Nacional de Política Energética estratégica e estruturante, terá de ter avaliação especial. Sozinha, é maior do que Furnas, Chesf, Eletronorte. Então, exige um tratamento especial que, com certeza, o governo dará", disse.
Lopes informou ainda que a estatal já finalizou o inventário do Rio Tapajós, no Pará, cuja capacidade estimada pelo mercado é de cerca de 30 mil megawatts. A sua expectativa é de entregar o estudo ao ministério nos próximos dias.
No Encontro foi apresentada a sondagem sobre tendências do setor elétrico, coordenada por Nivalde de Castro, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo a pesquisa, a crise financeira internacional pode alterar a expectativa de queda na participação do BNDES na fatia de investimentos para o setor elétrico.
Na sondagem, respondida por 15 entidades ligadas ao setor, os agentes apostaram, em sua maioria, que o volume de investimentos necessário para os próximos anos poderá exceder os recursos do banco disponíveis para energia elétrica. Na enquete, 53,3% dos entrevistados apostaram nessa possibilidade.
Na pesquisa, 13,3% afirmaram que o BNDES será capaz de financiar a maior parte dos investimentos necessários, enquanto 33,3% ponderaram que a disponibilidade de crédito pode ser uma ameaça para a expansão do sistema.
03/10/2008
Fonte: Valoronline
O presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes, afirmou que a estatal deve entregar ao Ibama até o fim do mês o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) para a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, prevista para ir a leilão no ano que vem e que terá capacidade de geração de 11.182 megawatts. Ele estima que o custo para construção da usina será de cerca de US$ 10 bilhões.
De acordo com Lopes, o custo de construção da usina de Belo Monte orçado em 2002 estava estimado em R$ 8 bilhões. "Mas estimo que hoje esteja em torno de R$ 10 bilhões", disse o executivo, que participou ontem do Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico (Enase 2008), no Rio de Janeiro.
Lopes confirmou que houve mudanças em relação ao projeto original. Segundo ele, o reservatório terá 440 quilômetros quadrados. O projeto anterior previa 1,2 mil quilômetros quadrados.
"Vamos agora pensar junto ao acionista como é que ela (Eletrobrás) participará no leilão no ano que vem", frisou, acrescentando que, em princípio, as subsidiárias da estatal não vão concorrer entre si. "Como é uma usina considerada pelo Conselho Nacional de Política Energética estratégica e estruturante, terá de ter avaliação especial. Sozinha, é maior do que Furnas, Chesf, Eletronorte. Então, exige um tratamento especial que, com certeza, o governo dará", disse.
Lopes informou ainda que a estatal já finalizou o inventário do Rio Tapajós, no Pará, cuja capacidade estimada pelo mercado é de cerca de 30 mil megawatts. A sua expectativa é de entregar o estudo ao ministério nos próximos dias.
No Encontro foi apresentada a sondagem sobre tendências do setor elétrico, coordenada por Nivalde de Castro, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo a pesquisa, a crise financeira internacional pode alterar a expectativa de queda na participação do BNDES na fatia de investimentos para o setor elétrico.
Na sondagem, respondida por 15 entidades ligadas ao setor, os agentes apostaram, em sua maioria, que o volume de investimentos necessário para os próximos anos poderá exceder os recursos do banco disponíveis para energia elétrica. Na enquete, 53,3% dos entrevistados apostaram nessa possibilidade.
Na pesquisa, 13,3% afirmaram que o BNDES será capaz de financiar a maior parte dos investimentos necessários, enquanto 33,3% ponderaram que a disponibilidade de crédito pode ser uma ameaça para a expansão do sistema.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Educação ambiental
02/10/2008
Fonte: Ambiente Brasil
Educação ambiental
Está no ar o ECO1, que se apresenta como o primeiro site de vídeos de educação ambiental da internet brasileira. Totalmente desenvolvido em software livre e com acesso gratuito para estudantes e professores de todo Brasil, acaba de cadastrar dois novos vídeos: Rio Amazonas e Floresta Amazônica, num total de 10, todos supervisionados por um doutor em Biologia. O ECO1 foi convidado pelo MEC a fazer parte da Base Internacional de Objetos Educacionais (BIOE).
Educação ambiental II
Alunos de escolas de várias partes do Sul de Minas estão recebendo Educação Ambiental no Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, em Andrelândia. Somente neste ano, mais de 300 deles, das cidades de São Vicente de Minas, Soledade, Piedade do Rio Grande, São Lourenço e Arantina, visitaram o Parque acompanhados de professores e monitores, conhecendo as intrigantes pinturas rupestres pré-históricas (que datam cerca de 3500 anos), a Gruta dos Novatos, a fauna e a flora da região.
