Samantha Maia, de São Paulo
20/10/2008
Fonte: Valoronline
O Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa), município paulista da região do ABC, conseguiu em dois anos reduzir suas perdas de água de 28% para 26%, índice abaixo da média de São Paulo, hoje entre 30% e 40%. A empresa economizou R$ 1 milhão por ano com medidas como regulagem da pressão das bombas de água, otimização do monitoramento da rede e melhoria da medição de consumo. A economia veio do aumento da medição de 2,7 milhões de metros cúbicos de água por ano, em 2006 e 2007, que antes eram perdidos na distribuição ou não eram cobrados, e da redução do consumo de 378 MWh/ano de energia elétrica.
Desde 2006, o Semasa participa, junto com mais nove companhias de todo o país, do programa "Com+Água", iniciativa do Ministério das Cidades para incentivar a redução de perdas e consumo de energia nas empresas de saneamento. As companhias - Semasa Santo André (SP), Saae Sorocaba (SP), Saeg Guaratinguetá (SP), Corsan Santa Maria (RS), Samae Caxias do Sul (RS), Copasa Montes Claros (MG), Embasa lhéus (BA), SAE Ituiutaba (MG), Saae Viçosa (MG) e Samae São Bento do Sul (SC) - foram escolhidas de acordo com seus problemas e capacidade de gestão do programa.
Trocar as tubulações antigas e os hidrômetros de cinco em cinco anos são outros procedimentos importantes para manter o controle das perdas. A mobilização de funcionários para combater desperdícios e aumentar a velocidade de atendimento em caso de vazamento incrementa o trabalho. Para a contratação de uma consultoria especializada para atender as empresas e a compra de equipamentos foram investidos R$ 10 milhões, montante financiado pelo Banco Mundial.
O programa terminou em setembro, com redução geral de 19% da perda de água, o equivalente ao consumo de uma cidade de 200 mil habitantes durante um ano. Antes do projeto, o volume médio de perdas no conjunto dessas empresas era de 356 litros por ligação/dia. Hoje, a quantidade caiu para 289 litros/ligação. Junto com uma queda no consumo de energia de 2,7 mil MW/h por ano, a iniciativa rendeu uma economia de aproximadamente R$ 10 milhões às dez empresas participantes, valor semelhante ao total investido.
O importante, porém, segundo Francisco Gabriel Silva, engenheiro do Ministério das Cidades que trabalha na coordenação do projeto, é que as companhias consigam incorporar de maneira definitiva as políticas de ganho de eficiência. "É importante fazer um monitoramento por mais tempo, para ver se realmente as mudanças tiveram efeito também no longo prazo", diz.
Segundo Milton Luis Joseph, superintendente do Semasa, a intenção é manter as mudanças trazidas pelo programa e chegar em dois anos a limitar em 25% a perda de água. "O volume pode parecer alto, mas é um patamar bom no cenário brasileiro", diz Joseph.
A falta de eficiência é um dos maiores problemas do setor de saneamento e afeta fortemente a capacidade de investimento das empresas, em sua maioria públicas. A média nacional de perdas de água - por vazamento ou por falta de medição do uso - está em 39,5% entre as empresas estaduais e 40,7% nas municipais. Energia, por sua vez está entre os maiores custos de operação. Atacar essas duas frentes é um caminho importante para reestruturar as empresas.
"Ficar tanto tempo sem investimento deixou muitas companhias obsoletas", diz Marcus Vinícius Caberlon, diretor-geral do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Caxias do Sul (RS). Segundo ele, investir em ganho de eficiência e redução de perdas permitirá à empresa atender mais 70 mil pessoas sem a necessidade de aumentar a captação de água. Caxias do Sul possui 400 mil habitantes, mas o programa foi aplicado em uma área experimental, onde moram 23 mil pessoas.
O Samae conseguiu diminuir para 40% um índice de 60% de perda de água, redução que gerou economia de R$ 600 mil. A conta de luz, por sua vez, caiu 18%, o equivalente a R$ 300 mil, com troca de equipamentos e melhor utilização do recurso. Diante desses resultados, Caberlon diz que a intenção é manter os investimentos em eficiência, com a aplicação de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões em modernização no sistema por ano.
Segundo Silva, do Ministério das Cidades, esse trabalho poderá trazer impactos positivos nas tarifas no longo prazo. "A tarifa hoje leva em consideração o nível de perdas e num momento de reavaliação tarifária poderá ser possível repassar esses ganhos ao consumidor", diz.
Em Guaratinguetá (SP), a companhia de saneamento Saeg conseguiu reduzir de 40% para 16% a perda de água em seu projeto-piloto, região onde são abastecidas 3,5 mil pessoas, 3% da população da cidade. "Isolamos um sistema de abastecimento e fizemos todos os acertos em equipamentos. Para o ano que vem, serão incluídas outras áreas, que abrangem 25 mil pessoas", diz André Luis de Paula Marques, diretor-técnico da Saeg.
Para reduzir o consumo de energia, a empresa começou a bombear a água fora dos horários de pico - quando o custo de energia é menor - e armazená-la para uso posterior. A conta que era de R$ 90 mil a R$ 100 mil reais por mês, está agora em R$ 70 mil, conta o diretor. "Tudo o que os operadores de saneamento mais desejam é produzir mais água com menos energia", diz. Na Saeg, o custo da energia representa 10% a 12% da arrecadação. Em 18 meses de projeto, a companhia economizou R$ 300 mil em energia e R$ 700 mil em redução de perdas de água.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário