sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Estudo ambiental de Belo Monte sai este mês

Rafael Rosas, Valor Online, do Rio
03/10/2008
Fonte: Valoronline


O presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes, afirmou que a estatal deve entregar ao Ibama até o fim do mês o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) para a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, prevista para ir a leilão no ano que vem e que terá capacidade de geração de 11.182 megawatts. Ele estima que o custo para construção da usina será de cerca de US$ 10 bilhões.


De acordo com Lopes, o custo de construção da usina de Belo Monte orçado em 2002 estava estimado em R$ 8 bilhões. "Mas estimo que hoje esteja em torno de R$ 10 bilhões", disse o executivo, que participou ontem do Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico (Enase 2008), no Rio de Janeiro.


Lopes confirmou que houve mudanças em relação ao projeto original. Segundo ele, o reservatório terá 440 quilômetros quadrados. O projeto anterior previa 1,2 mil quilômetros quadrados.
"Vamos agora pensar junto ao acionista como é que ela (Eletrobrás) participará no leilão no ano que vem", frisou, acrescentando que, em princípio, as subsidiárias da estatal não vão concorrer entre si. "Como é uma usina considerada pelo Conselho Nacional de Política Energética estratégica e estruturante, terá de ter avaliação especial. Sozinha, é maior do que Furnas, Chesf, Eletronorte. Então, exige um tratamento especial que, com certeza, o governo dará", disse.
Lopes informou ainda que a estatal já finalizou o inventário do Rio Tapajós, no Pará, cuja capacidade estimada pelo mercado é de cerca de 30 mil megawatts. A sua expectativa é de entregar o estudo ao ministério nos próximos dias.


No Encontro foi apresentada a sondagem sobre tendências do setor elétrico, coordenada por Nivalde de Castro, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo a pesquisa, a crise financeira internacional pode alterar a expectativa de queda na participação do BNDES na fatia de investimentos para o setor elétrico.


Na sondagem, respondida por 15 entidades ligadas ao setor, os agentes apostaram, em sua maioria, que o volume de investimentos necessário para os próximos anos poderá exceder os recursos do banco disponíveis para energia elétrica. Na enquete, 53,3% dos entrevistados apostaram nessa possibilidade.


Na pesquisa, 13,3% afirmaram que o BNDES será capaz de financiar a maior parte dos investimentos necessários, enquanto 33,3% ponderaram que a disponibilidade de crédito pode ser uma ameaça para a expansão do sistema.

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