Fonte: Ambiente Brasil
Educação ambiental
Está no ar o ECO1, que se apresenta como o primeiro site de vídeos de educação ambiental da internet brasileira. Totalmente desenvolvido em software livre e com acesso gratuito para estudantes e professores de todo Brasil, acaba de cadastrar dois novos vídeos: Rio Amazonas e Floresta Amazônica, num total de 10, todos supervisionados por um doutor em Biologia. O ECO1 foi convidado pelo MEC a fazer parte da Base Internacional de Objetos Educacionais (BIOE).
Educação ambiental II
Alunos de escolas de várias partes do Sul de Minas estão recebendo Educação Ambiental no Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, em Andrelândia. Somente neste ano, mais de 300 deles, das cidades de São Vicente de Minas, Soledade, Piedade do Rio Grande, São Lourenço e Arantina, visitaram o Parque acompanhados de professores e monitores, conhecendo as intrigantes pinturas rupestres pré-históricas (que datam cerca de 3500 anos), a Gruta dos Novatos, a fauna e a flora da região.
Fundação suíça quer cautela com o etanol
Assis Moreira, de Genebra
02/10/2008
Fonte: Valoronline
Um novo estudo internacional sugere ao Brasil e a outros países "tirar o pé do acelerador" na produção de etanol enquanto não houver informações mais seguras sobre o impacto do desenvolvimento da bioenergia na mudança da forma de uso da terra.
A recomendação foi feita ontem pelo Conselho Internacional para Governança de Riscos, fundação sediada em Genebra com financiamento de alguns governos ricos (como Suíça, Estados Unidos, Áustria e Coréia) e empresas privadas (entre as quais a seguradora Swiss Re, a companhia francesa de energia EDF, a suíça Atel, a alemã E.ON e a consultoria Oliver Wyman).
A fundação, que diz querer "antecipar riscos emergentes", aponta "expectativas irreais" sobre o potencial da bioenergia, que considera "freqüentemente ineficiente". Diz que a expansão dos biocombustíveis chegou a tal ponto que passou a exigir uma avaliação científica de riscos de longo prazo para a degradação do solo, perda de biodiversidade, utilização excessiva de água e para o conflito com a produção de alimentos, recorrentemente negados pelo governo brasileiro e pelas usinas sucroalcooleiras instaladas no país.
Considera a fundação que esses impactos indiretos colocam em xeque a lógica ambiental para a bioenergia se amplas áreas são necessárias para a produção de etanol e biodiesel, indiferentemente da localização e dos métodos de produção empregados. Exemplifica, ainda, que o Brasil tem a mais eficiente produção de etanol do mundo, com a cana-de-açúcar, mas que mesmo políticas bem sucedidas trazem persistentes problemas ambientais e sociais.
"Há o problema da expansão da produção na Amazônia [que será coibido por Brasília], a mudança no uso da terra em São Paulo, o impacto no cerrado e os efeitos na migração da população rural", afirmou Jeff McNeely, cientista-chefe da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) e principal autor do relatório.
De acordo com o estudo, o Brasil já pode "estar sofrendo com as conseqüências do crescente desmatamento para a produção de soja para ocupar o vácuo deixado pelos produtores americanos que partiram para a produção subsidiada e lucrativa de etanol a base de milho". Em entrevista coletiva em Genebra, McNeely repetiu queixas de "pobres condições de trabalho" de 1 milhão de pessoas no segmento sucroalcooleiro no Brasil. Ele observou que a mecanização da colheita de cana no país "vai piorar ainda mais as emissões de gás carbônico".
O representante do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), George Weyerhaeuser, indicou um suposto desconforto de investidores internacionais com "falta de clareza" na política do governo sobre o uso de terra na produção de etanol. Ele não deu exemplos de suposta hesitação de investidores em apostar no etanol brasileiro. Deu, na verdade, seu exemplo pessoal, no sentido contrário. Disse que sua companhia, sediada em Seattle (EUA), investe na produção de madeira no Sul do Brasil junto com a Aracruz, e que pretende ampliar esses aportes.
O argumento do documento sobre o uso da terra para cana vai na linha daquele de oito multinacionais de bebidas e alimentação - Nestlé, Unilever, Kellog's, Danone, Cadbury, Mars, Heineken e Pepsi -, que pediram à União Européia para "desistir" da meta de utilização de 10% de biocombustíveis no transporte até 2020, pois ela podia "erodir" a competitividade da indústria alimentícia local.
