Silvia Czapski, para o Valor, de São Paulo
03/11/2008
Fonte: Valoronline
Os investimentos em ecoeficiência têm garantido o melhor aproveitamento de matérias primas, ou a reincorporação de sobras na linha de produção, segundo Adriano Assi, diretor da Exposucata, a maior feira de negócios da indústria da reciclagem de sucatas da América Latina. Essa mudança de comportamento faz com que boa parte dos materiais que antes iam para aterros, ao custo de R$ 30 a tonelada, hoje nem se tornam resíduos.
Assi estima em US$ 3,2 milhões anuais a movimentação da cadeia logística reversa, que absorve e reencaminha uma gama de materiais. Existem as "commodities da reciclagem", como metais ferrosos, não ferrosos, plásticos e papel, de fácil venda, inclusive para exportação. Mas a maior rentabilidade, diz ele, fica nos processos que exigem alta tecnologia para a segregação.
É o caso de circuitos eletrônicos, que contém metais preciosos, de alto valor, mas exigem grande volume, para tornar a iniciativa economicamente viável. A ong Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre) traz em seu site uma lista de companhias instaladas no país, que captam e encaminham resíduos eletroeletrônicos para serem triturados ou desmontados e separados dos materiais reaproveitáveis.
Outro exemplo de saída tecnológica para produtos perigosos são os agrotóxicos. Para atender à lei e dar destino adequado às embalagens, as indústrias criaram o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), que orienta os produtores rurais a devolver os invólucros que depois são usados como matéria prima para produzir sacos plástico de descarte e incineração de lixo hospitalar.
No caso dos pneus, a resposta dos fabricantes à obrigatoriedade de, a cada quatro unidades fabricadas, dar destino final para cinco, foi pagar pela queima dos inservíveis nos fornos das cimenteiras. Mas, uma parcela é absorvida como pó de borracha adicionado ao asfalto, ou na fabricação de produtos de borracha, como tapetes e mantas. Para dar idéia do movimento, basta dizer que, de janeiro de 2007 a agosto deste ano, a DPaschoal informa ter encaminhado cerca de 5 mil toneladas de pneus automotivos, recolhidos nas 530 lojas próprias ou credenciadas em sete Estados.
Não existem dados para uma avaliação completa da geração dos resíduos industriais no Brasil, resume Silvia Astolpho, coordenadora do departamento de pesquisa e desenvolvimento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos (Abrelpe). Mas a análise de inventários de dez estados, levou à conclusão que só 4,3% do que as indústrias geram são resíduos perigosos. O resto poderia seguir o processo de troca, que já é realidade no país.
Aberto às empresas cadastradas como serviço gratuito para a transação direta de resíduos e co-produtos das indústrias, 13 federações estaduais de indústrias criaram bolsas de resíduos. Na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) seu departamento de Meio Ambiente, cadastrou mais de 2,1 mil empresas. Quase metade são indústrias (46%), mas também há recicladores (26%), intermediários (20%) e sucateiros (8%). A maioria são pequenas e micro empresas (82%).
Em breve, a CNI interligará as bolsas de resíduos, com um sistema uniformizado para cadastramento das empresas e categorização dos produtos. "Estamos em fase de testes", adianta a gerente de meio ambiente, Grace Dalla Pria.
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