A idéia é que a produção de etanol no Nordeste, por exemplo, tira espaço da produção de alimentos e impele os agricultores a desmatar a Amazônia. Dessa forma, o cálculo da eficiência ambiental do etanol importado do Brasil teria que incluir o volume de emissões de gases de efeito estufa no desmatamento da Amazônia, mesmo se ele não foi para produzir biocombustíveis. Se o critério for aceito na UE, o etanol brasileiro não atenderá às exigências de redução de gases em relação à gasolina.
02/10/2008
Fonte: Valoronline
Um novo estudo internacional sugere ao Brasil e a outros países "tirar o pé do acelerador" na produção de etanol enquanto não houver informações mais seguras sobre o impacto do desenvolvimento da bioenergia na mudança da forma de uso da terra.
A recomendação foi feita ontem pelo Conselho Internacional para Governança de Riscos, fundação sediada em Genebra com financiamento de alguns governos ricos (como Suíça, Estados Unidos, Áustria e Coréia) e empresas privadas (entre as quais a seguradora Swiss Re, a companhia francesa de energia EDF, a suíça Atel, a alemã E.ON e a consultoria Oliver Wyman).
A fundação, que diz querer "antecipar riscos emergentes", aponta "expectativas irreais" sobre o potencial da bioenergia, que considera "freqüentemente ineficiente". Diz que a expansão dos biocombustíveis chegou a tal ponto que passou a exigir uma avaliação científica de riscos de longo prazo para a degradação do solo, perda de biodiversidade, utilização excessiva de água e para o conflito com a produção de alimentos, recorrentemente negados pelo governo brasileiro e pelas usinas sucroalcooleiras instaladas no país.
Considera a fundação que esses impactos indiretos colocam em xeque a lógica ambiental para a bioenergia se amplas áreas são necessárias para a produção de etanol e biodiesel, indiferentemente da localização e dos métodos de produção empregados. Exemplifica, ainda, que o Brasil tem a mais eficiente produção de etanol do mundo, com a cana-de-açúcar, mas que mesmo políticas bem sucedidas trazem persistentes problemas ambientais e sociais.
"Há o problema da expansão da produção na Amazônia [que será coibido por Brasília], a mudança no uso da terra em São Paulo, o impacto no cerrado e os efeitos na migração da população rural", afirmou Jeff McNeely, cientista-chefe da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) e principal autor do relatório.
De acordo com o estudo, o Brasil já pode "estar sofrendo com as conseqüências do crescente desmatamento para a produção de soja para ocupar o vácuo deixado pelos produtores americanos que partiram para a produção subsidiada e lucrativa de etanol a base de milho". Em entrevista coletiva em Genebra, McNeely repetiu queixas de "pobres condições de trabalho" de 1 milhão de pessoas no segmento sucroalcooleiro no Brasil. Ele observou que a mecanização da colheita de cana no país "vai piorar ainda mais as emissões de gás carbônico".
O representante do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), George Weyerhaeuser, indicou um suposto desconforto de investidores internacionais com "falta de clareza" na política do governo sobre o uso de terra na produção de etanol. Ele não deu exemplos de suposta hesitação de investidores em apostar no etanol brasileiro. Deu, na verdade, seu exemplo pessoal, no sentido contrário. Disse que sua companhia, sediada em Seattle (EUA), investe na produção de madeira no Sul do Brasil junto com a Aracruz, e que pretende ampliar esses aportes.
O argumento do documento sobre o uso da terra para cana vai na linha daquele de oito multinacionais de bebidas e alimentação - Nestlé, Unilever, Kellog's, Danone, Cadbury, Mars, Heineken e Pepsi -, que pediram à União Européia para "desistir" da meta de utilização de 10% de biocombustíveis no transporte até 2020, pois ela podia "erodir" a competitividade da indústria alimentícia local.
A idéia é que a produção de etanol no Nordeste, por exemplo, tira espaço da produção de alimentos e impele os agricultores a desmatar a Amazônia. Dessa forma, o cálculo da eficiência ambiental do etanol importado do Brasil teria que incluir o volume de emissões de gases de efeito estufa no desmatamento da Amazônia, mesmo se ele não foi para produzir biocombustíveis. Se o critério for aceito na UE, o etanol brasileiro não atenderá às exigências de redução de gases em relação à gasolina.
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